Halloween Love

24 Confie no seu olfato


Notas iniciais
Ola! Sorry pela a demora, estou meio sem inspiração para escrever, essa é a verdade. Mas consegui acabar esse cap! Espero que gostem!

–Já disse que estou bem, não preciso de babá!–Rosnou Matt, apesar de seu rosnado parecer mais um grunhido baixo e seco. Sabia que seu corpo ainda estava fraco devido ao ferimento provocado pela a bala, mas não queria permanecer daquele jeito: dependente de alguém para fazer tudo.

–Ve~ Seria melhor que você permaneça na tenda do curandeiro para continuar o tratamento. –Sugeriu Veneziano, baixinho.

–Também concordo com ele.

“Lógico que concorda com ele...” Rosnou, ou tentou rosnar novamente. Não sabia o que era pior, um Gilbert sério e preocupado, ou a versão pervertida e relaxada. Matthew rolou os olhos, estava tentando se levantar da cama em que estava deitado, queria voltar para a sua caverna. Já estava cansado de ficar ali aonde todos pareciam trata-lo como ele fosse algum objeto frágil de porcelana.

–Posso continuar o tratamento em minha caverna. –Enfatizou –O curandeiro disse que só teria que comer e descansar, não é mesmo? Não seria algo difícil de se fazer, logo não necessito permanecer aqui para esse tratamento.

–S-sim... Mas...Ve~ -O lobinho voltou seu olhar para Gil, buscando auxiliou.

–Não passou nem um dia que foste baleado! Você esteve entre a vida e a morte! Eu sei, pois te carreguei até a alcateia! Sabe como eu senti ao ouvir seus batimentos cardíacos diminuírem a cada passo que dávamos? Você está vivo é um milagre e... Não quero te ver sofrendo e muito menos ter a possibilidade de te perder!

Matt abaixou os olhos, vergonha e culpa o dominava, como também um estranho sentimento que fazia seu coração bater rapidamente, apesar das suas condições físicas. E pior de tudo era o cheiro... Estava tentando ignorar aquele aroma que institivamente o fazia se sentir atraído pelo vampiro desde o momento do primeiro encontro no porto. Seu nariz devia estar com defeito. Nunca fora um bom farejador como o seu irmão, logo não confiava muito no sentido do faro e sim na sua inteligência, mas nem o seu cérebro o estava ajudando agora para desvendar aquele mistério: por que o Gilbert o atraia tanto ?

–Ei...-A mão fria de Gil acariciou sua face, de modo que o jovem lobisomem se assustou, pois estava perdido em seus pensamentos –Desculpe...- O vampiro retrocedeu, meio frustrado – Eu só...

–Não, tudo bem. –Matt segurou a mão do outro, impedindo que este se afastasse muito – Eu que peço desculpas... Você tem razão. Eu só... –Não queria parecer fraco. Não falou aquelas palavras, pois mordera o seu lábio inferior. Desde filhote sempre fora comparado ao Alfred, seu irmão sempre fora mais forte e hábil, enquanto Matthew residia em sua sombra, se relegando a áreas que Al não era bom, contudo, um lobisomem inteligente que não é um habilidoso lutador nunca seria bem visto pela a alcateia. Sempre precisaria de proteção... E Matt não queria isso!

–OH! –Soltou uma exclamação ao sentir ser elevado da cama em que estava deitado por braços fortes –G-Gil, o que está...

–Vou te levar para a nossa caverna. –Falou ele com um meio sorriso arrogante, Matt corou totalmente com aquele gesto.

–Você quer dizer, minha caverna, não?

–Não! Você não ouviu errado, me refiro a Nossa caverna. –Disse ainda mais alegre.

–Ve~ -Parecia que Veneziano iria intervir, mas Gil o fitou ainda sorrindo.

–Não se preocupe, ficarei de olho nele. Vou garantir que ele se comporte!

–Eu? –Matt agora estava indignado – Eu sempre me comporto! E quanto a você?

–Eu sou praticamente um anjo! –O vampiro teve a audácia de dizer, piscando os olhos expressando sua falsa inocência –E quem está querendo ir contra as ordens médicas? Hum?

–E-eu n-não estou indo contra as ordens...

–Pois muito bem! –Interrompeu Gil em um tom divertido, ignorando, por completo, a expressão furiosa do lobo em seus braços – Eu irei cuidar dele, digamos que tenho uns truques para lidar com o meu lobinho preferido.

Desta vez, o dito lobinho, sentiu suas bochechas ruborizarem. Sabia muito bem a que tipo de truques Gilbert estava se referindo.

