Harry Potter E A Bruxa Semideusa 3
23 O Bicho-Papão
Notas iniciais
BOA LEITURA!!!
Os dias passaram e logo, quinta-feira chegou. Selena ficou feliz ao saber, dias atrás, que Rebeca já sabia sobre ser uma meio-sangue e que Quiron, dissera que a garota poderia ir para o Acampamento Meio-Sangue no próximo verão.
Selena apresentou Rebeca aos seus melhores amigos e mais novos amigos (que praticamente já eram seus melhores amigos), e logo, ela também se tornou parte da turma.
Draco não reaparecera nas aulas até a manhã de quinta-feira, quando os alunos da Sonserina e da Grifinória já estavam na metade da aula dupla de Poções. Ele entrou cheio de arrogância na masmorra, o braço direito enfaixado e pendurado em uma tipóia, agindo, na opinião de Selena e Harry, como se fosse o sobrevivente heróico de uma terrível batalha.
— Como vai o braço, Draco? — perguntou Pansy Parkinson, com um sorrisinho insincero. — Está doendo muito?
— Está — respondeu o garoto, fazendo uma careta corajosa.
Selena revirou os olhos e voltou a atenção para a sua poção.
— Vá com calma, vá com calma — disse o Profº. Snape gratuitamente.
Tomas e Sebastian se entreolharam e encararam Renato. Os três fizeram uma careta e Selena riu com Livia.
A classe estava preparando uma poção nova naquele dia, uma Solução Redutora. Selena viu que Draco armou seu caldeirão bem ao lado do de Harry e Rony, de modo que os três ficaram preparando os ingredientes na mesma mesa.
— Professor — chamou Draco —, vou precisar de ajuda para cortar as raízes de margarida, porque o meu braço...
— Weasley, corte as raízes para Malfoy — disse Snape sem erguer a cabeça.
Selena levantou a cabeça de sua poção naquele instante e viu o amigo Rony, ficar vermelho como um tomate.
- Isso não vai dar certo. – murmurou para Livia que concordou, nervosa, também levantando a cabeça.
- Com certeza não. Malfoy só quer provocá-los e com certeza, vai conseguir. – disse ela, com um suspiro.
As duas continuaram a fazer suas poções. A alguns caldeirões de distância, Neville se achava em apuros.
Ele se descontrolava regularmente nas aulas de Poções; era a sua pior matéria, e seu grande medo do Profº. Snape tornava as coisas dez vezes pior. Sua poção, que devia ter ficado verde ácido e berrante, tinha acabado...
— Laranja, Longbottom — exclamou Snape, apanhando um pouco de poção com a concha e deixando-a cair de volta no caldeirão, de modo que todos pudessem ver. — Laranja. Me diga, menino, será que alguma coisa penetra nessa sua cabeça dura? Você não me ouviu dizer, muito claramente, que só precisava pôr um baço de rato? Será que eu não disse, sem nenhum rodeio, que um nadinha de sumo de sanguessuga era suficiente? Que é que eu tenho de fazer para você entender, Longbottom?
Neville estava vermelho e trêmulo. Parecia prestes a chorar. Selena notou, que Livia cerrara os punhos na hora e ao encarar a amiga, viu que ela estava ao mesmo tempo com raiva e decepcionada.
— Por favor, professor — disse Hermione —, eu poderia ajudar Neville a consertar...
— Eu não me lembro de ter lhe pedido para se exibir, Srta. Granger — respondeu Snape friamente e Hermione ficou tão vermelha quanto Neville.
— Longbottom, no final da aula vamos dar algumas gotas desta poção ao seu sapo e ver o que acontece. Quem sabe isto o estimule a preparar a poção corretamente.
O professor se afastou, deixando Neville sem fôlego de tanto medo. Selena encarou a amiga Livia, que terminou sua poção naquele instante.
- Ele é horrível. – disse a ruiva, à Selena. – Nunca pensei que...enfim, terminou sua poção?
- Já. – respondeu Selena, observando a sua mistura, que ficara da cor laranja. Pelo menos, ela tinha algum talento com poções.
Rose estava mais atrás das garotas, sentada com Alison e Scórpius. Os garotos tinham grande dificuldade com a poção, mas Rose, tirou de letra e logo concluiu seu trabalho e o entregou, também.
O fim da aula à vista, Snape encaminhou-se para Neville, que estava encolhido ao lado do seu caldeirão.
