Hardest of Hearts

16 The wine and the women, the bedroom hymns


Notas iniciais
"O vinho e as mulheres, os hinos do quarto" VOLTEI GALERA AAAAHHHHHHHH Finalmente o semestre da faculdade terminou, eu tô de férias e pretendo atualizar esse nenezinho que é Hardest of Hearts semanalmente agora. MUITO MUUTO OBRIGADA a Cloto, a Miss Dyxon e a Rafa Black que comentaram nos últimos capítulos, e desculpa aí pelo sumiço. Pra compensar, esse capítulo tá enorme! ALERTA DE NSFW do meio pro final, porque eu queria ter uma cena dessas do ponto de vista do Ubbe antes de abrir os portões da desgraça e trazer a angústia dskpdkspdkspdksp E sem mais delongas, espero que gostem!

Você pensa que está me possuindo,

Mas eu tenho os meus dentes fincados em você.

— Unicórnio: os poemas de Angela Carter



Ubbe encarou a parte de trás do soldado à sua frente enquanto adentravam na floresta, manobrando os cavalos cuidadosamente na terra cheia de folhas e galhos caídos, os sons de pássaros, esquilos e do vento nas folhas uma sinfonia ao seu redor. O grupo de caça o circundava, soldados e caçadores e cozinheiros, todos aqui para servir ao bel prazer de Alfred. Uma distração perfeitamente normal para um rei, exceto que os saxões há muito eram mais cuidadosos, preocupados com os nórdicos que ocupavam suas terras, e que haviam olhares odiosos e sujos sendo mandados para Ubbe agora.

Alguns, os homens mais corajosos, seguravam o olhar dele, queimando com nojo e desdém. Outros desviavam o olhar assim que Ubbe os encarava de volta, mas a atenção deles ainda queimava em suas costas do mesmo jeito.

Ubbe mal havia saído dos aposentos de Torvi, satisfeito e ainda culpado, quando foi surpreendido pelos servos de Alfred. Ele encarara, incrédulo, enquanto entregavam à ele roupas de cavalgada e anunciavam a caçada. Ubbe não era um homem sentimental, mas não imaginara que o próprio Alfred pediria que ele abandonasse sua nova esposa na manhã após seu casamento. Mesmo sem se importar com as regras de etiqueta da corte inglesa, não pensava que fosse algo educado. E enquanto Aethelflaed demonstrara ser sensata e prática, Ubbe agora se amaldiçoava por nem ao menos deixar uma mensagem antes de partir, alguma explicação para seu desaparecimento logo após tomar a preciosa virtude que os cristãos insistiam que suas filhas protegessem.

Mas à medida que o castelo despertava e os olhares se tornavam mais evidentes e ousados, Ubbe rapidamente entendeu a razão por trás das ações do rei.

Os saxões estavam irados o bastante com uma deles sendo entregue a um pagão, uma nobre respeitada. Era um insulto grave demais, aparentemente, que Ubbe desrespeitasse os costumes deles e a tivesse sozinha em sua noite de núpcias.

Não era como se Ubbe não soubesse que essa era uma reação possível; Alfred o avisara que os saxões se sentiriam melhor sobre o casamento se pudessem se certificar que ele não trataria uma mulher cristã como uma prostituta. Mas Ubbe não tinha qualquer respeito por homens hipócritas que se esgueiravam pelos corredores do castelo com jovens criadas com pouca escolha; sua preocupação era para com sua esposa e o conforto dela.

Como Aethelflaed teria reagido, se a consumação do casamento deles fosse algo público? Imaginava que ela teria engolido o nervosismo tão evidente no rosto dela mesmo antes que Ubbe exigissem que fossem deixados sozinhos, o medo óbvio que o mantivera distante até que teve a certeza de que ela realmente o queria. Ele não era cruel a ponto de forçá-la a fazer esse sacrifício. A teria de bom grado, sempre, ou não a teria de maneira alguma.

Não conseguia se arrepender, mesmo agora, enquanto os saxões desconfiados sussurravam mentiras sobre ele.

Ubbe apertou as pernas no flanco do cavalo, mandando-o em direção à Alfred, o rosto do menino corado do vento frio que cortava Wessex desde cedo, um dia frio demais para o outono.

— Se queria proteger a minha reputação da corte, talvez me esconder como um criminoso não seja a melhor maneira, — Ubbe disse, observando Alfred bufar uma risada pouco dignificada e arquear uma sobrancelha escura para ele.

— Sim, e os nobres teriam acreditado na palavra de um pagão que gritou com eles até que saíssem do quarto e na esposa assustada dele quando tentassem desmentir os rumores.

— Se me lembro corretamente, foi você quem os afugentou do quarto, Vossa Majestade, não eu. Fui simplesmente um espectador. — Um dos soldados inspirou afiadamente ante ao desrespeito de Ubbe. Ele simplesmente ignorou o homem.

A testa de Alfred franziu. — Ambos seríamos poupados de problemas se o seu sogro não tivesse feito o que fez. Foi tolo da parte de Duque Dustan.

Ubbe rilhou os dentes. — Foi cruel da parte de Dustan, — ele não vira os hematomas de Aethelflaed à luz do dia antes de partir, quanto eles haviam escurecido, e podia apenas imaginar como contrastariam com a pele pálida dela.

Alfred mandou a ele um olhar impassível e analítico. — Não sabemos o que aconteceu entre eles. Lady Aethelflaed ainda não era sua esposa. Talvez Lorde Dustan simplesmente a estivesse disciplinando.

As palavras do rei eram imparciais e livres de emoção, mas Ubbe começava a aprender como o garoto ficava quando jogava seus jogos.

— Teria feito aquilo à uma filha sua? — Ubbe inquiriu, o couro de suas luvas estalando com a força que fazia nas rédeas do cavalo.

— Crianças são disciplinadas, Ubbe.

— Crianças não são dadas em casamento, senhor rei, — a voz de Ubbe se tornou grossa com raiva, a controle cuidadoso que mantinha sobre seu sotaque escorregando por um momento. — Ou Aethelflaed é uma criança submetida às vontades do pai ou ela é velha o bastante para casar e tomar as próprias decisões. Não pode ter os dois.

Os lábios de Alfred se esticaram sutilmente no que podia ser um sorriso ou um esgar.

— Não faço do duque um inimigo seu, eu te aviso, — frente à expressão incrédula de Ubbe, Alfred puxou as rédeas do próprio cavalo, desacelerando-o para que pudesse encarar o viking com intensidade. — Dustan pode ser velho, e ele pode estar doente, mas não assuma que o poder dele não vai perdurar após sua morte. Esse casamento foi feito para que eu pudesse tê-lo do meu lado, o poder e influência política dele, mesmo após sua morte. Não dê a ele razões para se arrepender, Ubbe.

Ubbe expôs os dentes em um esgar raivoso, um insulto na ponta da língua. Ele era um filho de Ragnar Lothbrok, não era mole, não era um covarde. Não teria sua própria esposa ferida e insultada. Não se acovardaria diante do homem que fizera tais coisas.

