Notas iniciais
Como prometido, hoje é sábado e cá estou eu *----* Queria dedicar esse capítulo ao Leo, que recomendou a fic ♥ Obrigada, de verdade ♥ O capítulo ficou bem grandinho... espero que gostem, pode estar triste, mas o final compensa por todos os dramas que já passamos aqui. Espero de verdade que todos gostem, porque esse título representa simplesmente o que tanto queríamos ouvir por aqui ♥♥ Boa leitura! O capítulo é todo narrado pelo Blaine, apenas para avisar... ♥♥

#22

Eu te amo

PRIMEIRO DIA DO COMA

Sempre dizem que só aprendemos a dar valor ao que temos, quando perdemos, então percebemos o quanto amávamos aquilo. É justamente assim que eu me sinto em relação a Kurt.

Acredito que eu, Blaine Anderson, o cara sem coração, tenha me apaixonado por ele no momento em que o vi pela primeira vez. Eu só era muito idiota para perceber. Aliás, eu ainda sou, mas pretendo mudar. Eu prometi a mim mesmo que, não importa o que aconteça, eu vou mudar, com tudo e com todos. Serei a pessoa que todos merecem que eu seja, não um idiota, mesquinho e egoísta que daqui a pouco vai receber ódio até dos fãs.

Esse quarto branco cansa os olhos de qualquer um, principalmente os meus, que estou o dia inteiro aqui. Não saí por nenhum segundo do lado de Kurt, eu vou ficar aqui por todo o tempo que for necessário. Eu não vou desistir dele e se for preciso esperar dois anos para ele acordar, eu vou esperar. Eu não vou perder as esperanças.

Por conta de estar aqui, acabei adiando todos os meus shows dos próximos três meses. Remarquei todos e disse para John, que é um de meus empresários, que poderia devolver o dinheiro para aqueles que não conseguissem arrumar-se para as novas datas e que ainda desse a eles um presente, como um álbum meu ou qualquer outra coisa.

Eu só queria garantir que ninguém ficasse triste comigo, mas eu mesmo estou decepcionado comigo. A minha pior dor, é saber que tem chances de Kurt não sobreviver a isso e eu vou ficar com a minha consciência pesada pelo resto da minha vida, vou passar todos os meus dias sabendo que ele se foi sem eu nem dizer que o amava. Acho que morrer não deve ser tão ruim quanto viver com essa culpa, e não, não estou desejando a morte para ele.

Eu estava falando de mim mesmo.

SEGUNDO DIA DO COMA

Não sei o que é pior nesse quarto. A quantidade exagerada de branco, ou ter a visão de Kurt todo machucado em cima de uma cama. É mais provável que a segunda opção. Ele tem cortes no rosto, tem machucados por todo o corpo, está com três costelas quebradas do lado esquerdo, duas do lado direito e mais duas trincadas de cada lado, ele fraturou a perna direita e mais o braço esquerdo.

Ele realmente não deveria estar no meio da rua, mas era tarde da noite, não havia motivos para um carro estar em tão alta velocidade quanto estava. No mínimo ele estava com pressa e realmente podia ser por um bom motivo, podia estar indo para um lugar importante, eu não sei, só sei que ele poderia ter se machucado, assim como Kurt. E eu não desejaria isso para ninguém.

Outra coisa horrível, foi que hoje eu precisei avisar o Burt do que aconteceu. Não é algo agradável para contar para alguém que tem um problema no coração, ainda mais porque ele está em New York, e nós estamos em Londres.

Sebastian não conseguiu passagem para vir para cá ainda, mas está providenciando já. Burt ficou desolado quando soube da notícia, pelo que eu soube ele acabou passando mal e o levaram para o hospital.

Eu depositei o dinheiro necessário e disse para eles já realizarem a cirurgia necessária, assim quando Kurt acordasse poderia ver seu pai já bem.

Isso se ele acordar... é tão horrível pensar isso. Eu quero tanto ver esses olhos azuis de novo...

— Só dois dias e eu já estou morrendo de saudade... – Apertei a mão dele com força e me escorei na cama.

Estava nesses dois dias ali direto, não dormia, não comia, mal respirava. Eu só queria ver Kurt bem, saudável e feliz.

TERCEIRO DIA DO COMA

Sebastian chegou hoje no hospital, ele estava com olheiras e viu que eu também, me obrigou a sair daquele quarto e comer algo, ir para o hotel, tomar um banho e dormir algumas horas. Mesmo contra minha vontade, fiz o que me foi mandado, eu realmente precisava descansar. Se eu acabasse adoecendo agora, Gabriela morreria junto, ela já estava mal o suficiente por conta de Kurt.

Quando estava perto de nove e meia, peguei um táxi e voltei para o hospital, dei meu nome na recepção e fui para o quarto. Sebastian ainda estava lá, olhando para o nada. Nenhum de nós tinha o que fazer, ficávamos até sem saber o que falar um para o outro. Nem os médicos sabiam o que dizer.

Sebastian me deu tchau e foi para o hotel, dei a chave do meu quarto para ele, já que eu passaria a noite no hospital.

— Você faz muita falta... eu passei dois meses longe de você, mas pelo menos eu sabia que de saúde você estava bem. Agora, de que adianta estar ao seu lado e não ver seu sorriso, seus olhos ou ouvir sua voz? – Comecei a acariciar a mão dele que, como sempre, estava fria. Doía demais vê-lo daquele jeito. – Eu sei que sou culpado por tudo que aconteceu, mas eu... eu só... não queria ver isso acontecer. Me arrependo tanto.