— Venham todos para cá — disse o professor, seus olhos negros cintilando — e observem o que acontece ao sapo de Longbottom. Se ele conseguiu produzir uma Poção Redutora, o sapo vai virar um girino. Se, o que eu não duvido, ele não preparou a poção direito, o sapo provavelmente vai ser envenenado.
Os alunos da Grifinória observaram temerosos. Os da Sonserina se mostraram excitados. Snape apanhou Trevo, o sapo, com a mão esquerda e mergulhou, com a direita, uma colherinha na poção de Neville, que agora estava verde. Depois, deixou cair umas gotinhas na garganta de Trevo.
Houve um momento de silêncio, em que Trevo engoliu a poção; seguiu-se um estalinho e Trevo, o girino, pôs-se a se contorcer na palma da mão de Snape.
Os alunos da Grifinória desataram a aplaudir. Snape, com a expressão mal-humorada, tirou um vidrinho do bolso das vestes, pingou algumas gotas em Trevo e ele reapareceu repentinamente adulto.
— Cinco pontos a menos para a Grifinória — anunciou ele, varrendo, assim, os sorrisos de todos os rostos. — Eu disse para não ajudá-lo, Srta. Granger. A turma está dispensada.
Selena ficou com raiva pela injustiça, mas não era novidade alguma, que Snape sempre fora assim. Ela e seus amigos chegaram ao saguão principal, onde os grifinórios reclamavam de tamanha injustiça.
— Cinco pontos a menos para a Grifinória porque a poção estava certa! Por que você não mentiu, Mione? Devia ter dito que Neville fez tudo sozinho!
Fez-se silêncio. Hermione não respondera e ao procurar pelos lados, Selena viu que a amiga não estava a vista. Suspirou e encarou as amigas, que sabiam exatamente onde Hermione estava e o que tinha feito, mas se fingiram surpresas quando Hermione surgiu correndo escada a cima.
— Como foi que você fez isso? — perguntou Rony.
— O quê? — perguntou, por sua vez, Hermione, se juntando aos amigos.
— Em um minuto você está bem atrás da gente e no minuto seguinte está de volta ao pé da escada.
— Quê? — Hermione pareceu ligeiramente confusa. — Ah... Eu tive que voltar para ver uma coisa. Ah, não...
A mochila de Hermione rasgou. Selena não se surpreendeu, pois a bolsa da garota estava cheia de livros.
— Por que está carregando tudo isso na mochila? — perguntou Tiago.
— Você sabe quantas matérias estou estudando — respondeu ela sem fôlego. — Será que podia segurar esses para mim?
— Mas... — Renato foi virando os livros que a amiga passara para Tiago — você não tem nenhuma dessas matérias hoje. Só tem Defesa contra as Artes das Trevas, à tarde.
— É verdade — respondeu Hermione vagamente, mas guardou todos os livros na mochila assim mesmo. — Espero que tenha alguma coisa boa para o almoço, estou morta de fome — acrescentou, e se afastou em direção ao Salão Principal.
— Vocês também têm a impressão de que Mione não está contando alguma coisa à gente? — perguntou Rony aos garotos.
Remo estava extremamente ansioso por saber como se sairia ensinando Defesa Contra as Artes das Trevas.
Os outros alunos grifinórios, também estavam assim. Selena sabia, que eles nunca tinham tido professores realmente bons nessa matéria. Fernanda Enays, a professora do primeiro ano, fora uma farsa. Na verdade, era uma das Três Fúrias de Hades. Quirrel, o substituto de Enays, fora um servo de Voldemort. E Gilderoy Lockhart, o professor anterior de DCAT, era outra grande farsa, que só se preocupava com sua beleza e com sua fama.
O Profº. Lupin não estava em sala quando eles chegaram para a primeira aula de Defesa contra as Artes das Trevas. Os alunos se sentaram, tiraram das mochilas os livros, penas e pergaminho e estavam conversando quando o professor finalmente apareceu. Lupin sorriu vagamente e colocou a velha maleta surrada na escrivaninha.
Estava mal vestido como sempre, mas parecia mais saudável do que no dia do trem, como se tivesse comido umas refeições reforçadas.
— Boa tarde — cumprimentou ele. — Por favor, guardem todos os livros de volta nas mochilas. Hoje teremos uma aula prática. Os senhores só vão precisar das varinhas.
Selena e os amigos se entreolharam, animados. Ela com certeza, era a mais ansiosa de todos para produzir um feitiço. Harry, que estava sentado em uma carteira ao lado da de Selena, olhou para o professor por um instante e depois se empertigou para o lado, para ficar mais próximo da garota.
