He Doesn't Like The Lights
25 #25 - Nunca fui tão feliz
Notas iniciais
#25
Nunca fui tão feliz
— Você está nervoso? – Blaine olhou para Kurt, que tremia, o que o fez rir.
Os dois estavam no camarim de Blaine. O moreno estava tomando água para aproveitar os seus cinco minutos de descanso no show e, depois daquilo, Kurt cantaria uma música com ele. Era óbvio que o castanho estava nervoso. Nunca tinha cantado na frente de tanta gente, ainda mais com Blaine, por mais que já tivessem cantando anteriormente juntos e para várias pessoas. Nada se comparava a ter uma plateia com setenta mil pessoas os assistindo.
— É óbvio. – Respondeu o Hummel. – Estou arrependido de ter aceitado fazer isso.
— Amor, se você não quer fazer isso, não precisa. Só que, você canta tão bem, pensei que fosse ser legal...
— E é. Aliás, e vai. Vai ser legal, divertido, maravilhoso. E sabe o motivo? – O moreno negou. – Porque estaremos cantando juntos.
— Te amo tanto. – Blaine disse e ouviu o barulho que o avisava que ele precisava voltar ao palco, agora ao lado de Kurt.
— Também te amo. – Os dois se deram um selinho e foram de mãos dadas para cima do palco.
Kurt continuava a tremer e seu nervosismo apenas aumentou quando ele viu tanta gente naquele show. Sentiu um orgulho enorme do noivo, porque era uma das maiores plateias para qual Blaine já havia cantado, isso que ele já havia feito mais de quinhentos shows ao longo de sua carreira.
— Vocês estão se divertindo? – Blaine perguntou ao microfone, fazendo todos gritarem mais do que já gritavam. – Vocês gostam tanto dos covers que eu faço, que hoje eu trouxe esse homem espetacular para cantar comigo. – Todos gritaram mais ainda. – Vem cá, amor.
Blaine puxou mais o castanho até que ambos estivessem no meio do palco. A banda estava já se aquecendo com o início do fundo da música, e Kurt estava em pé ao lado de Blaine, ambos com um microfone em mãos.
— KURT! KURT! KURT! KURT! – Os fãs de Blaine começaram a gritar, deixando o castanho ainda mais envergonhado. Até Blaine começou a gritar com eles.
— Viu? Todo mundo te ama. – Kurt queria se esconder em um buraco depois daquilo. – Mas vocês se acalmem, porque ele é só meu.
Todos gritavam o máximo que conseguiam e aplaudiam os meninos. Todos ficavam felizes por verem seu ídolo aparentando estar tão alegre ao lado de alguém.
Sem mais delongas, porque já tinha enrolado muito, finalmente começaram a música, sorrindo sem parar.
[Blaine:]
You've been deep in a coma
(Você estava em coma profundo)
But I stood right here
(Mas eu estava aqui)
When you thought there was no one
(Quando você pensava que não havia ninguém)
I was still right here
(Eu ainda estava aqui)
You were scared, but I told ya
(Você estava com medo, mas eu lhe disse)
"Open up your eyes"
(“Abra seus olhos”)
Blaine foi quem começou cantando, já fazendo seus fãs enlouquecerem – se é que já não estavam loucos o suficiente. Kurt se sentia até honrado de estar em cima daquele palco. Não importava o tempo o qual ele já estava ao lado de Blaine, nunca se acostumaria com a fama do moreno ou com a quantidade de fãs que ele tem. Até porque tudo parecia tão surreal, ele pensava que nunca fosse conhecer alguém tão famoso e, por causa de Blaine, ele já conheceu inúmeros famosos.
Não podia negar que era divertido. Blaine sempre era convidado para festas descoladas, jantares importantes, entrevistas, programas de televisão, até para fazer pontas em filmes. Kurt pensava que ser o Anderson deveria ser difícil, mas divertido. Não que ele quisesse isso, nem de longe, mas que queria experimentar essas coisas nem que fosse por um dia, isso sim ele queria.
Never saw me as someone who could love you well
(Nunca deixei de ser alguém que poderia amá-la)
Had to show you the hard way
(Tive que te mostrar da maneira mais difícil)
Only time will tell
(Apenas o tempo dirá)
Revelations and heartaches make you realize
(Revelações e mágoas vão fazer você perceber)
[Kurt:]
I was always in front of you
(Eu sempre estive em sua frente)
Kurt entrou lentamente na música, cantando apenas a última frase daquele trecho, sorrindo para seu noivo, que estava ainda mais adorável naquela noite. Os dois pareciam dois adolescentes no primeiro relacionamento. Tudo era motivo para dizerem um ao outro que se amavam, ou para começarem a se beijar ou, claro, para estarem se amando na cama.
