Hardest of Hearts

14 Who's a Heretic, Child?


Notas iniciais
Pois é galera, foram muitos e muitos meses sumida dkspkdskpdskps muitas coisas aconteceram, eu comecei a trabalhar e tava sem tempo, saúde mental tava mandando lembranças e outras coisas.Perdi uma pessoa muito especial pra mim essa semana, e entre crises de choro e sentir que não tá acontecendo de verdade, resolvi juntar os caquinhos e voltar a escrever, porque é uma coisa que eu sempre amei fazer e que me traz felicidade. Mas enfim, tô de volta pra fic ;) espero que gostem. Dedico esse capítulo de todo o coração para a Fênix Negra, Valarie Lockwood, Cloto e Miss Dixon que sempre comentam e que me motivam a continuar. MUITA OBRIGADA!!

Eu sou a espada que massacrará o paraíso.

O Céu está cheio de sangue.

Logo, ele caíra como neve.

— Anatomy Titus Fall of Rome, Heiner Müller



Aethelflaed havia há muito parado de sentir a dor cruel do chão frio de pedra em sob seus joelhos. Ao invés disso, suas pernas estavam adormecidas. Ela terminou mais um Ave Maria e rolou o rosário em seus dedos, as pérolas aquecidas de suas mãos trêmulas. Seus lábios se moviam silenciosamente pelas palavras, o latim deslizando se sua língua com perfeição e fervor.

Aethelflaed não se considerava, de maneira alguma, uma cristã fervorosa. A mãe dela fora, até o último suspiro, ao ponto de recusar tratamentos que ela considerava bruxaria. Dustan ficara desolado após a morte dela, os hinos e rezas um lembrete desgostoso da morte de sua esposa e da recusa de Deus de poupá-la e a criança que crescia dentro dela, talvez um herdeiro que poupasse a ele e a Aethelflaed e sofrimento de agora.

Havia uma paróquia no vilarejo que circundava o castelo, e uma igreja grande não muito distante, em uma cidade maior. Aethelflaed tomava comunhão aos domingos e podia dizer todas as suas preces perfeitamente bem. Mas talvez ela soubesse demais sobre o envolvimento da Igreja na vida política do reino, ou talvez houvesse mágoa demais pela mãe que Deus não salvara. Qualquer que fosse a causa, ela sempre preferira que padres mantivessem suas opiniões para si mesmos.

No entanto, ela duvidava que qualquer pessoa que a visse agora pensaria isso.

Aethelflaed inclinou mais a cabeça, os ombros curvados e tremendo, o capuz de seu manto escurecendo sua vista. Ela sufocou um soluço, desespero e medo fazendo seus olhos arderem.

Ela retornava às preces agora, da mesma forma que fizera pelos últimos anos, por seu pai. Pelo rosto pálido e cansado. Pelas mãos ossudas e trêmulas. Pelo chiado nos pulmões dele e a tosse que tirava seu ar.

Ela o estava perdendo lentamente, pouco a pouco, há algum tempo. Parecia que, finalmente, perderia seu pai completamente.

Aethelflaed se dobrou sobre os joelhos e pressionou a testa no chão, sentindo as rachaduras da pedra em sua pele. Lágrimas correram quentes por seu rosto.

Ela fizera aquilo a seu pai? Sua recusa e teimosia, os planos de Judith e do rei? Seriam eles a causa da morte de seu pai, da mesma forma que a doença nos pulmões dele? Dustan tinha alguma ideia de que ela seria deixada sozinha na noite de seu casamento? Que ela seria vestida como uma pagã? Ele teria lutado por ela, se Aethelflaed não tivesse resistido a ele antes?

Tudo isso não importava agora. Tudo que existia era culpa, a de seu pai pesando sobre ele, roubando ainda mais de sua força. E a culpa dela, a pressionando de todos os lados, as estátuas dos santos a olhando com desprezo. O olhar no rosto de Dustan a assombrava, o chiado na respiração dele ecoava na igreja silenciosa, uma acusação.

Se me amardes, guardareis os meus mandamentos.” Não era isso que as Escrituras Sagradas diziam? O que isso fazia dela, a filha desobediente?