- Preciso falar com você mais tarde. – disse ele, em tom baixo.
Selena concordou.
- Tudo bem.
Harry sorriu e voltou para o seu lugar. Selena o encarou por mais alguns instantes, até que Lupin recomeçou a falar.
- Certo, então — disse o Profº. Lupin, quando todos estavam prontos. — Queiram me seguir.
Intrigados, mas interessados, os alunos se levantaram e o seguiram para fora da sala. Ele levou os alunos por um corredor deserto e virou um canto, onde a primeira coisa que viram foi o Pirraça, o poltergeist, flutuando no ar de cabeça para baixo, e entupindo com chicletes o buraco da fechadura mais próxima.
Pirraça não ergueu os olhos até o professor chegar a mais ou menos meio metro; então, agitou os dedos dos pés e começou a cantar.
— Louco, lobo, Lupin — entoou ele. — Louco, lobo, Lupin...
Selena arqueou as sobrancelhas, desconfiada e encarou o professor. Notou que Hermione, fazia o mesmo.
Renato tinha ficado nervoso às costas das garotas, mas Sebastian (Sirius) e Tomas (Tiago I) o tranqüilizaram.
- Tudo ficará bem, cara. – disse Sirius. Lupin concordou e olhou para o seu “eu” mais velho.
Todos esperavam que o professor gritasse ou qualquer coisa do gênero, mas o que ele fez, foi sorrir, o que fez Selena imaginar que algo muito legal estaria prestes a acontecer.
— Eu tiraria o chicle do buraco da fechadura se fosse você, Pirraça — disse ele gentilmente. — O Sr. Filch não vai poder apanhar as vassouras dele.
Filch era o zelador de Hogwarts, mal-humorado, um bruxo frustrado que travava uma guerra constante contra os estudantes e, na verdade, contra Pirraça também.
Mas o poltergeist não deu a mínima atenção às palavras do professor a não ser para respondê-las com um ruído ofensivo e alto feito com a boca.
O professor deu um breve suspiro e tirou a varinha.
— Este é um feitiçozinho útil — disse à turma por cima do ombro. — Por favor observem com atenção.
Ele ergueu a varinha até a altura do ombro e disse:
— Uediuósi!— e apontou para Pirraça.
Com a força de uma bala, a pelota de chicle disparou do buraco da fechadura e foi bater certeira na narina esquerda de Pirraça; o poltergeist virou de cabeça para cima e fugiu a grande velocidade, xingando.
— Maneiro, professor — exclamou Dino Thomas admirado.
— Obrigado, Dino — disse o professor tornando a guardar a varinha. — Vamos prosseguir?
- Caracas, você é bom. – comentou Tiago I, rindo com o Lupin mais novo ao seu lado. O maroto riu também.
Eles recomeçaram a caminhada, a turma olhando o enxovalhado professor com crescente respeito. Lupin os conduziu por um segundo corredor e parou bem à porta da sala de professores.
— Entrem, por favor — disse ele, abrindo a porta e se afastando para os alunos passarem.
A sala dos professores. Uma sala comprida, revestida com painéis de madeira e mobiliada com cadeiras velhas e desaparelhadas, estava vazia, exceto por um ocupante. O Profº. Snape estava sentado em uma poltrona baixa e ergueu os olhos para os alunos que entravam. Seus olhos brilhavam e ele tinha um arzinho de desdém em volta da boca. Quando o Profº. Lupin entrou e fez menção de fechar a porta, Snape falou:
— Pode deixá-la aberta, Lupin. Eu prefiro não estar presente.
E, dizendo isso, se levantou e passou pela turma, suas vestes negras se enfurnando às suas costas. À porta, o professor girou nos calcanhares e disse ao colega:
— Provavelmente ninguém o alertou, Lupin, mas essa turma tem Neville Longbottom. Eu o aconselharia a não confiar a esse menino nada que apresente dificuldade. A não ser que a Srta, Granger se incumba de cochichar instruções ao ouvido dele.
Selena cerrou os punhos e ouviu claramente, Tomas murmurar as suas costas:
- Espere Seboso. Espere que sua hora vai chegar.
Selena não entendeu muito bem o que o amigo quis dizer com isso, mas só pôde constatar que ele também estava irritado.
Por fim, Lupin arqueou as sobrancelhas.
— Pois eu pretendia chamar Neville para me ajudar na primeira etapa da operação, e tenho certeza de que ele vai fazer isso admiravelmente.