Não que não fizessem isso antes de começarem um verdadeiro relacionamento, mas é que agora era tudo diferente. Agora ambos sabiam dos sentimentos um do outro e não havia mais em Kurt a insegurança de do nada perder seu moreno de cabelos cacheados e olhos castanhos. Ah, como ele amava aquele homem.
[Os dois:]
So wake up
(Então acorde)
Your sleeping heart
(Seu coração adormecido)
I know sometimes we'll be afraid
(Sei que às vezes nós vamos ter medo)
But no more playing safe, my dear
(Mas não mais jogar pelo seguro, minha querida)
I'm here, so wake up
(Estou aqui, então acorde)
Os dois cantaram juntos o refrão. Andavam juntos pelo palco, de mãos dadas. Se aproximavam dos fãs que ficavam mais próximos ao palco e davam as mãos para eles, que iam a loucura. O que mais se ouvia dos que estavam ali perto, era eles dizendo que amavam Blaine e implorando por um único toque na mão que fosse.
Aquilo fez Kurt lembrar o quanto ele queria que Blaine fosse um ídolo melhor para seus fãs. Ele queria que o moreno fosse o ídolo que eles mereciam, porque eles o amavam demais, mereciam pelo menos um pouco de consideração da parte do moreno – coisa que claramente não tinham.
[Blaine:]
You've been deep in a coma
(Você estava em coma profundo)
But I stood right here
(Mas eu estava aqui)
When you thought there was no one
(Quando você pensava que não havia ninguém)
I was still right here
(Eu ainda estava aqui)
You were scared, but I told ya
(Você estava com medo, mas eu lhe disse)
"Open up your eyes"
(“Abra seus olhos”)
[Kurt:]
I was always in front of you
(Eu sempre estive em sua frente)
Kurt novamente se encaixou no final da estrofe. Os dois estavam de lado, virados para os fãs de Blaine e o moreno estava no momento com a mão em torno do corpo de Kurt, o abraçando de lado. Cada novo gesto que fazia os meninos se tocarem, se olharem, ou interagissem de qualquer maneira, fazia todos aqueles fãs gritarem, pularem, aplaudirem, ficarem loucos demais.
O Hummel estava envergonhado no início, mas agora estava mais solto que o próprio Blaine. O moreno estava se sentindo tão feliz por ter alguém ali cantando com ele e, mais que isso, ter o seu Kurt, o seu noivo, o seu amor, ali com ele. Era espetacular.
[Os dois:]
So wake up
(Então acorde)
Your sleeping heart
(Seu coração adormecido)
I know sometimes we'll be afraid
(Sei que às vezes nós vamos ter medo)
But no more playing safe, my dear
(Mas não mais jogar pelo seguro, minha querida)
Se um ano atrás alguém dissesse para Blaine que sua vida mudaria do nada e apenas melhoraria, ele certamente não acreditaria. Aliás, ele ainda não acredita. Tudo ainda parece apenas um sonho, um devaneio de sua mente. Tudo parece não fazer parte de sua realidade. É um pouco estranho.
Mas agora faltava duas semanas para completar um ano que ele conhecia Kurt e simplesmente queria que, se tudo fosse apenas um sonho, durasse para sempre. Não queria acordar nunca mais. Não queria, não podia. Ficaria devastado.
So wake up
(Então acorde)
Your sleeping heart
(Seu coração adormecido)
And we will dream a dream for us
(E vamos sonhar um sonho para nós)
That no one else can touch, my dear
(Que ninguém pode tocar, minha querida)
I'm here, so wake up
(Estou aqui, então acorde)
Eles terminaram de cantar a música e foram ainda mais aplaudidos, altamente aclamados por seu público.
Kurt saiu do palco depois de mais uma declaração vinda de Blaine e ficou o esperando terminar seu show, assistindo o mesmo ao lado dos fãs do moreno que, entre uma música e outra, o perguntavam coisas comuns. Mas uma pergunta o pegou de surpresa e ele certamente não estava pronto para ouvir ela:
— Por que nós amamos tanto ele e ele não liga para nós, se nega até para uma foto?
Kurt também queria a resposta daquilo. Por mais que Blaine já tivesse o explicado o motivo de ser tão desapegado de seus fãs, aquilo nunca o convenceu. Ele ainda pensava que tinha um motivo maior, mas imaginar que era por mesquinharia de Blaine, chegava a doer. Então preferiu descartar essa opção. Amava o moreno demais para pensar desse jeito.
Após o show os dois foram para casa no banco de trás do carro, enquanto John e Gabriela estavam na frente – com John dirigindo.
— Vocês já pararam para pensar que nós quatro vamos casar? – Comentou Gabriela, sorrindo toda boba.