Um filho perdido é chamado pródigo. Uma filha perdida está simplesmente perdida.

— Por favor, — Aethelflaed sussurrou, a voz quebrada e miserável. — Não o tire de me mim ainda. Deixe-o me ver feliz e segura. Deixe-o ver que fez a escolha certa. Deixa que meu pai me veja aos 17, e aos 20 e aos 25. Deixe-o segurar os netos. Deixe-o morrer em paz, sem dor. Não assim, por favor, não assim.

Ela puxou uma respiração pesada, o peito arfando. Aethelflaed estava sozinha agora, outros cortesãos tendo vindo e partido. Eles rezaram e compartilharam de seu luto em silêncio e piedade. O casamento, era isso que deveriam pensar. O desespero de uma garota violada.

Essa não era a desesperança de uma esposa maltratada. Esse era o luto de uma órfã.

Passos soaram no corredor que levava à entrada da igreja, se aproximando, confiantes e rápidos. Aethelflaed segurou a respiração, escutando com atenção. Ela limpou os olhos, torcendo para que sua pele não estivesse vermelha por chorar.

Aqueles eram passos de um guerreiro, pesados demais para pertencerem a uma lady ou um servo, porém muito ágeis para serem os passos lentos e deselegantes dos velhos lordes. Ela reconhecia passos como aqueles de uma vida inteira escutando detrás da porta pesada de seu quarto, rindo e fofocando com Amice, adivinhando se estavam prestes a levar uma bronca de Edwina ou se eram simplesmentes os guardas do castelo. Ela reconhecia aqueles passos por ter assistido, impotente, enquanto Dustan passava de um soldado a um doente.

Aethelflaed se endireitou até que estivesse sentada nas panturrilhas, acordando a dor em seus joelhos. Ela enrolou o rosário nos dedos com força, tentando forçá-los a parar de tremer e respirou lentamente pela boca, provando incenso em sua garganta. Ninguém deveria vê-la tão sem dignidade, Aethelflaed disse a si mesma. Já passara por humilhações o suficiente nesse castelo.

Os passos soaram mais altos e então pararam completamente, uma presença pesada as suas costas. Aethelflaed fingiu não notar e deixou que sua voz soasse suavemente pela igreja, certificando-se de que não estaria trêmula quando falasse com o novo visitante. Ela empurrou seu luto, seu medo para o fundo, guardando-os na parte de seu coração que se tornava mais dura quanto mais tempo passava na corte inglesa, colocando novamente o rosto de uma lady nobre até que pudesse desmoronar nos braços de Amice à noite.

Era impossível, mas a sombra do homem às suas costas parecia envolvê-la, esfriando sua pele.

— Me perdoe, senhora, se interrompo suas orações, — uma voz rouca e vagamente familiar disse com a confiança daqueles que costumam ser obedecidos.

Aethelflaed se levantou lentamente, quase tropeçando com a rigidez em suas pernas, um formigamento desconfortável começando imediatamente. Ela entrelaçou os dedos comportadamente em frente as saias pesadas, o rosário de ouro e pérolas contrastando com o tecido azul escuro. Aethelflaed ergueu os olhos para Bispo Heahmund, surpresa.

— Dificilmente seria uma interrupção ser agraciada com a sua presença, Vossa Excelência, — ela respondeu docemente.

As feições afiadas de Heahmund não suavizaram quando ele sorriu. Ele tinha um rosto bonito, mais jovem do que a maioria dos homens na posição dele. Aethelflaed vasculhou seu cérebro por informações, encontrando mais lacunas em branco do que se podia dar ao luxo de ter.

A paróquia a qual ele atendia quando não estava lutando nas guerras era longe demais para que notícias casuais chegassem a seu castelo, e o envolvimento de Heahmund nos assuntos do reino sempre foram sobre guerras, não política. Até este momento, Aethelflaed não tinha razões para pensar nele.

Ela podia apenas juntar informações sobre o que não sabia.