–Se ele sentir qualquer desconforto, por favor, me chame, ve~ -Pediu Veneziano ainda com um semblante preocupado.

–Pode relaxar! Por que não aproveita o tempo livre para ficar com o meu irmão? Aposto que ele vai adorar a sua companhia. –Isso afetou diretamente o pequeno lobisomem que corou e exibiu um sorriso tímido.

–Ve~ S-sim! –Disse agora mais entusiasmado –Vou fazer comida para ele! Pasta~ Minha especialidade!

Gilbert deu uma risada e começou a andar, com Matt em seu colo.

–Espera! Eu não concordei com nada disso! –Começou a reclamar, mas ao saírem da tenda a risadas de Gil cessaram, na verdade o vampiro assumiu uma postura seria e andava com passos rápidos, Matthew mordeu o lábio inferior, era raro ver Gilbert daquele jeito... Furioso.

Não demorou muito para chegarem na caverna. A jornada silenciosa até ali estava deixando Matt ansioso, será que tinha feito algo para irrita-lo? Talvez não devesse ter agido daquela forma mimada...

Gilbert o colocou delicadamente sobre a cama.

–Desculpe...-Falou o lobisomem, para sua surpresa o vampiro o abraçou –Gil...? –O abraço era forte de tal modo que Matt começou a sentir dor –Gil! Eu ainda estou me recuperando...Minhas feridas...

A força do abraçou diminuiu, mas o vampiro não se afastou.

–Eu que devo pedir desculpas...

Matthew agora estava confuso com aquele sussurro.

–Desculpas? Por que?

–Eu não pude te proteger... –Algo úmido caiu sob o ombro do lobo, aonde o vampiro estava apoiando a face, Gil estava chorando – Eu te vi ser atingindo e... Não pude fazer nada!

–Gil...-Matt afagou os cabelos platinados do vampiro, tentando confortá-lo – Não foi sua culpa, ninguém podia ter feito nada...

–Eu sou mais experiente! Já lutei com outros caçadores como ele. Devia ter agido mais rápido...

–Gilbert! Já chega! –O lobisomem deu um leve cascudo no companheiro –Eu estou vivo, não estou? Pare de ficar se culpando!

–Eu não sei o que farei se tivesse te perdido... – Matt sentiu seu coração se derreter com aquela fala, pois sabia que pensava da mesma forma, se alguma coisa ocorresse com Gilbert como seria a sua vida? Na verdade, tudo mudou desde que os vampiros chegaram... Nada nunca irá voltar a ser como era antes. Ao mesmo tempo, sentia medo... Temia esse sentimento de apego. Aquele cheiro que o embriagava.

–Matt? Você está me farejando?

O jovem lobisomem corou totalmente ao notar que de fato estava farejando o vampiro.

–E-eu...N-na verdade... –Gaguejou, sem saber como explicar seus instintos.

–Tudo bem... Eu entendo como é...Também adoro o seu cheiro.

Isso fez Matthew se sobressaltar. Como ele poderia gostar de seu cheiro?

–Esqueceu que sou um vampiro diferente? Sofri modificações para ser um guerreiro ideal para combater um lobisomem, para isso, acabei por adquirir algumas características dos meus inimigos, digo... Ex–inimigos.

–I-isso quer dizer que...

–O meu olfato é superdesenvolvido... Logo, desde que te encontrei, consigo sentir o cheiro quase que embriagante que você emite! Isso me atraio, bem, não só isso...Sua bunda também!

Gilbert! –Choramingou Matt meio que envergonhado com aquela revelação.

–O que? Estou dizendo a verdade! –Sorriu –Mas, tem algo que não consigo entender... Seu cheiro, para mim, é algo tão único e... A verdade é que nunca farejei algo assim... Algo que me faz sentir praticamente viciado. E-eu não consigo explicar... Está soando tão estranho, não é? –Riu nervoso.

Matt negou com a cabeça. Podia não ser um bom farejador, mas não podia ignorar todos os sinais que lhe estavam sendo expostos...

–Você não poderia saber, por ter nascido vampiro e ter adquirido essas habilidades lupinas mais tarde...-Murmurou o lobisomem, baixando a cabeça, contudo Gilbert podia ver o quão rubro estava o seu companheiro. Até as orelhas adquiririam um tom avermelhado.

–Saber? Saber do que? Eu quebrei algum protocolo ou etiqueta dos lobisomens? –Inqueriu, já aflito.