— Seria lindo se casássemos todos juntos. – Soltou Blaine, também sorrindo. – Não acha, amor?
— Mais do que acho. Seria ótimo. – Afirmou Kurt e todos sorriram uns para os outros dentro do carro.
*NO DIA SEGUINTE*
— Amor?! – Chamou Kurt, procurando Blaine pela casa inteira. O moreno havia saído na manhã daquele dia e ainda não havia retornado e aquilo já estava preocupando Kurt.
Ao andar até o estúdio de Blaine, viu o Anderson sentado assinando um papel. Se aproximou cautelosamente e bateu na porta que estava aberta, fazendo o moreno o encarar sorrindo, o fazendo um sinal para que ele se aproximasse.
— Você demorou para voltar, eu já estava me preocupando com você. – Confessou Kurt, dando um selinho no noivo, sentando-se em seu colo em seguida.
— Desculpa pela demora, eu fui resolver algumas coisinhas. – Explicou ele. – Eu preciso que assine esse papel...
— E o que é esse papel? – Perguntou o castanho.
— Leia e descubra. – Blaine disse com um sorriso enorme no rosto.
Kurt começou a ler e quase engasgou com o ar ao ver sobre o que se tratava. Era a escritura da casa e ali dizia que ela estava sendo passada para um novo dono.
— O que isso significa, Sr. Anderson? – Kurt encarou seu noivo, que ainda sorria. O moreno pegou a mão de Kurt antes de finalmente responder.
— Isso significa que essa casa não é mais minha. Ela é nossa. Oficialmente. – Blaine ainda sorria grandemente. – Nunca pensei que fosse dar um passo tão grande em um relacionamento com alguém, nem pensei que ficaria tão feliz por fazer isso.
— Mas não precisava fazer isso, eu já moro aqui com você mesmo.
— Sei disso, mas eu queria que você soubesse que essa casa também é sua. Além disso, não é só a casa que é sua, ok? Tudo que é meu é seu também, menos você, então... – Brincou o moreno, soltando uma risada gostosa.
— Ah, como você é idiota. – Kurt também estava rindo. – Mas eu te amo igual.
— Eu também te amo. – Blaine puxou o rosto de Kurt carinhosamente e o beijou. – Nunca fui tão feliz na minha vida, sabia? E aí você me deixa sorrindo que nem um idiota por qualquer coisa que você faça.
— Isso se chama estar apaixonado. Entendo bem como é. – Kurt riu, beijando novamente o moreno.
— Quero mais um beijo. – Blaine disse manhoso e Kurt o deu um selinho, fazendo o moreno fazer um bico como uma criança.
— Posso te dar mais do que só um beijo, mas mais tarde. Agora eu queria ter uma conversa com você.
— Lá vem... – Blaine depositou uma mão em volta de Kurt e a outra na coxa do mesmo, que ainda permanecia sentado em seu colo. – Pode dizer.
— Lembra quando eu perguntei o motivo de você tratar seus fãs com tanta frieza e você me explicou? – Blaine assentiu. – Eu queria que você tentasse mudar isso. Sei que deve ser difícil, mas eu avaliei os dois lados dessa equação e sei que você pode fazer com que tudo dê certo. Você só precisa acreditar mais em si mesmo e dar uma chance aos seus fãs. Sei que você pode aprender coisas extraordinárias com eles e ainda por cima vai alegrar todos eles.
— O que você tem em mente? – Perguntou Blaine, ponderando aquela ideia.
— Um encontro de você com seus fãs aqui em New York. Você poderia alugar uma sala e anunciar na internet que estará fazendo isso. Gratuitamente, é claro, porque eles já gastam uma fortuna por causa sua. Me doeu ver alguns deles dizendo que você se negava até a tirar uma foto, fiquei me perguntando se ia cair seu rosto se você fizesse isso.
— Eu sempre neguei fotos. – O moreno disse um pouco arrependido. – E novamente você está certo. Odeio que você esteja sempre certo.
— Não sei se estou sempre certo, mas dessa vez eu realmente estou. Então me diga... você vai fazer isso por eles ou não?
Blaine respirou fundo, pensativo. Ele sabia que não era um bom ídolo para seus fãs, sabia o quão rude era o modo com o qual tratava eles e sabia que queria mudar, sabia que podia mudar. Então a decisão simplesmente acendeu como uma lâmpada em sua cabeça.
— Chama a Gabriela e manda avisar que Blaine Anderson vai fazer um encontro com seus fãs. Mas claro que com uma condição, bem simples até.
— O que você quer, Blaine?
— Que você vá comigo, só isso.
— Se é assim, então vamos lá fazer você ser o ídolo que eles tanto querem ver!
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