He Doesn't Like The Lights
27 #27 - Essa é só para você
Notas iniciais
#27
Essa é só para você
— Já posso abrir meus olhos? – Indagou Kurt, tendo as mãos de seu noivo tapando seus olhos. – B, eu vou acabar caindo ainda nessa escada.
— Amor, eu estou te segurando, você não vai cair. – Blaine disse calmo, continuando a guiar Kurt degrau por degrau, com as mãos nos olhos dele.
— Vou sim. – Kurt acabou tropeçando. – Falei!
Blaine revirou os olhos e mandou Kurt permanecer de olhos fechados e antes que o castanho pudesse protestar ele estava nos braços de Blaine, que o carregava até o lugar que queria levá-lo: o salão que tinha na casa.
Chegaram com um pouco de dificuldade e o moreno botou Kurt no chão, o guiando até que ele estivesse sentado. Foi para o seu lugar no banquinho e fez o castanho abrir os olhos. O Hummel olhou para tudo chocado.
Pétalas de rosas vermelhas e brancas estavam espalhadas pelo chão, juntamente com inúmeras velas, que eram a única iluminação do ambiente. Blaine estava sentado em um banquinho com seu violão em mãos.
— B... o que é tudo isso? – Kurt perguntou ainda surpreso, encarando o moreno em sua frente que sorria ternamente.
— Escrevi uma música para você. Só para você, dessa vez. – Blaine disse com um sorriso bobo nos lábios. – Sabe, pensei que fosse gostar...
— Nem ouvi e já amei. – Kurt disse também sorrindo e Blaine começou a calma melodia.
I wanted to be different
(Eu queria ser diferente)
But how can I change if I'm blind?
(Mas como posso mudar se estou cego?)
You make me see things clearly
(Você me faz enxergar tudo com clareza)
And it allows me to be just myself
(E permite que eu seja apenas eu mesmo)
Tamanha era a honestidade contida naquelas palavras que Blaine cantava. Só pelo início Kurt já podia ver que Blaine tinha colocado todos os seus sentimentos ali. Aquelas poucas palavras já tinham o encantado, assim como qualquer outra coisa que Blaine fazia ou dizia a ele.
Desde que os dois finalmente admitiram seus pensamentos e assumiram um relacionamento sério, como o seu noivado, Blaine era uma pessoa totalmente diferente daquela que Kurt conhecera praticamente um ano atrás.
Na verdade, esse era apenas o verdadeiro Blaine, aquele que ninguém conhecia de verdade, pois já tinha sofrido o bastante em sua adolescência.
I may have fallen in love with it
(Talvez eu tenha me apaixonado por isso)
But it's hard to say
(Mas é difícil dizer)
Since you are perfect
(Já que você é perfeito)
Blaine olhava no fundo dos olhos de Kurt, onde enxergava toda sua vida daqui para frente e via que era justamente ao lado do dono daqueles lindos olhos azuis. Aqueles olhos tinham o poder de deixar os dias do moreno mais felizes e mais completos, cheios de amor, ternura e alegria, fora a enorme paz que sentia por estar ao lado de Kurt.
Os abraços de Kurt eram os mais confortáveis, seus beijos os mais doces, seus toques os mais perfeitos, sua existência a melhor coisa do mundo. Até seu perfume era maravilhoso.
Blaine se perguntava se tinha como uma pessoa como Kurt ser de verdade, porque todas as qualidades dele pareciam ter saído de dentro de um conto de fadas ou fruto de seus mais perfeitos sonhos. Era impossível que fossem reais.
Mas eram. Até mais do que reais.
You made me love you since the beginning
(Você me fez te amar desde o início)
Made me see things as they are
(Me fez ver as coisas como são)
You taught me new things about love
(Me ensinou coisas novas sobre o amor)
You dropped my barriers and made me realize
(Derrubou minhas barreiras e me fez perceber)
That I was born to love you
(Que eu nasci para amar você)
Muitas foram as vezes onde Blaine se encontrou perdido por estar segundos longe do seu castanho. Se sentia sem visão, sem motivos para viver. Sabia que se Kurt não tivesse sobrevivido a aquele coma, sua vida nunca mais seria a mesma. Seus olhos nunca enxergariam o mundo do mesmo jeito e seu coração nunca mais bateria igual e por um motivo. Bateriam apenas para mantê-lo vivo, mesmo que ele nem fosse mais querer aquilo.
