Notas iniciais
Allison Elizabeth Chase tem cabelos dourados e olhos azul claros, 22 anos, nasceu em 2 de setembro e morou toda a sua vida em Beverly Hills. Sua família era extremamente rica e conhecida. Ela, seu pai, um advogado famoso, e a mãe, dona de uma boutique famosa, moravam em uma enorme mansão. Mas sua vida virou de cabeça para baixo quando seu pai foi desmascarado e teve sua carteira de advocacia caçada por ser acusado de fraude e manipulação da bolsa de valores. Seu pai fugiu com todo o dinheiro que restava à família e deixou a filha e a mulher sem absolutamente nada. Ele é perseguido pela polícia internacional até hoje. Depois de alguns anos após a fuga do pai, a mãe de Allison entrou em depressão e enlouqueceu logo depois, tendo que ir parar em uma clínica. Allison, com vinte e dois anos, se viu obrigada a se mudar para uma cidade isolada no interior e começar a cursar uma faculdade pública, dividindo a casa com pessoas que ela não conhecia.
Mas Allison e sua família escondem muito mais segredos do que qualquer um pode imaginar.

Depois de ter sido humilhada diante de todos ainda tive uma mãe internada e fui obrigada a ir para a faculdade. Estava agora, no ônibus em direção à minha nova casa. NO ÔNIBUS. Eu, Allison Elizabeth Chase nunca pensei que andaria nesse transporte público. Na verdade, nunca pensei que andaria em algum transporte público. Se ao menos meu pai estivesse esperado mais alguns meses para ser desmascarado, pelo menos até eu ganhar minha BMW conversível... Bom, mas aqui estou eu, na estrada em direção à minha desgraça. Com os fones no ouvido comecei a ouvir Waking Up In Vegas. "Antes fosse." pensei "Descobrir que tudo isso era um pesadelo e acordar amanhã em Las Vegas.", mas isso não aconteceria. O ônibus parou na rodoviária. Eu desci e fui até o bagageiro para retirar minhas malas.

- Ei! Cuidado com isso! — disse para o motorista enquanto ele tirava a minha quinta mala do bagageiro. Arrastei minhas malas com força — Bando de incompetentes! — gritei enquanto me afastava. Parei em frente à um telefone público. Peguei minha bolsa Louis Vuiton para ver se havia restado alguma coisa da minha herança de dois dólares que meu pai e minha mãe haviam me deixado. Nada. Carteira e bolsos vazios. Na carteira só restava minha foto ridícula de quando eu tinha doze anos e muitas espinhas. Na foto só havia mais duas pessoas: um garoto ruivo com aproximadamente a minha idade e uma garota loira dois anos mais nova do que eu. Estávamos todos sorrindo. Todos felizes como eu nunca mais fui. E como nunca mais seria. Por um momento pensei em jogar a foto pela janela, ou talvez rasgá-la, mas ao invés disso coloquei-a de volta na minha carteira vazia. Quando olhei para o lado vi um homem velho e horrível pegando uma de minhas malas.

- Ei, isso é meu! — eu disse quase berrando.

- Não é mais, queridinha — ele disse, deu um sorriso amarelo nojento e saiu correndo com a mala e tudo.

- Volte aqui seu idiota, filho da... — parei e percebi que não podia me rebaixar à classe dele. E gritar e xingar não trariam minha mala de volta.

Me sentei no meio fio da calçada. Onde estava o maldito táxi que viria me buscar? Já era para ele estar aqui. Vida de pobre é assim. E era melhor eu começar a tentar me acostumar.

Olhei para os lados e então para o relógio. Quatro da manhã. Eu, sozinha e perdida. As ruas, desertas. Não chorei, pois havia prometido para mim mesma que nunca mais choraria. Chorar é para os fracos. "Não tem como isso ficar pior..." pensei. E ficou. Em instantes a maior chuva que eu já vira na vida começou a cair me deixando completamente encharcada. Olhei para um canto e vi um carro vermelho vindo em minha direção. O carro parou na minha frente. Dentro dele havia um garoto de mais ou menos uns 23 anos, de olhos muito azuis, pele clara, cabelos pretos, um pouco de sardas quase imperceptíveis e um sorriso lindo.

- Olá, como uma garota linda como você faz aqui a essa hora? — ele perguntou.

- Por quê? Você é um policial tentando me levar pra cadeia? E se não for, essa cantada foi horrível... — respondi retribuindo o sorriso doce.

- Não sou. E me desculpe pela cantada. — ele riu — Mas eu posso te ajudar...

- Eu vou para esse endereço — disse entreguei-o um papel com o endereço da minha nova casa.

- Eu moro lá perto. Posso levá-la. Você vai estudar na Manchester Academy?

- Sim... Acho que minha nova casa fica no fim do mundo, mas não posso recusar seu convite. Obrigada.

- É um prazer. — ele estendeu-me a mão. Eu me levantei do meio fio toda molhada. Meu salto ficou preso em alguma pedra no chão fazendo-o partir no meio e me derrubando nos braços do garoto.

- Ah, eu sinto muito. — disse, mas ele não parecia ter se importado.

- Não foi nada — ele disse olhando profundamente nos meus olhos enquanto eu ainda me apoiava nele. — Vamos, entre no carro.