Halloween Love
21 Caçador, caça, fuga.
Notas iniciais
–Belo animal, não achas? –Falou Ivan observando o urso que abatera com um só tiro. Contudo, parecia que seu pequeno e assustado parceiro não compartilhava de sua alegria –O que foi? Pensei que vocês lobos gostassem de caçar...
Raivis, que com muito esforço conseguiu controlar tremedeira que dominava o seu corpo. Finalmente falou, sem desviar os olhos do grande animal que jazia aos seus pés.
–N-nós caçamos só o essencial... Matar sem motivo é crime. –Explicou, já fechando os olhos e começando a rezar para os deuses ancestrais que protegiam as florestas e animais, pedindo perdão pela a morte em vão do urso. Ivan deu os ombros quanto aquele ato, na verdade, estava se sentindo um pouco incomodado, os lobisomens tinham uma espécie de código de conduta... Caçar só o que é necessário para a sobrevivência? E quanto a família Braginski? Sempre fora treinado a caçar tudo que pudesse causar danos a humanidade, bem que sua família também incentivada a caçar animais grandes e considerados feroz, exibindo-os como troféus no seu castelo na Sibéria. Sempre fora ensinado a sentir orgulho e prazer de destruir a sua presa. Era isso que um Braginsk era, um perfeito caçador.
Os olhos sem vida do urso o mirava, Raivis tinha se abaixado e acariciava o cadáver como tentando acalenta-lo. Aquilo lhe causava sentimentos confusos. Não devia sentir conflitante quanto a sua função... Era um caçador! Caçava monstros! Mas os lobisomens, até o momento, não pareciam ser os tipos de monstros a qual as lendas e mitos lhe diziam.
Recarregou o rifle tentando conter um pequeno tremor que dominou a sua mão. Não devia duvidar de suas ideias, aquilo era só mais um trabalho, como tantos outros. Estava sendo pago, mesmo que estranhamente, ao contrário das outras vezes, seus financiadores eram os mesmos monstros que deveria caçar... Tudo aquilo estava sendo uma grande contradição.
Raivis fechou os olhos vazios do animal e subitamente voltou seu rosto para a direção da onde o urso havia corrido. Fungou o nariz e começou o seu ataque de tremedeira novamente. Ivan olhou de relance para a trilha, outros ursos tinham advindo daquele caminho, algo os tinha assustado. Ivan sentiu um calor envolvendo o interior do seu corpo, sempre se sentia assim quando estava prestes a enfrentar um novo inimigo.
–Acho que já sabemos que caminho seguir a partir daqui, não? –Falou exibindo seu sorriso enigmático.
–Espere! –Raivis, pela primeira vez, segurou o braço do caçador, o que surpreendeu Ivan e o próprio lobisomem, que subitamente se afastou, segurando a mão de encontro ao peito –D-digo... E-eu só queria avisa-lo que farejei o n-nosso alvo naquela direção.
–Ótimo. Então, qual é o problema?
–Eles não estão sozinhos, talvez seja perigoso e...
Ivan se aproximou de Raivis, levantando sua grande mão. O menor se encolheu e fechou os olhos, talvez imaginando ser castigado por ter a ousadia de questionar as habilidades do temido Braginsk. Todavia, ao invés de um golpe, veio uma caricia. Ivan o estava dando um delicado cafuné.
–Não se preocupe, ficarei bem. Você que deveria permanecer aqui... –Falou em uma voz baixa. Raivis tomara coragem, só os deuses sabem de onde, e levantou seu olhar para encara-lo. Seu coração batia rapidamente, contudo não era devido ao medo. Era uma nova sensação que o lobo nunca antes tinha sentido. O que será que era?
–Eu quero ir com você...-Sussurrou, Raivis ficou admirado com aquela afirmação que escapara de sua boca antes que ele pensasse em seu efeito.
Ivan sorriu, não era aquele sorriso frio e sinistro. Era outro tipo... Raivis não conseguia enquadra-lo em sua pequena experiência em sorriso, principalmente aqueles relacionados a Ivan Braginsk.
–Creio que o urso precisa de um enterro, sei lá... Já que eu não deveria mata-lo sem motivo. Não é mesmo? –Disse enquanto recolhia a sua mão, o lobo sentiu como se o calor estivesse sido retirado do seu corpo. Queria a mão de novo a sua cabeça para continuar afaga-lo. Raivis sacudiu bruscamente a cabeça, tentando se livrar daquelas estranhas necessidades.
–Sim, mas...
–Sua função é ser um farejador e quanto a minha é ser um caçador. Você cumpriu muito bem o seu dever e agora é minha vez de cumprir o meu. –Falando se voltou para trilha deixando para trás um relutante e confuso lobo.
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– Acho que devemos fugir daqui e chamar os outros membros da alcateia. –Sugeriu Matthew, também sentiu um odor distinto no ar, ao contrário de Gilbert, não pode afirmar que se tratava de um Braginsk, porém o cheiro de pólvora e sangue era indiscutivelmente uma indicação que estavam lidando com um caçador.
–Sim, façam isso. –Concordou Gil, estranhamente agora assumindo uma postura séria e profissional. Parecia uma pessoa totalmente diferente de a minutos atrás –Eu ficarei e o distrairei.
–Estás louco? –Rosnou Alfred, Matt assentiu com a cabeça a atitude do seu irmão. Aquilo era, sem dúvida loucura, ninguém precisava ficar, apesar de se tratar de um caçador, aquele inimigo ainda era um simples humano. Suas velocidades sobrenaturais os protegeriam.
–Eu ficarei com você! –Alfred enfatizou, cruzando os braços diante do musculoso peitoral. Seu irmão deu um tapa forte na própria testa, será que ninguém era sensato? Lançou um olhar suplicante a Arthur que parecia tenso e pensativo.
