He Doesn't Like The Lights
41 #41 - Estou vivendo um inferno
Notas iniciais
#41
Estou vivendo um inferno
Todos os fãs de Blaine estavam alvoroçados. Aquele show estava lotado, mas nem aquilo foi capaz de alegrar Blaine. Não depois daquela última conversa que teve com Kurt. Resolveu então, que iria fazer um show um pouco diferente. Não cantaria as duas músicas que fez para Kurt, não se sentia bem para as cantar.
Para seus fãs podiam ser apenas músicas, mas para ele elas eram muito mais do que apenas uma música.
— Espero que gostem do cover da noite. – Declarou o moreno no microfone, vendo todos gritando loucamente.
Ele queria sentir o que sentia quando costumava subir em um palco, mas não conseguia. Era impossível.
Baby, baby, are you listening? (Amor, amor, você está ouvindo?)
Wondering where you've been all my life (Me pergunto por onde você andou toda minha vida)
I just started living (Eu acabei de começar a viver)
Oh, baby, are you listening? (Oh, amor, você está ouvindo?)
*FLASHBACK ON*
— Não, Blaine, não é assim que as coisas acontecem. Não posso ser frágil. Você me traiu, sendo assim não me merece. – Kurt falou as palavras mesmo sentindo uma dor por as pronunciar. Eu não quero mais nem ficar perto de você, muito menos te tocar. Espero que respeite minha decisão.
— Você se sente melhor me chamando de traidor? – Perguntou o moreno, um pouco irritado.
— O que quer dizer com isso?
— Que eu não me importo se você me chamar de traidor ou do que quer que seja, eu só me importo que você se sinta bem. Você não entende que não importa o que houve eu ainda te amo? E sempre vou amar. – Afirmou o Anderson.
— Eu não ligo mais.
— Eu sei que você também me ama e agradeceria se você não fosse tão teimoso.
— Agora eu que sou o teimoso? – Kurt praticamente gritou. – Você que foi um idiota e quer agora botar a culpa em mim?
— Por que tudo tem que virar uma briga agora? Eu não te conheço mais, Kurt.
— Pois nem merece. – Agora Kurt realmente gritou e Blaine recuou um passo. – E se você der mais um passo eu vou começar a gritar.
— Eu estou desmoronando aos poucos, Kurt, tudo porque a minha dor é saber que eu te feri. Você pode duvidar o quanto quiser, mas no fundo você sabe que eu te amo. Você, no fundo, até acredita no meu amor, mas é teimoso demais para dizer isso em voz alta.
— Ou talvez eu só não queira ser um mentiroso como você.
*FLASHBACK OFF*
When you say you love me (Quando você diz que me ama)
Know, I love you more (Sabe, eu te amo mais)
When you say you need me (E quando você diz que precisa de mim)
Know, I need you more (Sabe, eu preciso de você mais)
Boy, I adore you, I adore you (Garoto, eu adoro você, eu adoro você)
Depois daquele dia eles não se falaram mais. Não trocaram uma sequer palavra e aquilo machucava Kurt e Blaine ao mesmo tempo. Kurt se arrependia de ter dito o que disse e Blaine se arrependia até de ter nascido.
O moreno passou os dias seguintes ao da briga sempre enfiado em seu quarto, comendo o mínimo possível e saindo do quarto apenas quando precisava viajar ou para ver os filhos, que já estavam com quase cinco meses de vida.
Essa música era simplesmente o que Blaine sentia por Kurt e o machucava saber que o castanho talvez realmente não sentisse mais o mesmo. Poderia ser fingimento, mas e se fosse verdade?
Baby, can you hear me? (Amor, pode me ouvir?)
When I'm crying out for you (Quando eu estou chorando por você?)
I'm scared oh, so scared (Eu estou assustado, tão assustado)
But when you're near me (Mas quando você está perto de mim)
I feel like I'm standing with an army (Eu sinto que estou de pé com um exército)
Of men armed with weapons, hey oh (De homens armados, hey oh)
Ao cantar esse trecho Blaine se lembrou da noite em que Kurt foi até ele e eles dormiram juntos. A sensação de paz no moreno fora tão grande naquela noite. A sensação de que ele estava inteiro de novo e que tinha com ele quem ele amava era inexplicável. Ele queria ter a oportunidade de voltar a sentir isso todas as noites.
