He Doesn't Like The Lights

21 #21 - Ele não gosta das luzes


Notas iniciais
Boa noite, gente! Duas atualizações por semana ganharam, então cá estou hoje e volto a atualizar no sábado, pode ser? ♥ Por favor, leiam as notas finais, tem uma pergunta importante lá. Independente do que vai acontecer: Não me matem ♥ Boa leitura ♥

#21

Ele não gosta das luzes

— Oi... – Kurt disse tímido, com um carrinho de malas ao lado. – Só vim avisar que estou aqui, no quarto ao lado do seu.

— Não quero saber. – Blaine disse e cruzou os braços, fazendo Kurt ficar confuso. O moreno sorriu e puxou Kurt pela cintura, o puxando para dentro do quarto, logo indo e pegando o carrinho de malas, o deixando em qualquer canto do cômodo. – Você vai ficar aqui, comigo.

— Mas eu até paguei já pelo quarto.

— Ninguém manda ser teimoso. – Blaine o cortou. – Depois eu pago pelos dois, não se preocupe.

Kurt apenas assentiu, cruzou os braços e encarou o chão. Percebeu o quão adorável Blaine estava, com seus cachos bagunçados e uma cara de sono amável. Não se aguentou e precisou abraçá-lo, sentia muita saudade. O abraço foi retribuído com muito gosto, muito carinho. Blaine também tinha sentido saudade.

Ficaram se abraçando por um bom tempo, depois deitaram-se e Blaine voltou a dormir. Kurt estava imerso em seus pensamentos, estava sem sono por ter dormido no avião, apenas ficou nos braços de Blaine.

Quando acordaram na manhã seguinte, ainda abraçados, sorriram um para o outro e levantaram da cama. Blaine pediu um café da manhã no quarto para os dois e logo recebeu. Eles comeram tranquilamente, trocando alguns sorrisos, mas nenhuma palavra.

Blaine tomou um banho e, depois dele, Kurt também tomou. Se vestiram e ficaram se encarando por um tempo. Todas as palavras pareciam ter fugido da boca de ambos, queriam se expressar, mas não tinham como falar.

— Eu tentei ficar quietinho, mas não consigo. – Blaine disse, parecendo tirar Kurt de um transe.

O moreno se aproximou, o puxou e o beijou. Claro que Kurt correspondeu ao beijo, sentia tanta saudade daquele homem. Passeavam as mãos um pelo corpo do outro, se acariciavam, se sentiam. Perderam o ar, ficaram com as testas coladas e ainda abraçados.

— Estou tão feliz de ver você aqui. – Confessou Blaine, sorrindo.

— Eu também estou. Me perdoa, eu deveria ter vindo antes, eu... – Blaine o calou com um beijo.

— Para de pedir desculpas, quem deveria fazer isso era eu e não você. – Disse o moreno, tendo seus lábios sendo novamente puxados pela boca de Kurt.

Depois de mais uma boa quantidade de beijos, Blaine resolveu sair do hotel para mostrar a cidade a Kurt. Os dois saíram do estabelecimento de mãos dadas, sim, mãos dadas. Ao chegarem no térreo, milhares de câmeras já os fotografavam e imploravam por respostas.

Quando eles estraram no táxi, Blaine percebeu uma carranca no rosto de Kurt e não conseguiu fazer outra coisa a não ser rir.

— Não estou acostumado, não sou você. – Reclamou o castanho. – Essas luzes incomodam.

— Seu velho que só reclama e vai ficar cego por uns míseros flashes. – Brincou Blaine.

— Ah, se fosse o flash... – Kurt riu, deixando o outro um pouco irritado. – Alguém ficou com ciúme.

— Não estou com ciúme. – Kurt revirou os olhos ao ouvir aquilo.

— Claro, você não é nada meu, nem eu sou nada seu. – Kurt disse indignado, cruzando os braços e encarando o lado de fora do carro. – Tem algum lugar com karaokê por aqui?

— Tem. – Blaine disse simples, percebendo a burrada que tinha feito. – Desculpa, eu não quis dizer...

— Mas disse. – Reclamou o castanho. – Ou melhor, deixou de dizer.

— Eu não sou...