Era incrível o poder que Kurt tinha sobre Blaine. Quando o moreno tentava escrever uma música normalmente demorava boas horas pensando em continuações. Mas quando pensou em escrever aquela para Kurt, simplesmente fluiu. Era sempre assim quando ele pensava em Kurt ou estava ao lado do castanho: tudo fluía naturalmente. Inclusive seus pensamentos e sentimentos.
I'm no saint, I confess
(Não sou nenhum santo, confesso)
I did things to hurt you and regret
(Fiz coisas para te magoar e me arrependo)
I did everything wrong and not demonstrated what I felt
(Fiz tudo de errado e não demonstrei o que sentia)
Sim, ele estava, por meio daquela música, confessando que se arrependia de seus erros. Sentia que nem todas as vezes que pediu perdão e fora perdoado tinham sido o suficiente para que sua culpa diminuísse. E Kurt sentia isso.
Kurt sentia que era por isso que Blaine fazia esse tipo de coisa e ficava o pedindo desculpas o tempo inteiro. Sabia que Blaine se sentia culpado por seu acidente e por todas as vezes que chorou perto do moreno, ficou irritado ou demonstrou ciúmes. Sabia que o moreno o amava e sentia-se culpado por tê-lo machucado e, mais que isso, sentia que nem todo o amor que pudesse dar para Kurt seria o suficiente para curar essa dor.
Can you forgive that?
(Será que você consegue perdoar isso?)
I know I do not deserve consideration
(Sei que não mereço consideração)
But at least I'm trying to redeem myself
(Mas pelo menos eu estou tentando me redimir)
Kurt só sabia sorrir ternamente para Blaine, que tinha algumas lágrimas brotando em seus olhos. O moreno não estava triste, só estava arrependido de ter perdido tanto tempo com aquela frescura de “sou o cara das baladas, que fica com um idiota diferente por noite e não vou me apaixonar por você, não importa o quão bem você me faça”.
Mas a verdade é que ele reconhecia seu erro e queria que de agora em diante tudo fosse diferente. Não iria mais perder tempo com coisas bobas, muito menos deixar de dizer e demonstrar todo o seu amor e carinho. Não só por Kurt, mas por todos com quem se importava.
O coma de Kurt o fez repensar sobre muita coisa de sua vida e o fez perceber que nada nos é garantido, principalmente o dia de amanhã e até mesmo a própria vida. Nunca sabemos quando será nossa hora de partir, então por que perder tempo com coisas sem importância quando podemos focar nas coisas boas que podemos fazer com aqueles que amamos?
É muito fácil sentir falta após perder aquele com quem você sempre se preocupou. Difícil é demonstrar isso enquanto você ainda tem essa pessoa ao seu lado.
You made me love you since the beginning
(Você me fez te amar desde o início)
Made me see things as they are
(Me fez ver as coisas como são)
You taught me new things about love
(Me ensinou coisas novas sobre o amor)
You dropped my barriers and made me realize
(Derrubou minhas barreiras e me fez perceber)
That I was born to love you
(Que eu nasci para amar você)
Desde a última entrevista, que tinha acontecido duas semanas atrás, Blaine não parava de pensar no assunto principal de tudo aquilo: filhos. Todos queria saber quando os dois iriam ser papais e, para que eles sejam honestos com vocês, eles também não param de pensar nisso. É uma das coisas que eles mais querem, algo para logo após seu casamento.
Mas eles não querem adotar, pelo menos não o primeiro filho. Só ainda não tiveram uma conversa séria sobre isso. Mas eles ainda vão ter, claro que vão. Logo, logo tudo se encaixará de vez na alegria deles, logo a última peça desse quebra-cabeça será colocada.
Apenas não garanto que será para sempre.
I just wanna be with you
(Eu só quero estar com você)
Now and forever
(Agora e para todo o sempre)
One always where I can fall in love with you every day
(Um sempre onde eu possa me apaixonar por você todos os dias)
Where I can show all the love I feel
(Onde eu possa demonstrar todo o amor que sinto)
One always where I can only love you
(Um sempre onde eu possa apenas te amar)
Blaine levantou do seu banquinho e sentou ao lado de Kurt, começando a cantar sem a ajuda de instrumento algum. Apenas sua aveludada voz ecoava pelo lugar e enchia o coração de Kurt de alegria.
Ele não podia mentir. Desde que conhecera Blaine a coisa que ele mais quisera em sua vida era encontrar uma maneira de mudar o coração do seu moreno. Ao conseguir isso, não conseguiu mais fingir que não sentia nada. Não quer mais segurar esse amor dentro dele, muito menos fingir que apenas o ama e ponto. Quer mostrar de todas as maneiras o quão feliz o seu moreno de cabelos cacheados o faz.