A cara de Neville ficou, se isso fosse possível, ainda mais vermelha. Snape revirou os lábios num trejeito de desdém, mas se retirou, batendo de leve a porta.
— Agora, então — disse o Profº. Lupin, chamando, com um gesto, a turma para o fundo da sala, onde não havia nada exceto um velho armário em que os professores guardavam mudas limpas de vestes. Quando o professor se postou a um lado, o armário subitamente se sacudiu, batendo na parede.
Muitos alunos recuaram, com medo. Lupin sorriu, amigavelmente.
— Não se preocupem — disse ele, calmamente. — Há um bicho-papão ai dentro.
A maioria dos garotos achou que isso era uma coisa com o que se preocupar. Neville lançou ao professor um olhar de absoluto terror e Simas Finnigan mirou o puxador, que agora sacudia barulhentamente, com apreensão.
Selena encarou Harry, que a fitou por alguns instantes. Ambos, só se metiam em encrencas e um bicho-papão em um armário, provavelmente seria mais uma coisa na lista.
— Bichos-papões gostam de lugares escuros e fechados — informou o mestre. — Guarda-roupas, o vão embaixo das camas, os armários sob as pias... Eu já encontrei um alojado dentro de um relógio de parede antigo. Este aí se mudou para cá ontem à tarde e perguntei ao diretor se os professores poderiam deixá-lo para eu dar uma aula prática aos meus alunos do terceiro ano. Então, a primeira pergunta que devemos nos fazer é, o que é um bicho-papão?
Para surpresa de todos, Hermione não foi a única a levantar a mão. Rose e Livia fizeram o mesmo.
Lupin sorriu para as garotas e fitou Livia por longos instantes até se dirigir a Hermione.
— É um transformista — respondeu ela. — É capaz de assumir a forma do que achar que pode nos assustar mais.
— Eu mesmo não poderia ter dado uma definição melhor — disse o Profº. Lupin, e o rosto de Hermione se iluminou de orgulho.
— Então o bicho-papão que está sentado no escuro aí dentro ainda não assumiu forma alguma. Ele ainda não sabe o que pode assustar a pessoa que está do lado de fora. Ninguém sabe qual é a aparência de um bicho-papão quando está sozinho, mas quando eu o deixar sair, ele imediatamente se transformará naquilo que cada um de nós mais teme. Isto significa — continuou o Profº. Lupin, preferindo não dar atenção à breve exclamação de terror de Neville — que temos uma enorme vantagem sobre o bicho-papão para começar. Você já sabe qual é, Harry?
Selena encarou o amigo mais uma vez. Ele não costumava responder perguntas daquela forma.
— Hum... Porque somos muitos, ele não vai saber que forma tomar.
— Precisamente — concordou o professor e Hermione baixou a mão, parecendo um pouquinho desapontada. — É sempre melhor estarmos acompanhados quando enfrentamos um bicho-papão. Assim, ele se confunde. No que deverá se transformar, num corpo sem cabeça ou numa lesma carnívora? Uma vez vi um bicho-papão cometer exatamente este erro, tentou assustar duas pessoas e se transformou em meia lesma. O que, nem de longe, pode assustar alguém. O feitiço que repele um bicho-papão é simples, mas exige concentração. Vejam, a coisa que realmente acaba com um bicho-papão é o riso. Então o que precisam fazer é forçá-lo a assumir uma forma que vocês achem engraçada. Vamos praticar o feitiço sem as varinhas primeiro. Repitam comigo, por favor... Riddikulus!
— Riddikulus — repetiu a turma.
— Ótimo — aprovou o Profº. Lupin. — Muito bem. Mas receio que esta seja a parte mais fácil. Sabem, a palavra sozinha não basta. E é aqui que você vai entrar Neville.
O guarda-roupa recomeçou a tremer, embora não tanto quanto Neville, que se dirigiu para o móvel como se estivesse indo para a forca.
— Certo, Neville — disse o professor — Vamos começar pelo começo: Qual, você diria, que é a coisa que pode assustá-lo mais neste mundo?
Os lábios de Neville se mexeram, mas não emitiram som algum.
— Não ouvi o que você disse, Neville, me desculpe — disse o Profº. Lupin animado.
Neville olhou para os lados meio desesperado, como que suplicando a alguém que o ajudasse, depois disse, num sussurro quase inaudível:
— O Profº. Snape.
Quase todo mundo riu. Até Neville sorriu como se pedisse desculpas. Lupin, porém, ficou pensativo.
— Profº. Snape... Hummm... Neville, eu creio que você mora com a sua avó?
