He Doesn't Like The Lights
24 #24 - Festa de noivado
Notas iniciais
#24
Festa de noivado
Kurt acordou se sentindo extremamente confortável, mal se movimentou e sentiu dois braços o segurando e um rosto em seu pescoço. A respiração tranquila de Blaine fazia o corpo inteiro do castanho se arrepiar e naqueles braços ele sentia-se seguro.
Agora ele se sentia tranquilo, sentia que podia descansar sua mente. Estava tudo bem, perfeitamente bem. Seu pai estava saudável, seu melhor amigo estava bem também, ele mesmo estava bem e, por último e certamente não menos importante, ele estava com Blaine. Eles estavam noivos, estavam completamente juntos, nada mais os separaria agora.
Como não queria acordar Blaine, o castanho permaneceu deitado, vendo no relógio ao seu lado que era nove e vinte e três da manhã. Era cedo e ele não tinha nenhum compromisso, era provável que Blaine também não tivesse, então fechou seus olhos e se permitiu dormir mais um pouco.
Acordou-se perto das onze horas da manhã e sentiu-se incompleto novamente, então percebeu que o espaço ao seu lado estava vazio. Ouviu o barulho do chuveiro ligado e assim percebeu que Blaine estava no banho. Olhou para o outro lado e viu uma bandeja com um belo café da manhã e um pequeno cartão o aguardando. Não pôde deixar de sorrir ao ver aquilo.
Blaine era muito mais romântico do que aparentava e tinha mesmo um coração por trás de todas aquelas muralhas em sua volta. Ele estava finalmente permitindo que Kurt conhecesse tudo por trás daqueles grandes muros.
— Bom dia! – Cumprimentou Blaine ao sair do banheiro com uma toalha amarrada na cintura. – Não pensei que você já fosse acordar.
— Bom dia. – Kurt deixou um selinho ser roubado e sorriu. – Acho que dormi demais. Isso tudo é para mim?
— Sim, tudo isso é para você. – Afirmou o moreno, beijando a bochecha de Kurt.
— E se eu quisesse outra coisa para o café da manhã?
— Bom eu mandei prepararem as coisas que você gosta e... – Kurt pulou em cima de Blaine e o moreno ficou ainda mais confuso.
— Eu estava falando de você. – Disse sorridente. – Você está tão lindo assim, com essa água ainda escorrendo pelo seu corpo, esses cachos molhados e essa toalha que tanto está me dando vontade de arrancar fora...
— Então dane-se aquele café da manhã. – Blaine disse e já puxou Kurt pela nuca para beijá-lo.
[...]
Quando finalmente criaram coragem para sair da cama, já era três e meia da tarde e não tinham comido nada, apenas beliscado algumas coisas que estavam na bandeja no quarto. Estavam mortos de fome quase.
Foram até a sala de jantar e encontraram a mesa posta os aguardando. Sentaram-se e almoçaram, conversando sobre qualquer coisa que viesse em suas cabeças.
— Sabe o que precisamos fazer? – Perguntou Blaine, vendo Kurt negar com a cabeça. – Uma festa para comemorar e anunciar o nosso noivado. Acho que até o final do mês conseguimos planejar isso...
— Você tem certeza? – Perguntou o castanho, com sua mão entrelaçada na do noivo.
— Por que? Acha que estamos indo rápido? Digo... nós nem namoramos e eu direto te pedi em casamento, se estiver fora do controle você me... – Kurt o interrompeu com um carinhoso beijo.
— Para, B. Não é isso. – O Hummel disse sorrindo. – A minha pergunta nem foi referente ao fato de fazermos uma festa e sim se você tem certeza que dará tempo de organizá-la até o final do mês.
— Ah... – Blaine soltou um suspiro e riu com a bobeira que tinha dado.
A verdade é que o moreno tinha medo de pressionar Kurt demais e o castanho se sentir sufocado com tudo isso. Não queria correr o risco de perdê-lo, ainda mais agora que estava tudo dando tão certo, estava tudo perfeito.
— Desculpa, eu só tenho medo de fazer as coisas errado e você me deixar sozinho... – Confessou o moreno.
— Se fiquei aqui até agora, por que eu iria embora? – Kurt deu mais um selinho no moreno e sorriu. – Já disse que te amo hoje?
— Na verdade, hoje não... – Brincou o moreno.
— Sendo assim, eu te amo. – Kurt disse sorrindo, se escorando no braço do noivo.
— Eu também te amo. – Afirmou o moreno. – E você já tinha dito, só queria ouvir de novo.