Porém suas esperanças estavam quase nulas. Ele já não acreditava mais que ainda conseguiria recuperar Kurt para si. Não acreditava que ainda teria o castanho ou que eles voltariam a ser como eram. Não acreditava nem que conseguiria ainda uma amizade entre os dois.
When you say you love me (Quando você diz que me ama)
Know, I love you more (Sabe, eu te amo mais)
When you say you need me (E quando você diz que precisa de mim)
Know, I need you more (Sabe, eu preciso de você mais)
Boy, I adore you, I adore you (Garoto, eu adoro você, eu adoro você)
Era doloroso ter em mente apenas incertezas sobre o futuro, como quando estamos acabando o ensino médio e não temos ideia do que fazer a seguir. Era mais ou menos isso que ele sentia, mas sentia junto que sua vida estava se despedaçando aos poucos.
O que ele falou para Kurt foi apenas a verdade: ele estava desmoronando. E quando ele caísse por completo, talvez nem Kurt pudesse reerguê-lo, mas será que ele não percebia isso? Era provável que não.
I love lying next to you (Eu amo deitar ao seu lado)
I could do this for eternity (Eu poderia ficar lá eternamente)
You and me (Você e eu)
Were meant to be in Holy matrimony (Fomos feitos pra ficar juntos no sagrado matrimônio)
God knew exactly what he was doing (Deus sabia exatamente o que estava fazendo)
When he lead me to you (Quando me levou até você)
Os fãs olhavam com uma certa tristeza para Blaine, já que o moreno se encontrava em lágrimas e até sua voz já estava saindo falhada. Foi naquele momento que todos conseguiram perceber que não era uma dor de fachada o que o moreno sentia; ele estava mesmo magoado, tanto quanto Kurt, inclusive.
Doeu nos fãs terem desacreditado de alguém que apenas estava de coração partido, por isso estava agindo estranhamente. Mas Blaine pouco se importava agora para aqueles que o assistiam. Estava preocupado com aquele que estava em casa, completamente longe dele, em outro país e que certamente não estava sentindo sua falta.
When you say you love me (Quando você diz que me ama)
Know, I love you more (love you more) (Sabe, eu te amo mais (eu te amo mais))
When you say you need me (E quando você diz que precisa de mim)
Know, I need you more (Sabe, eu preciso de você)
Boy, I adore you, I adore you (Garoto, eu adoro você, eu adoro você)
Ele se perguntava o que estaria Kurt fazendo agora. Provavelmente estaria com os filhos, ou dormindo. Ou ainda fazendo qualquer coisa que não o fizesse pensar em Blaine.
O moreno achava um pouco exagerada a reação de Kurt ultimamente, quase agindo como se o moreno fosse um assassino e quase o chamando dessa maneira. Mas, ao mesmo tempo, ele entendia que tinha sido o errado da relação e não negava ser o culpado.
Sua parcela de culpa nunca seria quitada.
When you say you love me (Quando você diz que me ama)
Know, I love you more (Sabe, eu te amo mais)
When you say you need me (E quando você diz que precisa de mim)
Know, I need you more (Sabe, eu preciso de você)
Boy, I adore you, I adore you (Garoto, eu adoro você, eu adoro você)
Quando a música acabou o moreno ainda cantou mais umas três ou quatro músicas, mas logo saiu do palco ao som de aplausos e gritos.
[...]
Kurt estava sentado no sofá, conversando com Sebastian. Não tinha tido coragem para assistir ao show daquela noite, queria apenas conversar com o melhor amigo e tentar organizar os próprios pensamentos, tais que estavam uma verdadeira bagunça em sua mente.