— Não é o que? A melhor pessoa com palavras? Um homem que se envolve em um relacionamento sério? Alguém sensível? Dono de um coração? – Kurt deixou o moreno sem palavras e voltou a olhar para a rua. – Se mais alguém apontar uma câmera para mim, eu vou fazê-lo engolir.

— Kurt, você está comigo, é normal que queiram te fotografar. É um preço que tenho que pagar por ser famoso, nunca terei paz, muito menos quem está em minha volta.

— Que fotografem você. Eu sou apenas a droga do seu estilista, que inferno.

Blaine revirou os olhos. Por que Kurt precisava ser tão teimoso?

Por mais que o clima estivesse um pouco tenso entre os dois, aproveitaram muito bem o dia. Foram em alguns pontos turísticos de Londres, visitaram museus e parques, almoçaram em um belo restaurante, caminharam perto de um lago e conversaram sobre o que fizeram nos últimos dois meses.

O aniversário de Kurt se aproximava e Blaine queria fazer algo especial, mas nada vinha em sua mente. Ele precisaria pedir ajuda para Sebastian mais tarde.

Quando estava perto das sete da noite, os dois foram para o local do show daquela noite. Se encontraram com John e Gabriela – que viajaram com Blaine – e o moreno se arrumou para seu show. Kurt aproveitou e trocou de casaco, mas essa foi a única diferença em seu look.

Kurt conversava animadamente com Gabriela enquanto Blaine se arrumava, eles conversavam sobre o casamento da garota, que aconteceria dentro de alguns meses. Gabriela até pediu para Kurt desenhar o seu vestido de noiva – o qual seria um presente por parte de Blaine – e o castanho se empolgou tanto, que disse que também desenharia a roupa de John e ajudaria até na parte prática e não só na teoria das roupas.

O jovem Hummel assistiu a todo o concerto de Blaine, o aplaudiu entre uma música e outra e foi chamado ao palco na hora do cover da noite. Sentia que seu coração ia parar de bater, tamanha era a sua emoção.

— Já que você diz não gostar das luzes... – Começou Blaine. – Tomei a liberdade de pegar emprestada uma música do meu querido amigo, Justin, e transformar ela para uma versão masculina, já que cantarei para você...

— Mas não precisa fazer isso... – Kurt disse envergonhado.

— Sim. Preciso. – Afirmou o moreno. – E todo mundo quer ver.

He don't like the flash, wanna keep us in the dark

(Ele não gosta do flash, quer manter-nos no escuro)

He don't like the fame, hate when we're miles apart

(Ele não gosta da fama, odeia quando estamos a milhas de distância)

And he getting to the point where it's too much for him

(E está chegando ao ponto onde é muito para ele)

And he wanna throw us all away, it's too much for him

(E ele quer jogar tudo fora, é demais para ele)

He can't hide away cause the world knows who we are

(Ele não pode esconder porque o mundo sabe quem somos)

Blaine começou a cantar com um sorriso radiante no rosto. Ele colocou Kurt sentado em um banco no meio do palco e o castanho queimava de vergonha, sem nem saber direito para qual direção olhar. O Hummel decidiu fitar seus olhos diretamente em Blaine, mesmo que fosse difícil acompanhar todos os movimentos do moreno.

O Anderson andava de um lado para o outro com seus dançarinos, ao mesmo tempo cantando e dançando. Em primeiro momento ele nem havia pensado em cantar aquela música, mas havia a ensaiado com os outros dançarinos e seu coreógrafo, Elder, e todos concordaram que seria um bom cover. Era diferente, por assim dizer, tendo em vista que ele sempre fazia o cover da noite usando apenas um instrumento, normalmente ou era o seu piano ou o seu violão. Naquela noite ele queria ousar um pouco mais, Kurt merecia aquilo.

He don't like the lights (ooooh, oooh, ooooh)

(Ele não gosta das luzes)

He don't, he don't, he don't

(Ele não, ele não, ele não)

He don't like the lights (ooooh, oooh, ooooh)

(Ele não gosta das luzes)

He don't, he don't, he don't

(Ele não, ele não, ele não)

Kurt começou a rir feito um idiota ao ouvir a letra, era por isso que Blaine falava tanto no fato de Kurt não gostar das famosas luzes? As luzes que ele dizia não gostar, eram os flashes das câmeras que tanto ficavam na volta de Blaine.

