Halloween Love
23 Parceiros predestinados
Notas iniciais
A lua já se encontrava alta, além das copas das árvores e iluminando as montanhas dando um aspecto mágico a paisagem. Contudo, Arthur não se importava com aquilo, muito menos com os vagalumes que começavam sair de seus esconderijos e com seus abdomens cintilantes enxiam de faíscas a floresta. O vampiro estava sentando no alto sob uma velha árvore cujo tronco apodrecido lhe servia de perfeito assento. A árvore se encontrava no alto de uma pequena colina de modo que o garoto tinha uma visão privilegiada do seu entorno. Arthur abraçava os próprios joelhos, tentava, em vão, segurar o choro, mas as lágrimas rebeldes insistiam e rolar por seu rosto alvo. Seus sentimentos estavam confusos, não sabia se deveria sentir raiva, embaraço ou pesar. Também se sentia traído... Sua família tinha guardado aquele segredo sobre o que ele era de verdade. O escondendo e protegendo, privando da liberdade e da verdade. Se capaz de engravidar...O que aquilo tinha de tão especial? Na verdade não via nenhuma vantagem e sim desvantagens.
– Eu queria herdar muitas coisas de minha mãe, mas não isso...- Resmungou abraçando ainda mais forte as pernas.
–Artie? – A voz de Alfred o fez sobressaltar, rapidamente limpou o rosto úmido com as costas das mãos, já tinha sido humilhado suficiente hoje, não queria parecer ainda mais fraco e inseguro.
–O que está fazendo aqui? –Inqueriu rispidamente. O jovem lobisomem emergiu por trás de umas árvores. Trazia consigo uma tigela de madeira, o que deveria ser o jantar.
–Você não apareceu para o jantar, então...
–Não estou com fome. –Resmungou.
–Já faz horas que você está aqui. Não pode ficar tanto tempo assim sem comer!
Arthur não respondeu, sabia que estava sendo infantil, todavia não sabia como expressar a sua raiva e angustia de outra forma. Não poderia fugir tendo em vista que um caçador estava pelas redondezas (quem sabe tem outros mais!), lhe restava agir como um garoto mimado.
– Sei que está chateado...
–Eu não estou só chateado! Eu estou... –Nem sabia como definir –Me sinto... Errado...Digo...O que eu sou? Sou um monstro!
–Não fale isso! –A mão quente e forte de Alfred agora segurava as suas mãos trêmulas. O lobisomem tinha abandonado as tigelas de comida e subira na árvore. Seus olhos azuis pareciam irradiar uma mescla de ternura com irritação, uma mistura paradoxal de sentimentos –Você não é um monstro! Continua sendo o mesmo Arthur de antes... Para mim não mudou nada.
–Como não mudou? Agora sou uma espécie de fêmea...
–Você não é fêmea...Já comprovamos isso no banho que tivemos juntos.
Arthur corou levemente ao se lembrar daquele evento. Pode ver um sorriso provocador nos lábios do lobisomem.
– Você sabe o que estou me referindo. O fato de eu poder engravidar e... Foi por causa disso que fui escolhido para esse casamento! Lógico que você deve estar feliz...- Disse cheio de sarcasmo e fúria – Irei lhe dar lobinhos... Um perfeito esposo! Um alfa tem que ter herdeiros, logo não irie prejudicar seu futuro como chefe da alcateia e muito menos o seu legado!
Um rosnado fez o vampiro engolir em seco, talvez tivesse falado demais.
– Eu não me importo! Não me importava antes e muito menos agora! Eu me apaixonei por você, com ou sem essa habilidade! Se ficar com você significasse perder meu direito a ser o líder da alcateia, que assim fosse! Lobos só tem um parceiro, único e somente! Encontrar aquele que lhe está destinado é algo que não pode ser descartado ou ignorado em favor de títulos!
O coração de Arthur começou a bater rápido, algo incomum para os vampiros. Aquelas palavras o atingiram profundamente. Mesmo assim, ainda se sentia inseguro... Será que deveria confiar?
–M-mas... V-você só me conhece a poucos dias...Como pode ter tanta certeza? E se depois você descobrir que eu não sou esse tal parceiro predestinado!?
Alfred negou com a cabeça, levantou sua mão para acariciar a bochecha agora corada do vampiro.
–Não tem como me enganar, meu instinto, como lobo, diz que você é meu parceiro. E meu lado humano concorda totalmente, pois não é só atração física...Gosto do seu jeito de ser.
Arthur negou com a cabeça.
–Que jeito de ser? Chorão e frágil?
–Você é corajoso, teimoso as vezes, inteligente e ranzinza... E frágil? Não...Você pode ser tudo, menos frágil.
–Eu posso engravidar... Isso me fez ser algo meio que feminino e...
–Minha mãe lutou contra os vampiros, ela era uma guerreira. O fato de ela ser mulher não a fez ser considerada fraca, tão pouco você será fraco por ter essa habilidade de engravidar... O que te faz ser forte ou fraco é o modo como você se vê a si mesmo! Isso está além do gênero e das habilidades estranhas que tenhamos.
–Oh! Céus...-Arthur começou a rir deixando Alfred totalmente confuso.
–O que foi?
–Você realmente pode ser inteligente quando se esforça. –Tocou a testa do outro –Cuidado para não fritar o cérebro.
O lobisomem não parecia irritado com o comentário, pelo contrário. Sorriu e roubou um leve beijo dos lábios avermelhados de Arthur.
