Harry Potter - E Os Prisioneiros De Azkaban
15 Segredos de Sangue / Segredos de Cama
Notas iniciais
Voltei uma meia hora mais tarde para o quarto, e encontrei Sirius ainda acordado sentado sobre a cama, com os braços sobre as pernas, olhando para a janela. Tomei cuidado para não bater a porta fazendo barulho, e então andei até a cama enquanto Sirius me olhava com semblante sério.
– Me desculpe ter saído assim... –disse ao subir de joelhos sobre a cama e ficar ao lado dele.
– Tudo bem... –ele respondeu e tom baixo. – Harry e Gina estão no quarto ao lado, e eu não deveria ter tentado nada com voce...
– Tem outro motivo para eu ter saído daquele jeito Sirius... –disse buscando forças dentro de mim.
– Eu sei...
– Sabe? –disse confusa.
– Eu sou muito mais velho do que você Lorena... Mesmo não parecendo... Entendo sua insegurança...
– Acha que sai do quarto por que... Tenho medo de você? –eu acabei sorrindo da ideia fixa que ele tinha sobre meu temor diante do “temível” Sirius Black.
– Levando em consideração que se não fosse essa maldição, minha aparência agora seria bem diferente... –disse erguendo as sobrancelhas.
– De qualquer forma duvido que, eu achasse você menos atraente do que acho agora... –sorri.
– Você acha? –ele disse com um sorrisinho de canto quase me fazendo esquecer o que eu queria lhe contar.
– Mas essa não é a razão por eu ter saído Sirius... Nem o fato de Harry e Gina estarem no quarto ao lado... Bem, em parte foi por eles...
– Então se não tem a ver com a diferença de idade entre nós, nem com Harry e Gina, é o que?
– Confia em mim? –apertei os olhos encarando-o.
– Claro...
– Mesmo? Por que eu preciso confiar em você pra contar...
– Bom, eu posso ser um cachorro... –ele riu. – Literalmente! Mas sei guardar segredo...
– Tudo bem... Mas prometa que não vai me achar repulsiva...
– Por que eu acharia isso de você?
– Por que existe uma historia muito feia sobre o que eu vou te contar... E não quero que tenha nojo ou medo de mim...
– Eu nunca teria nojo de você Lorena...
– Me dê a sua mão... –estendi a minha esperando.
– Minha mão? –ele sorriu curioso.
– Confie em mim.
Sirius sorriu mais uma vez cerrando os olhos e me fitando a face, enquanto estendia sua mão confiante e tocava a minha. Eu segurei firme virando a palma dele para cima, e imediatamente pensando que há poucos minutos atrás aquela mão estava me tocando pervertidamente. Isso me fez sorrir por um instante e ele também teve a mesma reação. Acho que ele deve ter lido meus pensamentos ou pensado o mesmo que eu...
– Minha mão não é tão grande! –ele riu.
– Cala a boca Sirius! –eu ri franzindo a testa.
– Achei que estava medindo!
– Não enche! Isso é sério...
– Se você tá dizendo! –ele sorriu sendo sarcástico.
Sacudi a cabeça negativamente ainda rindo, e baixei meu rosto. Sirius sorria com os dentes a mostra e disse:
– Pervertida!
– Para! –eu disse erguendo apenas os olhos.
Fiquei mais séria depois disso, e em silencio também. Tomei coragem para fazer o que tinha em mente, e então olhei para Sirius que naquele momento me olhava curioso franzindo a testa. Eu ainda não tinha lhe mostrado o que segurava em minha outra mão, algo que eu havia pegado no banheiro do hotel. Aproximei minha mão direita ainda fechada e coloquei sobre a palma da mão de Black, e então abri a mesma soltando o que havia dentro dela, e segurando com meus dedos. Era uma pequena gilete de uso pessoal de Harry ou Gina para depilação, não sei. Tambem não importa, a questão é que ao vê-la solta sobre a pia pensei em usá-la para mostrar ao Sirius o segredo que eu escondia de todos, e que apenas Helena e Damon sabiam. Olhei para ele, que me fitou novamente nos olhos, e então usei a gilete para fazer um corte não muito fundo sobre a mão de Sirius, que ao sentir a lâmina lhe ferir puxou imediatamente a mão e viu seu sangue surgir pela fenda na pele.
– Lorena? –ele me repreendeu. – Por que fez isso?
– Desculpa! Eu preciso te mostrar... Ou não vai acreditar em mim... –disse tentando pegar a mão dele de volta.
– Do que tá falando?
– Me dá a mão Sirius... Você disse que confiava em mim...
– Antes de saber que você pretendia me cortar com uma gilete... –disse com os olhos arregalados.
– Até parece que eu vou cortar seu corpo em pedaços milimétricos usando uma gilete velha, que mal corta água... –revirei os olhos. – Estava pensando! Como eu gosto muito de você, mas você fala demais, talvez seja mais interessante cortar certas partes do seu corpo e carregá-las em um vidro com formol, e usar as mesmas quando me der vontade! –eu disse sendo irônica e muito mais sarcástica do que costumava ser geralmente.
