He Doesn't Like The Lights
20 #20 - Dois meses separados
Notas iniciais
#20
Dois meses separados
Algumas lágrimas escapavam pelos olhos de Kurt sem ter concedida a sua permissão. Ele estava com um cobertor enrolado em si e uma caneca fumegante em suas mãos, encarava o seu celular, aguardando por uma única ligação, mas a mesma não veio. Nenhuma ligação chegou naqueles dois meses.
Se arrependia amargamente por ter permitido que Blaine fosse embora sem ele. Sabia que o moreno só passaria mais uns dias agora na Europa, mas sentia tanto a sua falta, que seu coração doía de lembrar de simples coisas.
Sempre que estava na rua e enxergava alguém com características parecidas às de Blaine, ficava com seus pensamentos no moreno e lágrimas preenchiam seus olhos. Não podia ver alguém com os cabelos morenos, ou com olhos castanhos, muito menos com cabelos cacheados e parecia que New York estava cada vez mais cheia de pessoas assim.
Os pequenos detalhes que o faziam lembrar de Blaine podiam ser minúsculos, mas a dor que eles o causavam era gigante. Sabia que a culpa disso agora era sua, já que ele resolveu não ir junto, mas ele não foi por bons motivos.
Ele esperou por um convite, algo que demonstrasse que o seu chefe realmente se preocupava e o queria nessa viajem. E naqueles dois meses separados, Blaine nunca ligou para ele ou o mandou um mísero e-mail. Nada veio. Absolutamente nada.
Ficava pensando o dia inteiro se Blaine sentia sua falta e queria simplesmente seguir com sua vida, mas o que ele faria? Seu emprego dependia daquele homem, ele que pagava seu salário.
Pegou seu celular e o encarou por um bom tempo, pensou em mandar uma mensagem para Blaine, depois pensar em largar o telefone de lado. Decidiu que a primeira opção era mais válida. Não tinha mais nada a perder.
“Como está tudo por ai? Já usou as roupas novas?” – Kurt.
Revirou os olhos por conta do profissionalismo ridículo que havia naquela mensagem. Ele deveria ter dito o que realmente queria e não algo como o que mandou.
“Não era bem essa mensagem que eu esperava receber. Eu sinto sua falta, cada dia mais.” – Blaine.
O coração de Kurt começou a querer saltitar para fora de seu peito ao ler aquela mensagem. O que ele tanto queria ver estava mesmo acontecendo, estava ali, em frente aos seus olhos. Clicou para responder e digitou uma resposta.
“Pensei que estivesse bravo comigo, por isso falei apenas aquilo. Também sinto sua falta.” – Kurt.
O castanho continuou a encarar o telefone, até que o mesmo começou a tocar. Era Chasing Cars que tocava, então ele nem precisava ler o nome para saber que era Blaine.
“Oi.” – Kurt disse um pouco tímido. Agradecia por estar tão longe do moreno agora, mesmo que um lado seu quisesse estar nos braços dele.
“Por que você não veio comigo?” – Kurt não sabia onde enfiar a cabeça, muitas vezes esquecia o quão direto Blaine era. – “Não sei se você sabe, mas aquela música e tudo o mais eram para você. Pensei que não precisasse de mais um convite para te convencer.”
“E-eu... não sei o que te dizer. Eu queria ter ido com você, mas algo me impediu. Eu juro que queria ir.” – Kurt novamente encheu seus olhos de lágrimas, mas prometeu a si mesmo que não iria demonstrar isso na sua voz.
“Kurt, por que você não faz o que seu coração manda e apenas isso? Se queria vir comigo, era só ter vindo.”
“Porque quando eu sigo meu coração eu sempre me machuco.” – Por mais que quisesse parecer forte, ele permitiu que as lágrimas caíssem, ninguém estava vendo ele mesmo.
