Notas iniciais
Tô parecendo uma máquina de escrever :c okok
Espero que gostem!

- Querida. -Apolo cumprimentou. Fez um sinal com a mão e uma cadeira apareceu na sua frente. — Sente-se.

Sentei-me. Senti seus olhos me investigando o que me fez sentar mais ereta.

- Ah, é tão triste quando nossos filhos crescem. -ele suspirou.


— Por acaso você já me vira antes? -perguntei tentando ser menos fria o possível.


— Querida, eu sou um deus bem paterno. Eu estava lá no seu aniversário de cinco anos quando sua mãe te deu um relógio. Também estive lá quando você e Suzan brigaram na praia e você quase a matou... E só para enfatizar, acabei de ver seu beijo com o jovem Nick.

Corei. Era meio estranho saber que uma pessoa me espionou a vida toda.

- Bom isso é o de menos. Tenho várias perguntas. -me ajeitei majestosamente na cadeira- A primeira de todas, por que estou aqui?


— Como já dizia os Kansas, estou cuidando da minha filha E preciso da sua ajuda.


— Minha ajuda? -falei debochada.


— Bom como você já deveria saber — sua voz assumiu um tom de irritação — muitos semideuses enfeitiçados foram para o lado dos titãs e agora que o encantamento acabou eles querem voltar ao Acampamento.


-... Mas não podem porque estão presos. -conclui- Mas porque eu?


— Ah, pela sua capacidade de aprender as coisas rapidamente, de se adaptar a lugares com mais facilidade...


— E o que exatamente eu vou fazer? Simplesmente pegar os semideuses e sair tipo "ah, tchau ai amigos Titãs, seu exercito está indo embora”?


— Não, não pense que será fácil. Não sabemos onde eles estão alojados e será extremamente perigoso. Por isso quero saber sua resposta. Você aceita ir ou não?

Pensei em Nick, Cassie, Lee, Quíron e mais muitas outras pessoas que ficariam preocupadas. Lembrei da promessa que fiz a mim mesma – manter Nick a salvo.

- Aceito. –ele sorriu- Com uma condição.

-Diga.

-Que Nick ficará a salvo.

- Ninguém em sã consciência larga o Acampamento Meio-Sangue para se arriscar em uma missão que não é sua. –assenti.

No fim das contas, o que ele dissera é a mais pura verdade. Nick está aqui há muito tempo, talvez fique um pouco abalado pela minha ida mas nunca largaria tudo isso. E além do mais, ele está seguro aqui comigo ou sem mim.

- Poderei ver minha mãe? –perguntei.

- Espero que sim, está sendo difícil pra ela ficar sem você. –ele respondeu e em um piscar de olhos estava na minha frente beijando minha testa- Pense em todos aqueles semideuses desamparados, eles precisam de você. Seja forte. Você terá que sair amanhã de manhã; um mapa te esperará no pear.

- Sempre fui. –respondi e ele saiu no seu super carro brilhante e caloroso. Voltei ao chalé e caí exausta na cama.

Acordei quando todos já tinham saído. Senti-me aliviada. Entrei no pequeno banheiro do próprio chalé. Despi-me e entrei debaixo do chuveiro. Não pude evitar de lembrar do maravilhoso beijo de ontem. Nick e seus olhos sorridentes e lábios carnudos. Pele pouco morena e corpo musculoso. POR QUE DIABOS ESTOU PENSANDO TANTO NESSE GAROTO? Tapei meu rosto e contei até dez. irei ficar dias longe dele, não será fácil – uma voz dentro da minha cabeça murmurou “dane-se, você já está pensando além da conta nele” e outra disse empolgada “SERÁ QUE ESTOU APAIXONADA?”

Saí do chuveiro e vesti uma roupa do dia-a-dia, ou seja, camiseta do Acampamento, calça jeans (dessa vez mais limpa), tênis confortável e fiz uma trança firme de lado. Fiz minhas necessidades, escovei os dentes e enchi minha mochila de coisas que eu precisaria. Incluindo calcinhas extras, roupas, mapas variados, livros (nunca se sabe quando o tédio te dominará) comida, latas de refrigerantes e quando fui dar falta de dinheiro Quíron entrou galopando cabisbaixo e parou ao meu lado.

- Bom dia. –ele disse após um suspiro.

- Bom dia — respondi tentando parecer animada.

- Apolo entrou em contato comigo. Estou realmente agradecido por você ter resolvido fazer isso pelos outros, mas Serena, você sabe que não será fácil sabe?

- Sei.

– E sabe que ainda há tempo para desistir?

- Também sei.

Ele suspirou.

- Espero que dê tudo certo. –seus olhos demonstravam que estava cansado- Aqui estão algumas dracmas e muito dinheiro mortal. –ele me entregou uma pequena bolsa- Se algo der errado mande mensagem de Íris. Ah, eu já ia me esquecendo. Aqui está o mapa do lugar onde os semideuses estão. As coisas dificultaram um pouco a cada dia porque eles estão sempre mudando os lugares. Boa sorte querida.

- Muito obrigada. Vai dar tudo certo. –falei enquanto enfiava a bolsa na mochila. Quíron me abraçou e saiu.

Peguei um papel e uma caneta que estavam no bidê de Jessi e comecei a escrever um bilhete para Nick. Depois de vários bolinhos de papel do lixo terminei um descente e deixei em cima de meu travesseiro. Era um jeito estranho de se despedir de alguém tão importante, mas se ele me visse indo embora provavelmente faria um escândalo. Fiz outro e deixei na cama de Lee. Peguei a mochila e saí pelos fundos, determinada a fazer este plano dar certo.