–B-bem...- O filhote de urso polar de Matt, naquele momento, tinha subido na cama e caminhou, desengonçadamente, até o seu dono que o pegou e abraçou, talvez para dissipar o nervosismo que sentia no momento -...Como eu estava dizendo, nós lobisomens, tal como nossos parentes animais, somos monogâmicos e extremamente fieis, contudo, diferente dos lobos animais, acreditamos em algo a mais: que só teremos um parceiro verdadeiro, ou seja, seria algo semelhante as almas gêmeas que os humanos acreditam. Podemos nós relacionar com outros indivíduos, mas sabemos que quando encontrarmos nosso parceiro predestinado, todos os nossos antigos romances e amantes serão praticamente esquecidos, pois a força que nos liga a esse parceiro é muito além de uma simples atração física... É quase místico. Uma das formas de identificar o parceiro predestinado é pelo o cheiro, pois este será , de certa forma, único e maravilhoso para aquele a quem você estaria destinado e... –Neste momento Matt engoliu em seco e levantou o seu olhar para encarar Gilbert, receoso por ver a reação do vampiro.

Gil praticamente saltou sobre o lobisomem, ignorando o ursinho polar que começou a rosnar, tentando se libertar do abraço apertado do vampiro.

–G-Gil! – Exclamou com uma voz meio aguda.

–Isso significa que você é meu parceiro predestinado, não é?! –Perguntou com um imenso sorriso no rosto.

–E-er... S-sim...D-digo...Eu também sinto o seu cheiro d-de forma diferente...-Confessou.

–Por que não disse antes? Não foi algo que farejei agora... Quero dizer, desde que te conheci seu cheiro me atraiu, contudo eu não sabia o por que...

–Não é algo tão simples assim! Eu não pensei que fosse possível, digo você é um...-Mordeu o lábio inferior contendo a palavra, mas Gilbert entendeu, de imediato.

Vampiro, você não acreditou por eu ser um vampiro, não é mesmo? –Havia um certo pesar em sua fala.

–S-sinto muito...-Sussurrou envergonhado –Mas não foi só por isso, nunca fui um bom farejador, pensei que tinha me enganado... Mas, o olfato só é uma indicação... Os parceiros predestinados se sentem atraídos, independente do cheiro. Segundo os anciões, nossas personalidades se complementariam, além disso, sentiríamos completos e protegidos ao lado deste parceiro. Encontraríamos a verdadeira felicidade... Nunca acreditei nestas superstições. –Até agora, acrescentou em pensamento Matt.

–Você se sente completo estando ao meu lado? –Gil o acariciou a face do lobisomem.

–Eu sei que se você fosse embora agora...Eu sentira um grande vazio.

Isso parece ter sido o suficiente para o vampiro que se aproximou para beijar os lábios rosados do seu lobinho preferido.

–AI! –Resmungou ao sentir algo o mordendo, o ursinho polar (que Matt sempre esquecia o nome que lhe tinha nomeado) atacou, talvez não se sentindo nada confortável por ser pressionado por ambos os rapazes.

–Desculpe! –O lobisomem não pode deixar de rir da expressão de espanto e irritação de Gilbert. Pelo menos o filhote de urso fora embora.

–Tsc...Acho que o seu urso não gosta de mim!

–Não é ele que você tem que conquistar... Esqueceu de mim?

Gil riu e novamente se aproximou, narizes se colidiram... Lábios estavam a poucos centímetros de se tocarem.

–Mas eu já te conquistei. –Disse arrogante, todavia, Matthew não teve tempo de dar uma resposta à altura, pois fora silenciado pelo o beijo que veio logo em seguida.

Um parceiro predestinado... Talvez não fosse algo tão ruim assim...

–Quando você ficar bom... Já imagino as brincadeiras que poderemos fazer juntos. –Sussurrou ao término do beijo, seus olhos de íris avermelhava estavam focados no ombro de Matt aonde a atadura cobrira o ferimento provocado pela a bala. Novamente o vampiro o deixou sem palavras para uma resposta quando deu um leve beijo no ombro ferido.

–Te prometo que irei fazer aquele caçador pagar por ter te ferido...-Rosnou.

Matthew negou com a cabeça.

–Se queres prometer uma coisa, prometas que irá ficar ao meu lado e não irá fazer nada estúpido!

–Estúpido? Eu? Até parece que você não me conhece!

–Gil...

–Shh! Não vamos falar disso agora! Hoje é nossa pre-noite de núpcias! Não vamos estraga-la!

Matt corou e conseguiu, desta vez, gaguejar uma resposta:

–P-pre-noite de núpcias! C-como assim?

–Temos que ensaiar, para quando nos casarmos, iremos estar totalmente preparados. –Falou ele com uma estranha seriedade.

–Esqueceu que ainda estou me recuperando? –Inqueriu, tentando ignorar uma grande felicidade que o dominou depois de ouvir aquelas palavras.