“Kurt, me desculpa, eu... eu não pensei que fosse por isso, eu... eu só estrago as coisas, eu só estrago, eu, eu nem sei o que dizer.” – Blaine se enrolou um pouco no que dizia, não podia negar que se sentia nervoso. – “Sei que nada do que eu te disser agora fará você mudar de ideia, mas será que você não deixaria pelo menos eu tentar? Eu só te peço uma chance e se eu estragar tudo, eu prometo que me afasto para sempre. Eu só preciso de mais uma chance, mesmo que você já tenha me dado muito mais que duas chances. Eu só quero fazer o certo, me redimir, me desculpar. Sei que não é tarde demais, sei que ainda se preocupa comigo, só queria que você soubesse que eu também me preocupo e que me mantenho informado sobre como você está por meio de Sebastian. Ele me disse que você está bem, mas eu nunca consegui acreditar nisso. Preciso ouvir você dizer isso... Kurt, você está bem? Eu preciso saber o que você está sentindo...”
“Não estou bem. Nem um pouco bem.” – Confessou ele. – “Sinto que um pedaço de mim foi arrancado, sinto sua falta, sinto falta de tudo, queria um abraço seu, queria estar ao seu lado. Eu quero você. Você confessou naquele dia que está apaixonado por mim, eu queria dizer que eu sinto o mesmo, eu só... eu não consigo mais ficar com isso só para mim.”
“K... vem para cá comigo. Eu prometo que as coisas vão ser diferentes.”
“E-eu... eu não sei. Não é uma boa ideia.”
“O que eu preciso fazer para mostrar que tudo vai ser diferente?”
“Prova que vai ser.”
[...]
— Preparados para o cover da noite? – Blaine perguntou no microfone e todos gritaram animados. – Eu sempre digo que as músicas dos covers que faço são para alguém especial e eu sei que esse alguém especial está assistindo, então vamos mudar um pouco as coisas. Essa música é dedicada a Kurt. Todos conhecem ele, não? – Todos gritaram ainda mais loucamente. – Espero que goste, K.
You and I were meant to be
(Você e eu fomos feitos um para o outro)
Ain't no doubt about it
(Não há nenhuma dúvida sobre isso)
No way to hide that sort of thing
(Não tem como esconder esse tipo de coisa)
Now I’m waiting for something better
(Agora eu estou esperando por algo melhor)
Ain't nothing better worth imagining
(Não há nada melhor para imaginar)
Blaine iniciou tranquilamente a música, com a ajuda apenas de seu bom e velho amigo, violão. Ele estava sentado em um banco, com o microfone colocado em sua frente. Kurt estava dentro de sua mente e ali ele permaneceria.
O moreno sabia que não tinha como provar que tudo seria diferente, ele sabia que não podia nem prometer algo assim, pois conhecia a si mesmo e sabia que colocaria tudo a perder por nada. Ele sempre agia por impulso, já imaginava todas as brigas que teria com Kurt caso namorassem.
Mesmo assim, era um risco que valia a pena correr. Poderiam existir brigas, nem todos os relacionamentos parecem ter saído de um filme bonito, eles poderiam fazer dar certo. Poderiam mudar as expectativas de todos e podiam fazer um ao outro feliz. Só precisavam se dar uma chance. Ou melhor, Blaine só precisava dar uma chance.
I, I keep on running
(Eu, eu continuo correndo)
I’m building bridges that I know you never wanted
(Estou construindo pontes que eu sei que você nunca quis)
Look for my heart
(Procuro pelo meu coração)
You stole it away
(Você o roubou)
Now I’ll never sing the road that I could take
(Agora eu nunca vou cantar pela estrada que eu poderia tomar)
Kurt observava atentamente atrás da tela do notebook todas as feições de Blaine, todos os seus pequenos movimentos, todos os detalhes de suas expressões. Olhou para seu amado como se estivesse olhando pela última vez, como se quisesse gravar todos os detalhes dele e ir embora em paz.
Não estava se despedindo, claro que não. Estava aceitando todas aquelas expressões como um convite, queria ir para os braços do seu moreno de cabelos cacheados e ficar lá por todo o tempo que lhe fosse oferecido. Um abraço agora era tudo que ele precisava. Foi ouvindo aquela música que tomou uma decisão e sabia que não precisava ouvir o restante para colocar seu plano em prática – claro que continuou a ouvir a música, mas ouviu enquanto realizava seu desejo.