— Idiota!
[...]
As semanas que se passaram depois daquele dia pareciam estar voando. Passaram rapidamente com os planos para a grande festa de noivado deles. Kurt até se espantou, pois, se aquela festa era só para comemorar o noivado, não queria ver como seria a do casamento. Não podia negar que estava feliz, independente do que aconteceria dali para frente. Agora não sentia medo, sentia apenas felicidade.
Algumas das noites ele acabou ficando sozinho, porque Blaine viajava para fazer seus shows e ele optava por ficar em casa. Ele passava alguns dias ao lado de Sebastian, outros ao lado de seu pai e, em outros, ficava sozinho com seus pensamentos, percebendo o quão bem tudo estava atualmente.
Ele voltou a morar com Blaine, como já era de se esperar e os dois combinaram que permaneceriam morando ali mesmo depois de casados. Era uma boa casa e não havia motivos para se mudarem.
Quando faltava apenas um dia para grande festa, analisaram sua lista de tarefas para saber se estava tudo completo: comida, decoração, músicas, convidados, iluminação e bebidas. E, por incrível que pareça, estava tudo certo.
Naquela noite, os dois dormiram na sacada do quarto de Blaine, abraçados no grande banco que ali havia. Se perderam observando as estrelas e conversando e acabaram ficando por ali mesmo.
Ao amanhecer do dia seguinte, os rapazes levantaram sorridentes. Era finalmente o dia de sua festa e ela ocorreria mais para o final da tarde, começo da noite.
Eles passaram o dia se certificando de que estava tudo certo e, quando tiveram a certeza absoluta de que estava tudo encaminhado corretamente, relaxaram um pouco e foram se arrumar. Tomaram um banho juntos, com direito a muito mais do que apenas água, se é que me entende. Se arrumaram cantarolando a música que tocava no rádio, até que Kurt fora interrompido por dois braços fortes o agarrando por trás.
— Você é a única exceção... – Blaine disse, citando a música The Only Exception que tocava no pequeno aparelho na frente deles. – E, assim como diz a letra dessa música, eu me prometi que não cantaria sobre o amor caso ele não existisse, mas não consegui cumprir essa promessa, porque eu sabia que o amor existia, só não tinha encontrado você ainda. E eu estava feliz não tendo ninguém, então você apareceu e eu percebi que eu poderia ser muito mais feliz do que pensava ser... por isso você é a única exceção para mim. Você foi o único insistente o suficiente para permanecer comigo e me fazer ver o mundo de maneira diferente.
— Isso foi lindo. – Kurt disse envergonhado. – Eu pensei tantas vezes em desistir e acabei indo atrás de você. Agradeço imensamente por eu não ter desistido, porque agora posso estar aqui com você, me arrumando para celebrar ao seu lado mais um passo que estamos dando. Juntos.
Os dois se beijaram carinhosamente e terminaram de se arrumar, logo indo para a parte da casa onde tinha o salão de festas. Aquela casa mais parecia uma mansão. Kurt nunca se acostumaria com aquilo, por mais que quisesse e tentasse.
O pai de Kurt, Burt, foi o primeiro a chegar. Ele parabenizou os meninos e foi levado por uma das pessoas contratadas por Blaine para uma mesa que ficava próxima a mesa deles, a qual ficava em frente ao pequeno palco que tinha sido montado no fundo do lugar.
— Esse lugar é tão especial para mim... – Kurt disse sorrindo, fazendo Blaine ficar confuso. – Lembra da surpresa do “baile” que você fez para mim?
— Como poderia me esquecer? Eu estava sendo legal e você pensou que eu só queria levar você para a minha cama. – Ele disse irônico, rindo em seguida.
— Foi no momento em que você disse que não era esse o motivo, que eu percebi que te amava. E desde então esse amor só ficou mais forte.
Blaine capturou rapidamente os lábios do noivo, sorrindo algumas vezes durante o breve beijo. Ele nunca havia se sentido tão feliz e completo como estava se sentindo agora.
— Parou a safadeza! – Brincou Sebastian, chegando e cumprimentando o casal.
— Deixa eles, seu invejoso. – John disse, fazendo os amigos rirem.
— Olha, K, Gabriela e a cópia do Sebastian chegaram também. – Brincou Blaine, fazendo os outros se desmancharem em risadas.
E assim eles seguiram, cumprimentando todos os seus convidados. Até que, três dos últimos, chegaram. Eram os pais de Blaine e o seu irmão, Cooper.
— Oi, mãe, pai. – Blaine cumprimentou seus pais, logo dando um abraço também em seu irmão. – Coop, pensei que não viesse.