Kurt simplesmente odiava a fama e acabou ficando conhecido por ser estilista de Blaine, mas ele nunca quis isso. Só queria trabalhar com moda, nunca quis ser conhecido mundialmente. Odiava ser o centro das atenções e agora lá estava ele, em cima de um palco, com um dos cantores mais famosos e influentes, tendo uma música cantada para si.

Definitivamente, ninguém saberia quem era ele dali para frente. O que irritava Kurt, era que Blaine normalmente quase o obrigava a sair nas fotos e aí ele aparecia na televisão, revistas e em jornais. Ele odiava isso. Se Blaine queria a fama, ótimo, mas não precisava arrastar o Hummel com ele.

Don't wanna share no one else, want me for himself

(Não quer compartilhar com mais ninguém, me quer para si mesmo)

Don't want no love in front of the camera

(Não quer amor na frente da câmera)

He don't like the lights (ooooh, oooh, ooooh)

(Ele não gosta das luzes)

He don't, he don't, he don't

(Ele não, ele não, ele não)

He don't like the lights

(Ele não gosta das luzes)

A parte que Blaine falou “não quer compartilhar com ninguém, me quer para si mesmo” era tamanha verdade. Kurt queria o moreno só para si, mesmo sabendo que nunca o teria por completo. Ele continuava a não acreditar que poderia dar certo entre os dois, não quando Blaine se negava a encontrar uma forma de eles terem um relacionamento sério.

Ter um relacionamento aberto estava fora de cogitação, Kurt não queria ficar com Blaine e ver o moreno ficar com quantos mais quisesse. Kurt sabia que uma hora ou outra teria que obrigar o moreno a decidir entre ele e algum outro alguém e doeria demais ver que Blaine provavelmente escolheria a outra pessoa.

Ele sabia que não iria suportar uma coisa dessas. Não saía de sua cabeça o passeio deles, ele queria ter atirado Blaine para fora daquele carro, ele ainda riria da desgraça do outro, pois ele mereceu.

He's giving ultimatums, he don't like this life

(Ele está dando ultimatos, ele não gosta dessa vida)

He said if I loved him, I'd give it up won't think twice

(Ele disse que se eu o amasse, desistiria sem pensar duas vezes)

I can't do that

(Eu não posso fazer isso)

And he getting to the point where it's too much for him

(E está chegando ao ponto onde é muito para ele)

And he wanna throw us all away, it's too much for him

(E ele quer jogar tudo fora, é demais para ele)

He don't wanna live this life, damn, it's my life too

(Ele não quer viver essa vida, droga, é minha vida também)

Que Kurt não gostava daquela vida, era verdade, mas o castanho nunca faria Blaine escolher entre ele e a sua carreira. Isso seria ridículo. Kurt poderia ser ciumento, poderia ficar com raiva de Blaine, poderia até concordar com o fato de que a fama destruiu o moreno, mas fazê-lo escolher? Chegava a ser uma coisa infantil de se imaginar. Ele nunca iria querer tirar algo assim de Blaine, até porque, se não fosse pela fama de Blaine, os dois nunca teriam se conhecido.

Talvez fosse melhor, talvez tivesse sido melhor se ele não tivesse sido aceito por não ser experiente. Talvez fosse melhor se ele não tivesse se entregue tão fácil a Blaine. Tudo teria sido diferente se seu coração não fosse tão burro.

Mas claro que não podia ter sido fácil. Ele tinha que se apaixonar justamente por Blaine.

He don't like the lights (ooooh, oooh, ooooh)

(Ele não gosta das luzes)

He don't, he don't, he don't

(Ele não, ele não, ele não)

He don't like the lights (ooooh, oooh, ooooh)

(Ele não gosta das luzes)

He don't, he don't, he don't

(Ele não, ele não, ele não)

Blaine continuava a cantar e dançar por todas as partes do palco. A sua roupa no momento era uma calça como a de seus dançarinos, com um tecido maleável e bom para se dançar. Ele usava uma camiseta branca e uma jaqueta jeans com o nome de sua turnê, Under The Stars.

Ele estava lindo, Kurt não cansava de observá-lo. Ele estava com seus cachos arrumados tão perfeitamente, que pareciam ter sido feitos em um salão de beleza, mas Kurt sabia que eram naturais. Sabia que toda aquela beleza de Blaine era natural.