Mas Alfred aperreou sua montaria e se afastou para falar com o chefe de sua guarda, deixando que Ubbe fumegasse sozinho.

{...}

A trança de Ubbe pingava lentamente, umedecendo suas roupas, o algodão macio dos saxões o aquecendo do ar gélido. Estava acostumado a temperaturas muito piores, era verdade, mas a chuva fina que começara na noite anterior o fazia se sentir nojento, molhado com seu próprio suor e cheirando ao pêlo úmido de cavalos.

Alfred insistira que eles passassem a noite na clareira que a companhia de caça escolhera, os animais que abateram espalhados ao redor deles, eviscerados, os criados e soldados ainda mais miseráveis do que ele próprio se sentia, sem a mesma regalia e privacidade de uma tenda só para ele, como convidado do rei e, de certa maneira, também um nobre agora.

A viagem de caça rapidamente evoluíra para um treino de espadas com Alfred, e Ubbe fora forçado a admitir que o garoto tinha coragem. O menino não desistira, mesmo quando as botas escorregavam na lama ou as mãos macias eram feridas pelo punho da espada. Ele poderia ser um grande guerreiro algum dia, e um rei ainda melhor, se a corte não o matasse antes. E apesar de se assustar com os movimentos rápidos do machado de Ubbe em direção à cabeça dele, Alfred não se esquivava da dor.

Eles retornaram para o castelo no meio da tarde da manhã seguinte, a chuva se transformando em algo torrencial, encharcando-os até os ossos, nas últimas milhas da jornada, e Ubbe preferiria muito mais ter encarado à raiva da corte do que ficar preso na chuva gélida do final do outono.

Ele tentara fracamente encontrar sua família ao retornar para o castelo, cansado e irritado, porém Lagertha não estava em lugar algum, provavelmente escondida com o padre dela, e apesar de Bjorn não dizer nada diretamente, Ubbe sabia muito bem o que ele pensava sobre o casamento com uma saxã. Seu irmão ainda não perdoara Rollo por ter feito o mesmo. Mas era o casamento de Ubbe que mantinha as cabeças deles sobre os ombros, um teto sobre suas cabeças e comida na barriga dos filhos de Bjorn, ao invés de serem trucidados pelos saxões ou, pior ainda, entregues aos homens de Ivar.

Ele perguntara apenas uma vez por Torvi. A criada não sabia onde ela estava, e o tom das palavras curtas e ríspidas deixaram claro o que ela, e todo corte, pensavam sobre ele perguntar primeiro sobre sua amante ao invés de sua esposa.

E então Ubbe se retirara para a privacidade de seus novos aposentos dentro do castelo e se enfiara em um banho quente para lavar a lama e o cheiro de cavalos, tentando afogar a irritação que a corte inglesa podia fazer ranger em seus ossos tão facilmente. Ele permanecera na banheira, exasperado e dolorido, até que a água perdesse o calor.

Os servos o olharam com desconfiança todo o caminho até os quartos de Aethelflaed, e ele viu uma mulher fazer uma tentativa abortada de entrar nos aposentos de sua esposa, provavelmente para avisá-la de que ele chegara. Ele sorriu sem humor algum para a mulher enquanto ela se afastava apressadamente; duvidava que Aethelflaed não soubesse de seu retorno até agora. Esperava apenas que sua ausência no dia anterior não a houvesse ofendido, não apagasse o progresso que fizeram quando Aethelflaed decidira se entegar a ele simplesmente porque Ubbe a havia respeitado.

Ubbe bateu na porta e esperou por uma resposta antes de entrar. A voz que respondeu não era familiar, e ele descobriu o porquê quando viu duas garotas sentadas à mesa com Aethelflaed e Amice, jogando cartas.

Uma delas era muito jovem, doze anos no máximo, com o cabelo preto e os olhos mais escuros que ele já vira, enormes e curiosos no rosto pálido. A outra era uma menina ruiva, olhando dele para sua esposa com incerteza. Ela levantou-se rapidamente da cadeira, derrubando as cartas na mesa, e fez uma reverência.

A menina dos cabelos escuros fez o mesmo, apesar de não parecer assustada. Ela trocava o peso de uma perna para a outra, sem a placidez que Ubbe começava a esperar das nobres inglesas.

Aethelflaed sorriu para ele, depositando cuidadosamente as cartas viradas para baixo antes de se levantar graciosamente. Amice simplesmente ergueu uma sobrancelha, afundando ainda mais no assento.

— Meu senhor, sua excursão foi prazerosa? — Aethelflaed perguntou calorosamente.

Ubbe bufou uma risada seca. — Foi antes do céu decidir desabar sobre nossas cabeças.

Amice sorriu afiadamente para ele. — Destemido em batalha mas vencido por um pouco de água, não? Esperava mais dos famosos vikings.

A garota ruiva sibilou para Amice. — Pare com isso! Ela não quis ofender, meu senhor, — a garota disse, olhando de relance para Aethelflaed como se pedisse a ela para intervir.

— Ah, ela quis ofender sim, mas meu orgulho não é facilmente ferido. Está tudo bem, lady... — ele olhou para Aethelflaed em questionamento.

— Ah sim. Parece que me esqueci de minhas maneiras. Essa é Eawynn, essa pequenina é Mina. Elas são minhas damas de companhia também, — Aethelflaed disse, sorrindo para as garotas, que inclinaram a cabeça em comprimento.

— É Willhelmina, na verdade, senhor, — a garotinha disse, agarrando as saias com os dedos nervosos. Ubbe notou que a pronúncia dela não era cuidadosa e polida como se acostumara a escutar da boca de nobres. — Mas ninguém nunca me chama assim. É longo demais, dizem.

Houve um silêncio constrangedor enquanto Mina o encarava com aqueles olhos escuros e esperançosos. Ubbe tentou sorrir para ela.

— Acho que ambos são nomes lindos, minha senhora, — Ubbe tentou, procurando uma maneira de deixar a menina mais calma. Ela sorriu brilhantemente, voltando sua atenção para Aethelflaed.

— Lady Aethelflaed, ele realmente é charmoso, — Mina disse, agarrando o pulso da senhora dela em sua animação. Ubbe percebeu quando Aethelflaed estremeceu levemente, dor cruzando as feições dela.

— Estávamos fofocando sobre meu novo marido, — Aethelflaed explicou, corando levemente. — Espero que não se importe, meu senhor.

Ubbe balançou a cabeça. — De maneira alguma. Porém se está dizendo que sou “charmoso”, não consigo imaginar que tipo de mentiras está contado para essas pobres meninas.

— Apenas as mais terríveis, asseguro, — os olhos de Aethelflaed brilharam matreiros. Ela olhou para as cartas descartadas na mesa, sobrancelhas subindo em surpresa. — Estamos jogando cartas, e parece que acabou de nos salvar de sermos derrotadas pela mão impressionante de Aewynn, — ela cutucou as cartas com um dedo elegante.