***

Andar sozinha e com dinheiro em Nova York era meu sonho. Mas bom, meu sonho não contava com o fato de ter que ficar se escondendo de monstros ou andar toda hora com um arco ou adaga em mãos. Desde que desci do carro tudo o que faço é me esconder ou matá-los. Até agora já matei duas górgonas que estavam disfarçadas de atendentes de cafeteria. Ainda saí brava por ter derrubado o café.

Aprenda uma coisa: sua vida fica muito mais difícil quando o mapa do local aonde você quer chegar é completamente louco e muda a rota a cada trinta minutos.

Caminhei até um beco escuro e incrivelmente limpo e me sentei num canto. Enfiei o rosto no mapa esperando que a luz do ponto de chegada brilhasse mais forte. E brilhou. Agora estava em algo perto do East Village, mesmo bairro em que minha mãe mora. Peguei o primeiro taxi que vi.

- Tompkings no East Village, por favor.

Ele acelerou e em um piscar de olhos, lá eu estava, ao caminho da morte. Fui até o meio do parque como mandava o mapa e depois o olhei de novo. Corri pelas calçadas parecendo uma gazela até chegar a uma fábrica abandonada. Passei rápido por debaixo das letras que ameaçavam cair a qualquer momento e depois tentei lê-las “MATRIX” era o que dizia, bom, pelo menos foi isso que consegui ler.

Adentrei o lugar com as unhas gravadas no pulso onde se encontrava minha pulseira-arco. Era escuro e havia cheiro de algo familiar... Sangue e destruição, bem provável. Alcancei uma lanterna na mochila e comecei a espionar o local. Talvez isso fosse como um “OLÁ MONSTROS AMIGOS! PODEM ME DEVORAR LENTAMENTE E DEPOIS DRENAR E CONGELAR MEU SANGUE”, mas ninguém, ou melhor, nada apareceu. Subi as escadas e continuei andando, dessa vez de costas. Estremeci e manuseei o arco e me virei. Uma garota com médios cabelos ruivos e olhos castanhos intensos me olhava com espanto.

– Ah, MERDA! Pensei que tivessem monstros aqui. –ela disse irritada. – Quem é você?

Que tipo de ser fica triste por não encontrar monstros? –pensei.

– Quem é VOCÊ? – perguntei.

– Juliette, caçadora de Ártemis. Sua vez.

– Serena, filha de Apolo.

– O que uma semideusa faz por aqui?

– Uma missão. Na verdade, eu estava procurando pelos semideuses raptados pelos Titãs. –falei.

– E eu procurando por pistas de por onde eles começaram.

– Ah certo, eu já estava te achando retardada por procurar os monstros dos Titãs sozinha. Aliás, por que está sozinha?

– Há caçadoras espalhadas por todo o país procurando pelo mesmo que eu. União não é ordem em um momento como este.

– Engraçado não? Eu procurando por semideuses que estão junto com os monstros que você procura. –observei e os olhos de Juliette brilharam por um instante.

– Talvez nós pudéssemos ajudar uma a outra até tudo se acertar. –ela propôs

– Seria ótimo. Aliás, se você pudesse me ajudar agora. Acho que escutei alguém nos chamando.

Juliette e eu seguimos pelos corredores e ás vezes ela murmurava algo do tipo de “isso parece uma casa e não uma fabrica”, mas continuávamos em silêncio para saber de onde vinham os ruídos. Paramos em uma sala antiquada – sala do chefe, talvez. Ouvimos alguns gemidos e sussurros vindos dessa vez de um armário. Sem pensar duas vezes o abrimos. Eu gostaria de dizer que um monstro saiu de lá e nós o matamos em um piscar de olhos, mas o que vimos foi uma garota tremendo e fraca.

– Monstros... Monstros. –ela sussurrava.

– Não somos monstros, viemos para te ajudar. – Juliette disse.

Pegamos a garota e a colocamos em uma mesa baixa. Seus ferimentos eram evidentes. Sua boca sangrava e sua pele estava branca. Mas seus olhos estavam mesclados entre vermelho e marrom.

– Eu cuido dela e você cuida dos monstros. –falei.

– Você sabe cuidar disso? –ela perguntou apontando para os ferimentos horríveis nos braços da garota. Ela parecia a ponto de vomitar nos próprios calçados.

– Sou filha de Apolo. –repeti.

Ela murmurou mais algumas coisas e saiu.

No meu manual imaginário a primeira coisa para se fazer quando encontrar um semideus era perguntar seu nome e qual era o parente olimpiano. Mas a garota estava sem sentidos. Então deixei que ela comesse alguns pedaços de ambrosia e tomasse néctar. Assim que terminei os curativos nas feridas a cor de sua pele voltou e os olhos ficaram vermelhos. Ela sorriu com gratidão.

– Muito obrigada. –ela falou- Sou Helena, filha de Ares. Consegui fugir dos monstros, mas a maioria foi.

– A maioria? Alguém ficou com você?

– Sim, mas eles não agüentaram. Os corpos estão lá fora. –ela disse com tristeza. – Não consegui salva-los.

– Tudo bem. –sorri- Eu sou Serena, filha de Apolo. Aquela lá fora é Juliette, caçadora de Ártemis. Estou procurando pelos semideuses rapatados.

Helena levantou. Agora ela estava diferente, forte, confiante e bonita.

– Enquanto fiquei presa escutei muitas conversas entre os monstros, e acho que sei os próximos locais onde estarão. Aceita minha ajuda?

– Peço sua ajuda. Você tem arma?

Ela fechou os olhos e murmurou algumas coisas e uma espada de cabo vermelho-sangue apareceu em suas mãos.

– Ares é um bom pai. –ela sorriu.

– Temos companhia. –Juliette disse, aparecendo na porta.


Notas finais
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