Sem nem perceber, novamente eu estava chorando. Eu me odiava tanto, tanto, tanto. Queria apenas ter o poder de trocar de lugar com o Kurt.

Eu faria qualquer coisa para vê-lo bem agora.

QUARTO DIA DO COMA

— Você podia acordar, né? – Eu disse, como sempre segurando a mão de Kurt, sem obter uma resposta. – Seu pai precisou fazer a cirurgia do coração, mas ele está bem. – Eu ri fraco. – Queria pelo menos que você pudesse me ouvir.

— Blaine, não adianta ficar o tempo inteiro ao lado dele. – Sebastian me disse, parando do meu lado. – Isso só vai te deixar pior.

— Eu mereço. Mereço muito pior do que isso. Eu deveria estar no lugar dele. Eu merecia morrer. – Continuei olhando fixamente para Kurt. Sua respiração era extremamente fraca e ele não exercia essa função sem ajuda de aparelhos. – Olha bem para ele, parece um anjo e agora está todo machucado, por culpa minha.

— Não é culpa sua. – Afirmou ele e eu finalmente o olhei.

— É sim. Se eu tivesse feito a coisa certa desde o início, estaríamos juntos e ele não estaria irritado comigo, não me deixaria falando sozinho e não pararia no meio da rua. Tudo isso é apenas uma bomba que explodiu depois de muitas quase explosões. Eu só preferia que ela tivesse explodido em mim. – Sebastian me puxou para um abraço, o que me surpreendeu bastante.

— Para de se culpar. Kurt não quer ver você triste.

— E eu não quero ver ele nessa cama. Estamos aqui nisso há menos de uma semana e eu já não aguento mais, porque essa culpa maldita está me consumindo. Eu não aguento mais chorar, eu não aguento mais ver ele deitado aí, não aguento.

QUINTO DIA DO COMA

Acordei escorado em alguém. Pelo perfume logo reconheci, era Gabriela. Ela provavelmente tinha chegado cedo da manhã, agora era quase meio-dia. É, novamente dormi no hospital. Essa rotina está cansativa, estou até com o rosto inchado ultimamente, de tanto chorar, provavelmente.

— Bom dia... – Ela disse calma, arrumando o meu cabelo, que caía quase no meu olho.

— Não vejo nada de bom. – Rebati irritado. – Você também não acredita que ele vá sair daqui, não é?

— Claro que acredito. Não faz nem uma semana, Bee. Fica calmo. – Ela deu um leve sorriso para mim e eu apenas a abracei.

Pelo menos eu ainda tinha a minha melhor amiga comigo, na maioria das vezes era a única coisa que eu precisava e agora eu tinha esse enorme buraco no meu peito e sabia que ele não iria fechar. Ter ela ao meu lado pelo menos me impedia de me atirar pela janela do quarto.

Tudo que eu sentia era dor. Cada vez que eu via um médico entrando e analisando a situação de Kurt, era uma nova dor para se acumular dentro de mim, porque ao que parece todas as outras já não estavam sendo o suficiente.

Mas eu vou sobreviver a isso. Por ele. Ele merece que eu faça isso.

SEXTO DIA DO COMA

Falta apenas um dia para completar uma semana que estou aqui ao lado de Kurt e, honestamente, não aguento mais. Não me importo do esforço que estou fazendo, o que me incomoda mesmo é ver ele deitado nessa cama, com seus lindos olhos fechados, sem nem conseguir respirar sozinho.

Todos os dias até agora eu vi ele ficar ali, sem se mexer. Os médicos me disseram que ele pode estar em uma luta interna entre a vida e a morte e que é bom que eu converse com ele, mas sinceramente eu não tenho ânimo algum para fazer isso.

Ainda assim eu faço, passo dia inteiro com ele, até li o livro que estava lendo para ele. Mas não há resposta alguma, ele está ali e, ao mesmo tempo, não está.

Eu tento me botar no lugar dele. Se o que os médicos disseram é verdade, ele está consciente do que está acontecendo, então pode muito bem me ouvir e se esforçar para responder. Mas se isso for verdade mesmo, eu fico imaginando a dor que ele deve sentir por ver tanta gente querendo o ver bem e ele ali, sem conseguir acordar.

Se é difícil para mim, é muito pior para ele.

SÉTIMO DIA DO COMA

Acordei disposto, por incrível que pareça. Uma esperança se acendeu dentro de mim, não sei como, mas acendeu.

Sebastian dormiu no hospital e eu no hotel, contra minha vontade. Tive um sonho bom, sonhei com Kurt me abraçando e dizendo que me amava.

Por mais que fosse apenas um sonho, aquilo me fez pensar que as coisas estavam melhorando. Porém, tudo mudou quando cheguei ao hospital e vi que Kurt tinha sido levado às pressas para a emergência. Aquilo fez eu prometer a mim mesmo que não ia mais sair de perto dele, não importando o que acontecesse.

Eu fui atrás de informações e os médicos disseram que era bem provável que Kurt estivesse desistindo de sua vida. Foi nesse momento que parei de acreditar no que eles diziam. Me doía pensar que podia ser verdade, ignorar parecia doer menos.

Quando tudo se tranquilizou, depois de um ataque cardíaco e a quase eterna pausa dos pulmões dele, ele foi levado de volta ao quarto, agora com o dobro de aparelhos o circulando. Era horrível ver ele com tanta coisa em sua volta.

Quando finalmente fiquei a sós com ele, após discutir com todos que podia e ser ameaçado de ser tirado dali, me permiti chorar de novo. Minha cabeça doía, parecia que ia explodir, mas eu não me importava. Eu precisava colocar a minha dor para fora.