E isso é muito.
You made me love you since the beginning
(Você me fez te amar desde o início)
Made me see things as they are
(Me fez ver as coisas como são)
You taught me new things about love
(Me ensinou coisas novas sobre o amor)
You dropped my barriers and made me realize
(Derrubou minhas barreiras e me fez perceber)
That I was born to love you
(Que eu nasci para amar você)
Blaine terminou a canção e foi abraçado por Kurt, que soltava algumas lágrimas de emoção, que o dominaram até sem sua permissão. Blaine também estava com seus olhos cheios de lágrimas e derrubou as mesmas ao sentir o abraço forte de seu noivo.
— Você precisa parar de me pedir desculpas. Eu te amo, já te perdoei, e amei a música. – Kurt disse e os dois se separaram, logo se dando um longo beijo, de tirar o fôlego.
— Sinto que nenhuma dessas vezes foi o bastante, me perdoa por ficar pedindo desculpas. Só quero garantir que nada vá nos separar. – Blaine disse olhando para baixo e teve seu queixo sendo levantado por toques delicados de Kurt.
— E nada vai nos separar, não precisa se preocupar com isso. Eu prometo que não vou deixar isso acontecer.
Ah, se Kurt ao menos soubesse que não devemos prometer aquilo que não podemos cumprir...
— Vamos falar sobre algo alegre. – Sugeriu Kurt.
— Tipo o que? – Blaine não mostrava ânimo em seu tom de voz, mas isso mudou ao ouvir o que Kurt disse.
— Filhos. – Kurt sorriu. – Nossos filhos. Eu andei pesquisando e muito sobre todos os passos que temos que seguir e eu entrei em contato com uma moça que parece ser a mulher perfeita para carregar nosso filho.
— O pequeno, ou a pequena, Hummel-Anderson? – Blaine perguntou sorrindo.
— Com certeza. Ela vem aqui amanhã, tudo bem?
— E você ainda pergunta? – Blaine não continha sua alegria, parecia uma criança feliz. – Já vi que hoje não vou nem dormir.
[...]
Blaine tinha falado sério quando disse que não dormiria. Ele passou a noite inteiro abraçando Kurt, que dormia tranquilamente em seus braços, mas não conseguiu pregar os olhos por mais de cinco segundos. Tamanha era a sua ansiedade para conhecer a garota que carregaria seu filho, ou filha.
Antes de dormirem tinham pensado em futuros nomes, nomes que gostariam de dar aos seus filhos.
Se fosse menina, Kurt tinha sugerido Alice – sim, em homenagem ao filme – enquanto Blaine queria que se chamasse Ariel. Eles nem são fãs desses filmes, imagina se fossem.
Se fosse menino, Blaine queria Nicolas, Kurt queria Nathan. Pelo menos concordavam com a letra inicial, tanto das meninas quanto dos meninos. Depois de muito tempo discutindo, chegaram a conclusões distintas sobre nomes. Tentaram até mesmo juntar os nomes dos futuros padrinhos de seus filhos, Sebastian, Gabriela, John e Elliot. Mas não tinham tido um bom resultado, então resolveram esperar.
Do nada poderia surgir um bom nome que fosse agradar aos dois. Foi quando Kurt estava quase dormindo, que teve uma ideia perfeita. A qual alegrou e muito Blaine. Mas o nome é segredo!
Quando Kurt acordou, percebeu que o lado contrário de onde dormia estava vazio. Foi até o banheiro e viu o noivo no banho, não se aguentou, se despiu e se junto a ele, o assustando. Os dois começaram a rir e tomaram banho juntos, trocando alguns beijos e carícias tranquilas, sem segundas intenções, apenas um carinho bom para começarem bem o dia.
Se vestiram cantarolando as músicas que tocavam no rádio, preparam seus próprios cafés da manhã, comeram rindo e conversando e depois arrumaram tudo, logo aguardando pela garota que queriam tanto que chegasse.
Quando a campainha tocou e uma das empregadas de Blaine guiou a loira até eles, sentiam seus corações saltitando dentro de seus peitos. Estavam ansiosos e agitados, coisa que a garota percebeu.
Eles a receberam com um aperto de mão e sorrisos, falaram seus nomes – por mais que ela já os conhecesse da televisão e internet – e esperaram para que ela também se apresentasse.
Ela era loira, tinha olhos em um tom castanho diferente do comum e tinha um sorriso que não podiam negar que era encantador. Usava um salto alto e preto, usava também um vestido com uma renda no lugar onde deveria ser um decote na cor azul clara. Era muito bonita, encantou os dois meninos.