Ubbe encarou curiosamente as cartas, ponderando seu significado.

Amice abaixou suas próprias cartas, empurrando-as para o centro da mesa para que todos pudessem ver. — Parece que Aewynn realmente venceu desta vez.

Aewynn se virou subitamente, saias farfalhando em volta dela, encarando as cartas com os olhos castanhos cerrados. — Está falando sério?

— Eu estou, Lady Aewynn de Chamberlain. Realmente me derrotou dessa vez. Parece que devo minha sobremesa à você essa noite, — Amice replicou, um sorriso provocador porém sem malícia nos lábios. Era o menos ameaçador que Ubbe já a vira ser.

— Amice vence a maioria das rodadas. Eu acho que ela trapaceia, mas nunca descobri como, — Mina disse para ele, se aproximando.

— Hey, sua ratinha, eu não trapaceio. Eu só sou boa nesse jogo e tenho sorte, — Amice retrucou, levantando-se para perseguir Mina ao redor do quarto, enfiando dedos nas costelas dela. A garota guinchou e saiu correndo. Ubbe percebeu como a manobra de Amice também afastou a menina dele.

Aethelflaed as encarava com carinho no olhar. Ela parecia relaxada aqui, tão feliz quanto já a vira. Ela era mais terna, longe dos olhos da corte, parecia mais jovem, da mesma maneira que parecera quando fora até a floresta com ele. Ubbe sabia que a corte pesava nos ombros dela, porém era diferente vendo-a desta maneira, sem luxúria ou os passos incertos de um relacionamento forçado à eles envolvido.

— Gostaria de jogar conosco? — Aethelflaed perguntou a ele, provavelmente a interação mais normal que ambos tiveram até o momento.

— Sim, mas vai ter que me ensinar as regras, — Ubbe respondeu e se aproximou, sentando-se ao lado dela.

— Espero que não seja um mau perdedor; Amice é realmente boa com cartas. Terrivelmente competitiva, também, — Aethelflaed juntou as cartas e as embaralhou, separando cinco mãos. Aewynn também se assentou, tão distante dele quanto poderia ficar.

— Não sabia que tinha outras damas de companhia, — Ubbe disse, casualmente, depois que Aethelflaed explicou as regras do jogo para ele. Amice e Mina haviam se sentado também. Ubbe podia sentir a atenção de todas as damas de companhia de sua esposa nele. Não era repleto de ódio, como havia sido com o resto da corte, porém certamente o deixava consciente de cada um de seus atos.

Aethelflaed murmurou uma afirmação distraída. — Eu tenho. Só queria ter certeza de que estariam seguras.

Seguras com ele, era o que ela queria dizer, Ubbe percebeu. E aqui estavam elas, jogando cartas com um homem que chacinara o povo delas. Uma grande demonstração de confiança, se a maneira como Aethelflaed encarava essas meninas com tanto carinho fosse algo a ser considerado. Subitamente, ele estava feliz de ter decidido procurar por sua esposa ao invés de continuar em seu quarto, silenciosamente amaldiçoando a corte.

Ubbe não teve que se questionar porque Aethelflaed não temia por Amice perto dele. Uma mulher que viera até ele sozinha para ameaçar sua família, que segurara uma faca de uma maneira que demonstrava que sabia como usá-la. Perigosa por trás do rosto doce. Ela o encarava com olhos duros agora, uma lembrança do espectro vingativo que fora naquela noite, da promessa que fizera com sangue derramado na terra. O desafiando a machucar as amigas dela. Ubbe mandou um sorriso apertado para ela. Ela retribuiu mostrando os dentes e colocou uma carta no centro da mesa.

Aethelflaed não mentira sobre a habilidade de Amice com cartas. Ela derrotara todos eles facilmente nas quatro primeiras rodadas, rindo com arrogância divertida. Ubbe ficaria mais raivoso se não fosse pela frustração das outras meninas, que bufavam e protestavam contra Amice, enquanto Aethelflaed as encarava com ternura.

Ele observou o rosto dela, mesmerizado pela vulnerabilidade da expressão. Ainda não vira esse lado de Aethelflaed, mesmo enquanto a deixava nua e a deitava sob ele. O que vira no rosto dela então fora nervosismo e luxúria, o desejo desesperado de alguém avassalado por coisas que nunca sentira antes. Essa era quem ela era em sua vida cotidiana, longe dos olhos da corte, cercada por seu povo. Essa era a Aethelflaed que existia antes de ser sua esposa, antes de ser uma peão nos jogos de Alfred.

Ela jogou a cabeça para trás e gargalhou com vontade quando Aewynn praticamente rosnou com frustração quando Amice venceu mais uma vez, o pescoço longo exposto, as marcas leves que ele deixara ali reveladas pela luz. Ubbe encarou por um momento antes de levantar os olhos para o rosto dela. Os hematomas na mandíbula começavam a amarelar nas bordas. Aethelflaed percebeu a atenção, o sorriso dela sumindo quando viu o que exatamente ele olhava.

— A Dinamarca é muito diferente daqui, meu senhor? — Aewynn perguntou imediatamente, um sorriso doce e praticado no rosto.

— Bastante, — ele respondeu simplesmente, sem saber como começar a explicar seu país e povo para uma garota que fora protegida disso a vida toda.

— É muito mais frio, eu escutei, — Aewynn continuou, mantendo sua atenção fora dos machucados de sua esposa.

— É sim. Porém não chove tanto quanto aqui, eu diria, — Ubbe contou à garota, observando pela janela a cortina de chuva que não amainara ainda.

— Se respirar forte demais em dias chuvosos na Inglaterra, pode se afogar, — Mina completou, encarando o céu cinza com o cenho franzido.

— É só um pouco de água, Mina, — Amice ralhou carinhosamente.

— Você mora perto do mar? — Mina perguntou, ignorando Amice categoricamente depois de mostrar a língua para ela. — Me disseram que todos os nórdicos são ótimos marinheiros.

Ubbe sentiu os olhos de Aethelflaed nele, então, observando com atenção, ouvindo com interesse.

— Eu vivo perto do mar, sim, apesar de não poder atestar as habilidades de marinheiros de todos os nórdicos. Nem todos nós navegamos para longe de casa, alguns são apenas fazendeiros e artesãos. Mas em Kattegat, você pode sentir o cheiro da maresia mesmo se estiver nas colinas que cercam a cidade, — Ubbe sentiu uma pancada de tristeza no peito.

— Parece lindo, — Aethelflaed disse, a voz macia e cheia de sentimento.

— Eu gostaria de velejar algum dia, — Mina continuou. Ela se virou para Aethelflaed, os olhos brilhando. — Sabe se poderíamos velejar para a Frankia, agora que tem relações com a família real de lá?

Aethelflaed mordeu o lábio inferior. — Eu não sei, Mina. Talvez daqui a alguns anos. Não é seguro agora, você sabe.