Don't wanna share no one else, want me for himself

(Não quer compartilhar com mais ninguém, me quer para si mesmo)

Don't want no love in front of the camera

(Não quer amor na frente da câmera)

He don't like the lights (ooooh, oooh, ooooh)

(Ele não gosta das luzes)

He don't, he don't, he don't

(Ele não, ele não, ele não)

He don't like the lights

(Ele não gosta das luzes)

Kurt estava apreensivo, queria entender se Blaine estava irritado com ele ou se não estava. Estava com medo de ter o irritado com suas palavras no carro, mas caso Blaine estivesse mesmo bravo, teria que se colocar no lugar de Kurt. Teria que entender que suas palavras também magoaram o castanho e aquela não foi nem a primeira vez que aquilo tinha acontecido, principalmente não fora a última.

Blaine se aproximou de Kurt e se ajoelhou em frente a ele, assim como todos os dançarinos, que se ajoelharam em sua volta. Ele queria cavar um buraco e se enfiar nele, queria ficar lá no escuro para sempre, tudo por conta do tamanho de sua vergonha com aquilo tudo.

How can I choose between the two

(Como eu posso escolher entre os dois)

One of the nights I'll run right now

(Uma das noites em que eu vou correr agora)

I wish he could see, how good this can be

(Eu queria que ele pudesse ver, o quão bom isso pode ser)

I hope that he waits a little bit longer

(Espero que ele espere um pouco mais)

'Cause I don't wanna live life, without him by my side

(Porque eu não quero viver a vida, sem ele ao meu lado)

'Cause he gets the light that is in me

(Porque ele recebe a luz que há em mim)

But he don't know, he don't know

(Mas ele não sabe, ele não sabe)

Blaine conseguiu seguir as notas como as da música original, fazendo todos os fãs gritarem feito loucos para ele. Kurt ainda estava envergonhado, principalmente por seu olhar estar tão fixo ao de Blaine. Aqueles malditos lindos olhos que Blaine possuía... eram tão hipnotizantes. Aquela sua boca era tão convidativa...

Tudo em Blaine chamava atenção. Ele era a típica pessoa que todos desejavam, não importando nem idade nem sexualidade. Ele conseguia atrair a todos por quem passava.

Seria uma pena se ele se preocupasse com os olhos de apenas um, não é mesmo? Um único rapaz, dono dos olhos mais lindos que o céu.

Assim como todos os fãs, Kurt aplaudiu Blaine. Ele estava irritado com o moreno, não ia negar, mas até que ele merecia palmas pela performance.

Após aquilo, Blaine ainda cantou algumas músicas e saiu do palco direto para o hotel. No táxi com Gabriela, John e Kurt, Blaine ficou em silêncio. A única coisa que disse, foi que tinha encontrado o bar com karaokê que Kurt queria e que antes deles irem ele precisava de um banho. Os dois convidaram Gabriela e John, mas os dois disseram que estavam cansados e não queriam sair.

De volta ao hotel, Blaine foi direto para o banho e depois, enquanto se arrumava no quarto, Kurt tomava banho também. Saíram do hotel vinte minutos mais tarde, pegaram um táxi e foram para o tal bar.

O local era escuro, tinha várias pessoas sentadas bebendo e conversando. Duas estavam no palquinho, cantando uma música que Kurt simplesmente amava e não recordava o nome dela no momento.

— Blaine... – Chamou Kurt, fazendo o moreno o encarar. – Eu não queria perguntar, mas, o que nós somos?

— Somos algo? – Ele perguntou em tom de brincadeira, mas depois percebeu que não tinha graça. – E-eu não sei...

— Eu desisto. – Kurt disse, revirando os olhos. – Eu vim até aqui atrás de você.

— E o que esperava? Que eu te recebesse com um pedido de namoro?

— Não, realmente não, porque eu sei que nunca vou receber isso, pelo menos não de você. – Ele praticamente cuspiu as palavras para cima de Blaine e foi para cima do palquinho, que agora estava vazio.

O castanho subiu no palco, colocou o fundo da música e cumprimentou a todos, logo começando a cantar, sem nem sequer dirigir o olhar para Blaine.