OITAVO DIA DO COMA

Uma semana e um dia já haviam se passado, para a minha infelicidade. Eu pensei que fosse ser algo passageiro, que ele ia acordar já no segundo ou terceiro dia, mas não. Todos começavam agora a mandar eu me preparar para o pior, me mandaram pensar no que dizer no funeral dele, me mandaram me despedir enquanto ele ainda tinha consciência.

Mas era óbvio que eu não faria aquilo. Eu sei que ele pode estar sofrendo, mas eu não vou deixar que desliguem os aparelhos dele, deixei bem claro que apenas eu poderia assinar aquele papel maldito e eu nunca iria assinar. Enquanto houvesse esperança, eu continuaria ali. Mesmo sem forças, mesmo acabado, mesmo sofrendo, eu iria continuar ali. Ele não desistiu de mim, por que eu desistiria dele?

Eu discuti até com Gabriela, disse que ela não precisava vir aqui se a única coisa que tinha a dizer era para que eu me acalmasse e me preparasse. Pode ser egoísmo da minha parte que a vida de Kurt dependa de mim, mas ele tem só vinte e três anos, não posso deixar ele morrer.

NONO DIA DO COMA

— Kurt, espero que não fique irritado comigo, mas eu disse para Sebastian não vir mais aqui. Ele não estava trazendo boas energias. – Falei o encarando. Eu estava com o rosto nem próximo ao dele, me inclinei e depositei um beijo em sua bochecha. Era difícil até de me aproximar dele. – Esse apito é irritante... – Comentei. – Mas enquanto o barulho dele não for igualado, acredito que esteja tudo bem. Seus batimentos estão tão fraquinhos... Eu entendo que deve ser difícil para você, porque você deve querer acordar, mas, caso você não queira, eu preciso ser egoísta e pedir para que não me abandone. Eu sei que eu não te mereço e tudo o mais, mas tudo que eu queria agora era ver o seu sorriso ou te abraçar. Eu falo sério quando digo que você faz falta...

DÉCIMO DIA DO COMA

Já se passaram dez dias. Eu não sei quanto tempo mais eu consigo aguentar isso. Sempre que eu saio do quarto por poucos minutos para respirar um ar fresco, sou bombardeado por repórteres que perguntam o que está acontecendo com Kurt, perguntam o que eu vou fazer quando ele se for, perguntaram até como eu vou sobreviver sem o meu “sexo fácil”. Se eles apenas soubessem tudo que eu sinto... mas como eles saberiam, não é mesmo? Eu realmente tratei Kurt como se ele fosse apenas alguém que eu queria para transar. O único problema é que, por mais que eu tenha agido assim, nunca foi o que eu quis. Eu queria ele de verdade, ter um relacionamento com ele, casar, ter filhos.

Agora que não posso mais ter isso, percebo o quão idiota eu fui. Eu me odeio.

DÉCIMO PRIMEIRO DIA DO COMA

Meu celular toca a cada cinco segundos. Todo mundo quer saber como Kurt está. Todo mundo quer saber quando eu vou sair desse hospital e ir para casa. A verdade é que não vou sair de perto dele até ele ficar bem. Eu me nego a sair daqui. O estado dele é estável, mas em alguns momentos ele piora e fica quase sem batimentos.

Ele está muito fraco e eu estou ficando também. Já estou com seis quilos a menos, minha barba está crescendo rápido, eu estou com olheiras, estou com os olhos fundos... eu tomo banho no quarto do hospital, eu como no hospital, eu mal durmo e quando durmo é em uma poltrona desconfortável, a mesma em que passo o dia inteiro.

Eu só quero que ele saia daqui, e bem, não para um caixão.

DÉCIMO SEGUNDO DIA DO COMA

Doze dias, será que ainda ficarei aqui por muito tempo? Kurt ficou quase sem batimento algum, de novo. E novamente os médicos mandaram eu me preparar, porque ele está quase que sem chances de voltar para mim.

Passei o dia inteiro chorando, para variar. Li um pouco para ele, conversei com ele, falei com a Gabriela por telefone – e discutimos de novo –, e falei com Burt no telefone. Burt receberá alta, mas só poderá fazer uma viagem tão longa depois de quarenta e cinco dias. Até lá Kurt nem vai estar mais em um hospital, eles não vão me permitir esperar mais de quarenta dias, tenho certeza disso.

Mas ainda assim, se o coração dele não parar de bater definitivamente e para sempre, eu não vou permitir que desliguem esses aparelhos. Eu NUNCA vou permitir.

DÉCIMO TERCEIRO DIA DO COMA

— Eu só queria ver seus olhos de novo. Queria te ver acordado, nem que fosse para me xingar. Se eu visse você respirando sem aparelhos, sorrindo com um outro alguém, eu me sentiria bem melhor. Minha maior dor é saber que noventa e oito por cento das chances do que pode acontecer, são negativas. E sabe o que é pior? Que mesmo tendo só dois por cento de chance de te ver de novo, eu continuo aqui. Enquanto restar, o mínimo do mínimo de chances, eu vou continuar aqui ao seu lado, segurando sua mão, que está branquinha e gelada. Vou permanecer encarando seu lindo rosto, lembrando de todos os momentos lindos que passamos juntos. Vou chorar e muito por falar com você sem obter resposta. Vou ler aquele livro chato, apenas para fingir que sua consciência está me ouvindo. Vou colocar Chasing Cars para tocar e vou chorar lembrando que desde o início eu deveria ter deixado meu coração se entregar por completo para você. Vou lembrar de toda a tristeza que te causei e vou sofrer com isso, porque eu nunca quis que isso acontecesse. E, se por um acaso esses dois por cento não forem o suficiente, eu vou me entregar aos outros noventa e oito por cento e vou chorar por ter perdido o amor da minha vida e, mais que isso, eu vou ter a certeza de que nunca vou sorrir novamente, porque eu sei que tudo isso é minha culpa. Eu não posso permitir que você se vá, não sem antes ouvir tudo que eu ainda quero te falar, não sem você encontrar alguém melhor que eu, casar, ter filhos, netos, até bisnetos. Você ainda precisa ter seu próprio negócio de moda, precisa mostrar para todos que você é muito melhor do que imaginam. Eu só quero que você acorde. Isso é pedir demais? Mesmo sendo quase impossível... analisando os dois lados da balança que, infelizmente, pende muito mais para o lado ruim, vou permanecer ao seu lado, amor, porque é isso que se faz quando você ama alguém e vou fazer isso por você.