– Muito engraçado... O que planeja com isso?
– Me dá a droga da mão antes que o corte comece a fechar...
– Acho que vai demorar um pouco pra isso acontecer...
– Dá logo essa mão e deixa de ser chorão... –disse puxando bruscamente o pulso dele. – Nem parece que sobreviveu a um avadakedabra... –retruquei.
– O que vai fazer Lorena?
– Cala a boca que você vai ver... –disse já ficando estressada de novo.
Minhas mudanças de humor drásticas era o que mais me irritava. Sirius ficou quieto, o que era difícil pra ele afinal, e então eu tomei logo a atitude e puxei o pulso dele para a altura do meu pescoço, deixando sua mão ferida diante do meu queixo, e então aproximei minha boca aberta do local que sangrava, enquanto apertava com minhas duas mãos provocando o sangramento mais veloz. Antes que Sirius reclamasse de novo, eu coloquei o ferimento na minha boca e comecei a lamber o sangue que saia pela fissura. Depois apertei mais meus lábios contra o corte e suguei o sangue para dentro da minha garganta fazendo com que meus olhos revirassem pela sensação gostosa de êxtase que passava por minhas veias. Meu sangue bombeava mais rápido, e um calor incomum se apossava de mim. Aquele gosto era amargo e ao mesmo tempo doce para meu paladar, e me fazia delirar. Se Sirius soubesse como aquilo era gostoso pra mim, mas, ele nem podia imaginar, aliás, ele nem sabia o motivo por eu estar fazendo aquilo, mas mesmo assim ele não afastou a mão e eu podia sentir através do seu sangue que ele gostava da sensação. Helena estava certa, quando isso acontecesse, seria prazeroso tanto para mim, quanto para minha “vitima” como Damon preferia descrever o individuo que cedia seu sangue. Decidi abrir meus olhos quando senti que as mudanças dentro de mim já poderiam ser evidentes e olhei direto para os olhos negros de Sirius notando sua expressão mudar, de curiosidade para estranheza. O que era compreensível já que meus olhos estavam vermelhos em sua íris. Senti que deveria parar, quando notei que Sirius entre abriu os lábios e que suas pálpebras piscaram. Afastei sua mão da minha boca, e passei minha língua pelos meus dentes, como alguém que acaba de se lambuzar com calda de chocolate.
– L. Lori... –disse ele meio que em um transe.
– Não tenha medo de mim Sirius, eu não vou te machucar... Sei controlar isso... Não é como dizem as lendas...
– V. Você... É...
– Uma raça evoluída de vampiro! –sorri ainda sentindo o sangue delicioso dele passando pelas minhas veias.
– C. Como?
– Quando Voldemort ordenou que os comensais procurassem os mestiços e os matasse, eu tive que fugir... Mas um deles me encontrou e me torturou antes de me matar. Ele não usou magia, apenas se deliciou com a minha dor... Eu achei que ia morrer, mas... Helena me encontrou e me salvou...
– Transformando você em vampiro?
– Sim... Ela me levou para a Rússia e me manteve segura lá... Contou-me tudo sobre sua raça... Nada era como diziam nas lendas... Não somos como os primeiros vampiros... Aqueles que constam nos livros que estudamos em Hogwarts, que tinham garras, dentes enormes e se alimentavam feito animais carnívoros e sanguinários. Eles foram extintos como você deve saber...
– Não costumava ir muito à biblioteca na escola... –ele ainda parecia meio abobalhado, aquilo era efeito da mordida.
– Bom! A questão é que os vampiros evoluíram e não caçam mais pra sobreviver... Na verdade, eles nem tem a necessidade de se alimentar de sangue humano... Apenas fazem isso pelo prazer... Como eu fiz agora com você...
– Então... Uau! –ele estava pasmo.
– Não se preocupe com a mão... –disse ao ver que ele massageava a mesma. –Ela voltara ao normal logo.
– Mal sinto meus dedos...
– E o efeito dos meus dentes... Ainda não sei bem como funciona, mas, acho que rola tipo um anestésico. É legal!
– Muito! –ele disse sem empolgação, e com uma careta engraçada.
– Eu não mudo muito como pode ver... Apenas meus olhos tomam outra cor... E... Meus caninos ficam mais finos... Pra possibilitar a mordida...
– Isso é assustador... –disse me olhando com a testa franzida. – E olha que eu conheci pessoalmente um lobisomem...
– O professor Lupin! Eu sei tudo sobre ele... Achava assustador na época, mas... Agora! Acho fabuloso!
– Lupin ficava agressivo até mesmo com os amigos... Isso não é legal...
– Eu sei... Não foi o que eu quis dizer... Mas... Você deve estar com nojo de mim agora... –disse baixando o rosto e olhando para os lençóis.