— Eu não perderia isso por nada, maninho. Fora que eu senti sua falta.
— Também senti a sua. – Os dois compartilharam mais um abraço e um silêncio se instalou entre os cinco. – Oh, sim, eu já estava esquecendo que vocês não se conheciam... Mãe, pai e Coop, esse é o meu noivo, Kurt.
— Prazer em conhecer você. – Henry Anderson esticou a mão para Kurt, que a apertou e sorriu.
— Awn, como você é lindo. Meu filho escolheu direitinho. – A mãe de Blaine disse e abraçou o castanho.
— É um prazer conhecer vocês, Sr. e Sra. Anderson. – Disse Kurt sorridente.
— Oh, querido, me chame de Pam. – Disse a mulher. – E esse é o Henry.
— E eu ninguém apresenta? – Cooper se fingiu de ofendido. – Me chamo Cooper Anderson e sou o irmão mais velho desse idiota aí.
Kurt cumprimentou ele também e os cinco foram para suas mesas, que eram junto com Burt, Gabriela, John e Sebastian e Elliot, um outro amigo de Blaine.
Passados alguns minutos, enquanto todos jantavam, Blaine cutucou Kurt e sussurrou para ele algo relacionado ao fato de Sebastian e Elliot estarem trocando olhares e mais olhares. O castanho se sentiu enormemente feliz de ver o amigo dando um novo passo em sua vida, já que seu último relacionamento não havia dado certo e ele foi o que saiu mais ferido.
Após o jantar, o casal subiu ao palquinho e fez um agradecimento enorme por todos os ali presentes estarem de fato ali e fizeram um brinde ao noivado deles. Blaine pegou uma câmera, a pedido de Kurt, e fez um vídeo ali informando aos seus fãs sobre seu noivado, um vídeo com direito até a beijo do casal.
Eles voltaram para a mesa deles e uma música tranquila começou a ser tocada pela banda que havia sido contratada. Aquela festa estava longe de terminar e aquela era recém a parte tranquila. As bebidas ainda nem haviam sido servidas e a música de verdade ainda nem estava tocando. Eles estavam apenas conversando.
— Estou tão feliz por saber que meu bebê vai casar. – Pam disse orgulhosa, deixando o filho tão vermelho quanto um tomate.
— Mãe! – Repreendeu ele, corando mais ainda.
— Own, bebê da mamãe. – Brincou Kurt, deixando Blaine ainda mais vermelho.
— Também não acredito que o meu bebê vai casar. – Burt entrou na brincadeira e Blaine começou a rir que nem louco, provocando Kurt em seguida:
— Own, bebê do papai.
— Vai se f...
— Meninos! – Repreendeu Pam, fazendo eles revirarem os olhos feito duas crianças birrentas.
— Eu só ia mandar ele se ferrar. – Se defendeu o castanho.
— Sim, porque outra coisa eu faço mais tarde, e com você... Isso se você já tiver se recuperado de mais cedo.
— BLAINE! – Gritou Kurt, ficando mais vermelho do que sei lá o que. Ele estava muito envergonhado e, enquanto ele tentava se recompor, Gabriela, John, Sebastian, Blaine, Cooper e até mesmo Elliot se matavam de rir da situação.
— Não me faça fazer a pergunta que todos os pais fazem quando a cria arruma um namorado. – Burt disse e Blaine o olhou com uma feição que claramente dizia “que pergunta?”. – Quais as suas intenções com o meu filho?
— E por que eu tenho que ter as intenções? Poderia ser claramente o contrário.
— Só se Kurt não tivesse essa cara de virgem e você de um maníaco sexual. – Brincou Sebastian levando todos a rir novamente, tirando Blaine, que mostrou a língua para ele. – Que adulto, Blaine.
— Achei que tivéssemos passado por essa fase já. – Disse Blaine. – Ainda mais depois de tudo que já conversamos.
— Eu sei. – Burt disse sério. – Só estou zoando você. – E ele caiu na risada, seguido de Kurt. Blaine fez uma carranca e cruzou os braços.
— É uma criança, mesmo... – Riu o Hummel mais novo.
— Vou te mostrar a criança. – Blaine sussurrou no ouvido de Kurt, fazendo o castanho se arrepiar e corar.
Passadas duas horas, alguns dos amigos do casal já estavam bêbados, outros um pouco alterados pelo álcool e outros apenas felizes, dançando loucamente no meio do salão. Até mesmo Burt estava dançando com uma tia de Blaine e, os pais do moreno, também se soltaram.