Mina franziu a testa, a expressão desconcertante no rosto tão jovem. — Os nórdicos nos atacariam? Mesmo agora? — ela perguntou, quase devastada, e levou um momento para que Ubbe percebesse que era dirigido a ele. — Certamente que não. Você se casou com Lady Aethelflaed e é um príncipe. Eles não nos matariam, certo?

Ubbe suspirou. Era… cansativo, tentar explicar a situação. A maneira como sua família se despedaçara tão rapidamente. A dor em seu coração onde seus irmãos costumavam estar. A saudade de casa. A crueldade de seu povo, o que eles fariam a uma mulher saxã casada com ele.

Seus ombros ficaram rígidos, as palavras morrendo em sua boca.

Aethelflaed colocou uma mão sobre a dele, os anéis que ela usava quentes em sua pele.

— Meninas, eu gostaria de ficar sozinha com meu marido, por favor — ela pediu docemente.

As damas de companhia se levantaram e fizeram uma reverência, saindo rapidamente depois disso. Amice mandou a ele um último olhar severo por sobre o ombro antes de fechar a porta atrás dela.

— Perdoe Mina, por favor. Ela é jovem demais. Eu era muito inocente naquela idade também. Essas coisas não eram explicadas a mim, e Mina teve a sorte de poder ser protegida também. Ela é irmã mais nova de Jojen, o capitão da guarda do meu pai. A aceitei como dama de companhia depois que a mãe deles faleceu de uma febre na primavera passada, — Aethelflaed disse a ele, a expressão triste e preocupada enquanto observava a porta.

— A menina não me ofendeu, — Ubbe disse, franzindo o cenho. Ela era apenas uma criança. Ele buscou os olhos de Aethelflaed, sério. — Eles te machucariam, Aethelflaed. O meu povo. Não apenas por ser quem você é, mas por minha causa também.

Os dedos dela apertaram em sua mão. — Eu sei. Não carrego as mesmas ilusões comigo agora, meu senhor. Conheço os riscos desse casamento. Sei o que seu povo faria comigo, como tenho certeza que sabe o que o meu faria contigo, de bom grado. Essa é a natureza de casamentos feitos em nome da paz: primeiro deve haver guerra.

Ubbe observou as mãos juntas deles. Gostaria de poder confortá-la, mas seriam apenas palavras vazias, e ele nunca tivera o hábito de mentir apenas por mentir. Ubbe sempre soubera que a sede por sangue, a ambição dos vikings era maior do que dos outros povos, ou ao menos, seu povo era mais habilidoso em exercer essas características. No entanto, ter todo o potencial destrutivo dos nórdicos virados contra ele colocava um gosto ruim em sua garganta.

Talvez fosse orgulho demais, ou então a tolice da juventude privilegiada que vivera, porém Ubbe jamais imaginara que teria que proteger algo de seu próprio povo da maneira como tinha de fazer agora.

Consternado, ele empurrou a manga de Aethelflaed para longe do pulso; ela ficou rígida, porém não se afastou dele.

Os cortes haviam formado uma crosta saudável, mas agora ele podia ver a marca de dedos na pele delicada, mais escuro ainda onde o metal do bracelete havia fincado porém não rompido a pele, o sangue coagulado abaixo.

Ubbe rilhou os dentes, um músculo saltando em sua mandíbula.

Aethelflaed ficou subitamente parada demais, e Ubbe pôde ver o movimento da garganta dela enquanto engolia em seco.

— Você está bem? — Ubbe perguntou, a voz baixa com raiva.

Ela sorriu reconfortante, porém carregava a qualidade vazia dos sorrisos que ela dava apenas por educação. — Eu estou, senhor. Obrigada por perguntar. Você está bem, tendo ficado tanto tempo na chuva? Posso pedir para que tragam chá quente.

— Pare com isso, — Ubbe disse, rispidamente.

Aethelflaed piscou rapidamente. — Me perdoe se ofendi o meu senhor —

— Aethelflaed, por favor, — Ubbe interrompeu, suspirando. Ela ainda ficava nervosa perto dele, perto de sua raiva. — Eu não deveria ter perguntado sobre as marcas, é isso? Aconteceu alguma coisa? — Ele correu o polegar sobre os hematomas levemente.

Aethelflaed o encarou, impassível, por um longo momento. Por fim, ela suspirou, a postura rígida relaxando um pouco.

— As pessoas encaram, e as pessoas sussurram. Sabe o que andam dizendo sobre você?

Ubbe correu os dedos sobre o osso afiado do pulso dela. — Imagino que não ficaram muito felizes com a nossa noite de núpcias ser algo privado. Nunca imaginei que os cristãos fossem tão intrometidos, — um sorriso azedo repuxou seus lábios.

Aethelflaed não pareceu apreciar a piada. — Não é só isso. Muitos estão dizendo que você deixou essas marcas em mim. Que me forçou. — O rosto dela se contorceu com nojo. — Os convidados do nosso casamento eram nobres. Eles estão perfeitamente contentes em espalhar mentiras sobre como eu me machuquei, se isso servir aos propósitos deles. Vão estar perfeitamente contentes em encontrar uma maneira de culpar o rei, caso os convença a admitir que foi o meu pai que fez isso comigo.

A hostilidade no castelo não era apenas por causa de sua exigência, então. Ubbe respirou profundamente, forçando-se a engolir sua irritação frente ao nervosismo e mágoa no rosto de Aethelflaed.

— Por que simplesmente não culpar o seu pai? — perguntou.

Aethelflaed bateu com as unhas da mão livre na mesa ritmicamente, suas palavras carregando a cadência de alguém que pensara muito no assunto. — Porque Duque Dustan pende a balança. Meu pai é o homem mais poderoso da Inglaterra, depois do rei. Nesse momento, ele tem mais influência política que o próprio Alfred. Ele é o último grande lorde dos tempos do Rei Ecbert. Nem o rei nem aqueles que se opõem a ele estão dispostos a ofendê-lo e fazê-lo se voltar contra eles.

— Eu entendo, — Ubbe conseguiu dizer, forçando seu toque a permanecer leve apesar da ira que os ferimentos de Aethelflaed fazia nascer dentro dele, a maneira como ela parecia impotente frente ao pai, a maneira como a nobreza se recusava a responsabilizá-lo.

Uma sombra de tristeza passou pelo rosto dela antes de sumir, encoberta por preocupação. — Não posso desmentir esses rumores pessoalmente. Não acreditariam em mim, e seria totalmente inapropriado que eu falasse sobre o que acontecesse na minha cama.

Ubbe revirou os olhos e xingou em sua língua materna, amaldiçoando o puritanismo cristão.

Aethelflaed o observava cuidadosamente, incerta. Quase temerosa. Como se esperasse que ele ficasse furioso com a reticência dela em relação aos rumores, como se temesse a raiva que já vira no rosto dele.

Ele não entendia o medo de Aethelflaed completamente, porém se forçou a relaxar, a deixar de lado sua irritação. Não era justo que trouxesse sua fúria para o quarto de sua esposa. Ele traçou os tendões aparentes da mão dela.