DÉCIMO QUARTO DIA DO COMA

— Kurt, eu sou a maior decepção possível, eu quase me atirei na frente de um carro. Eu saí de dentro do hospital para comer algo diferente, queria um biscoito ou sei lá, atravessei a rua e ao pisar nela eu lembrei da cena de você sendo atropelado, eu paralisei. Eu fiquei lembrando de quando o carro se chocou contra você e você voou longe, foi horrível lembrar de você todo machucado. Eu quase fui atropelado e, o pior, eu acho que eu queria aquilo. Eu queria morrer. Eu me sinto horrível de te ver aqui, eu sei que isso é tudo culpa minha e...

— Isso não é culpa sua. – Olhei para trás e vi Burt me observando.

— Você não deveria estar descansando? – Automaticamente tirei a minha mão da de Kurt e sequei meus olhos, encarando o pai dele.

— Deveria. Você também. – Rebateu ele. – Eu não podia ficar mais tempo sem ver o meu filho, mesmo sabendo dos riscos. Obrigado por estar cuidando dele.

— É o mínimo que eu posso fazer, ainda mais depois de toda a dor que já causei a ele.

— Ele te ama. E você ama ele. – Eu o olhei sem palavras ao ouvir aquilo, então ele tratou de explicar. – Vi isso no dia em que os dois almoçaram comigo. Você não estava pagando o meu tratamento porque se algo ruim acontecesse comigo o seu “funcionário” ficaria mal. Você estava fazendo aquilo porque você o ama. Qualquer um que olhar por muito tempo para os dois consegue ver o amor que há entre vocês, principalmente quando se olham. Não sei nem da metade do que deve ter acontecido entre vocês, mas se você diz que fez tanto mal assim para ele e mesmo assim ele foi atrás de você, é porque ele acredita que você possa mudar. E, mais que isso, que você pode fazer com que dê certo. Talvez você só não tenha tido tempo.

— E agora não adianta de nada... eu realmente não tenho mais tempo...

DÉCIMO QUINTO DIA DO COMA

— Agora seu pai também está aqui... – Comentei dando um leve sorriso. – Eu realmente não me importaria de ter ele como sogro. Ele foi a pessoa que mais me animou até agora. Você tem o melhor pai que alguém poderia ter... digo, o meu não é um pai ruim, mas, ainda assim... eu não falo com ele há muito tempo e ele nem parece sentir falta... Hoje eu acordei um pouco melhor, até dormi mais, sabe? Sonhei com você, mas não terminou de um jeito triste como das outras vezes, terminou com um beijo, isso me fez sentir falta dos seus beijos. Sinto falta de tudo em você. Essa saudade machuca cada vez mais. O pior é ver você aqui do meu lado e saber que você não está aqui de verdade.

DÉCIMO SEXTO DIA DO COMA

Já se passaram dezesseis dias, a dor que eu sinto parece não ter fim, já minhas lágrimas... fugiram. Acho que tirei de dentro de mim todo o líquido possível, porque eu simplesmente não consigo mais chorar. A quem eu quero enganar? Eu só não aguento mais, é óbvio que posso chorar se quiser, mas minha cabeça está doendo demais para isso.

Minha cabeça pode até doer, mas nem se compara a dor do meu coração.

DÉCIMO SÉTIMO DIA DO COMA

— Eu já almocei, caso queira ir agora... – Avisei para Burt ao entrar no quarto.

— Daqui a pouco eu vou. – Ele disse sem nem me olhar.

— Então eu vou deixar vocês a sós mais um pouco. – Eu já ia me retirando, mas ele me olhou e abaixou o olhar. – Ou eu posso ficar.

Eu me aproximei da cama e sentei no banco, já que Burt estava sentado na poltrona.

— Você pode se abrir comigo, sabia? Estou na mesma que você. – Ele disse com o semblante mais triste que eu já tinha visto. Aquilo simplesmente destruiu o que restava de mim.

— E-eu... eu não sei.

— Isso vai te fazer melhor.

E ele tinha razão. Aquilo fez eu me sentir muito melhor.

DÉCIMO OITAVO DIA DO COMA

Sebastian voltou para visitar Kurt e, contra a minha vontade, ele entrou no quarto e ficou quase três horas lá dentro. Eu fiquei do lado de fora, observando o lado de dentro, apenas observando caso ele tentasse fazer algo.

Mas ele apenas falou com Kurt, segurou sua mão e chorou. Quando saiu do quarto até me abraçou e, por mais que eu tivesse achado estranho, aceitei o abraço. Eu também estava carente.

DÉCIMO NONO DIA DO COMA

Burt me obrigou a dormir fora do hospital, ele prometeu que ficaria a noite inteira ao lado de Kurt e como ele era mais teimoso que o filho dele, eu aceitei. Passei a noite no mesmo quarto de Sebastian, mas eu dormi no pequeno sofá que tinha lá, depois de ele insistir muito para fazermos ao contrário. Eu só estava lá porque era obrigado.

