Halloween Love
22 Blood rose
Notas iniciais
– Você disse que era seguro! –A voz de Gregor estava falha, Arthur sabia que isso significava, seu pai estava extremamente bravo ao ponto que nem controlava a intensidade da própria voz.
–E é seguro! –Rosnou Maximiliano –Nunca alguém se feriu em uma caçada! Não desta forma! Nunca os humanos adentraram em nosso território sem serem notados!
–Pois parece que suas defesas não são tão eficazes como pensavas. –Disse em um tom arrogante o líder dos vampiros. A tensão dominava o ar, todos pareciam prender a respiração, esperando que o pior acontecesse. Estavam no centro da alcateia, as festividades tinham sido interrompidas devido a chegada dos feridos, estes estavam sendo tradados pelos curandeiros.
–Já chega! –Interpôs Arthur, ficando entre os dois líderes – Isso não foi culpa do senhor Maximiliano.
–Não precisas, defende-lo, filho.
–Pai... O humano que nos atacou... Bem... Ele não era normal!
–Como assim? – Max encarou o vampiro mais jovem arqueando as sobrancelhas.
– Ele era um Braginsk.
–Impossível. –Gregor falou aquilo praticamente em um sussurro, pelo menos a sua voz tinha voltado ao seu timbre normal.
– Braginsk? O que é isso? Tenho impressão que me soa familiar. –Maximiliano coçou o queixo pensativo.
–São uma família de caçadores, muito antiga. Se especializaram tanto em caçar seres sobrenaturais que acabaram perdendo um pouco de sua humanidade. –Explicou rapidamente Gregor agora acariciando o seu afilado queixo, pensativo – A questão é: o que um Braginsk está fazendo aqui? Eles não costumam caçar além dos limites da Europa.
–Um caçador especializado em caçar criaturas como nós...- Maximiliano passou a mão por seus cabelos em um gesto nervoso – Aqui na América existem caçadores, mas eles não costumam ser um grande problema...
–Esse é um continente que a pouco tempo foi colonizado, em comparação ao nosso lar. – O chefe dos vampiros forçou um meio sorriso – Aprendemos, devido a necessidade, a nos esconder para evitar a perseguição, mas mesmo assim...
Max tocou de forma afeiçoada o ombro de Gregor, a qual este aceitou e até mesmo se inclinou mais de encontro ao lobisomem, buscando mais toques de conforto, Arthur sorriu por presenciar aquele gesto, isso significava que os dois chefes já não estavam bravos.
–Esse tal Bragiga... Bragonskyli... –Tentou falar, Alfred. Arthur rolou os olhos e o corrigiu imediatamente:
–É Braginsk!
–Isso! Que seja! Mesmo que ele seja mais que um humano normal, não significa que ele simplesmente pode adentrar no nosso território com tamanha facilidade. Mesmos os habitantes desta região têm dificuldade de andar por esta floresta sem se perder! Ele deve ter tido ajuda! E quando digo ajuda quero dizer... Um lobisomem deve o estar auxiliando!
Max arqueou as sobrancelhas.
–Oh!
–É só isso que via dizer pai? Nada mais?
–Se acalme, Alfred. Ele só está surpreso em saber que você pode raciocinar. –Uma voz cansada fez com que todos voltassem seu olhar para uma tenda, a qual Matthew saia com dificuldade sendo amparado por Gilbert cuja condição também não era uma das melhoras, na verdade o vampiro parecia bem mais pálido do que antes.
–MATT! GILL! – Alfred exclamou, claramente feliz. Arthur soltou um suspiro, sentindo aliviado de ver seus amigos bem... Pelos menos parcialmente, era evidente que ainda precisavam de descanso para se recuperarem totalmente. Principalmente Matt, o pobre garoto tinha a pele de uma coloração amarelada. Ataduras revestiam o seu ombro e se podia ver a mancha de sangue que aos poucos se alastrada.