— Não te culpo pelos rumores, Aethelflaed. Te disse no nosso banquete de casamento: não me importo com o que a nobreza pensa de mim. Eles já pensam o pior. Deixe que o façam.

Aethelflaed analisou-o cuidadosamente, pensando em algo, procurando por algo no rosto dele. Ubbe deixou que ela o fizesse, retribuindo o olhar dela. Aethelflaed mordeu a parte interna da bochecha, uma afetação que ele não a vira repetir aos olhos do público.

— Nem todos estão tão contentes em simplesmente deixar que os rumores se espalhem, — ela murmurou, preocupada. Ele podia ver a rigidez nos ombros dela.

Ubbe ficou tenso. — O que aconteceu? — Pediu, inclinando-se para ela.

Aethelflaed pareceu tomar uma decisão.

— Nossa noite de núpcias e as ações do meu pai não estavam nos planos da rainha, — ela disse, o desprezo na voz dela quando mencionou Judith quase o fazendo sorrir. — A fofoca se tornou pior do que ela esperava. Judith espera que eu faça a minha parte dispersando os rumores, mostrando que está tudo bem. Tenho certeza que haverão consequências se eu falhar em comprir com a minha parte.

Havia algo mais ali, alguma outra coisa que a incomodava.

— E está tudo bem? — Ubbe perguntou mais uma vez. Não a conhecia o suficiente para saber ler perfeitamente os trejeitos de Aethelflaed, e ela certamente tinha muita experiência em esconder seus segredos e pensamentos. Aethelflaed não o procurara para conforto ainda, não pedira por sua proteção.

Ubbe não esperava que ela o fizesse tão cedo, porém queria que ela soubesse que poderia, que ele a protegeria se fosse necessário.

Mas Aethelflaed era inteligente demais para acreditar que houvesse algo que Ubbe poderia fazer contra a rainha, se fosse necessário. Essa era uma batalha dela.

Ela assentiu, o olhar distante. Ubbe deixou que ela pensasse em paz, que destrinchasse o jogo perigoso de meias palavras e cortesias no qual ele não poderia ajudá-la.

A atenção de Aethelflaed retornou para ele. — Aewynn e Mina vão ajudar nisso. Não existem rumores mais confiáveis do que os de uma dama de companhia. Contei a elas sobre você, e sei que elas gostaram de quem conheceram esta tarde, apesar do medo que tem de vikings. Logo os rumores sobre o meu marido se espalharam entre os criados da minha casa, e então para os criados do castelo. Amice vai se encarregar de desfazer as fofocas sobre meus machucados.

— E o que ela vai dizer?

Aethelflaed sorriu amargamente. — A verdade, ou próximo o suficiente disso. Que me recusei a ir até o altar e desrespeitei meu pai. A corte vai aceitar meu pânico, e vai aceitar que meu pai tenha me punido por desrespeito. E os servos confiarão mais na boca de outros servos do que dos rumores vindo diretamente dos nobres. São sempre os criados que sabem o que realmente acontece em uma casa.

— Pensei que as meninas estavam aqui para te manter companhia em dias chuvosos como esse, — Ubbe brincou, mexendo nas cartas.

Aethelflaed empurrou um coringa na direção dele. — Nada na corte é o que aparenta ser. — Ubbe puxou a carta, passando um dedo sobre o palhaço cuidadosamente pintado. — Você se arrepende? — Ela perguntou de modo tão súbito que Ubbe soube que o questionamento estava na mente dela há algum tempo. — De ter exigido que ficássemos sozinhos, eu digo. Te pouparia de muitas destas mentiras.

Ubbe grunhiu em irritação. — Não acho que teria aproveitado tanto a nossa noite de núpcias com nobres velhos e hipócritas como expectadores circundando a nossa cama como abutres. Você teria? — Perguntou, sincero. Talvez a resposta dela fosse afirmativa. Talvez a posição em que a corte e Judith a colocavam agora não valesse a privacidade e conforto que Ubbe pudera proporcionar a ela.

— Eu… — Aethelflaed engasgou, corando furiosamente. Ela olhou para a cama onde havia se entregado a ele, as sardas evidentes no nariz e bochechas agora. Ela se desvencilhou dele para alcançar o vinho, bebendo profundamente, os olhos fixos na mesa. — Não, eu não teria gostado tanto quanto gostei, — admitiu, rápido e sussurrado como um segredo, como se não fossem casados e estivessem sozinhos.

Um calor lento e lânguido se espalhou no peito de Ubbe, e ele sorriu, satisfeito apesar de sua surpresa com a reação dela, deixando que seus olhos vasculhassem sua bela esposa. A irritação dos dias anteriores, o desconforto da cavalgada longa e da chuva, tudo se tornou um murmúrio distante em sua mente.

Aethelflaed bebeu mais vinho, o movimento da garganta dela chamando sua atenção. Podia ver a pulsação acelerando sob a pele pálida. Os dedos finos e elegantes se mexiam nervosamente sobre a mesa, como se não soubesse se queriam tocá-lo ou se afastar.

Ubbe apreciara imensamente tê-la em sua cama, o corpo nu e afogueado sob o dele, os lábios vermelhos e inchados de seus beijos, os olhos azuis fervendo e enormes no rosto lindo, surpresos com o prazer que podia trazer a ela. As coxas de Aethelflaed ao redor se seu quadril, de sua cabeça, o corpo dela cedendo lentamente ao dele, molhado e disposto, movendo-se com ele enquanto buscavam prazer.

Ubbe endureceu dentro das calças, os botões e amarrações uma pressão subitamente desconfortável.

Aethelflaed fora vergonhosa e incerta sobre sexo inicialmente, claramente desconfortavel com nudez, porém a inexpreriência dela fora esquecida quando suplantada pelo desejo, a timidez vencida enquanto Ubbe convencia o corpo dela a se entregar a ele. Parecia que ela necessitaria de menos convencimento, agora.

Não, Ubbe não se arrependia de tê-la sozinho. Não trocaria isso por um pouco mais de paz com uma corte que encontraria outra razão para difamá-lo.

Ele se inclinou para frente, os olhos de Aethelflaed indo para sua boca antes de encontrarem os seus. — Você já sabe, então. Não me arrependo. Eles acham que machuquei você? Deixe que pensem isso. Ambos sabemos porque você estava gritando, Aethelflaed, e não era dor.

As pupilas dela dilataram, engolindo o azul, e a boca de Ubbe ficou seca quando Aethelflaed lambeu os lábios, a língua rosada o provocando além de seu controle e paciência.

Ubbe enfiou os dedos no cabelo ruivo, a outra mão arrastando a cadeira pesada mais para perto, e lentamente uniu os lábios deles, deixando que Aethelflaed decidisse se realmente queria aquilo. Ela abriu os lábios ao primeiro toque dos seus, a língua procurando a dele, quente e molhada. Aethelflaed o beijou intensamente, lento por apenas um momento antes de ficar impaciente com as mãos que permaneciam comportadamente no rosto dela.