Mas lá pelas oito da manhã eu já estava no hospital, com um café na mão, sem ânimo algum para viver. Eu pedia encarecidamente aos céus, para que Deus levasse a mim e não a ele e, percebendo que o provável era o contrário, eu decidi para de acreditar em forças mais fortes, já que elas nunca me ajudaram.

VIGÉSIMO DIA DO COMA

Vinte dias não é tempo o suficiente para alguém acordar de um coma? Sim, claro que sim, mas não para o meu Kurt. Ele precisava demorar mais que isso.

Na manhã do dia de hoje eu recebi a melhor notícia que eu poderia, os batimentos de Kurt se estabilizaram. Ele está com um pouco mais de vinte por cento de chance de acordar em breve. Vinte por cento é muito melhor do que dois, então eu posso ficar um pouco feliz. Aquele aparelho do qual saía o apito que eu tanto odiava, agora era uma sinfonia incrível para os meus ouvidos.

Eles até tiraram alguns dos fios que cercavam Kurt, deixaram apenas os mais específicos, que eram o de respiração e o que controlava pulsação.

VIGÉSIMO PRIMEIRO DIA DO COMA

Ok, ele pode estar ficando com o estado cada vez melhor, mas isso não significa que eu esteja totalmente tranquilo com o que ainda vai acontecer. Eu fico com medo cada vez que o coração dele acelera um pouco. Normalmente isso anda acontecendo quando ele escuta minha voz. É só eu falar um pouco com ele, que o coração dele acelera e muito.

Os médicos disseram que isso é um bom sinal, mas desde que viemos parar aqui tudo para eles é um bom sinal. Eu tento entender, de verdade, mas é bem complicado.

VIGÉSIMO SEGUNDO DIA DO COMA

E quem é que já está em vinte e seis por cento? Sim, o meu doce menino. Ele está melhorando. Aos poucos, mas está. Cada detalhe de melhora faz o meu coração se aquecer mais de alegria, mal consigo me conter hoje. Eu sinto que ele vai acordar a qualquer momento. Não poderia me sentir melhor.

VIGÉSIMO TERCEIRO DIA DO COMA

— Você não deve aguentar mais ficar nessa mesma posição... – Burt comentou ao sentar do meu lado.

— Na verdade eu até canso, mas observando os últimos acontecimentos, não me importaria de ficar travado na mesma posição para sempre. – Eu ri um pouco e ele me acompanhou. – Eu pensei que nunca mais fosse sorrir. Aquela dor parecia não ter mais fim.

— Mas ela teve, Blaine. Nosso Kurt vai voltar para nós.

VIGÉSIMO QUARTO DIA DO COMA

Os batimentos de Kurt já estão completamente normalizados. Quer dizer, para alguém que tecnicamente está dormindo, os batimentos estão normais. Ele está tranquilo, não teve nenhum tumulto em sua volta, nem nada assim, então seu coração está normal. Sua respiração anda melhorando também, mas permanece fraca.

A melhor coisa disso tudo, é que ele anda respondendo a minha voz. Sempre que eu toco nele ele se arrepia todo, e quando eu falo, seu coração acelera. Podem ser movimentos involuntários, mas ainda assim eles são significativos.

VIGÉSIMO QUINTO DIA DO COMA

— Não acredito que já faz quase um mês que você está aqui, meu amor. – Sorri bobo por ver o que tinha dito. – É bom te chamar de amor. Não pensei que fosse ser tão legal. – Ri de novo. – Continuo a repetir que sinto sua falta... – Vi no visor o coração dele acelerar, sorri ainda mais bobo. – Hey, calma. Você não pode se alterar muito. Deixa que quando você acordar eu te dou um bom motivo para ficar com o coração acelerado e... vou parar de falar nisso, porque só está aumentando.

Eu quase me desesperei quando vi que o coração dele batia rápido demais, mas foi só me calar que voltou ao normal. Aquilo me fez pensar se minha voz estava fazendo bem ou mal a ele... queria que fosse a primeira opção.

VIGÉSIMO SEXTO DIA DO COMA

Os médicos finalmente encontraram o motivo do coração de Kurt acelerar ao ouvir minha voz. Eles me explicaram, mas para mim eles estavam falando em outro idiota. O que importa é que é um bom sinal. Agora eles estão tentando recuperar tudo que o corpo de Kurt perdeu por ficar aqui tempo demais e, se tudo der certo, dentro de alguns dias ele estará completamente bem e pronto para acordar.

Ultimamente eu tenho passado o dia inteiro sorrindo, sorri até para o escuro se duvidar. O meu menino vai acordar, e então eu vou agradecer a mim mesmo por não ter desistido dele. Desde o início eu disse que ele ia acordar e eu sei que ele vai.

VIGÉSIMO SÉTIMO DIA DO COMA

Como tudo que é bom dura pouco, minha felicidade não seria para menos. Não tem nada de errado relacionado ao estado de Kurt, porque ele está bem, na medida do possível. O que houve de ruim, foi que alguns fãs estão uma fera comigo, tudo porque vazou na internet inúmeras fotos e vídeos de mim saindo com alguém de festas e levando esse alguém até meu carro. Até o vídeo do acidente de Kurt foi parar na internet e agora todos pensando que eu e ele estávamos namorando e eu o traí e por isso ele estava ‘fugindo’ de mim naquela hora.

Realmente, é como Kurt diz, ter a vida pública como eu tenho, é um inferno.