— Bom, acho que devo me apresentar, já que vocês já são muito conhecidos por mim e minha família. – Ela riu, levando eles a fazerem o mesmo. – E devo dizer que é uma honra estar aqui. Me chamo Quinn Fabray, tenho vinte e seis anos, sou casada desde os meus dezoito anos. Tenho um filho de oito anos e uma filha de cinco. O meu menino se chama Andrew e minha menina se chama Nina. Sou formada em publicidade e trabalho em uma empresa do mesmo assunto, fora que sou voluntária em um centro de adoção com meu marido. Algo mais que queiram saber?
— Você é definitivamente uma pessoa muito boa. – Disse Blaine.
— E linda. Querida também. – Completou Kurt. – Minha única pergunta é: por que você se ofereceu para carregar nosso filho. Não entendo.
— Como eu disse, gosto de ajudar. E eu já fiz isso, fui a barriga de aluguel dos meus dois melhores amigos. Eles tiveram gêmeos, um lindo casal, aliás. – Ela disse sorridente. Definitivamente, ela era a mulher perfeita para aquilo.
Nem preciso dizer que eles aceitaram, não é mesmo? Conversaram com ela animadamente sobre como seria o procedimento e os exames, consultas e tudo o mais, que seria bancado por Blaine, claro. Marcaram os primeiros exames já naquele dia.
*CINCO MESES DEPOIS*
Ok, que tempo que se passou, não?
Bom, a turnê de Blaine continua abalando as estruturas dos fãs dele. Ele leva Kurt em todos os shows que pode e passa suas folgas em casa com o castanho. Hoje é mais um dia desses, só que toda a turma está reunida: Elliot e Sebastian, Gabriela e John, Aysha e Cooper e, claro, Kurt e Blaine.
A campainha pôde ser escutada por todos, que planejavam uma viagem em conjunto para Las Vegas – a qual aconteceria dentro de uma semana, já que no final daquele mês acontecia o casamento de Kurt e Blaine e a viagem seria como uma despedida de solteiro com os amigos e de uma maneira diferente.
O casal sorriu ao ver Quinn entrar pela porta, logo a cumprimentando, assim como todos os ali presentes.
— Sei que prometi que vocês iriam em todas as consultas comigo, mas a de hoje eu não pude evitar de ir sozinha. – Quinn disse sorridente.
— Mas a consulta seria só no final do mês, dois dias antes do nosso casamento. – Kurt disse desconfiado. – Aconteceu alguma coisa?
— Levei minha filha ao pediatra e a doutora estava lá e pediu para me examinar, apenas para saber se tudo estava mesmo certo. Exames de garantia. Eu disse que não me sentia confortável por estar sem vocês, mas ela insistiu. Eu vi o sexo dos bebês de vocês. – Ela estava emocionada, aparentava estar muito feliz.
— ESPERA! – Kurt gritou. – BEBÊS? NO PLURAL? NÃO ME DIGA QUE...
— Vocês estão esperando duas crianças. – Ela pularia se pudesse, mas preferia não correr o risco de cair. Sua barriga já era visível, estava grávida de quase cinco meses. – E eu queria saber se vocês gostariam de saber o sexo dessas crianças. Caso contrário, podem saber quando nascerem.
— Por mais que surpresa seja uma coisa ótima, não vou me aguentar. – Disse Blaine e Kurt apenas assentiu, ainda surpreso por saber que teria duas crianças de uma vez só.
— Um menino e uma menina. – Ela disse alegre.
Os dois meninos abraçaram a loira e todos riam sem parar. Todos os ali presentes parabenizaram o casal e começaram a discutir sobre quem seriam os padrinhos, embora Kurt e Blaine já tivessem dito inúmeras vezes. A briga maior se dava entre Gabriela e Sebastian, que eram os melhores amigos de Kurt e Blaine. Era óbvio que brigariam sobre quem seria o melhor padrinho das crianças.
A briga só acabou quando Kurt disse que os dois seriam os padrinhos das duas crianças, assim como Elliot e John. Os quatro seriam os padrinhos e não precisavam brigar, pois as duas crianças iriam amar todos do mesmo jeito.
Eles pararam a intriga por um tempo, mas logo Sebastian já provocava Gabriela e vice-versa, o que fazia os outros rirem. Já era tarde da noite quando terminaram de organizar o roteiro de sua viagem. Agora era só esperar a data da viagem chegar.
— Vegas, aí vamos nós!
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