Ubbe riu quando ela quebrou o beijo para se levantar da cadeira. Ele encostou as costas no encosto e a apoiou enquanto Aethelflaed subia as saias para montá-lo. O vestido que ela usava era mais pesado e cheio de camadas do que a peça fina e delicada que usara no casamento, e meias brancas cobriam as pernas dela, amarradas acima do joelho com seda vermelha. Ele correu as mãos por sobre o tecido até chegar a pele nua das coxas dela, agarrando, sorrindo contra a boca dela quando Aethelflaed ofegou no beijo.

Tão jovem. Aethelflaed ainda era tão jovem, fora protegida de tanto, especialmente disso. Como se desejo pudesse machucá-la mais do que a guerra. O irritava que os cristãos mantivessem suas mulheres tão ignorantes ao sexo, tão amedrontadas que tudo que sua esposa esperara dele na noite de núpcias era dor e sangue.

Ubbe deixou os lábios dela para atacar o pescoço esguio, os dentes raspando gentilmente na pele delicada. Aethelflaed gemeu. Era necessário tão pouco para fazê-la queimar, e ela soava tão surpresa, tão sobrecarregada que algo pudesse ser tão bom assim. Apenas o fazia a querer mais, querer incentivar os sons adoráveis que escapavam dos lábios dela, mostrar a ela exatamente quão prazeroso o que fora negado a ela podia ser.

Aethelflaed enfiou os dedos em seus ombros, pendendo a cabeça para dar mais acesso, pedindo silenciosamente por mais, já arfante. E Ubbe daria mais a ela, a deixaria mole de prazer como deixara na noite de seu casamento.

Aethelflaed investiu contra o colo dele, como se simplesmente não pudesse se controlar, como se precisasse de algum alívio para a pressão que Ubbe sabia crescer entre as pernas dela. Ubbe agarrou o quadril dela, puxando-a de encontro a ele, deixando que ela tivesse a fricção que procurava. Ele gemeu junto a ela quando Aethelflaed se arrastou tortuosamente sobre sua ereção.

Ele deixou que Aethelflaed continuasse, descendo beijos por seu colo enquanto ela se movia sobre ele. Ubbe agarrou o traseiro dela, grunhindo ao achar pele nua e quente.

Ele puxou o decote do vestido, tentando expor a curva sedutora dos seios dela, mas o tecido se manteve firme, grosso e apertado contra o frio que viera. Ele grunhiu em irritação. Aethelflaed riu, ofegante, os olhos brilhando.

— Realmente tem que aprender como os meus vestidos funcionam, — ela disse, cor descendo por seu pescoço e colo.

Aethelflaed parecia algo saído de uma lenda, os olhos azuis fervendo no rosto afogueado, os lábios vermelhos inchando, o cabelo ruivo uma bagunça ao redor do rosto, a umidade do dia fazendo as cachos mais evidentes, os seios arfantes no confinamento do vestido.

E Ubbe era apenas um homem, tão suscetível à beleza quanto qualquer outro. Ele agarrou os seios dela por sobre o tecido. Aethelflaed mordeu o lábio inferior para abafar um gemido.

— Ou eu poderia levantar suas saias e te tomar sobre a mesa, arruinar todas essas cartas que vocês usam para jogar. — Ubbe disse, a voz grossa com desejo. Aethelflaed fechou os olhos e pendeu a cabeça para trás, choramingando quando ele passou um braço pela cintura dela, trazendo-a de encontro ao seu colo com mais força. — Mas acho que prefiro vê-la nua de novo. Minha opinião continua a mesma: você é linda.

Ubbe sorriu quando Aethelflaed estremeceu, sorrindo timidamente com o elogio, como se não estivesse praticamente cavalgando-o. Ela se levantou a contragosto do colo dele, virando-se de costas, dedos ágeis trabalhando com ele para abrir o vestido pesado.

Ubbe beijava todas as partes que eram expostas a ele: o alto da coluna, o ombro, a escápula afiada. Ele arrastou os lábios pelas sardas desbotadas pela falta de sol que se espalhavam pelo alto das costas dela, sorrindo quando sua respiração a fez se arrepiar.

Seu coração batia disparado dentro do peito, a pulsação sentida em todo corpo. A única outra coisa que podia fazer isso com ele era a batalha. E Ubbe preferiria isso muito mais, a emoção de despir uma bela mulher. Se os corredores deste castelo não estivessem rastejando com cobras, se não houvesse outra a quem Ubbe prometera seu coração, que o seguira até Wessex, ele gostaria de nada além de passar seus dias assim, suas mãos na pele macia e impecável, escutando os sons adoráveis e ofegantes que sua esposa fazia.

Ubbe baniu esses pensamentos. Culpa podia vir depois. Preocupações podiam vir depois.

Ele fora ensinado a aproveitar os prazeres da vida, e o faria. Abster era a sina de um cristão. Ubbe fora colocado nesta terra para conquistar e devorar. E ele devoraria Aethelflaed, mesmo que gentilmente.

Juntos, finalmente conseguiram tirar as saias pesadas e o corpete do vestido, deixando-a de chemise e meias. Isso, também, Ubbe podia apreciar, a visão do tecido branco e fino, quase nada escondido dele.

Ele encarou, faminto, devorando as formas esguias sob a peça de roupa.

Aethelflaed se virou para ele, e Ubbe podia ver a timidez no rosto dela, mesmo que já a tivesse visto nua antes. Levaria tempo até que ela se acostumasse, pensou, até que seu toque pudesse desfazer os anos de modéstia que foram forçados a ela.

Aethelflaed trocou o peso de uma perna para a outra, parecendo incerta por um segundo, mesmo que os olhos dela o percorressem descaradamente.

Ubbe riu, baixo, e a agarrou pelo traseiro, trazendo seus corpos juntos. Ele a beijou novamente. — Estava apenas apreciando a vista.

Aethelflaed sorriu, então, balançando a cabeça como se ele falasse algum absurdo. Ela puxou a camisa dele, um sinal claro do que queria.

Ubbe piscou para ela antes de tirar a camisa e as botas. Aethelflaed estava nele antes que pudesse alcançar as calças.

Ela ficou na ponta dos pés e o puxou pela nuca, a boca devorando a dele, o beijo profundo e intenso. A boca dela tinha gosto de vinho, a pulsação acelerada batendo na mão que Ubbe envolvia no pescoço dela, o corpo macio se moldando aos seus músculos.

Ubbe dobrou os joelhos e a agarrou pelas coxas, puxando-a para cima. Aethelflaed o envolveu com braços e pernas enquanto ele navegava cegamente pelo quarto, anos de treinamento como guerreiro mapeando seus arredores servindo para levá-los seguramente até a cama. Ubbe se sentou com as costas contra a cabeceira, sua esposa um peso quente e delicioso em seu colo.

Aethelflaed o puxou gentilmente pelo cabelo, a boca esperta indo para seu pescoço, testando e descobrindo o que fazia sua respiração falhar, o que fazia o aperto que mantinha na cintura dela ser mais forte, o que fazia seus quadris empurrarem contra o calor do centro dela involuntariamente. Ubbe gemeu quando ela afundou os dentes cuidadosamente na junção do ombro com o pescoço e sentiu o sorriso de Aethelflaed contra sua pele.