— Sim... Moro — disse Neville, nervoso. — Mas também não quero que o bicho-papão se transforme na minha avó.
— Não, não, você não entendeu — disse o professor, agora rindo. — Será que você podia nos descrever que tipo de roupas a sua avó normalmente usa?
Neville fez cara de espanto, mas disse:
— Bem... Sempre o mesmo chapéu. Um bem alto com um urubu empalhado na ponta. E um vestido comprido... Verde, normalmente... E às vezes uma raposa.
— E uma bolsa?
— Vermelha e bem grande.
— Certo então — disse o professor — Você é capaz de imaginar essas roupas com clareza, Neville? Você consegue vê-las mentalmente?
— Consigo — respondeu Neville, hesitante, obviamente imaginando o que viria a seguir.
— Quando o bicho-papão irromper daquele guarda-roupa, Neville, e vir você, ele vai assumir a forma do Profº. Snape. E você vai erguer a varinha... Assim... E gritar "Riddikulus"... E se concentrar com todas as suas forças nas roupas de sua avó. Se tudo correr bem, o Profº. Bicho-papão-Snape será forçado a vestir aquele chapéu com o urubu, aquele vestido verde e carregar aquela enorme bolsa vermelha.
Houve uma explosão de risos. O guarda-roupa sacudiu com maior violência.
— Se Neville acertar, o bicho-papão provavelmente vai voltar a atenção para cada um de nós individualmente. Eu gostaria que todos gastassem algum tempo, agora, para pensar na coisa de que têm mais medo e imaginar como poderia fazê-la parecer cômica...
O primeiro pensamento de Selena, foi Voldemort. Um Voldemort mais poderoso. Mas então, surgiu à cabeça dela, o Senhor dos Titãs, Cronos. A parte difícil, seria pensar nele como algo cômico.
— Todos prontos? — perguntou o Profº. Lupin.
Selena e os amigos concordaram com um aceno de cabeça positivo e a morena, notou que Tomas, Sebastian e Renato pareciam animados.
— Neville, nós vamos recuar — disse o professor. — Assim você fica com o campo livre, está bem? Vou chamar o próximo a vir para frente... Todos para trás, agora, de modo que Neville tenha espaço para agitar a varinha...
Todos recuaram, encostaram-se nas paredes, deixando Neville sozinho ao lado do guarda-roupa. Ele parecia pálido e assustado, mas enrolara as mangas das vestes e segurava a varinha em posição.
— Quando eu contar três, Neville — avisou Lupin, que apontava a própria varinha para o puxador do armário. — Um... Dois... Três... Agora!
Um jorro de faíscas saltou da ponta da varinha do professor e bateu no puxador. O guarda-roupa se abriu com violência. Com o nariz curvo e ameaçador, o Profº. Snape saiu, os olhos faiscando para Neville. Neville recuou, de varinha no ar, balbuciando silenciosamente. Snape avançou para ele, apanhando alguma coisa dentro das vestes.
— R... R.. Riddikulus! — esganiçou-se Neville.
Ouviu-se um ruído que lembrava o estalido de um chicote. Snape tropeçou; usava um vestido longo, enfeitado de rendas e um imenso chapéu de bruxo com um urubu carcomido de traças no alto, e sacudia uma enorme bolsa vermelho-vivo.
Houve uma explosão de risos; o bicho-papão parou, confuso, e o Profº. Lupin gritou:
— Milena! Avante!
Milena adiantou-se, com ar decidido. Snape avançou para ela.
Ouviu-se outro estalo e onde o bicho-papão estivera havia agora uma múmia com as bandagens sujas de sangue; seu rosto tampado estava virado para Milena e a múmia começou a andar para a garota muito lentamente, arrastando os pés, erguendo os braços duros...
— Riddikulus!— exclamou Parvati.
Uma bandagem se soltou aos pés da múmia; ela se enredou, caiu de cara no chão e sua cabeça rolou para longe do corpo.
- Livia! – chamou Lupin.
A ruiva avançou e a múmia, se transformou em um vampiro.
- Riddikulus! – exclamou a garota e no vampiro, surgiu um colar cheio de alhos.
- Tomas!
O garoto avançou decidido e do vampiro, surgiu um dementador.
- Riddikulus! – exclamou ele, confiante.
O dementador escorregou na capa e caiu no chão.
- Rose! – chamou Lupin.
A ruiva avançou confiante.
Uma aranha surgiu, com mais de três metros de altura.
- Riddikulus! – exclamou.