–Desculpe...-Alfred começou a se afastar, tinha feito algo impulsivo, não desejava forçar seus sentimentos, tinha prometido a si mesmo que iria esperar pacientemente por Arthur. Todavia, não pode se distanciar muito pois o vampiro o puxou para si pela a gola da camisa esfarrapada que usava. Seus lábios colidiram novamente, agora já não era mais um selinho, era um beijo de verdade, com direito a lábios se tocando e línguas. Ambos, ávidos para sentir o gosto de um e de outro. O lobisomem não iria deixar essa oportunidade escapar, sua mão desceu pelo o pescoço fino do seu amante, acariciando a nuca e ao mesmo tempo fazendo com que Arthur alterasse o ângulo de modo que pudesse aprofundar, ainda mais, o beijo. E foi isso que ocorreu. Ambos se perderam em meio a sensações, o medo, raiva e insegurança foram esquecidos, pelo menos por enquanto.
Talvez o casamento não fosse tão ruim assim...
Talvez devesse dar uma chance... Não só a cerimônia, mas a esse romance também.
Arthur aspirava por confiar em alguém, já que pareciam tê-lo traído. Queria ter um alicerce, algo estável em sua vida agora totalmente confusa.
Queria confiar em Alfred.
Continua sendo o mesmo Arthur de antes... Para mim não mudou nada
Sim, era o mesmo Arthur, com ou sem a Bloody rose, ainda era o mesmo.
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–Parece que não sou mais necessário... – Sussurrou Gregor que observava o seu filho de uma distância segura, estava horas pensando em uma forma de se aproximar de Arthur, em como explicar ao seu filho o porquê de ter guardado aquele segredo. Queria falar tantas coisas, mas, infelizmente, não conseguiu formular uma frase sequer, nem tivera coragem de aproximar e enfrentar a raiva e possível ódio que seu querido filho agora deveria ter em relação ao chefe dos vampiros.
–Não fales coisas horríveis de si mesmo, nós, pais, sempre seremos necessários.
A voz de Maximiliano fez o vampiro quase tropeçar nos próprios pés, não tinha pressentindo a presença do lobisomem, um total deslize de sua parte, pois seus sentidos estavam totalmente concentrados no jovem casal a alguns metros a sua frente. Esquecera totalmente de também manter a guarda para outros possíveis perigos que porventura pudesse ocorrer.
–Te assustei? – Max não parecia ressentido, na verdade seu sorriso divertido demonstrava que o chefe dos lobisomens estava se divertido com o efeito de sua aparição repentina.
–Um Kirkland nunca se assusta, sempre estamos... Digamos... Preparados para eventualidades. –Falou, orgulhoso, apesar que o corar em seu rosto deveria expressar outra realidade.
Max riu baixo.
–Bom saber que estás sempre preparado, Greg.
–Já disse para esquecer esse apelido! –Rosnou.
–Nossos filhos podem estar irritados agora...-Continuou a falar o lobisomem totalmente ignorando o ultimo comentário de Gregor – Mas conseguiremos faze-los entender, com o tempo, a necessidade desta união...
–E será que eles poderão nos perdoar... Será que ele um dia vai me perdoar por não lhe contar a verdade? –Murmurou o questionamento.
–Você fez por amor, um dia ele entenderá, possivelmente quando tiver os próprios filhos.
Gregor soltou um suspiro.
–Pelo menos ele tem alguém ao seu lado agora...-Falou indicando Alfred que agora abraça Arthur e parecia sussurrar algo em seu ouvido arrancando risadas nervosas do vampiro.
–Falas como se você não tivesse alguém também ao seu lado.
Gregor voltou sua atenção para Max.
–E eu tenho? – Questionou em um sussurro baixo.
–Eu, a algum tempo, quero fazer uma pergunta. –Max cruzou os braços, deixando ainda mais evidente o quão musculoso era, algo que fez que o vampiro sentisse uma pontada de inveja.
–Pois então faça...
–Quando nos encontramos antes, digo em batalhas, você alterou , de alguma forma o seu cheiro?
–Bem...-Ele não estava esperando uma pergunta como aquela –Trata-se de uma tática de disfarce, tendo em vista que lobisomens tem um olfato prodigioso, seria uma forma de ocultarmos nossa presença, bem como evitar que nos rastreassem. Então, a resposta é sim, meu cheiro como você se refere, foi alterado.
–Quando nos encontramos no porto... Quando você chegou aqui, na américa...Você não mais estava usando essa substância de alterar o seu cheiro, não é? – Max deu um passo, se aproximando de Gregor, que por instinto deu um passo para trás.
–S-sim, digo... Não havia motivo para manter essa tática, digo...Somos aliados...Então, achei que seria uma espécie de voto de confiança.
–Isso explica por que não tinha te reconhecido antes...-Falou isso, se aproximando ainda mais, Greg sentiu suas costas colidindo com o tronco da árvore.
–Me reconhecido? Do que demônios você está falando?
Maximiliano o farejou, sim o vampiro estava totalmente confuso com os atos estranhos do seu companheiro.
– Tal como Alfred reconheceu Arthur como seu parceiro predestinado...- O chefe dos lobisomens, subitamente, segurou a face de Gregor –Eu também te reconheci...
–V-você deve e-estar brincando... Digo...
–Você é o meu parceiro predestinado Gregor Kirkland. –O vampiro estava muito surpreso para poder emitir alguma opinião a respeito daquela revelação, talvez o beijo que se seguiu depois da fala de Max tenha auxiliado na sua súbita mudez.
Quem sabe, no final, não teriam dois casamentos...
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