VIGÉSIMO OITAVO DIA DO COMA

Aqui estou, em uma sala pequena, cheia de repórteres, para responder aquilo que todos estão perguntando. Eu deixei bem claro que não daria o direito de ninguém perguntar. Apenas eu falaria. Eu faria isso o mais rápido possível, assim poderia voltar para o hospital o mais breve que pudesse.

— Eu sei dos vídeos que estão rondando na internet e eu gostaria de dizer que eles são reais. O único problema, é que todos estão misturando as informações e tirando conclusões precipitadas. Eu realmente levei todos aqueles caras para o meu carro, mas, ao contrário do que estão dizendo por aí, eu não traí ninguém. Eu não estava namorando com Kurt, nossa relação era diferente... confesso que o culpado de não termos um relacionamento sério foi minha. Na noite do acidente ele estava irritado comigo, mas por outro motivo e não por uma traição, ele disse para conversarmos no hotel e eu mandei ele sair do meio da rua, mas foi tarde demais. Espero que eu tenha esclarecido todas as dúvidas de vocês perante isso, porque eu preciso voltar para o hospital.

— E você está lá com ele porque se sente culpado? – Perguntou um deles e eu nem me estressei em dizer que não ia responder, apenas respondi.

— Não. Eu estou fazendo isso porque eu o amo. Obrigado pela atenção de todos.

VIGÉSIMO NONO DIA DO COMA

— Você realmente deveria descansar. – Falei para Burt ao entrar no quarto após o almoço. – Você fez uma cirurgia complicada.

— Sei disso, mas estou bem, não estou? – Ele deu um sorriso fraco e fez um sinal para eu sentar ao seu lado. – Ele realmente te ama, você viu só? A sua voz é a única que ele responde.

— Mas deve ser porque eu passo o dia inteiro aqui com ele, só isso. – Dei de ombros. – Ele deve sentir a sua falta.

— Eu duvido muito. Eu sempre estive lá por ele, nunca dei motivos para ele sentir minha falta. Já você...

— O que quer dizer com isso?

— Ele teve um namorado uma vez e o cara era um idiota. Kurt pode dizer que gostava mesmo daquele cara, mas eu nunca vi ele falar dele da maneira que fala de você. Quando ele foi embora da sua casa, ele voltou para o apartamento que dividia com Sebastian e me visitou e, quando ele me disse que estava triste com você, eu soube automaticamente que ele gostava mais de você do que jamais gostou daquele outro. – Eu o olhei chocado, realmente não sabia o que dizer. – Espero que tudo que tenha acontecido sirva de lição e que agora você dê mais valor a ele.

— Se eu o pedir em casamento, eu recebo sua benção? – Ele sorriu fraco para mim com a minha pergunta.

— Desde que você o faça feliz, sim, eu dou.

TRIGÉSIMO DIA DO COMA

— Bom dia, aniversariante. – Sorri fraco e peguei na mão de Kurt. – Vinte e quatro anos, não é? Você está ficando velhinho, ein? – Eu segurei mais forte a sua mão e então percebi o quão horrível era aquilo.

Ele estava passando o próprio aniversário em coma, com um idiota segurando a sua mão. Sem nem pensar em mais nada, eu desabei em lágrimas.

— Você pode acordar dizendo o contrário, mas eu me sinto péssimo por saber que é tudo culpa minha. Não só o acidente, como tudo que antecedeu isso. Eu só te fiz sofrer. Espero que um dia você me perdoe... de qualquer maneira, feliz aniversário, meu anjo.

TRIGÉSIMO PRIMEIRO DIA DO COMA

Acho que quando eu sair desse hospital eu vou jogar fora todas as peças de roupa branca que eu tiver no meu guarda-roupa. Tem tanto branco em minha volta, que chega a doer os meus olhos. É cansativo encarar por tanto tempo a mesma cor.

Eu liguei para John – já que não estava falando com Gabriela – e pedi para ele me trazer algumas roupas a mais, porque as que eu tinha ali não estavam sendo o suficiente.

Pensei que nessa altura do campeonato já estaríamos em casa, mas claro que eu pensei errado. Eu sempre penso errado.

TRIGÉSIMO SEGUNDO DIA DO COMA

— Quanto tempo já faz mesmo? – Burt me perguntou. Estávamos tomando um café, no quarto de Kurt, é claro.

— Que ele está dormindo? – Perguntei o olhando e ele assentiu. – Trinta e dois. Parece uma vida inteira.

— Acho que não chega aos quarenta dias. – Ele disse com um sorriso confiante. – E você poderá dizer tudo que sempre quis. Sem medo de medir palavras.

TRIGÉSIMO TERCEIRO DIA DO COMA

Burt e eu nos aproximamos muito desde que ele chegou aqui e eu não poderia me sentir mais feliz por isso. É muito bom se aproximar de alguém como ele. Ele me tratou como se eu fosse seu filho nesse meio tempo, agradeceu por eu ter pago o seu tratamento e agradeceu também por eu não ter desistido de seu filho.

Mas que coragem para fazer isso eu teria? Eu nunca ia permitir que algo ruim desse tamanho acontecesse.

TRIGÉSIMO QUARTO DIA DO COMA

Já se passaram trinta e quatro dias, Kurt estava cada vez melhor e eu cada vez pior. Me sinto no extremo do meu próprio cansaço. Preciso dormir um dia inteiro no mínimo para recuperar todo esse sono atrasado. Preciso comer direito também, coisa que obviamente não estou fazendo. Eu só respiro porque é automático, porque se não fosse, eu não estaria mais aqui...

