Notas iniciais
Nossa, mas essa escritora é louca mesmo, ela não disse que só voltava em duas semanas? POIS É. Mas eu vi alguns comentários desesperados por aí e perguntei no grupo do whats se elas queriam atualização hoje, então cá estou postando o capítulo e apenas digo que o próximo já está pronto ♥ Boa leitura! ♥

#40

Dormindo juntos

Mais um certo tempo se passou. Naquela semana Blaine estava de folga, ele queria permanecer em casa, curtindo um pouco seus filhos. Kurt, por mais que permanecesse triste, tinha voltado a falar com Blaine. Eles estavam sempre juntos cuidando dos filhos e o silêncio parecia devorá-los aos poucos. Não aguentavam mais ficar sem conversar, então trocavam algumas palavras.

Coisas poucas. Falavam sobre o tempo, sobre os filhos. Kurt falava sobre os shows e Blaine dizia que queria saber quem havia sido o fã a defende-lo, pois queria abraçar essa pessoa. Kurt quase abriu os braços para abraçar o moreno, mas apenas sorriu e se manteve em silêncio.

Em uma das tardes, Kurt ouviu o choro de Theodore e correu para o quarto dos filhos, mas parou na porta para ver a bela cena que estava em sua frente. Alice estava em seu berço, aparentemente ainda dormindo e Blaine estava com Theodore no colo. Ele brincava com o filho, fazia cócegas nele e sorria de maneira boba vendo o filho reagir também às suas brincadeiras.

O coração de Kurt pareceu se aquecer com aquela cena. Blaine era um pai tão atencioso e amoroso, cuidava tão bem dos pequenos. Alice começou a dar indícios que iria chorar, então Blaine se aproximou do berço dela e também a pegou no colo. Kurt sentiu um certo medo de Blaine derrubar as crianças, já que estava com as duas nos braços, mas viu que ele lidou muito bem com a situação e isso deixou seu coração mais calmo.

Amava tanto aqueles três.

— Vocês não precisam chorar... papai está aqui. – Blaine dizia sorrindo. Kurt encheu os olhos de lágrimas e acabou fungando, o que entregou que ele estava ali. – E não sou o único.

Kurt então apareceu na frente deles, rindo tímido por ter sido pego espionando. Se aproximou de Blaine e pegou Alice do colo dele, começando a brincar com a filha, a acalmando aos poucos.

Kurt continuava a observar o comportamento de Blaine com as crianças. Ele ficava tão mais leve quando estava com os filhos, ficava tão feliz e aquilo, por algum motivo, também deixava o castanho feliz.

Quando os bebês finalmente dormiram, Kurt e Blaine se sentaram na sala e foram assistir televisão. A sala do segundo andar ficava perto dos quartos e era mais fácil de eles ouvirem se os filhos chorassem ou qualquer coisa assim.

Na metade do filme Kurt estava com os olhos se fechando, cena que Blaine achou adorável. O moreno achou uma graça quando Kurt acabou caindo em seu colo, dormindo. Blaine passou a fazer um carinho agradável nos cabelos de Kurt, que não se mexeu, apenas se aconchegou melhor.

A verdade é que Kurt estava se sentindo carente, mas não simplesmente carente. Carente de Blaine. Então fingiu estar dormindo, pois sabia que o moreno iria fazer carinho nele. Se sentia um traidor, mas tinha vergonha de admitir que queria que Blaine fizesse justamente o que estava fazendo.

Quando o filme acabou, Blaine levantou sem se mexer muito e pegou Kurt no colo, decidindo que o levaria para o quarto. Quando chegou na porta sentiu alguém rindo e abafando a risada contra o seu pescoço.

— Você está acordado? – Blaine parecia incrédulo, mas continuou segurando o castanho.

— Sim. – Riu o castanho, gargalhando com a descrença que tinha no semblante de Blaine, que apenas o colocou na cama e ficou o encarando.

— Você fez de propósito só para eu te carregar, não fez? – O moreno parecia desafiador.

— É uma possibilidade. – Kurt deu o braço a torcer, fazendo Blaine rir. – Obrigado.

— Não há de que. – O moreno disse também rindo, saindo do quarto, não sem antes dizer: – Durma bem, Kurt.

— Você também... – O castanho se calou antes de completar sua frase. Ele quase chamou o moreno de amor.

Deitado em sua cama, Kurt unicamente conseguia pensar no moreno de cabelos cacheados que se encontrava no quarto ao lado. Queria tanto se juntar ao moreno deitar-se com ele e abraça-lo da maneira que costumavam dormir. Queria apenas estar ao lado dele e saber que ainda podia chama-lo de seu. Apenas o queria, simplesmente porque sim. Não tinha um motivo exato.

Afinal, não existe um motivo para amar, não é mesmo? Apenas amamos.

Após duas horas tentando dormir e sem obter sucesso, Kurt levantou da cama e, na ponta dos pés, andou até o quarto do até então marido e, lentamente e sem fazer barulho, levantou as cobertas e foi se aproximando do moreno, que se remexeu na cama e o encarou, mesmo com a pouca claridade.