Uma grande teia surgiu e enrolou a aranha. Logo, o bicho-papão começou a se transformar em várias coisas.
- Confundimos ele. Estamos quase no fim. Dino! – chamou Lupin.
Dino adiantou-se correndo.
Craque! O olho se transformou em uma mão decepada, que deu uma cambalhota e saiu andando de lado como um caranguejo.
— Riddikulus! — berrou Dino.
Ouviu-se um estalo e a mão ficou presa em uma ratoeira.
— Excelente! Rony, você é o próximo!
Rony correu para frente aos pulos.
Craque! Muitos alunos gritaram. Uma aranha gigantesca e peluda, com quase dois metros de altura, avançou para Rony, batendo as pinças ameaçadoramente. Era ainda pior, do que a de Rose.
— Riddikulus! — berrou Rony, e as pernas da aranha desapareceram; ela ficou rolando pelo chão e Lilá Brown gritou saindo do caminho da criatura, que parou aos pés de Selena.
- Selena! – chamou Lupin.
A aranha se transformou. Selena não sabia o que aconteceria. Tinha pensado em um dementador e em Cronos e depois, em Voldemort.
Então, a aranha virou, uma criatura de três metros de altura, coberto de terra e lava ao mesmo tempo – era difícil distinguir – com olhos dourados que fitaram Selena e avançaram para a mesma.
A garota não sabia o que tinha acontecido. Ela tinha travado. Não era ela mesma. Algo muito estranho tinha acontecido. Selena não era assim. Não teria medo, enfrentaria.
Mas de alguma forma, aquilo a assustou mais do que qualquer coisa.
Lupin se colocou à frente e...Craque!
Cronos sumira. Por um segundo todos olharam assustados para os lados para ver o que aparecera. Então viram um globo branco-prateado pendurado no ar diante de Lupin, e ele disse "Riddikulus" quase descansadamente.
Craque!
— Para frente, Neville, e acabe com ela! — mandou o professor quando o bicho-papão aterrissou no chão sob a forma de uma barata.
Craque! E Snape reapareceu.
Desta vez, Neville avançou parecendo decidido.
— Riddikulus! — gritou, e, por uma fração de segundo, seus colegas tiveram uma visão de Snape com seu vestido de rendas antes de Neville soltar uma grande gargalhada e o bicho-papão explodir em milhares de fiapinhos minúsculos de fumaça, e desaparecer.
Selena tinha voltado ao normal, mas a imagem de Cronos, não saia de sua cabeça. De alguma forma, ela podia ouvir a risada do titã, longe, zombando de sua fraqueza e tentando arrumar uma forma de se regenerar.
— Excelente! — exclamou o Profº. Lupin enquanto a classe aplaudia com entusiasmo. — Excelente, Neville. Muito bem, pessoal... Deixe-me ver... Cinco pontos para a Grifinória para cada pessoa que enfrentou o bicho-papão — dez para Neville porque ele o enfrentou duas vezes e cinco para Harry e para Hermione.
— Mas eu não fiz nada — protestou Harry, enquanto segurava a mão de Selena.
— Você e Hermione responderam às minhas perguntas corretamente no início da aula, Harry — respondeu Lupin gentilmente.
— Muito bem, pessoal, foi uma aula excelente. Dever de casa: por favor, leiam o capítulo sobre os bichos-papões e façam um resumo para me entregar... Na segunda-feira. E por hoje é só.
Falando agitados, os alunos deixaram a sala dos professores.
- Você está bem? – perguntou Harry, que ainda segurava a mão de Selena.
A garota pensou que tivesse perdido a voz. Ela se controlou para não sucumbir às lágrimas no corredor. Tinha sido fraca. Não tinha enfrentado aquele bicho-papão que na opinião dela, era ridículo.
- A-acho que sim. – respondeu Selena, abalada.
- Quer ir para a Enfermaria ou algo assim? – perguntou Alison, também preocupado como os amigos.
- Não. Estou...bem. – disse ela.
Harry, parecia ter notado naquele instante que estava segurando a mão de Selena. A soltou rapidamente, desejando que não corasse.
Selena porém, murmurou um “encontro vocês depois” e saiu correndo pelo corredor. Se trancou no dormitório feminino e deslizando pela porta, escondeu o rosto entre as mãos, enquanto se balançava para a frente e para trás, deixando as lágrimas caírem por seu rosto e ouvindo a gargalhada de Cronos, ao longe.
Notas finais
Não deixem de comentar ok?
Vejo vocês no próximo capítulo ;)
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