TRIGÉSIMO QUINTO DIA DO COMA

E mais um dia se passou e durante mais um dia ele dormiu. Passei o dia inteiro sozinho com ele, conversando com ele e tudo o mais. Claro que eu não obtive nenhuma resposta, caso tivesse eu estaria pulando de alegria, mas os mínimos detalhes me alegram, como o movimento de reflexo da mão dele, que as vezes faz o dedo indicador se mexer levemente.

Como eu disse, é pouca coisa, mas é significante.

TRIGÉSIMO SEXTO DIA DO COMA

Hoje foi mais um dia normal. Nada de emocionante aconteceu, a não ser o fato de que o coração de Kurt acelerou demais e ele passou mal, mas logo a situação dele foi estabilizada e ele ficou bem. Burt também passou mal, ficou algumas horas em observação e foi liberado, precisei forçá-lo a ir descansar, peguei o melhor quarto do hotel e deixei ele lá. Ele não ia conseguir ficar muito mais tempo ali com Kurt, precisava descansar.

TRIGÉSIMO SÉTIMO DIA DO COMA

Burt já está melhor, assim como Kurt. Sebastian e Gabriela vieram vê-lo. Eles não deixavam de me perguntar como Kurt estava, mas para evitar mais brigas comigo, perguntavam apenas por telefone mesmo. Conversávamos pouco, eu dedicava o meu tempo única e exclusivamente para o meu Kurt.

Ele merecia mais atenção do que qualquer outra pessoa, eu realmente preferia cuidar dele do que qualquer outra pessoa, inclusive eu mesmo.

TRIGÉSIMO OITAVO DIA DO COMA

— Bom dia, K. – Cumprimentei ao acordar, aquela poltrona era desconfortável, mas eu odiava passar a noite longe dele. Eu queria estar ali para o caso de acontecer qualquer coisa. – Queria cantar algo... será que você se importaria de ouvir?

Sorri fraco para mim mesmo. Por que eu ainda fazia perguntas se eu sabia que ele não ia me responder? Ele não ia acordar já me respondendo, isso era horrível.

Closed off from love, I didn't need the pain

(Fechado para o amor, eu não precisava da dor)

Once or twice was enough, and it was all in vain

(Uma ou duas vezes foi suficiente e foi tudo em vão)

Time starts to pass, before you know it you're frozen

(O tempo começa a passar, antes que você perceba que você está esfriando)

Eu comecei cantando devagar, com a voz baixa, praticamente sussurrando para ele. Eu não poderia definir minha vida com música melhor. Eu realmente me fechei para o amor depois de me decepcionar. Só me apaixonei uma vez e me arrependi.

Claro que tudo mudou quando Kurt apareceu, mas como eu fui muito idiota, ninguém soube o que eu realmente queria dizer. Ninguém poderia entender meus sentimentos se nem eu mesmo conseguia entendê-los ou expressá-los.

But something happened, for the very first time with you

(Mas alguma coisa aconteceu, pela primeira vez com você)

My heart melted to the ground, found something true

(Meu coração derreteu pelo chão, achei alguma coisa verdadeira)

And everyone's looking around, thinking I'm going crazy

(E todo mundo está olhando, achando que estou ficando louco)

Sempre que eu escutava essa música, na minha vida triste antes do Kurt aparecer por ela, eu apenas gostava, mas depois de conhecer ele, eu passei a amar a música, simplesmente pelo fato de que ela é a definição perfeita do que eu sinto.

Agora a única coisa que eu posso fazer é esperar pelo melhor e sentir falta do que já passou. Todos os momentos, desde o momento em que ouvi sua voz pela primeira vez e tudo após isso. Todos os momentos foram mágicos e eu não os mudaria por nada.

But I don't care what they say, I'm in love with you

(Mas eu não me importo com o que dizem, eu estou apaixonado por você)

They try to pull me away, but they don't know the truth

(Eles tentam me afastar, mas eles não sabem a verdade)

My heart's crippled by the vain, that I keep on closing

(Meu coração está danificado pela veia, que eu continuo fechando)

Todas as músicas que fizeram parte da nossa vida nunca mais serão apenas músicas. Todos os shows que fomos juntos, todas as coisas que dissemos um para o outro... tudo foi importante.

Acho que um dos momentos mais incríveis que passei ao lado de Kurt, foi quando cantamos Can I Have This Dance juntos. Naquele momento eu me senti conectado a ele de alguma forma e desde então eu sou mais feliz, justamente por sentir essa conexão entre nós.

You cut me open and I, keep bleeding

(Você me corta e eu, continuo sangrando)

Keep, keep bleeding love, I keep bleeding

(Continuo, continuo sangrando de amor, eu continuo sangrando)

I keep, keep bleeding love, keep bleeding

(Eu continuo, continuo sangrando de amor, continuo sangrando)

Keep, keep bleeding love, you cut me open…

(Continuo, continuo sangrando de amor, você me corta)

Na noite em que Kurt me encontrou atirado na cama dele com um semblante triste e depois eu cantei Heaven para ele, foi uma das piores noites da minha vida. Eu fui em uma festa e eu simplesmente olhei para todos aqueles homens me desejando e percebi que eu não queria aquilo. Ao sair na rua, eu vi inúmeros casais de mãos dadas e eu me senti pior que lixo por saber que eu nunca teria algo assim para mim.

Eu nunca teria Kurt completamente para mim, tudo porque eu era cego demais para enxergar o que estava bem na minha frente.