Let me hold you, for the last time

(Deixe eu te abraçar, pela última vez)

It's the last chance to feel again

(É a última chance para sentir de novo)

But you broke me, now I can't feel anything

(Mas você me quebrou, agora eu não consigo sentir mais nada)

Ok, cantar aquela música era um tanto quanto exagerado por parte de Kurt, ele admitia sem medo, mas a questão é que ele estava triste, magoado. Nos pensamentos de Kurt, uma única coisa era dita: Blaine é um idiota e não o merece. Ponto. Apenas isso.

E o pior é que era verdade. Por mais que machucasse, por mais que o quebrasse por dentro e por fora, era verdade. E ele tinha quase certeza que Blaine não iria mudar.

Queria ter esperança de que sim, mas todos os atos, gestos e palavras do moreno diziam o contrário. Como Kurt confiaria nele? Como teria certeza de que o moreno o dizia a verdade agora, sendo que poucos minutos atrás não sabia dizer nem se eles tinham algo? Era impossível acreditar em alguém assim.

When "I love you", rings so untrue

(Quando o "eu te amo" soa tão falso)

I can't even convince myself

(Que nem eu mesmo consigo me convencer)

When I'm speaking, It's the voice of someone else

(Quando estou falando é a voz de outra pessoa)

Kurt sorriu sem graça, era estranho cantar aquela música. Ele nunca tinha dito para Blaine que o amava, pois sabia que não teria um "eu também te amo" para completar, depois não haveria o beijo mais amoroso junto de um pedido de namoro.

Claro que não. Aquilo só acontecia quando o amor era recíproco e, para ele, aquela relação estava longe de ser assim. Kurt mais dava do que recebia e sempre seria assim.

Ele se sentia mal por pensar desse jeito, se sentia mal por mais cedo ter dito que Blaine não tinha coração, mas era assim que ele enxergava. Ele via exatamente dessa maneira o Anderson: um ser sem coração que não dava a mínima para ele.

Oh, it tears me up

(Oh, isso me dilacera)

I try to hold on but it hurts too much

(Eu tentei resistir, mas isso machuca demais)

I try to forgive but it's not enough

(Eu tentei perdoar, mas isso não é o suficiente)

To make it all okay

(Para fazer tudo ficar bem)

Afinal, se Blaine realmente se preocupasse com ele, ele demonstraria isso, não? A quem Kurt queria enganar, o problema era ele. Blaine disse que estava apaixonado por ele na frente de todo mundo e ele nem se animou a dizer que sentia o mesmo. Ainda que estivesse magoado, não precisa ter sido tão frio com o moreno. Podia ter retribuído aquele carinho em frente à tanta gente.

Ainda que as coisas não corressem como planejado, algumas vezes precisamos dar o braço a torcer, precisamos demonstrar que também somos fracos em alguns momentos e o principal, que como qualquer outro humano, temos sentimentos.

Algumas vezes é doloroso demonstrar seus sentimentos, ainda mais quando a pessoa que você ama não está preocupado com isso e ainda é capaz de esfregar um outro alguém na sua cara. Mas pelo menos podemos tentar e se tudo der errado poderemos dizer que a culpa não foi nossa – mesmo que possa ter sido.

You can't play on broken strings

(Você não pode tocar com cordas quebradas)

You can't feel anything

(Você não pode sentir nada)

That your heart don't want to feel

(Que seu coração não queira sentir)

I can't tell you something that ain't real

(Eu não posso te dizer algo que não é verdade)

O maior problema ali envolvido, é que Blaine não acredita em relacionamentos. Ele acha que porque um idiota o magoou no ensino médio – mesmo que ele tenha fantasiado tudo em sua cabeça e depois tenha apenas levado um fora – todos vão ser assim. Mas não é assim que a carruagem anda. Tudo tem seu tempo, sua hora e seu lugar.

Do mesmo jeito que não podemos julgar um livro pela capa ou uma pessoa pela aparência (como já mostrava no querido clássico infantil A Bela e a Fera), não podemos desistir do amor por causa de uma só decepção. O amor é muito amplo para ser esquecido por culpa de uma só pessoa.

