Haunted House
1 Natasha Romanov
Notas iniciais
Exausta e com a maior dor de cabeça conhecida pela humanidade, Natasha parou a motocicleta na frente de uma lanchonete. Era uma daquelas pequenas, sem muita clientela, que não chamavam a atenção e possivelmente, sem uma câmera de segurança. Ótimo, ela pensou. Em um lugar para o qual ninguém olharia duas vezes, menos chance de alguém encontrá-la.
É claro, passaram-se dez anos desde que Natasha matou a chefe do programa Black Widow, mas isso não significava que ela estava segura. Ela estava condenada desde antes de seu nascimento.
Ela checou se a Glock ainda estava escondida na barra da calça e a faca de prata que Sammy havia dado para ela tanto tempo atrás estava o bolso interno do casaco. Entrou na lanchonete, e escolheu a mesa mais isolada que tinha, meio encoberta pelas sombras, com a parede às costas, de modo que podia ver todo o restante do local com facilidade. Ela pediu um suco de laranja, e como de costume, quase virou uma pequena garrafa de vodca nele.
Eu não acredito que você está bebendo às 10 horas da manhã, murmurou a voz de Sam na cabeça dela. Natasha quase riu, e pensou que tinha que contar à ele que havia se tornado a voz da consciência que ela quase sempre ignorava. Como se beber e dirigir fosse a coisa mais perigosa que ela já fizera na vida.
Seu telefone começou a tocar no bolso, e ela atendeu já sabendo muito bem quem era. "Sim, Clint, eu estou bebendo vodca às 10 horas da manhã com suco de laranja", ela disse sem hesitação.
Suspiro do outro lado. Natasha sabia que ele estava revirando os olhos. "Você é o exemplo da vida saudável", Clint disse sarcasticamente. "Você está na Dukati, não é?"
"Muito provavelmente" Natasha respondeu, distraída, revirando o gelo no copo com o canudo de modo desinteressado. "Mas eu diria que é mais perigoso dirigir uma moto enquanto atiro com uma Glock com um carro me perseguindo por horas no trânsito de Las Vegas, e se eu sobrevivi a isso..."
"Eu não duvido de suas habilidades como motorista, e sim da droga do seu fígado" Clint disse rispidamente. Mas logo mudou de assunto. Natasha podia dar aulas de teimosia à uma mula e tinha um fígado mágico. Fazer o quê. "Enfim, as outras vadias já chegaram."
"Você está espionando a casa na qual eu vou morar?"
"Claro que não. Eu... eu acho que você vai morrer lá."
"Por quê? A CIA tá aí? FBI? Osama Bin Laden? Esses eu aguento."
"Pior", Clint parecia temeroso. "Uma delas é uma patricinha."
Natasha suspirou. "E aqui jaz Natasha Romanov."
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