Listen, I want you to burn my bridges down
(Escute, eu quero que você queime abaixo as minhas pontes)
I said, I want you to burn my bridges down
(Eu disse que quero que você queime abaixo as minhas pontes)
Set me on fire, you set me, set me on fire
(Me deixa em chamas, me deixa, me deixa em chamas)
You can burn my bridges down
(Você pode queimar abaixo as minhas pontes)
Kurt colocava todas as peças de roupa que encontrava em seu guarda-roupa dentro da mala. Não sabia quantos dias passaria com Blaine, muito menos como estava o clima por lá, só sabia que queria estar pronto para todas as possibilidades.
Se sentia um adolescente rebelde por abandonar tudo em New York para ir atrás de Blaine, mas nunca tinha se sentido tão bem por tomar uma iniciativa.
Ele continuava a ouvir a voz de Blaine invadindo o seu quarto. Aquela voz era tão preciosa, ele poderia ouvi-la o dia inteiro sem cansar. Poderia viver com aquele homem por tanto tempo sem enjoar, abraçá-lo se cansar de seu perfume, beijá-lo sem enjoar de seu gosto, amá-lo sem cansar de tal sentimento.
Send this out to sea
(Leve isso para o mar)
Send it where you wanted
(Mande para onde você quiser)
You can take your 'no' for 'no' or 'not at all'
(Você pode levar um 'não' pelo 'não', ou um 'não' absoluto)
There’s no filling up your spaces with fictionary places
(Não há nada que preencha seu espaço com lugares fictícios)
Imaginary faces they don’t work at all
(Rostos imaginários, não dão muito certo)
Os fãs olhavam Blaine de uma maneira tão maravilhada, que o moreno sentiu a necessidade de sorrir da maneira mais sincera possível para eles. Pela primeira vez se sentia confortável por compartilhar um momento importante – e em que ele se sentia vulnerável – com seus fãs. Sentia que naquele momento todos os rostos com olhares brilhantes o completavam.
Agora entendia o que Kurt dizia quando falava sobre os fãs de Blaine serem os mais dedicados e lindos. Todos possuíam sorrisos tão radiantes, que poderiam curar uma doença. Eram incríveis.
I, I keep on running
(Eu, eu continuo correndo)
I’m building bridges that I know you never wanted
(Estou construindo pontes que eu sei que você nunca quis)
Look for my heart
(Procuro pelo meu coração)
You stole it away
(Você o roubou)
Now I’ll never sing the road that I could take
(Agora eu nunca vou cantar pela estrada que eu poderia tomar)
Kurt continuava a arrumar a mala. Tinha um sorriso idiota brotando em seu rosto, se sentia tão feliz, parecia que estava completo de novo. Estava ansioso, queria ver Blaine novamente. Aqueles dois meses tinham sido horríveis para ele, queria apenas chegar pertinho do Anderson e tocá-lo, queria ver que ele era de verdade e que nad tinha sido um sonho.
Listen, I want you to burn my bridges down
(Escute, eu quero que você queime abaixo as minhas pontes)
I said, I want you to burn my bridges down
(Eu disse que quero que você queime abaixo as minhas pontes)
Set me on fire, you set me, set me on fire
(Me deixa em chamas, me deixa, me deixa em chamas)
You can burn my bridges down
(Você pode queimar abaixo as minhas pontes)
Enquanto em Londres Blaine agradecia os fãs, em New York Kurt era interrogado por seu melhor amigo.
— Seb, eu já decidi e eu vou atrás dele. – Falou ele, encarando Sebastian, que começou a rir. – Qual a graça?
— Eu estou mandando você ir atrás dele desde antes dele viajar e você nunca me escutou, seu idiota. – Sebastian tocou um travesseiro no amigo. – Você está perdendo tempo aqui falando comigo. Vai logo encontrar o seu amor.
Kurt nem pensou mais, apenas abraçou seu amigo e correu para o aeroporto.
[...]
Cinco e quarenta e quatro da manhã era uma boa hora para dormir e Blaine estava aconchegado em uma cama extremamente confortável, mas foi interrompido de seu sono por culpa de batidas na porta de seu quarto do hotel.
Ele revirou os olhos, olhou no seu celular e vi aquele horário. Será que ninguém tinha nada para fazer? Ele precisava dormir.
Andou até a porta e a abriu, dando de cara justamente com a pessoa com quem sonhava anteriormente.
— Kurt?!
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