Que dói ser rejeito por quem se ama, é verdade, mas será que essa pessoa valia tanto assim para você esquecer de ser feliz com alguém que poderia mudar a burrada que aquela única pessoa fez? Será que você merece entregar tudo para aquela pessoa que nunca ligou? Era isso que Kurt queria mostrar para Blaine, até porque, Kurt fez a mesma burrice duas vezes, se entregando para a pessoa errada, mas ele não desistiu do Anderson, porque viu nele algo pelo qual lutar. Viu que ele valia a pena. Era triste ver que o próprio moreno não percebia isso.

Oh, the truth hurts, a lie's worse

(Oh, a verdade machuca e a mentira mais ainda)

How can I give any more?

(Como eu posso dar algo mais?)

When I love you a little less than before

(Quando eu te amo um pouco menos que antes)

Mas Kurt não estava desistindo ainda, se não desistiu até agora, não tinha motivos nesse momento. Ele iria remodelar o pensamento de Blaine, mesmo que demorasse e mesmo que não o mudasse para fazê-lo namorar consigo. Iria fazer Blaine enxergar novamente o amor, não importando para quem fosse entregar o sentimento. Sentia que precisava fazer aquilo pelo moreno, mesmo não entendendo porque queria tanto isso.

Ele estava disposto a deixar o moreno ser feliz, sem se importar se seria com ele ou não que aquilo iria acontecer. Ver um sorriso no rosto de quem amamos é o melhor presente que poderíamos receber.

Aquela música estava o deprimindo já. Ele queria acabar ela e ir embora. Não queria conversar com Blaine agora, queria dar um tempo para ambos esfriarem a cabeça, depois conversaria com ele e os dois colocariam os eixos nos lugares. Seria mais fácil.

Kurt já conhecia esse jeito de Blaine e sabia que, quando o moreno se irritava, começava a falar tudo que tinha direito e então depois se arrependia. Era sempre assim, infelizmente.

Oh, what are we doing, we are turning into dust

(Oh, o que nós estamos fazendo? Estamos nos transformando em pó)

Playing house in the ruins of us, running back through the fire

(Brincando de casinha nas nossas próprias ruínas, correndo em meio ao fogo)

When there's nothing left to save, It's like chasing the very last train

(Quando não há mais ninguém para salvar, é como se estivesse correndo atrás do último trem)

When it's too late, too late

(Quando já é tarde demais, tarde demais)

Blaine queria gritar. Essa era sua maior vontade. Não aguentava mais tanta gente o olhando. Ele não sabia se eram fãs ou pessoas interesseiras, ou ainda pessoas que queriam uma noite com ele. Ele simplesmente não se importava, não quando tinha Kurt em cima daquele palco cantando uma música que parecia uma despedida.

Não. Não podia ser. Ele não ia permitir que Kurt o deixasse. Não ia permitir que ele fosse embora e o deixasse lá. Era inaceitável, não podia permitir que aquilo acontecesse.

O que Kurt queria dizendo que era tarde demais? Tarde demais para que? Não, não era tarde demais. Não era tarde demais para eles, muito menos tarde demais para ficarem juntos. Eles podiam fazer aquilo dar certo, podiam se ajeitar, podiam. Blaine sabia que podiam e estava quase sufocando no próprio desespero apenas por pensar que realmente podia ser tarde demais.

Oh, it tears me up

(Oh, isso me dilacera)

I try to hold on but it hurts too much

(Eu tentei resistir, mas isso machuca demais)

I try to forgive but it's not enough

(Eu tentei perdoar, mas isso não é o suficiente)

To make it all okay

(Para fazer tudo ficar bem)

Então aquilo queria dizer que Kurt não o perdoava? Mas claro que não, o quão ingênuo Blaine era para pensar que seria perdoado depois de tantas coisas ridículas que fez para o castanho? Ele arrastou Kurt para a sua cama e ao mesmo tempo estava com outros inúmeros homens, enrolou o castanho, agiu como um imbecil, usou Kurt. No final de tudo, como consequência se apaixonou e então percebeu que tinha perdido o seu castanho. Era um castigo que ele merecia cumprir, algo que precisava pagar.

Ele merecia pagar pelo que fez. Precisava sofrer tudo que fez Kurt sofrer, sentir tudo de ruim que fez Kurt sentir. Talvez aquela dor nunca fosse passar, mas talvez ele merecesse justamente isso.