Trying hard not to hear, but they talk so loud

(Tentando o máximo não ouvir, mas eles falam muito alto)

Their piercing sounds fill my ears, try to fill me with doubt

(Os seus barulhos irritantes enchem meus ouvidos, tentam me encher de dúvidas)

Yet I know that the goal, is to keep me from falling

(Embora eu saiba que o objetivo, é evitar que eu me apaixone)

Estar naquela noite abraçado em Kurt me fez sentir um pouco mais completo, mas só piorou a dor no meu peito. Eu sabia que a culpa era toda minha por tudo aquilo, principalmente por eu estar sofrendo, mas eu não enxergava uma maneira de consertar aqueles erros, de fazer tudo melhorar, eu só enxergava a minha dor e o crescimento do meu amor por ele.

O único problema foi eu não ter dado o valor necessário para aquele amor.

But nothing's greater than the rush, that comes with your embrace

(Mas nada é melhor que a agitação, da sensação que vem com seu abraço)

And in this world of loneliness, I see your face

(E nesse mundo de solidão, eu vejo o seu rosto)

Yet everyone around me thinks that I'm going crazy, maybe, maybe

(Entretanto, todos ao meu redor, acham que eu estou ficando louco, talvez, talvez)

Kurt apareceu fazendo um teste para ser meu estilista e, além de mudar minha maneira de me vestir, mudou minha maneira de sentir. Mudou completamente os meus sentimentos.

Eu deveria ter imaginado que aceitar ele havia sido um erro. O melhor dos erros, mas ainda assim um erro.

Eu sabia que só podia ter algo errado para eu ter aceito ele com tanta facilidade e agilidade, sendo que Kurt nem tinha me mostrado seu trabalho ainda. Mas me mostrou algo melhor: mostrou que eu podia me apaixonar. Eu só não imaginava isso naquele momento. Agora eu vejo claramente.

But I don't care what they say, I'm in love with you

(Mas eu não me importo com o que dizem, eu estou apaixonado por você)

They try to pull me away, but they don't know the truth

(Eles tentam me afastar, mas eles não sabem a verdade)

My heart's crippled by the vain, that I keep on closing

(Meu coração está danificado pela veia, que eu continuo fechando)

Naquela época ele confundia meu coração, mas quem mais confundia tudo era eu mesmo. Eu pensava que estava louco, mas eu só estava apaixonado.

Acho que o dia mais louco de todos foi quando eu falei que ele era o meu tudo. Naquele momento esse “o meu tudo” significava muitas coisas, mas agora significa que ele é tudo que eu tenho de mais precioso. Literalmente o meu tudo.

You cut me open and I, keep bleeding

(Você me corta e eu, continuo sangrando)

Keep, keep bleeding love, I keep bleeding

(Continuo, continuo sangrando de amor, eu continuo sangrando)

I keep, keep bleeding love, keep bleeding

(Eu continuo, continuo sangrando de amor, continuo sangrando)

Keep, keep bleeding love, you cut me open…

(Continuo, continuo sangrando de amor, você me corta)

Me doeu pensar que naquele dia Kurt pensou que eu estava o agradando apenas para arrastá-lo até minha cama. Pela primeira vez eu estava fazendo algo para agradar ele e apenas aquilo. Eu sentia que precisava ver o sorriso dele, precisava daquilo tanto quanto precisava de ar.

Agora tudo que eu mais quero é justamente o que? Ver novamente o seu sorriso, que é provavelmente o que eu mais amo nele. Amo também os olhos dele e sua voz e... eu amo tudo nele. Não posso escolher só uma coisa.

And it's draining all of me, oh, they find it hard to believe

(E está drenando tudo de mim, oh, eles acham isso difícil de acreditar)

I'll be wearing these scars, for everyone to see

(Eu carregarei essas cicatrizes, para todo mundo ver)

But I don't care what they say, I'm in love with you

(Mas eu não me importo com o que dizem, eu estou apaixonado por você)

They try to pull me away, but they don't know the truth

(Eles tentam me afastar, mas eles não sabem a verdade)

My heart's crippled by the vain, that I keep on closing

(Meu coração está danificado pela veia, que eu continuo fechando)

Desde o início ele sempre me pareceu um sonho. Um sonho do qual eu nunca quis acordar. Mas eu acordei e agora estou vivendo um pesadelo. O pior pesadelo pelo qual eu poderia esperar.

Queria que tudo tivesse sido diferente, mas não foi.

E agora também não adianta ficar pensando no que eu queria mudar no passado. O que passou, passou. Tenho que pensar em como fazer um futuro melhor para mim e para ele. Um futuro para nós.

You cut me open and I, keep bleeding

(Você me corta e eu, continuo sangrando)

Keep, keep bleeding love, I keep bleeding

(Continuo, continuo sangrando de amor, eu continuo sangrando)

I keep, keep bleeding love, keep bleeding

(Eu continuo, continuo sangrando de amor, continuo sangrando)

Keep, keep bleeding love, you cut me open…

(Continuo, continuo sangrando de amor, você me corta)

Me escorei nas minhas próprias mãos, que envolviam a mão direita dele. Eu nem percebi que estava chorando, abaixei a cabeça e fiquei escorado nas minhas mãos.

— Eu te amo tanto, Kurt...

— E-eu... também... t-te... a-amo...

Notas finais
EU OUVI UM AMÉM? ATÉ QUE ENFIM, MINHA GENTE! Eles realmente disseram, ok? Dessa vez ninguém tá dormindo ou sonhando. Eles realmente admitiram que se amam ♥♥ Os próximos capítulos serão bem amorzinhos *---* Música: https://open.spotify.com/user/onemoreklainer/playlist/6L3CWuWhukZYiQhCswO0pk Me deixem saber o que vocês acharam ♥♥ Bjo ♥♥