Heahmund não vinha de uma família rica, ou ela com certeza saberia sobre ele. A posição dele no bispado parecia vir, surpreendentemente, pela própria habilidade dele. Alguns padres lutavam, dependendo a qual ordem pertenciam, mas aqueles nos escalões mais altos do clero tendiam a ser velhos demais ou ricos demais para levantar uma espada. Ele devia ter ganhado a posição após ser um soldado, então. Um padre com mais talento para batalhas do que para palavras. A justiça e fúria divinas, ao invés de paz e perdão.

Talvez os feitos dele em batalha tenham sido considerados milagrosos, e os sussurros entre os soldados fizeram a Igreja perceber o potencial em ter um homem considerado santo lutando por eles. Talvez a posição de bispo tenha ficado vaga, e a Igreja a concedera a Heahmund esperando que ele logo se tornasse um mártir.

E certamente pensaram que esse tinha sido o caso, quando ele desapareceu em batalha. Mais um dos corpos deformados além do reconhecimento, sepultado em túmulos não identificados. Apenas para Heahmund retornar, juntamente a aliados pagãos, e apoiar a decisão de um rei bastardo em entregar uma donzela inglesa aos vikings selvagens.

Aethelflaed sorriu para o bispo e resistiu à vontade de erguer uma sobrancelha sarcasticamente.

A pergunta agora era, o que Heahmund queria dela?

— Pelo que você reza, criança? — Heahmund perguntou, encarando-a com aqueles olhos desconcertantes.

Havia uma intensidade desconfortável sobre ele, uma precisão em cada um de seus movimentos. Aethelflaed supunha que isso o fizesse um guerreiro temível, aquele foco inabalável. Naquele momento, só a deixava nervosa em estar sozinha com ele.

— Pela graça e misericórdia de Deus, — ela respondeu, e não era de todo uma mentira.

Heahmund assentiu gravemente. Ele se moveu para o altar e Aethelflaed se afastou instintivamente, querendo colocar distância entre eles. O bispo começou a acender as velas, uma a uma, lenta e pacificamente. As chamas refletiam estranhamente nos olhos azuis dele.

— A Bíblia nos diz que a misericórdia de Deus é a causa de não sermos consumidos, e que ela se renova a cada dia. Ele nos promete paz.

Aethelflaed inclinou a cabeça em concordância. — Devemos deixar nossos fardos aos pés do Senhor, — disse reverentemente.

Heahmund se virou para encará-la. — Sim, mas também devemos tomar o fardo que ele nos dá, um que não é pesado demais para suportar, mesmo que às vezes possa parecer, — admoestou. Aethelflaed fechou os olhos brevemente, suspirando. Era essa a causa da visita, encorajamento? — Jesus nos disse que nesse mundo teríamos aflições. Seu casamento lhe aflige, minha senhora?

Aethelflaed piscou repetidamente, surpresa com a franqueza dele. Esperava que Heahmund adiasse dizer o motivo de estar ali, talvez até que não o dissesse claramente, mas talvez ela devesse esperar esse tipo de honestidade em guerreiros. Ubbe tinha a mesma falta de paciência para jogos e artimanhas.

— Não, Vossa Excelência. Meu casamento vai bem, — Aethelflaed respondeu, o canto de sua boca se repuxando com um sorriso malicioso que ela esperava que ficasse escondido pelas sombras do capuz.

O rosto de Heahmund, no entanto, ficou sombrio com a negação dela. Aethelflaed endireitou os ombros, o observando com atenção redobrada.

— Você está aqui há muito tempo, Lady Aethelflaed. A corte se preocupa. E a corte sussurra. — Heahmund disse, cortante, como um acusação.

Aethelflaed mordeu a parte interna da bochecha. — Eu agradeço a corte pela compaixão, mas não há nada com o que se preocupar. E quanto aos sussurros, entendo como fofocas tão indignas são surpreendentes para um homem santo como o senhor, Vossa Excelência, mas a corte sempre irá sussurrar. Em uma semana, sussurrarão sobre outra coisa, — ela assegurou, desconfortável com o assunto.

Heahmund se aproximou novamente. Dessa vez, Aethelflaed não cedeu. Ela abaixou os olhos, no entanto, encarando as roupas grossas e confortáveis de um guerreiro. O que ele queria?

O bispo tocou as marcas em seu rosto, surpreendendo-a. Aethelflaed se afastou do toque antes que pudesse se impedir.