Nenhuma palavra foi dita, ambos se entenderam com o silêncio. Blaine esticou seu braço para o lado e Kurt se deitou no mesmo, se apoiando no peito do moreno e sendo abraçado por ele. Era incrível a maneira que aquele pequeno gesto ali tinha dado uma alegria enorme aos dois.

Os pensamentos de Kurt estavam a mil por hora ou ainda mais rápidos se duvidar. Nos últimos dias ele esteve se sentindo tão sozinho e agora apenas por estar tão perto de Blaine é como se tudo voltasse a fazer sentido. Se sentia um pouco mal por ser tão dependente de alguém, mas o que ele podia fazer? Ele ama Blaine e isso não é exatamente algo que ele escolheu.

Blaine sentia seu coração bater muito aceleradamente. Estava feliz de ter Kurt ali com ele, mesmo sabendo que tinha chances de aquilo durar cinco segundos. Ainda assim, seriam os melhores segundos de sua vida. E na verdade era justamente assim para os dois.

— Não adianta, eu não consigo dormir. – Kurt falou depois de um tempo.

— Nem eu. – Complementou Blaine, soltando um pesado suspiro.

— Eu posso te pedir uma coisa? – Kurt perguntou tímido, ouvindo Blaine murmurar um “uhum”. – É que... sabe... quando a Ali não consegue dormir, você... bom... você...

— Quer que eu cante com você? – Kurt deu graças aos céus por estar escuro, porque ele estava vermelho de vergonha de pedir para Blaine cantar para ele.

Isso fazia com que o castanho se sentisse uma criança que precisava da proteção de alguém mais velho e esse alguém era Blaine. O moreno riu com a timidez do castanho e o perguntou se ele queria uma música em especial. Se surpreendeu por Kurt ter pedido uma música em especial: Chasing Cars. Aquela era a música deles.

Mesmo agora um pouco nervoso, Blaine fez o que lhe foi pedido e cantou a música para Kurt, lembrando-se do quão envergonhado Kurt estava quando eles cantaram essa música pela primeira vez. Essa música se tornou praticamente um hino para eles. Blaine amava cantar essa música para os filhos, mas desde que ele e Kurt se “separaram”, ele sentia como se não devesse mais nem ouvir essa música.

Acabou que Chasing Cars virou o prazer secreto do moreno. Nas noites solitárias onde ele chorava até conseguir dormir, essa música era a que tocava em seu fone de ouvido e tudo porque ela lembrava inúmeras coisas que envolviam Kurt, inclusive o próprio Kurt.

Para o castanho essa música era simplesmente tudo para ele. Foi no momento em que a cantou com Blaine, que percebeu que queria ouvi-la com o moreno pelo resto de sua vida. E só de ouvir agora o moreno a cantar, sentiu seus olhos se enchendo de lágrimas, mas os fechou e permaneceu apenas ouvindo a linda canção na voz perfeita e aveludada do Anderson.

Quando Blaine terminou a música, percebeu que Kurt estava praticamente dormindo e aproveitou esse momento para dar um beijo casto em sua testa.

— Dorme bem, K. – Sussurrou o moreno, ainda acariciando o castanho.

— Eu te amo... – A voz do castanho saiu um pouco enrolada e Blaine percebeu que após isso ele realmente pegou no sono.

— Eu também te amo.

O sorriso que agora estava no rosto de Blaine era tão grande que poderia ter rasgado suas bochechas. Tamanha era a alegria que ele sentia por ter escutado aquelas três palavrinhas, que pareciam fonte de magia para ele.

Ah, ele com certeza teria agora a melhor noite de sono dos últimos tempos.

[...]

Blaine acordou sentindo um vazio ao seu lado e, ao virar-se, percebeu que estava sozinho. Sentiu um vazio dentro de si também, mas só de lembrar que Kurt disse que o amava, era como se não houvessem maneiras de ele ficar triste. Foi até o banheiro, tomou um banho e trocou de roupa, descendo as escadas em uma animação sem igual.

Viu a mesa do café da manhã muito bem posta e encontrou Kurt lá, tomando uma xícara de café, comendo uns biscoitos e mexendo no celular.

— Bom dia... – O moreno disse baixo e viu Kurt dar um pulo na cadeira. – Não queria assustar.

— Tudo bem, eu só estava distraído. – Kurt disse, guardando rapidamente o celular no bolso da calça. – Bom dia! E-eu perdi o sono quando era bem cedo, então resolvi fazer biscoito de baunilha com chocolate.

— Meu preferido! – Blaine praticamente gritou.

— Mas é uma criança grande mesmo. – Riu Kurt, empurrando o prato com os biscoitos para mais perto de Blaine, sorrindo com a reação do moreno e o brilho nos olhos do mesmo.