You can't play on broken strings

(Você não pode tocar com cordas quebradas)

You can't feel anything

(Você não pode sentir nada)

That your heart don't want to feel

(Que seu coração não queira sentir)

I can't tell you something that ain't real

(Eu não posso te dizer algo que não é verdade)

Kurt olhou tão fixamente para Blaine, que o moreno sentiu todo o sangue de seu corpo sair pelos olhos. Talvez aquilo nem fosse possível de acontecer, mas em sua cabeça aquela era uma forma bem dolorosa de morrer e ele queria muito morrer naquele minuto. Ver o olhar de Kurt naquele momento era doloroso demais, ele só enxergava tristeza, dor e corações partidos.

Ele queria consertar tudo de errado que fez, arrumar seus erros, mas estava bem claro que não conseguiria, então por que tentaria? Era difícil até de raciocinar quando via aqueles olhos azuis com o olhar tão distante, tão triste. Blaine sentia raiva de si mesmo por ser o motivo daquela dor toda de Kurt. Ele era pior do que um monstro de uma história infantil. Ele odiava a si mesmo.

Oh, the truth hurts, a lie's worse

(Oh, a verdade machuca e a mentira mais ainda)

How can I give any more?

(Como eu posso dar algo mais?)

When I love you a little less than before

(Quando eu te amo um pouco menos que antes)

Kurt terminou a música e foi aplaudido por todos que estavam no bar. Ele olhou para Blaine e sentiu seu interior se desmoronar. Antes que aquilo acabasse em discussão, Kurt resolveu se retirar daquele bar e foi para a rua. Ao chegar na rua ele ouviu Blaine gritar por ele e foi andando de costas, olhando para o moreno.

— Kurt, espera. – Pediu o moreno, vendo Kurt se afastar.

— No hotel conversamos, apenas aproveite... – Kurt foi interrompido por um grito de Blaine.

— KURT, SAI DO MEIO DA RUA, POR FAVOR.

Mas era tarde demais. O carro já havia o atingido e ele já estava atirado longe dali no chão frio.

Sem nem pensar duas vezes, Blaine saiu correndo e se atirou ao lado de Kurt, vendo que o mesmo estava desacordado, mas, felizmente, estava respirando. Fracamente, mas estava.

O moreno ligou para a emergência enquanto tentava acordar Kurt. Quando a ambulância chegou, Blaine foi junto e não soltou a mão do castanho por nenhum segundo. Estava nervoso, chorando, com uma dor sem igual no peito. Uma angústia tomava conta dele.

Ele não pôde entrar no quarto da emergência com Kurt e ficou sentado nas poltronas. Quando não aguentava mais esperar por notícias, começou a andar de um lado para o outro. Se sentia culpado. Cada medico que passava e nem o olhava, era como se visse novamente Kurt ser arremessado com a força do carro. Ele queria tanto ter evitado aquilo, mesmo que não tivesse como.

Quando um médico finalmente se aproximou dele e lhe deu notícias, ele preferia não ter as escutado.

— O Senhor Hummel está com sérios ferimentos, tentamos reanimá-lo e não obtivemos grande sucesso.

— Ele está... – Blaine não teve forças para terminar sua fala.

— Ele não foi a óbito se essa é a sua pergunta. Mas o caso dele é sério, ele está em coma e não temos certeza se ele irá sobreviver. Eu sinto muito.

Notas finais
Músicas: A do B: Versão original ( https://www.youtube.com/watch?v=8NwULCqZJ88 ) / Versão acústica ( https://www.youtube.com/watch?v=hQy6zdyvA6A ) / Versão ao vivo ( https://www.youtube.com/watch?v=4HjGdbup590 ) / A música do Kurt ( https://www.youtube.com/watch?v=26PAgklYYvo ) A pergunta que eu tinha pra fazer: Vocês têm duas opções e vou respeitar o que vocês quiserem: 1) Eu ajeito os dois, não tem mais nenhum drama e a fic acaba no 31. 2) Vocês me deixam fazer o último drama (o de depois desse coma) e eu faço a segunda temporada da fic (a qual já está inteiramente planejada. Fico no aguardo u.u Bjo seus lindos ♥♥