–Matt... Você não devia estar levantado! –Rosnou Max.
–Eu falei a mesma coisa. –Disse Gilbert –Seu filho pode ser bem teimoso quando quer...
–Ve~ Me desculpe, chefe Max. –Falou Veneziano, o garoto estava com um avental rustico e ao seu lado estava acompanhado um ancião que tinha idêntico avental, sendo este o curandeiro da alcateia –Eu tentei convence-lo mas...
–Não se preocupe. –O Chefe dos lobisomens forçou um sorriso –Meus filhos são mesmo cabeças-duras.
–Puxaram ao pai, sem dúvida. – Opinou Gregor, agora o sorriso de Max se tornou mais sincero e piscou para o vampiro.
–Enfim... Filho, você devia estar descansado. Você perdeu muito sangue. Graças aos deuses pela a capacidade curativa dos lobisomens, mas isso não é garantia que sobrevivamos a todo o tipo de injuria...
–A bala que o atingiu o impedia de se curar, de modo que se não a tirássemos ele permaneceria sangrando até...Bem...- O curandeiro pigarreou –Creio que agora ele se recuperará muito mais rápido.
–Obrigado, ancião.
–Não se preocupe, chefe, eu só fiz a minha função. Contudo, temo dizer que se um lobo for acertado duas vezes por esse tipo de bala, não creio que minhas habilidades serão o suficiente para salva-lo.
Agora a tensão tinha retornado a alcateia. Apreensão e medo, esses sentimentos se tornavam tão tangíveis que era quase possível toca-los.
–O que um Braginsk está fazendo aqui afinal? E por que um lobisomem o ajudaria? –Max rosnou com ferocidade, já estava parcialmente transformado.
–E tem mais uma coisa... –Arthur se pronunciou e olhou de relance para Alfred – Acredito que esse caçador tinha uma missão de nós capturar, digo... Me refiro a mim e ao Al.
–Hã?! – Os chefes de ambas as raças perguntaram ao mesmo tempo.
–Sim, isso é verdade... –Concordou Al –Ele podia ter atirado em mim, teve várias oportunidades e... Bem, ele não o fez. Além disso, ele meio que falou que tinha que me capturar.
–O que isso significaria? –Max cerrou os punhos com raiva.
–Pai... Obviamente, a aliança entre os vampiros e lobisomens não foi aceito por muitos. –Falou Matt, com certa dificuldade – Esses opositores não iriam ficar simplesmente calados e quietos enquanto observam o casamento do Alfred com o Arthur.
–Mas contratar um caçador como este?
–Seu filho está certo, Max... –Gregor soltou um suspiro e seu olhar decaiu sob o seu filho – Eles realmente estão tomando atitudes desesperadas para nos deter. Sabíamos do risco da trégua e também da aliança... No passado, quando tivemos outras tréguas várias sabotagens ocorrem de ambas as partes o que provocavam o reinício da guerra. É agora não seria diferente.
–Eu esperava sim opositores e relutâncias, mas não algo como isso.
–A questão agora é: o que devemos fazer? –Perguntou Gilbert – Esse Braginsk é excepcional... Se adapta rapidamente ao nosso estilo de combate e suas armas...-Engoliu em seco- São especiais.
Gregor e Maximiliano se entreolharam, pareciam estar tendo um debate silencioso, a qual todos esperavam ansiosos pelo o resultado final.
–Então? O que devemos fazer? –Perguntou Arthur impaciente.
O líder dos vampiros, pigarreou, subitamente o jovem Kirkland se sentiu apreensivo, temendo a resposta a ser dada.
–Vamos adiantar o casamento. Quanto mais rápido vocês dois se casarem, menos serão a chance de tentarem romper a aliança.