Enquanto Blaine não estava prestando atenção em Kurt, o castanho desbloqueou a tela de seu celular e clicou para publicar o texto que tinha escrito. Em um nome fictício, ele criou um blog. Tudo se passava como se ele fosse um grande fã de Blaine e, por conta disso, do casal que Blaine e ele formavam. Não podia deixar transparecer que ele escrevia as coisas do blog, mas postou algumas coisas e agora tinha postado uma foto do casamento deles com um texto sobre o amor.

Ele sentia que nunca seria descoberto, ainda mais com o nome de “TheAliB”. Ninguém nunca perceberia que significava “Theodore, Alice e Blaine”, certo? Assim esperava o castanho.

Após o café da manhã, Kurt foi arrumar seu quarto, guardando alguns livros que estavam em seu criado-mudo. Viu que de um deles caiu algumas fotos e foi olhá-las. Sentiu até um dor de saudade em seu coração. Queria tanto que ainda existissem mais milhões de momentos para se fotografar. A saudade daquelas lembranças era estrondosa no peito do castanho.

— Você viu o novo texto que foi postado no blog daquele “fã” meu? – Blaine perguntou de maneira irônica e fez aspas ao dizer “fã”. Kurt engoliu em seco e negou. – Pois leia.

Blaine entregou o celular para Kurt e o castanho se botou a ler, fingindo que não sabia do que falava.

“Lembranças muitas vezes são arrasadoras para algumas pessoas, especialmente quando você quer reviver momentos que já passaram. A dor da saudade machuca e a dor de saber que as coisas nunca irão voltar a ser como uma vez foram conseguem ser ainda mais dolorosas. É um aperto no coração, uma dor que parece nunca mais passar. Saudade é um dos piores sentimentos existentes e eu honestamente preferia que não fosse necessária a existência disso. Quando penso que a saudade vai me matar, pego fotos antigas e começo a olhar para elas, tentando montar em minha mente todos os detalhes que aconteceram no dia daquela foto. Essa é uma das maneiras que eu encontro de estar perto das pessoas de quem sinto falta. Sinto que assim eu mato um pouco da saudade, mesmo que apenas um pouco. Afinal, são apenas fotos, não é? Momentos são mais importantes...”

Kurt não continuou a ler. Ele apenas encarou Blaine como se perguntasse o que ele tinha a ver com o texto e devolveu o telefone para o moreno.

— Até quando vai fingir as coisas, Kurt? Ou devo agora te chamar de “TheAliB”? – Kurt soltou um suspiro e encarou o moreno, cruzando seus braços em seguida.

— Como descobriu? – Não iria adiantar Kurt fugir do assunto, então pelo menos queria saber como o moreno o descobriu.

— Não foi tão difícil assim, mas primeiro eu quero ouvir você dizendo que foi você.

— Foi. Eu escrevi esse texto e todos os desse blog, além daquele que eu escrevi para te defender. – Confessou o castanho.

— Por que está fazendo isso? – Perguntou Blaine, vendo Kurt levantar e se aproximar um pouco mais.

— O texto te defendendo foi porque eu não aguentava mais os seus fãs ficando contra você. Eles não deveriam se meter nas coisas que envolviam apenas você e eu. – Explicou ele. – E os outros foi justamente pelo foco principal desse último texto. Saudade...

— Mas isso parece ser algo torturante, ainda mais porque ninguém sabe que esse é você. – Blaine puxou Kurt para a cama e se sentou com ele. – Obrigado por ter me defendido, de verdade. Mas isso não é um pouco demais para você? Digo... você fica vendo nossas fotos, isso não é pior?

— Eu vejo você o tempo todo. Acho que isso sim é pior. – Kurt falou um pouco baixo. – Como descobriu que eu escrevi?

— As três iniciais... supus que fosse o meu nome, o de Ali e Theo. – Kurt assentiu, revirando os olhos para a própria burrice. – Mas não foi apenas isso. Essa foto do nosso casamento que você postou eu lembro de você ter dito que era a sua preferida, além do mais, eu conheço a maneira que você escreve e sempre te disse que você deveria escrever um livro. Você que nunca confiou em mim.

Kurt ignorou o comentário de Blaine e pegou seu celular, entrando na conta do blog e mexendo nele. O moreno ficou o encarando sem entender o que ele estava fazendo quando, por fim, Kurt disse:

— Deletei o blog.

— Por que? – Perguntou o moreno.

— Porque você está certo. Isso só vai me torturar mais. E também, eu não deveria ter ido dormir com você. Isso foi fraqueza da minha parte.

— Todo mundo se sente frágil de vez em quando, Kurt. Para com isso, por favor. Não age desse jeito.

— Não, Blaine, não é assim que as coisas acontecem. Não posso ser frágil. Você me traiu, sendo assim não me merece. – Kurt falou as palavras mesmo sentindo uma dor por as pronunciar. Eu não quero mais nem ficar perto de você, muito menos te tocar. Espero que respeite minha decisão.

Notas finais
Por favor, não me matem ♥ Quem quiser ir pro grupo do whats, só falar comigo ♥♥ Todos são bem-vindos lá ♥♥ Bjo (e eu não sei quando vou atualizar, isso depende de vocês) ♥♥