O moreno largou o noivo por um tempinho e subiu ao palco, roubando o microfone para si.
— Sei que todos estão se divertindo com essas boas músicas e é por isso que eu quis vir aqui e cantar uma também. – Disse ele no microfone, fazendo todos gritarem animados.
— Bee, você precisa descansar sua voz para os shows... – Repreendeu Gabriela, vendo o amigo revirar os olhos.
— Me deixa ser feliz, mulher. – Brincou ele e ela apenas riu, concordando com a cabeça.
Ele disse a música para a banda e logo começou a cantar animadamente.
Can't count the years on one hand
(Não posso contar em uma mão os anos)
That we've been together
(Que estamos juntos)
I need the other one to hold you
(Eu preciso da outra para te segurar)
Make you feel, make you feel better
(Fazer você se sentir, fazer você se sentir melhor)
Um sorriso surgi nos lábios de Blaine e por lá ele ficou, grande e radiante, fazendo o coração de Kurt se aquecer ainda mais de alegria. Os dois estavam felizes, os dois se repreendiam mentalmente por terem esperado tanto tempo para finalmente assumirem um relacionamento.
Agora Blaine percebia o quão bom era ter apenas um parceiro. Um amor por noite não valia a pena e nem de longe era tão valioso quanto ter Kurt ao seu lado. Pertencer a apenas Kurt parecia tão melhor e mais agradável aos olhos dele. Se sentia um idiota por ter demorado tanto tempo para perceber isso.
It's not a walk in the park to love each other
(Não é como um passeio no parque para amarmos um ao outro)
But when our fingers interlock
(Mas quando nossos dedos se entrelaçam)
Can't deny, can't deny you're worth it
(Não posso negar, não posso negar, você vale a pena)
‘Cause after all this time I'm still into you
(Porque depois desse tempo todo eu ainda estou afim de você)
A melhor coisa possível para Blaine, era a alegria que pequenos detalhes proporcionavam a ele. Coisas simples como acordar ao lado de seu noivo, trocar um selinho, tomar café da manhã juntos, fazer algo pela manhã e almoçar com ele, passar a tarda fazendo nada, tomar um banho de piscina e, o principal, dormir abraçado a aquele que ele tanto ama, dizendo que o ama ainda por cima.
Ouvir aquelas três palavrinhas serem pronunciadas pela boca de Kurt era o melhor som que ele poderia ouvir. Elas faziam toda a sua existência valer a pena.
I should be over all the butterflies
(Devia ter acabado com todas as borboletas)
But I'm into you (I'm into you)
(Mas estou afim de você (estou afim de você))
And, baby, even on our worst nights
(E, querido, até mesmo nas nossas piores noites)
I'm into you (I'm into you)
(Estou afim de você (estou afim de você))
Let 'em wonder how we got this far
(Deixe-os se perguntarem como chegamos tão longe)
‘Cause I don't really need to wonder at all
(Porque eu realmente não preciso saber disso tudo)
Yeah, after all this time I'm still into you
(Sim, depois desse tempo todo, eu ainda estou afim de você)
Blaine tirou o microfone de sua base e desceu do palco, andando até Kurt, o puxando pela mão e o levando para cima do palquinho, sorrindo com ele em seguida. Permaneceram de mãos dadas, enquanto o moreno cantava olhando diretamente nos olhos de seu amado. Ele tinha escolhido uma música que pudesse, ao mesmo tempo, animar aos que ouviam e agradar os ouvidos de seu noivo, já que a música era para ele. Ele poderia ter escrito uma música para a ocasião, mas preferiu guardar a ideia para outro momento, para um outro local.
Some things just
(Algumas coisas apenas)
Some things just make sense
(Algumas coisas apenas fazem sentido)
And one of those is you and I
(E uma dessas coisas, é você e eu)
Some things just
(Algumas coisas apenas)
Some things just make sense
(Algumas coisas apenas fazem sentido)
And even after all this time I'm into you
(E mesmo depois de todo esse tempo, eu estou afim de você)
Blaine terminou a música e largou o microfone, sendo abraçado por Kurt em seguida. Os dois apenas se abraçaram e receberam aplausos e gritos de felicidade. Começaram a rir e sussurraram no ouvido um do outro o quão bem estavam se sentindo e o quanto aquilo tudo era bom para eles.
Várias câmeras os rondavam, Blaine queria deixar registrado o momento, mas, por algum motivo, Kurt não se incomodou.
As luzes simplesmente não incomodavam mais. Ele até gostava delas.
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