— Eu não deveria ter dito aquilo. Por que é tão difícil assim eu simplesmente admitir que eu ainda o amo? – Kurt perguntava enquanto sentia lágrimas se formando em seus olhos.
— Porque você está machucado, meu bem. – Sebastian dizia calmo. – Isso vai passar. Não sei o motivo, mas sinto que vocês ainda vão se acertar.
— Espero que você esteja certo. – Kurt disse um pouco triste e incerto. – Eu ainda amo tanto ele. Esse amor nunca vai diminuir. Se duvidar, ainda aumenta.
— Te entendo, Kurt. – Riu o mais velho. – Mas vai dar tudo certo. Você vai ver só.
[...]
Infelizmente, Sebastian não estava totalmente certo, pois nas duas semanas que se passaram Kurt e Blaine continuaram sem se falar. Em uma tarde de domingo, Blaine estava em seu quarto conversando com Gabriela, falando com ela que não aguentava mais essa vida e que estava vivendo um verdadeiro inferno.
Um barulho assustou os dois e, mesmo com a barriga de quem quase estava ganhando dois bebês, Gabriela correu para o quarto ao lado junto com Blaine e eles encontraram Kurt caído ao chão.
— Gabriela, será que ele está morto? – Um desespero tomou conta de Blaine, que foi para perto de Kurt e o puxou para seus braços.
— Não seja tapado, Anderson! Ele está só desmaiado. – Ela disse calma, mesmo que por dentro estivesse aflita. Nesse momento, Theodore começou a chorar e Blaine se desesperou ainda mais. – Cuida do Kurt e deixa meu afilhado comigo. Não posso fazer força, mas cuido dele enquanto eu chamo Sebastian.
Blaine apenas assentiu, com lágrimas nos olhos e pegou Kurt de uma maneira mais confortável e o levou para cima da cama.
— Oh, meu Deus, você está ardendo em febre, meu amor. – Blaine disse, colocando sua mão no rosto do castanho. – Você vai me matar quando acordar, mas entenda que é para o seu próprio bem.
Blaine tirou parte da roupa de Kurt e ficou ao lado dele, acariciando seu rosto com um pano que havia posto sob a água gelada. Ele passava devagar o pano, sendo cuidadoso para não dar um choque tão forte na pele do castanho.
Sentia uma dor enorme de ver o quão vulnerável o seu amor estava, principalmente por vê-lo desacordado.
Gabriela entrou no quarto e olhou para o moreno, vendo que lágrimas caíam de seus olhos. Ela se aproximou e segurou a mão do melhor amigo. Logo Sebastian também entrou no quarto, segurando Theodore em seus braços.
— Isso não é culpa sua, Bee... – Gabriela tentou começar, mas o moreno apenas negou com a cabeça.
— Vocês podem nos deixar a sós? – Blaine olhou os amigos, que assentiram devagar. – Eu só quero cuidar dele... só isso...
— Nós entendemos, Blaine. Não se preocupe. – Sebastian disse para Blaine e se retirou do quarto, ajudando Gabriela a descer as escadas.
— Eu queria tanto cuidar de você o tempo inteiro, meu amor... – Blaine dizia baixinho enquanto acariciava Kurt. – Eu só... eu te amo tanto. Eu só quero te ver feliz, sorrindo e bem. Eu queria ser aquele que te protege em todos os momentos, que te dá amor o tempo inteiro, mas por um erro eu estraguei tudo, principalmente a nossa relação. – Blaine chorava silenciosamente enquanto praticamente sussurrava e permanecia fazendo carinho no marido. – Eu só queria ser o homem que você merecia, eu só queria ser bom para você... eu só queria ter você já que você me tem e eu sempre serei seu...
— B... – Blaine ouviu a voz sonolenta de Kurt, mas mesmo assim continuou o acariciando.
— Estou aqui com você, meu amor.
— O que aconteceu? – Kurt olhou para o moreno, que ficou envergonhado e parou de acariciá-lo. – Pode continuar, se quiser...