“Gilbert quer casar comigo?”.

–Não se preocupe, serei beeeeem delicado!

–GILBERT! –Rosnou, Gil podia ser tudo, menos delicado, as marcas de mordidas e chupões em sua pele alva eram provas daquele fato.

O vampiro apenas gargalhou e voltou a abraçar o embaraçado e furioso lobisomem.

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Raivis soltou um grande suspiro enquanto preparava uma pasta feito de ervas, elas teriam um poder curativo, pelo menos era o que sua mãe tinha lhe ensinado, com ela aprendeu como diferenciar uma erva medicinal de algo potencialmente venenoso unicamente usando o olfato... Aquilo o fez sorrir, afinal, podia não ser um guerreiro e tão pouco era muito esperto como seus outros companheiros de alcateia, mas seu nariz era considerado uma verdadeira joia, era um perfeito farejador. Graças a essa habilidade, tinha escapado de diversos perigos e... Também, por ser um bom farejador pode conhecer Ivan.

“Quando você irá contar a ele?” Perguntou a si mesmo.

–Isso é loucura... –Murmurou, sentindo lágrimas preenchendo seus olhos. Os deuses deveriam estar se divertido as suas custas... Como poderiam permitir que um lobisomem tivesse como parceiro predestinado um caçador?

Sacudiu a cabeça, rapidamente, tentando dissipar tais pensamentos. Desde que aquela jornada começara, tentou se convencer o quão Ivan era assustador e que não deveria desenvolver nenhum sentimento de afeição, mesmo sabendo que o cheiro que o terrível caçador emitia lhe era tão atraente de modo que as vezes se via perto do humano, buscando o calor de seu corpo e sentindo tão protegido em sua presença...

Aquilo era apenas instinto... Devia lutar contra essa força fantasma que o ligava a Ivan.

Não iria se apaixonar pelo o humano...

Deveria ter fugido quando o vampiro o havia atacado com magia...

Mas naquele momento percebeu que não era só seu instinto que o ligava ao caçador...Seu coração não permitiria abandona-lo, cego e ferido na floresta.

–E o que devo fazer? –Perguntou para si mesmo, sentido suas bochechas corarem ao relembrar o beijo que dera na bochecha de Ivan.

Estava agindo como um tolo! O humano não iria sentir a mesma ligação que um lobisomem sentia... No final, só estaria se machucando ainda mais.

–Raivis...-Balbuciou o dito caçador que estava deitado a poucos metros –Onde você está?

O pequeno lobisomem correu para amparar o humano ferido.

–Estou aqui...-Sussurrou, observou que Ivan tateava, como buscasse algo, para a surpresa do menor, o caçador encontrou a sua mão trêmula.

–Fique ao meu lado até que eu durma...-Pediu exibindo um sorriso em seus lábios.

Raivis assentiu, contudo logo se sentiu um total idiota, Ivan não podia vê-lo assentir! O lobisomem se deitou, então, ao lado do caçador, este em nenhum momento soltou a mão de Raivis.

–Ivan? –Ousou perguntar ao ver que o humano parecia fungar, será que estava gripando? O pequeno lobo já estava ficando preocupado, talvez devesse fazer um chá e...

–Você tem um cheiro de girassol... Sabia?

Raivis não soube o que responder.

–Eu amo girassóis...-Murmurou Ivan agora puxando o menor de encontro a si e abraçando. O lobinho estava quase tentando um ataque, não sabia se deveria estar contente ou assustado com aquela afirmação. Seu coração não deveria estar batendo forte daquele jeito... Sua barriga não devia estar dando voltas, como se milhares de borboletas tivessem ali presas... E definitivamente, não deveria estar feliz!

“Raivis...Não se apaixone por ele!” Pensou desesperado.

–Adoro o seu cheiro...Isso é estranho... Pois nunca eu...-O resto da fala do caçador se perdeu em um suspiro. Ele tinha adormecido deixando um confuso e desperto lobisomem.

–Eu não vou me apaixonar... –Murmurou, como que tentando convencer a si mesmo daquilo. Tinha que ignorar as sensações que sentia... Principalmente o cheiro quase que embriagante de neve fresca que era emitido por Ivan.

Contudo, sabia que mesmo com todo o seu esforço, não podia negar a dura verdade...

Ivan, o caçador de seres sobrenaturais, era o seu parceiro predestinado.

Notas finais
Confesso que uma das coisas que me atrai nos lobos é essa fidelidade com o seu parceiro ou parceira. Bem, eu realmente amo os lobisomens! Espero que tenham gostado deste cap! Desculpe novamente pelo o atraso!