– Os Braginsk são uma família antiga de caçadores...-Sua voz estava trêmula – Eles são como monstros, creio que anos e anos nós caçando os fez menos humanos. Não podemos enfrenta-lo!
–Se eles são tão legendários assim, por que nunca ouvi falar deste nome? –Al inqueriu, parecia chateado, talvez não gostando de ver o quão assustado estava o seu querido vampiro.
– Obviamente que não conheces, eles só caçam na Europa e...-Gilbert agora parecia confuso – O que um Braginsk está fazendo aqui no novo mundo?
–Eles também são caçadores que normalmente são pagos por seus serviços. –Completou Arthur – Isso significa que ele está aqui com um objetivo...
–Não importa qual é a intensão dele! –Interpôs Matt, raramente levantava a voz, mas aquela discussão não podia perdurar –Temos que sair daqui e chamar a...
Um tiro.
Sangue.
–MATTHEW! –Alfred e Gilbert gritaram ao mesmo tempo ao ver o lobisomem ser atingido subitamente.
–O amiguinho de vocês estava certo. Deveriam ter fugido. –Um homem alto de cabelos que pareciam um loiro esbranquiçado. Olhos de cor violeta e rosto tranquilo e sorridente. Todo esse aspecto amigável contratava com grande revolver de prata que empunhava. E para adicionar ainda mais o aspecto sinistro a figura parecia emitir um ar gelado, apesar deles estarem em plena primavera.
–Matt... –Arthur correu para amparar o lobo, havia muito sangue. Por ser um vampiro deveria se sentir mais acostumado a ver o liquido vermelho, contudo, naquele momento lhe gerou repulsa.
–Maldito...-Rosnou Gilbert, seus olhos de íris vermelha se intensificavam, tal como tochas em chamas. Alfred também rosnou, já estava parcialmente transformado, suas características lupinas estavam praticamente a mostra.
–Eu ainda escuto a sua pulsação! –Exclamou o príncipe vampiro. Essa era mais uma das habilidades vampirescas, ter uma audição sensível a pulsação e aos batimentos do coração, isso quando se concentrava.
–Ops... Devo ter atirado em um ponto não vital. –Falou o caçador em um tom de desculpas –Mas isso não quer dizer que ele esteja a salvo, pela a quantidade de sangue que está perd...
–Calado! –Rosnou Gilbert enquanto o atacando. O humano riu, apontando rapidamente a arma para o vampiro e atirando, só que a bala nunca alcançou seu alvo pois a figura do albino se desfez no ar.
–Interessante... Um Wolf Jäger !- Disse mudando sua feição risonha para uma séria.
–Vejo que conhece muito sobre nós...- Gil reapareceu atrás do caçador e o atacou com sua mão cujas as unhas tinham se transformado em garras grossas e escuras. O humano desviou no último momento, contudo não sem sofrer danos. O casaco pesado do caçador fora cortado e um filete de sangue pode ver escorrer pela a perna do Braginsk.
–Lógico que conheço. – Ele não parecia afetado pelo o ferimento, rapidamente levantou a arma para atirar em seu alvo que novamente sumiu, todavia, desta vez o caçador não se deixou enganar, se virou e atirou –Afinal, eu caço vocês desde que era criança...
O gemido de Gilbert foi ouvido, apesar de ninguém ainda ter o vislumbre de sua forma física. Alfred não iria ficar só observando enquanto seus amigos eram machucados diante de seus olhos, logo saltou sobre o caçador, já transformado em sua forma de lobo e mordeu o braço do Braginsk.
Arthur pode ver que Gil segurava o ombro ferido, usando uma arvore como amparo, aquilo não deveria ser balas comuns, pois se fossem, não seria aquele projetil que pararia um guerreiro vampiro.
“Tenho que fazer alguma coisa!” Pensou enquanto observava Alfred lutar com o caçador que, apesar de machucado, ignorava a dor evidente e batalhava praticamente de igual para igual com o lobisomem.
“Magia...” .
O vampiro fechou os olhos e concentrou suas forças. Sentiu a energia fluindo de seu corpo em um único ponto. Podia sentir o calor emanando de tal energia.
–Arthur...-Pode ouvir Gilbert próximo de si –O que está fazendo?
–O que Matt queria que nós fizéssemos antes. –Respondeu em murmuro.
Enquanto isso, o caçador tinha conseguido se livrar do lobisomem o lançando fortemente de encontro a uma árvore. Alfred emitiu um ganido de dor.
– Eu não devia te matar, mas você realmente está forçando o meu limite. –Pelo menos agora o caçador estava ofegante. O braço mordido parecia não ter forças para levantar o revolver. Mas o Braginsk tinha outro braço em pleno funcionamento e estava prestes a exercer a sua função, empunhando o outro revolver e apontando o cano da arma para a cabeça agora humana de Alfred.
–Ei! Caçador! –O grito de Arthur fez com que o Braginsk virasse, parcialmente, para a fonte do som. Infelizmente, não fora uma boa ideia, pois uma chama esverdeada flutuava a poucos centímetros de seu rosto.
–Mas o que...
A chama explodiu emitindo um flash forte de luz. O caçador emitiu um grito de dor, tentando proteger os olhos daquele dano.
Alfred percebeu o objetivo, era apenas uma distração. Se esgueirou, conseguindo passar pelo caçador, agora cego. Pode encontrar os olhos verdes esmeraldas de seu vampiro, não precisava de palavras para entender a mensagem.
Fugir.
E foi isso que fizeram. Alfred carregou Matt no colo enquanto Arthur amparava Gilbert. Desta forma, o grupo fugiu rapidamente dali... Contudo sabiam que aquela não seria a última vez que encontrariam aquele inimigo.
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