Sua esposa parecia gostar de estar sempre em vantagem.

Ubbe a deixou explorar, deixou dedos ágeis se moldarem aos músculos de seu peitoral, traçarem cicatrizes ganhas em batalha, unhas arranhando gentilmente, olhos atentos no rosto dele catalogando reações. Estava satisfeito em ir devagar, deixar que Aethelflaed o descobrisse e se descobrisse juntamente a ele.

Ele agarrou o tecido da chemise, o puxando para cima, embolando-o no quadril de Aethelflaed. Por baixo, apenas pele nua. Ubbe correu os dedos pelo sexo da esposa, sentindo a lubrificação se espalhar em seus dedos. A respiração de Aethelflaed parou e ela tombou a cabeça no ombro dele, dedos afundando com força em seus braços.

A respiração dela vinha quente e rápida.

Ubbe pressionou o feixe de nervos entre as coxas dela com o polegar, fazendo círculos lentos, satisfeito quando ela gemeu, se agarrando a ele.

— Não está dolorida da última vez, está? — perguntou, apenas para ter certeza. Ubbe fora cuidadoso, se certificara de que ela estaria tão pronta quanto pudesse, mas ainda assim…

Aethelflaed balançou a cabeça veementemente, o cheiro de flores se desprendendo do cabelo dela. — Não, eu estou bem, — veio a réplica arfante. — Manteve a sua promessa, Ubbe, foi gentil. Você não me machucou.

As feições dele suavizaram. Sua outra mão acariciou as costas dela. — É claro que não machuquei. E nem vou fazê-lo.

— Eu sei, — Aethelflaed disse, confiante. Ela se endireitou sobre ele, hesitando por um momento antes de puxar a chemise por cima da cabeça. A boca de Ubbe secou com a visão dos seios dela, eriçados no ar frio.

Aethelflaed mexeu os braços rigidamente por um momento, o movimento abortado denunciando a vergonha que ainda sentia por estar nua, como se fosse se cobrir da vista dele.

Ubbe simplesmente não podia admitir isso.

Ele a beijou novamente, sua mão ainda entre as pernas dela, e esperou que Aethelflaed derretesse contra ele para adentrá-la com um dedo. Ele sibilou juntamente com ela com o aperto molhado e quente, as paredes se contraindo ao redor de seu dígito.

Ubbe não teve que esperar muito para que Aethelflaed começasse a se mover na mão dele, os movimentos hesitantes e incertos. Ele observou o rosto dela enquanto deslizava outro dedo dentro dela e pressionava a palma de sua mão no feixe de nervos sensível dela. Os olhos dela reviraram, os lábios se abrindo em volta de um gemido silencioso que foi forçado para fora quando curvou os dedos e pressionou contra as paredes sensíveis, procurando pelos pontos sensíveis que encontrara na outra noite.

Aethelflaed agarrou a nuca dele, os movimentos de seu quadril na mão dele se tornando mais assertivos, mais confiantes. Ubbe se inclinou para beijar os seios dela a frente de seu rosto, envolvendo os lábios ao redor dos mamilos sensíveis.

Aethelflaed fincou as unhas nos ombros dele e Ubbe gemeu com a dor prazerosa. Ele envolveu a cintura dela com um braço, apoiando-a enquanto sua esposa se mexia sobre ele, procurando pelo ápice. Podia senti-la se apertando ao redor de seus dedos, os movimentos mais desesperados, perdendo o ritmo.

Ubbe ergueu o rosto para observar as expressões dela, as sobrancelhas subindo, a boca vermelha arfante, aberta em um O perfeito que fazia todo tipo de ideia suja surgir em sua mente.

— Olhe só para você, — ele murmurou. Aethelflaed era linda em seu prazer. Não a lady perfeita da corte de Wessex, não a esposa dedicada, não uma menina assustada. Uma mulher se entregando a ele, porque queria, porque podia, porque Ubbe podia fazer o corpo dela cantar.

Um campo em que eram iguais, em que não haviam regras que eram diferentes em suas culturas, em que Aethelflaed não estava analisando cuidadosamente cada pedaço de verdade que mostraria a ele.

Ubbe arrastou a língua pelo pescoço dela, a pele eriçando com arrepios, e foi o suficiente para que Aethelflaed estremecesse em seu ápice, os gemidos dela ecoando pelo quarto. Ele pressionou a mão com mais força contra ela, deixando que Aethelflaed o usasse até o final, seu membro pulsando dolorosamente dentro das calças.

Ubbe respirou fundo. Poderia ser paciente. Tinha que se lembrar qual dos dois era jovem e inexperiente.

Aethelflaed ainda se contraía ao redor dos dedos dele quando os deslizou para fora dela, rindo com o som de protesto que deixou a boca dela. Ela saiu de cima dele quando Ubbe se atrapalhou com o cadarço da calça, xingando em frustração, suas mãos tremendo levemente. Aethelflaed sorria preguiçosamente para ele de onde desabara na cama.

— Suas pernas estão cansadas? — Ubbe perguntou, sua voz arrancada de seu peito.

— Não, — Aethelflaed respondeu, rouca, mesmo enquanto negava com a cabeça.

Ubbe finalmente venceu a batalha com sua última peça de roupa, empurrando-a agressivamente. Os olhos de Aethelflaed desceram seu corpo imediatamente. Ele fechou a mão em volta de seu sexo, deslizando lentamente, sibilando com o prazer e o alívio. Ubbe escutou o inalar afiado de sua esposa. Ele sorriu maliciosamente, os olhos escuros de desejo.

— Que bom, porque quero que me monte como fez com minha mão, — ele rosnou.

Sempre gostara daquilo, de ter suas mulheres por cima, de observar enquanto o usavam para o próprio prazer, o corpo ondulando lindamente acima dele. Ensinaria a Aethelflaed como fazê-lo, como cavalgá-lo, como…

Ubbe gemeu quando a mão dela se fechou ao redor de seu membro, movendo-se como a ensinara. Ele afastou a própria mão, olhando com olhos arregalados enquanto Aethelflaed subia no colo dele novamente, nervosa e determinada, e o posicionou na entrada dela.

Ela o encarou com olhos cerrados, hesitando. Ubbe sorriu, tentando parecer reconfortante, mas soube que deveria parecer um predador quando Aethelflaed estremeceu. Ele respirou profundamente, procurando por calma, por autocontrole.

— Tome seu tempo. Nada do que fizer vai ser ruim para mim, — Ubbe assegurou.

Aethelflaed não parecia convencida, porém não discutiu enquanto apoiava o peso sobre os joelhos e descia lentamente sobre ele. Ubbe gemeu, os olhos revirando, agarrando as coxas dela com força, usando todo seu controle para não plantar os pés na cama e investir contra ela.