— Seu marido não deixou isso em você, — Heahmund afirmou com confiança.

Ainda assim, Aethelflaed se sentiu compelida a concordar. — Não, Ubbe não o fez. Essas marcas estavam em mim quando entrei na igreja. Várias pessoas viram. — Era difícil impedir sua voz de se tornar afiada. Não tinha desejo algum de discutir a cerimônia de casamento desastrosa, e muito menos vontade de estar sozinha com um homem que tomava tantas liberdades com ela. Clero ou não, Aethelflaed não aceitaria que um homem estranho colocasse as mãos nela.

O rosto de Heahmund se contorceu com raiva. — E ainda assim, as cobras sussurram.. Alguns dizem que Ubbe te bateu. Alguns dizem que ele fez muito pior quando fecharam as portas do quarto e vocês foram deixados sozinhos.

Aethelflaed levantou os olhos para ele subitamente, as sobrancelhas franzidas. Ela pensara pouco sobre as consequências do pedido de Ubbe. Aethelflaed sabia que tal coisa não seria aceita com passividade, mas não conseguira prestar atenção aos sussurros que percorriam as paredes frias do castelo hoje. Estivera assustada demais primeiro, e depois envolvida demais no toque de Ubbe, e depois ocupada demais tentando reassegurar Amice e então preocupada demais com seu pai.

Ubbe exigira que eles ficassem sozinhos, e ninguém além dela e Amice sabia que seu marido havia trazido apenas prazer a ela.

Aethelflaed fechou os olhos por um momento, centrando-se. Que erro estúpido. Ela podia fazer melhor do que isso, havia feito melhor antes. Era melhor do que isso nesse jogo, melhor do que se distrair e se deixar levar pelas circunstâncias, sejam quais forem. Decepcionante, realmente.

Heahmund fechou as mãos fortes e calosas nos braços dela.

— Eu te peço, Aethelflaed, deve repudiar esses rumores. A corte está ficando agitada, — os olhos de Heahmund queimavam nos dela, violentos e ansiosos.

Aethelflaed rilhou os dentes, estupefata com a coragem dele de tocá-la, especialmente quando estavam sozinhos. Ia contra todo senso de decoro. Era um insulto, que esse homem achasse que tinha qualquer direito de persuadi-la. Ela era uma mulher casada, filha de um duque.

— Eu sei que você entende, Vossa Excelência, que reconhecer tais rumores não é apropriado para uma nobre. O que acontece em um casamento é privado entre um marido e uma esposa, e é decepcionante o suficiente que tais conversas aconteçam. Não vou me rebaixar ao me juntar à fofoca.

Honestamente, Aethelflaed não emprestaria sua língua a qualquer rumor, mau ou bom. Influenciar a corte com ações cautelosas era uma coisa, mas se envolver diretamente poderia fazê-la ser acusada de conspiração. Não tinha dúvidas de que Judith não hesitaria em ter sua cabeça.

Aethelflaed tentou se afastar, mas Heahmund apenas a segurou com mais força. Ela inspirou afiadamente, seu estômago em nós. Na palavra de quem acreditariam, se o pior acontecesse? Um homem do clero, ou nela?

— Senhora, há muito em jogo com esse casamento. A paz do reino depende dele. A paz de muitas pessoas, — os olhos de Heahmund a perfuravam enquanto ele falava, a voz rouca como o raspar de aço em pedra. Não havia nada reconfortante sobre esse homem, nada que denunciasse bondade ou paciência. Ele mal parecia um bispo.

Ela percebeu, então, o fato que havia escapado dela, no furação de todas essas semanas. Aethelflaed fora casada por um bispo, como qualquer um da posição dela seria, mas não fora Heahmund. Dois homens, apenas um cargo.

O novo bispo não poderia ser removido de sua posição sem grande humilhação, e ela duvidava que a Igreja aceitaria que outra pessoa sem poder político escalasse seus ranques novamente tão cedo. E com Alfred sem estar em posição para mais uma jogada arriscada por enquanto…

O que aconteceria a Heahmund, se o casamento dela se provasse um erro? Ele teria seu título e qualquer poder que conseguira alcançar com sangue e dor removidos? Ele seria morto no conflito que com certeza surgiria, se os vikings caíssem junto com Alfred?

