Half Body — Interativa
8 A manhã em que Teresa percebeu que encarava a futura Rainha.
Notas iniciais

Eight.
8. A manhã em que Teresa percebeu que encarava a futura Rainha.
— Porque só eu tenho que dar aulas para ele, e você fica aqui, nesta mordomia? — Thomas indagou a Joanna enquanto abria a porta do escritório da mesma.
Joanna deu um longo suspiro proposital, antes de erguer seus olhos para seu marido, que andava raivoso em sua direção.
— A aula não foi tão legal como esperava? — a mulher perguntou, retoricamente, e Thomas sentou-se com força na cadeira a afronte Joanna.
—Isto é um saco! — o rapaz esbravejou. — Ter que ficar lá, falando coisas que qualquer jovem menino saberia. Além de que ele nem mostra se interessar nas aulas! Como ele quer ser um bom Arthur se nem prestar atenção, ele presta? — sua voz estava um tanto quanto ofendida, e Joanna sorriu. Ver Thomas nervoso era um ato muito raro. — O que você está fazendo? — indagou à loira, ao ver pastas ao seu redor.
— Só olhando as fichas das Selecionadas — comentou. Thomas entendeu o recado, pois assentiu e logo pegou uma ficha. — Não foque nos quesitos exigidos no início do processo — Joanna ordenou, referindo-se ás pessoas que olharam situação financeira, beleza e corpo.
— O que eu tenho que olhar? — indagou fitando a ficha de uma menina ruiva.
— Qualquer coisa que demonstre se ela é manipulável — Joanna explicou. — O modo de preencher a ficha, a organização das palavras, a forma como a letra foi escrita — exemplificou, dando uma breve olhada em Thomas, que franziu as sobrancelhas.
— Como você consegue enxergar se ela é manipulável olhando isso? — perguntou fitando a mulher, que tinha os lábios num sorriso. — Desculpe, eu esqueço quem você é — comentou num sussurro, e Joanna abriu seu sorriso. Thomas focalizou os olhos na ficha novamente, mas a única coisa que conseguia enxergar era que a menina precisava fazer aulas de caligrafia. — Ok, desisto — admitiu, colocando a ficha na mesa e levantando.
— Vai conferir a decoração — Joanna ordenou, ainda olhando a ficha em suas mãos. — E depois vá falar com Teresa, explicar que o Arthur está ansioso, e por isso diferente.
Thomas assentiu.
— Sim senhora.
[...]
— E esta daqui — Teresa iniciou, abrindo a porta branca de madeira, e adentrando a sala bem clareada. — É a sala de aula.
— Espera, nós vamos ter aulas? — Montana perguntou, fitando Teresa.
A mulher assentiu, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
— Como quer ser uma Rainha sem aprender? — devolveu com uma pergunta, e a menina baixou a cabeça, bufando. Teresa sorriu e observou a ‘sala de aula’, que de sala de aula não tinha nada. Era apenas uma sala, com sofás e poltronas dispostas em meia lua, e um projetor no centro da sala, mirando para a parede branca. — Quatro anos de Seleção, e nenhum ser decente para ajeitar essa sala — comentou num sussurro, que Peregrina conseguiu escutar. — Sentem-se — pediu.
As garotas se acomodaram nos sofás e nas poltronas. Peregrina observou que além das poltronas e dos sofás, haviam pequenas mesinhas com cadernos e canetas.
— Ok, então, como vocês sabem, hoje é o Baile das Selecionadas, onde vocês serão apresentadas para a família real — Teresa começou, andando de um lado para o outro, segurando uma prancheta. — Será a primeira impressão que vocês passarão em todos os convidados, não só nos Reis, mas em nobres e duques — continuou, pegando a prancheta, e mordendo o lábio inferior.
Gracie reparou que a mulher não estava totalmente confortável ali.
— Logo após o almoço vocês irão para uma sala com alguns vestidos do Dean McHong, e escolherão o que usarão esta noite.
— Dean McHong? — Ayuu perguntou num sussurro, e Teresa a fitou, com seus olhos tempestuosos. — O maior estilista da Inglaterra Dean McHong? — repetiu, ainda chocada. Sabia que ganharia novos vestidos, mas não sabia que era do maior estilista da Inglaterra, e talvez do mundo.