Ele rilhou os dentes, enfiou a cabeça no travesseiro e se segurou enquanto Aethelflaed descia lentamente. Era bom demais, apertado demais, e terminaria rápido demais se ele não encontrasse algum autocontrole.

Foi o grunhido de desconforto de Aethelflaed que finalmente o tirou das garras devastadoras do prazer. Ubbe se forçou a abrir os olhos.

Sua esposa tinha o cenho franzido, os olhos fechados com força, o lábios inferior preso entre os dentes, respirando profundamente.

Ubbe tocou o lábio inferior dela com o polegar, soltando-o dos dentes dela antes que Aethelflaed se machucasse. Ela deu um sorriso dolorido para ele.

— É diferente assim, — Aethelflaed disse, a voz tensa, os músculos das pernas tremendo enquanto se segurava acima dele, metade de seu membro dentro dela.

Ubbe se amaldiçoou silenciosamente. Ele ergueu o torso da cama, músculos do abdômen tensionando, e a envolveu nos braços, apoiando o peso dela. — Eu sei, é mais profundo. Me desculpe, deveria ter esperado mais. Venha aqui, vou deitar você na cama.

Aethelflaed resistiu quando Ubbe tentou virá-los cuidadosamente. — Não, quero saber como é assim também.

— Aethelflaed… — Ubbe começou, incerto.

Sua esposa revirou os olhos para ele. — Deixe-me fazer isso. Estou bem, só preciso de um momento.

Ela lançou um sorriso nervoso para ele, porém as palmas macias das mãos dela pressionaram seu peito até que Ubbe deitasse na cama. Aethelflaed respirou profundamente, relaxando ao redor dele lentamente, erguendo o peso sobre os joelhos e descendo e subindo devagar, cada vez mais profundo, o rosto contorcido de dor e prazer.

Ubbe se manteve parado, suas mãos explorando, acariciando as coxas macias, apertando o traseiro arredondado, os calos estimulando os mamilos sensíveis quando agarrava os seios dela. Deixou que uma de suas mãos voltasse para o feixe de nervos sensível no topo da intimidade dela, estimulando lentamente até que Aethelflaed finalmente repousou o peso sobre as coxas dele.

Ubbe a puxou para que se deitasse contra o peito dele, beijando-a até que Aethelflaed se acostumasse a tê-lo dentro dela novamente, acariciando as costas dela.

Aethelflaed começou a mover o quadril em círculos lentos.

— Não gosta que te neguem o que quer, não é? — Ubbe perguntou, provocando. Aethelflaed puxou o lábio inferior dele com os dentes em resposta.

— Não gosto de não saber sobre algo importante, — ela retrucou.

Ubbe ergueu uma sobrancelha. — E saber como me montar é importante?

Aethelflaed escolheu aquele momento para se apertar em volta dele enquanto se sentava no quadril dele novamente. Ubbe sibilou com o prazer.

Ela sorriu maliciosamente. — Parece importante para você.

Não houve mais conversa, depois disso. Aethelflaed começou a se mover de verdade, o peso apoiado nos joelhos, as mãos no peitoral dele enquanto ondulava o quadril. Ubbe assistia fascinado o rosto dela enquanto sua esposa descobria o que a fazia se sentir melhor, qual força usar, qual ângulo, os sons que eram arrancados dos lábios dela enchendo o quarto.

Ubbe se perguntou, por um momento, se os criados que passavam em frente a porta poderiam ouvi-la. Ele duvidava, com as portas grossas de madeira e as paredes de pedra, mas ainda assim era um cenário intrigante.

Ubbe plantou os pés na cama e Aethelflaed se inclinou para trás, usando as pernas dele como apoio, e o que quer que a mudança de posição tivesse feito para ela fez o rosto dela se contorcer de prazer, a respiração travada na garganta. Ubbe sorriu como uma criança que acabara de ganhar uma montanha de doces. Ele a agarrou pela cintura, mantendo-a no lugar.

— É? — ele murmurou, e não precisou explicar a que se referia antes de Aethelflaed assentir freneticamente, jogando o corpo de encontro ao dele exatamente da mesma forma que antes, um choramingo profundo arrancado da garganta dela. — Tudo bem, então.

Ubbe investiu contra ela, suas mãos na cintura de Aethelflaed a trazendo de encontro a ele com força, os sons do impacto entre seus corpos e dos gemidos dos dois preenchendo o quarto.

Não durou por muito mais tempo depois disso, não com Aethelflaed, linda e sem reservas, corada e correspondendo a cada uma de suas investidas, as unhas fincadas no peito dele, os seios balançando, aquela boca perfeita deixando escapar sons obscenos. Ubbe se perdeu nela, o ápice uma pressão cada vez maior em seu corpo, uma onda que ele tentava adiar apenas por mais um momento, mais um momento em que poderia tê-la daquela maneira, sem a corte, sem as responsabilidades dos dois, sem o povo deles um peso sobre seus ombros.

Aethelflaed cedeu primeiro, os músculos internos dela em espasmos ao redor de seu membro. Ubbe continuou a fodendo por seu ápice, até que ela colapsou contra o peito dele, mole e ofegante, e ele estocou por mais algumas vezes antes de fincar os dentes no ombro esguio e se derramar dentro dela.

Eles permaneceram assim por alguns momentos, o único som a respiração pesada deles no quarto. O vento gelado entrou por uma das janelas abertas e Aethelflaed estremeceu. Ubbe a apertou com mais força contra si.

Uma risada melódica saiu dos lábios dela. — É, eu diria que foi importante aprender sobre isso.

Ubbe riu com ela, balançando a cabeça em incredulidade. — Fico feliz em poder ajudar, — replicou.

Aethelflaed saiu de cima dele devagar e desabou ao seu lado na cama, puxando as cobertas para cima. Ubbe se levantou da cama, andando ao redor do quarto ainda nu e sem o menor constrangimento. Ele fechou as janelas e acendeu as velas antes de se mover para a lareira, começando o fogo.

Atrás dele, Aethelflaed bocejou.

— Está cansada? — Ubbe provocou. Ela revirou os olhos.

— E de quem seria a culpa por isso? — Foi a resposta dela. Ubbe não se deu ao trabalho de apontar que estava perfeitamente comportado até que ela olhasse para a cama e corasse deliciosamente. — Tenho algumas horas antes de comparecer ao jantar desta noite. Judith com certeza vai querer que eu desfile entre os nobres, — continuou. Aethelflaed afastou o cabelo suado do rosto, encarando-o pensativamente. — Você poderia comparecer também. E ficar mais do que alguns minutos. Vai ajudar com os rumores se a corte nos vir juntos e civilizados um com o outro.

Ubbe não tinha desejo algum de comparecer a mais um dos jantares da corte sentado em um lugar de honra, os olhos da nobreza atentos a cada respirar seu, mas se a rainha estava pressionando Aethelflaed para dar fim as fofocas que as ações dele e de Dustan iniciaram…

— Tudo bem. — Ubbe disse.

O casamento era, no final das contas, sobre encontrar um meio-termo.