– Não, eu... Só estou surpreso... É...
– Estranho... Eu sei... Mas eu precisava te contar, porque eu fiquei com medo de machucar você... Por isso não... Você sabe.
– Me machucar? –ele riu. – Como faria isso?
– Bom, eu nunca... Fiz isso antes... Não depois que me tornei vampira, e Helena disse que é um pouco diferente do habitual... É mais...
– Selvagem? –ele pareceu sorrir nesse momento não sei por quê.
– Acho que sim... –disse confusa.
– Então fez bem em ter fugido... Ou talvez Harry e Gina pensasse que alguém estava sendo violentado neste quarto.
– Você no caso! –eu ri.
– Jura? –ele pareceu interessado.
– Isso não te incomoda?
– Não! –ele riu. – Na verdade é curioso! E... Uau! –ele arregalou os olhos. – Então... O que acha que realmente acontece?
– Durante o sexo? –mordi o lábio inferior pensando na possibilidade.
– É...
– Você gostaria de saber? –disse olhando de canto pra ele.
– Você nem imagina...
– Acho que isso também é efeito da mordida... –sorri. – Essa sua curiosidade... Sabe que toda anestesia deixa a pessoa meio que... Em êxtase!
– Pode ser... Mas que eu to morrendo de curiosidade de saber como é estou.
– Sério? –eu ri.
– Oh!
– Bom! Quem sabe um dia eu te mostre...
– Sem mordida espero... –disse cerrando os olhos.
– Essa é a parte mais legal Sirius... Através da minha mordida... –eu disse levantando com os joelhos na cama. – Posso fazer você se sentir diferente... –disse olhando nos olhos dele que brilhavam naquele momento. – Esse é o ponto auge... –eu levei meus dedos até o pescoço dele, e toquei as pontas do cabelo liso dele. – Helena me disse que antes de se tornar vampira, suas noites com Damon eram... Prazerosas... –o fogo dentro de mim me fez beijar a curva do pescoço de Sirius. – Mais do que deveria ser.
– É? –a voz dele saiu sussurrada.
– Toda vez que ela falava sobre isso, eu não conseguia dormir a noite... –disse sussurrando com meu halito quente ao ouvido do Sirius. – Ficava pensando em você... –disse subindo sobre ele e sentando em seu colo. –Queria que fosse com você. Queria te mostrar como é... –disse com meus lábios quase tocando os dele.
– Que atencioso da sua parte! –disse ele tocando minha cintura com a mão esquerda enquanto a direita ferida tocava meus cabelos, e seus olhos fitavam minha boca.
– Sirius eu não aguento mais... –minha voz estava quase sem som. – Preciso dizer...
– O que Lori? –senti o halito quente de hortelã vindo da boca dele.
– Há muito tempo eu desejo você... E isso está me deixando louca.
– Você tá me deixando louco agora... –disse segurando minha nuca e me olhando nos olhos.
– Mas não podemos fazer isso aqui! –eu disse tentando me controlar. – Não sabe o tamanho do esforço que eu estou fazendo por Harry e Gina.
– Eu imagino! –eu senti algo me incomodando entre as pernas quando ele disse isso.
– Percebi! –eu ri.
– Como vamos resolver isso? –disse ele mordendo meu queixo.
– Podemos começar indo dormir... –respondi revirando os olhos e segurando firmes os ombros dele.
– Ah que tarefa difícil! –reclamou ele respirando fundo.
– Mas precisamos... –afastei meu rosto e olhei pra ele. – Eu posso contar com a sua ajuda pra isso?
– Ah Merlin! –ele disse olhando meu corpo sobre o dele. – Eu prometo que vou me esforçar...
– Faça isso! Eu não quero que Harry pense mal de mim, e que a Gina me julgue mais do que já faz... Seria constrangedor Sirius Black...
– Tudo bem! –ele puxou o fôlego. – Vamos dormir então! –ele franziu a testa fazendo cara de cachorro abandonado ao olhar de novo para meu corpo. – Ai que pena...
– Ainda teremos tempo Sirius Black...
– Por que tá repetindo meu nome completo? –ele sorriu.
– Por que eu acho muito excitante! Sirius Black... –repeti em voz sussurrada e lentamente.
– Você é uma garota muito safada sabia Lorena? –ele riu malicioso.
– Sou sim! –mordi o lábio e então sai de cima dele. – Agora vamos dormir... Amanhã é um longo dia... – me deitei.
– Será uma longa noite também! –ele riu deitando ao meu lado.
Sirius deitou atrás de mim, e passou seu braço direito sobre meu corpo, segurando minha mão e beijando meu ombro, depois ficou comportadinho ali, fazendo conchinha comigo. Eu não podia estar mais feliz, mal conseguia tirar aquele sorriso idiota da cara, e acho que dormi daquele jeito...
Fale com o autor