– Eles ainda podem nos atacar, mesmo casados. Digo, o que os impede?–Alfred perguntou vendo como Arthur recebeu a notícia, sabia que o vampiro agora que estava começando a aceitar a relação que os dois tinham, mas se casar?! Mesmo que o lobisomem desejasse muito isso, sabia que deveria esperar por seu companheiro, mais que sua felicidade queria que Artie fosse feliz com aquela união.
–Não se tiverem um herdeiro... –Falou Max –Assim, não terá como a aliança ser quebrada, um filho da união entre as duas raças seria um símbolo do futuro e de uma nova era.
–Filho? – O vampiro mais novo emitiu uma risada nervosa – Vocês esqueceram que nós somos ambos homens?
Gregor mordeu o lábio inferior, aquele gesto era raro... O grande e altivo chefe dos vampiros parecia culpado.
–Existe algo que eu devo te revelar, Arthur... Sobre a sua herança.
–Minha herança?
–Nós chamamos de Blood rose.
–Blood Rose?
–Trata-se de uma habilidade passada através do sague, advindo da família de sua mãe. Seus irmãos não ganharam essa habilidade, contudo você... –Novamente o vampiro parecia indeciso em revelar mais. Arthur podia ouvir seu coração batendo rapidamente em seu peito, algo que era incomum para a sua espécie, já que são caracterizados por manter o ritmo sanguíneo tão baixo ao ponto de pensar que eles não tinham pulsação nenhuma. Queria saber o grande segredo! Isso estava relacionado pelo o fato do seu pai sempre o tentar proteger de tudo? Por que ele era diferente?
–E que tipo de habilidade é essa? –Murmurou a pergunta.
– A capacidade de albergar a vida. Nós vampiros, não temos uma grande fertilidade, dificilmente conseguimos ter um filho, não estranhas por que tens tantos irmãos? Sua mãe por ter a habilidade Blood rose era altamente fértil... E isso você herdou dela.
–E-eu sou fértil? Mas...O que isso significa afinal?
–Isso significa que podes engravidar...
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–Você não precisa voltar para me ajudar, podia ser perigoso. – Resmungou Ivan, seus olhos ardiam e não podia abri-los, não queria ter que admitir que Raivis o salvou do ridículo, afinal ficaria andando às cegas, literalmente, pela a floresta. Seria um alvo fácil, além de ser um jeito muito humilhante de morrer. O pequeno lobisomem passava uma espécie de pasta fedorenta sobre seus olhos fechados, apesar do terrível cheiro, aliava a dor. Desde quando ele confiava em um lobisomem para ampara-lo e ajuda-lo? Não...Não conseguia sentir antipatia por Raivis, não queria admitir em voz alta, mas confiava nele.
–Posso parecer fraco, mas sei me defender. –Pode ouvir a sua voz tremula, queria parecer forte? Como?
–Mesmo assim...
–Não podia deixar você sozinho e machucado. –Sussurrou, o caçador sentiu um leve acelerar nos batimentos do seu coração. Estranho... Nunca sentira algo assim. Será efeito da magia do vampiro? Isso lhe fez lembrar...
–Vocês não me informaram direito sobre os alvos! O vampiro era um bruxo!
–E-eu n-não sabia disso... E-eu sinto muito. S-se eu soubesse não te deixaria ir sozinho...E-eu... Desculpe!
Ivan suspirou, não queria que o garoto se afastasse, ainda obscurecido pela cegueira buscou a mão de Raivis, foi fácil encontra-la já que lobisomem não fez nenhum movimento, parecia apreensivo esperando a ação do caçador.
–Obrigado. –Murmurou, para sua surpresa sentiu algo tocando sua bochecha. Algo molhado e ao mesmo tempo quente.
–Raivis...-Levou a mão ao local aonde o estranho toque ocorreu.
–E-eu vou pegar água! –Disse subitamente o melhor, Ivan pode ouvir o garoto se afastando.
“Aquilo foi um beijo?”.
Ivan sorriu, teria que pensar em uma forma de recompensar o seu lobinho mais tarde.
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