— Eu quero. Quero cuidar de você. – Sorriu o moreno, voltando ao carinho. – O que aconteceu foi que eu ouvi um barulho alto e vim ver o que era e eu e a Gabi encontramos você caído no chão. Eu toquei no seu rosto e você estava muito quente, então tirei uma parte de sua roupa e fiquei aqui cuidando de você.
— Obrigado. – Kurt disse, abrindo um pequeno sorriso. – Eu estou com fome... posso fazer o jantar, se quiser...
— De jeito nenhum. – Negou o moreno, levantando da cama. – Eu vou preparar algo para você comer enquanto você toma um banho.
Kurt foi se levantar, mas acabou caindo de novo. Blaine o pegou na mesma hora e o apoiou em si.
— Kurt, você já está me preocupando. O que aconteceu?
— Eu não dormi essa noite e não comi nada o dia inteiro. A febre eu não sei, mas a fraqueza só pode ser isso. – Confessou o castanho, se sentindo envergonhado de ter ficado sem dormir e comer por mais de vinte e quatro horas.
— Eu te ajudo, então... – O moreno deu um pequeno sorriso e andou com Kurt até o banheiro.
Ele viu que o castanho estava tímido e segurou o seu sorriso. Queria sorrir, porque Kurt era uma graça quando estava envergonhado.
— Não precisa sentir vergonha de mim. – O moreno disse quando eles entraram no banheiro do quarto. – Não tem nada aí que eu não tenha igual. – Começou o moreno. – Ou que eu não tenha visto em você... ou ainda que eu não tenha tocado... com as minhas mãos e com...
— Chega! Já entendi! – Kurt estava muito vermelho e o moreno começou a rir do desespero dele.
— Desculpa, eu só queria descontrair um pouco.
— Sei disso. Bobo! – Kurt riu e se sentiu ainda mais fraco. – Eu nunca mais fico tanto tempo sem comer.
— Acho bom. – O moreno falou severo, como se fosse para um filho que estivesse falando. – Você vai tirar a sua roupa ou eu vou ter que tirar para você?
Kurt revirou os olhos e tirou sua roupa, ou o que ainda estava em seu corpo. E não era muito. Ele foi para debaixo do chuveiro e viu Blaine entrar ali com ele, porém o moreno permanecia usando sua roupa intima, justamente para mostrar que ele queria apenas ajudar.
E o moreno apenas ajudou Kurt a se apoiar. Nunca tinha visto o castanho tão frágil, quer dizer... a não ser logo que ele saiu do hospital, que quase não conseguia se manter em pé por nem dois segundos.
Quando o castanho mais uma vez se desequilibrou e o moreno o segurou, eles ficaram com milímetros de distância um do outro e os dois sentiam que não aguentariam ficar se olhando daquela maneira.
No momento em que ambos perderam os olhos nos lábios um do outro, sentiram que se entregariam sem nem pensar. Agora, já não sabiam dizer quem cedeu, só sabiam que um beijo havia sido iniciado e que não queriam que ele fosse terminado.
A mão de Blaine apertava Kurt contra si e as mãos do castanho estavam nos cabelos do moreno. Suas línguas pareciam dançar em sincronia. Queriam que nunca mais precisassem se separar.
Foi naquele momento que ambos perceberam a saudade que sentiam e, ainda naquele momento, perceberam que aquele beijo não era desejo: era um amor que eles não conseguiam mais guardar para si. Por isso ambos cederam.
Quando seus lábios por fim se separaram, eles permaneceram se olhando. Acabou que mais uma vez eles se aproximaram e selaram seus lábios em um beijo ainda calmo. Era um beijo tão repleto de carinho, que eles nem imaginavam que pudesse acontecer com a maneira que andavam se falando nos últimos tempos.
Mas mais uma vez eles se separaram e, dessa vez, definitivamente. Porém, Blaine ainda puxou Kurt para um abraço e o mesmo correspondeu. Eles sorriam, mas não um para o outro. O orgulho ainda falava mais alto.
No entanto, nesse momento eles nem conseguiam se importar com orgulho algum. Só se preocuparam com o fato de que segundos depois eles estavam novamente se beijando.
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