— Sim, sim — Teresa respondeu, sorrindo para a menina. — Não só do Baile de hoje, mas para as outras festas também — acrescentou e Ayuu sussurrou algo como ‘meu Deus, estou vivendo no paraíso’, fazendo Averie ao seu lado rir. — Bom, prosseguindo, vocês irão escolher o vestido, e se precisar, suas criadas irão fazer os ajustes necessários. No Baile, vocês serão apresentadas individualmente, e cumprimentarão a família real.
— Como assim? — Katherina indagou erguendo a mão devagar. Teresa a fitou. — Nós vamos descer as escadas conforme nossos nomes são anunciados, e no pé da escada a gente meio que irá abraçar os Reis e o Príncipe? — perguntou, com certo receio de ter entendido errado.
— Sim, sim — Teresa admitiu, para a infelicidade de Peggy. Tinha quase certeza de que tropeçaria e chegaria aos pés da escada rolando. — Ai depois de cumprimentar a família real, vocês entram na festa. Como terá muitos nobres, é bom conversar com eles, afinal, é sempre útil ser amigo de um nobre, já que somente uma irá ganhar — deu de ombros, e voltou a olhar a prancheta.
Lysanna se sentiu entediada. Não queria ter que conversar com nobres e duques velhos. Ela não queria ser a boa filha que seus pais sempre ordenaram que ela fosse, mas também não queria ficar para trás. Sabia que se tivesse uma chance com eles, porque não teria com o Príncipe? Se de repente achasse alguém que a influenciasse de forma positiva para Arthur, seria de extrema importância.
— Quando estiver perto das onze horas, as Selecionadas irão dançar a valsa com o Príncipe — Teresa prosseguiu. — Será por ordem alfabética, e cada Selecionada terá dois minutos dançando.
— Uma hora de puro tédio — Kamille murmurou, e Clarice ao seu lado segurou a risada. Não que Kamille odiasse valsa, mas bem, ela não queria ter que ficar esperando minutos e minutos sem fazer nada só para dançar por dois minutos com o Príncipe. Por mais que Kamille não tivesse visto a lista das Selecionadas, ela sabia que não seria uma das primeiras.
— Após a valsa, as bebidas alcoólicas estarão liberadas — Teresa prosseguiu, dando uma leve olhada na ficha.
— Até para os menores? — Evellyn perguntou, fitando Teresa. Não que ela estivesse interessada em beber. Sabia muito bem que poderia começar embebedando as meninas mais manipuláveis dali. Um gole aqui, um gole ali, ela nem perceberia. E não seria uma boa primeira impressão. Pontos para ela.
— Até os menores — Teresa respondeu, e sua voz parecia raivosa, como se ela não gostasse da ideia de jovens de dezesseis anos bebessem. — Após a valsa também, vocês estarão livres para fazer o que quiserem, podem ir dormir, dançar, conversar com os convidados, enfim, uma lista desnecessário para pronunciar — admitiu, tirando os olhos da prancheta e fitando as trinta garotas que continuavam sentadas. — Dúvidas?
— Nós poderemos conversar com o Príncipe durante a festa? Sem ser durante a valsa, digo — Chrystal perguntou. A ruiva queria ter suas próprias conclusões sobre o Príncipe Arthur, e não como a mídia o descrevia. Gostaria de fazer isso em mais de dois minutos.
— Claro — Teresa respondeu. — Na verdade isso seria muito bom para as que querem ganhar — complementou logo em seguida, e a mulher conseguiu observar uma ou duas, baixando a cabeça, envergonhadas. — Mais alguma pergunta? — indagou novamente.
Bianca ergueu a mão, com certo receio. Ter trinta mulheres lhe encarando não era algo que ela estava acostumada.
— Nós vamos treinar a valsa antes? — indagou, ainda fitando a mulher. Teresa arqueou uma sobrancelha. — Não que eu não saiba dançar, é só que... Faz tanto tempo que eu não danço uma valsa decente, que bem... E se eu sem querer pisar no pé do Príncipe?
— Hum... Se você quiser, posso escoltar um guarda durante o baile para dançar com a senhorita — Teresa ofereceu, mas Bianca não se sentiu muito confortável com a ideia, por mais que tenha assentido. — E se outras garotas quiserem praticar antes também, é só me avisar, que eu escolto mais guardas — acrescentou fitando outras meninas, que apenas assentiram. — Mais dúvidas? — perguntou novamente, mas ninguém se manifestou.
Teresa inspirou o ar, e fitou o rosto de cada menina a sua frente. Por algum motivo, sentia-se estranha ao pensar que poderia estar encarando a futura Rainha da Inglaterra.
Fale com o autor