Não era uma questão de simplesmente ser poupado, Aethelflaed percebeu. Heahmund receberia uma enorme quantidade de gratidão, do rei e do próprio Ubbe, o futuro duque, caso o casamento dela desse certo. Ela sabia exatamente o que a gratidão de um homem poderoso podia comprar. Aethelflaed estava aqui, casada, por essa mesma razão.

No fim, as motivações dos homens eram sempre as mesmas: poder, luxúria e dinheiro. Como um bispo, Heahmund renunciara um destes, ao menos oficialmente; não significava que ele não podia desejar ardentemente os outros dois.

Aethelflaed sorriu gentilmente para ele. — Eu aceitarei sua direção então, Vossa Excelência, vendo que a sua palavra também é a palavra de Deus. — Quando ela tentou se afastar desta vez, Heahmund a deixou ir.

Aethelflaed mordeu a língua, uma risada crescendo dentro de seu peito com o medo e o poder que vinha com tudo o que repousava sobre seus ombros com este casamento, em sua decisão de fazê-lo ou não funcionar. Suas ações poderiam fazer o homem à sua frente governar uma igreja repleta de ouro ou ter a cabeça dele apodrecendo em uma estaca.

Heahmund escrutinizou seu rosto, o cenho franzido, desconfiado e procurando por algo. Por uma mentira, talvez, apesar de que ele não encontraria indício algum em suas feições. Aethelflaed aprendera há muito como fazer suas mentiras tão doces e atraentes como a verdade. Ela não diria nada a esta corte que poderia virar suas palavras contra ela em um piscar de olhos, porém poderia ajudá-lo a reganhar poder, e se certificar de que ele saberia a quem devia gratidão.

— Minha senhora, — Heahmund começou, a voz firme, mas foi interrompido.

— Lady Aethelflaed, — a voz de Amice chegou até eles da entrada da igreja, dura e decidida, nada do recato esperado de uma serva. Quando Aethelflaed se virou para encontrá-la, Amice estava encarando Heahmund diretamente, percebendo como ele estava perto, a agressão mal contida no corpo dele, o desconforto em Aethelflaed que ela não seria capaz de esconder da amiga. — Perdoe minha interrupção, não é minha intenção interromper suas orações, mas a rainha chamou por você, e temo que não possa ser adiado.

Ela não abaixou os olhos quando terminou de falar, não se curvou em cumprimento. Amice se manteve ali, inabalável como sempre, a rocha na qual Aethelflaed podia se apoiar, os olhos frios e selvagens dela um aviso para Heahmund. Ele estava sendo julgado e fora encontrado em falta.

— Obrigada, Amice. Eu vou sair em um segundo, — Aethelflaed respondeu docemente, e se voltou para Heahmund com a confiança de que Amice não sairia daquela igreja sem ela. — Eu agradeço pela companhia, e pelo conselho também, Vossa Excelência, mas eu realmente devo ir. — Aethelflaed fez uma mesura breve e virou as costas para o bispo antes que ele tivesse a chance de desconcertá-la mais ainda.

Amice encarou o bispo até que Aethelflaed passasse por ela, e então se plantou firmemente ao seu lado.

— O que ele queria? — Amice perguntou, a voz preocupada e repleta do desprezo que ela sentia pela Igreja.

Aethelflaed balançou a cabeça. Havia ouvidos demais nesse castelo para que ela difamasse um bispo, não importava quão incerta fosse a posição dele. Poderia discutir o indecoro de Heahmund mais tarde. — O que a rainha quer? — Aethelflaed indagou. O sorriso sapeca que curvou os lábios de Amice a fez pausar. — Ela não chamou por mim realmente, chamou? — Aethelflaed sorriu de volta.

— Uma rainha realmente chamou por você, minha senhora, — Amice disse, a voz fervendo de animação. — Mas não foi Judith. Rainha Lagertha está te esperando nos seus aposentos.




Notas finais
Um beijo pra todo mundo que leu, se cuidem e cuidem das pessoas que vocês amam, e deem uma passadinha nos comentários pra falar comigo! Beijões!