Habits of My Heart.
8 Capitulo 07.
Notas iniciais
Felicity Smoak
Um ano e dois meses depois.
Duas írises âmbares me encara com firmeza, nenhum de nós dois estaríamos dispostos a desistir da luta. Eu o fito com mais intensidade, afinal eu sou a matriarca dessa família – uma Smoak legitima –, mesmo ele sendo um também, eu sempre venceria no final, e ele sabe perfeitamente disso, mas não se daria vencido rapidamente. Eu o conhecia muito bem!
— Você sabe que podemos fazer isso o dia todo, certo? – Eu solto uma risada sarcástica. Ele guincha algo, mas continua segurando o objeto da nossa discussão com força. – Vamos lá, entregue-me e nenhum de nós terá o coração partido no final.
Ele pensa por um momento, e quando estou quase puxando para mim, ele volta a realidade, puxando mais rápido o chocolate, o que me surpreende e meu coração falha uma batida, ele me olha começando a mastiga-lo com satisfação. Eu arregalo os olhos incrédula.
— Você... você.... você.... – Busco as palavras apontando o indicador para ele, tentando inutilmente vociferar, mas nada vem. Minha causa era perdida.
Eu também nunca falaria nada que pudesse magoa-lo. No final das contas ele sempre seria nosso porto seguro, e poderia comer o que desejasse. Seus olhos âmbares brilham, como duas chamas acessas, um dourado lindo que chega a ser assustador, fazendo meus olhos arderem com as lagrimas não derramadas, porque eu estou tão cansada, e tudo que consigo fazer é chorar e me sentir inútil nos últimos tempos... porque o Harry que sempre amei e me protegeu está aqui bem na minha frente, com um sorriso fofo e o rosto sujo de chocolate... mas ao mesmo tempo não é ele, pois Harry nunca voltou para casa, nunca ligou ou mandou uma carta, nada que provasse que ele estava realmente bem, com passar do tempo tentamos nos acostumar que ele jamais voltaria para casa, meu peito dói só de pensar nisso, com a dor nunca que nunca acaba.... nunca tem fim.
— O que está acontecendo aqui? – Cait entra na sala onde estamos, colocando seu sobretudo azul no gancho ao lado da porta e tirando os sapatos combinando, jogando-os para o lado e vindo até nós. Com um sorriso doce no rosto, por fora ela parece a mesma mulher forte que conheci anos atrás e muito bonita, mas por dentro sei que ela está tão quebrada quanto eu.
— Mamaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa. – Um Luke grita animado cumprimentando sua mãe, sua boca com dois dentes e cheia de chocolate, ele por fim sorri abertamente para ela me fazendo soltar um suspiro. Com as mãos sujas de chocolate ele as ergues no ar e faz movimentos de “chamar” ela para perto de si.
Então é quando tudo fica frio a nossa volta, um silencio cruel se estende entre nós, tem sido assim por um longo tempo, deixe-me te contar como foi passar vinte meses depois que eles se foram.
Quando eu tive meu coração partido, meu irmão apenas saiu pela a porta, ele olhou para mim pela a última vez assim como fez com Cait, e aquilo não poderia ter sido menos doloroso – com um simples aceno, sem palavras, sem garantias – Harry sabia no fundo que não poderia fazer promessas para nenhuma de nós duas, porque promessas precisam ser cumpridas, ele sentia que todas as promessas poderiam ser vãs naquele momento, todos eles estavam se caminhando para o inferno, e no fundo eu também sentia isso.
— Não chore, siga com sua vida sem olhar para o passado. – Harry disse com lagrimas nos olhos, ele beijou minha bochecha e saiu em busca de suas coisas com Cait atrás de si. Ele prometeu que jamais a deixaria como fez no passado, mas ele não conseguiu manter sua palavra.
Então quando eu olhei para Oliver meu mundo estava acabando de desabar, porque depois de um longo tempo eu acreditei que as coisas seriam diferentes, e que o amor seria a chave para tudo. Ele me encontrou e eu o encontrei, mas ninguém sabia que nosso tempo seria tão curto, que tudo acabaria em horas do que em anos, foi duro e muito doloroso. Ler em um romance a separação de um casal era tenso e sofrido, mas viver pessoalmente aquilo, era cruel demais para se suportar sozinho, foi como um golpe final, então suas palavras entraram no meu coração, como uma chama que se acende na escuridão, mas que a qualquer momento pode ser apagada pela ventania fria.
— Não chore. – Ele repetiu as palavras do meu irmão. – Mas também não desista das coisas que te faz feliz. Elas podem ser para sempre, eu acredito nisso.
Ele beijou minha testa seus lábios quentes, eu queria mais, mas não podia ter naquele momento, Oliver me olhou e se afastou, cada passo que era dado para trás doía cada vez mais, era como uma ponta afiada de uma adaga entrando no meu peito, era como a última melodia sendo cantada após uma perda. Eu quis gritar, mas nada da minha boxa saiu, porque eu sabia que tinha perdido um amor que eu jamais pensei em sentir.
— Felicity. – Cait chama, me puxando para o presente. Ela já tinha Luke em seus braços longe do chocolate e com o rostinho limpo.
Mamãe médica coruja, o pensamento me fez sorrir brevemente. Olho para os dois, tudo que me restou no mundo, e não pude conter minhas lagrimas de caírem livremente. Lucas Matteo Smoak era a cópia do meu irmão Harry Matteo Smoak, cada pedacinho dele, o tom da pele, os cabelos loiros e os olhos âmbares, até mesmo o sorriso. Os mínimos detalhes.
— Dói. – Eu fungo como sempre faço me pegando nos pensamentos deprimentes, porque a dor das lembranças de nossos momentos juntos é intensa e não pode ser apagada. Ela me olha por um momento, atravessando a sala Cait vai em direção ao cercadinho, e coloca Luke em meio aos seus brinquedos, como um bom garotinho ele não chora, então ela vem até mim e me abraça com força, rapidamente posso sentir suas lagrimas molhando minha camiseta.
— Não dói. – Ela sussurra com a voz rouca. – Está queimando a cada dia, está nos destruindo a cada segundo, nos consumindo até não sobrar mais nada.
— Cait....
— Eu choro todas as noites, porque o homem que mais amei, apenas foi embora para ser um mafioso russo, e que ele jamais nos levaria para esse mundo sombrio, eu sinto saudades das nossas conversas, e como ele poderia ser um louco possessivo, e como eu amava seu cheiro quando estávamos juntos nas noites frias. – Ela me corta, se afastando, nossos olhos se encontram. – Eu simplesmente estou existindo por causa de Luca, porque ele é a única pessoa no mundo que está colando nossos pedaços.
Minhas lagrimas não podem ser mais seguradas, e eu choro com tudo que eu tenho, até não sobrar nada....
[.....]
Do alto da escada eu observo Cait sentada no sofá, as luzes apagadas apenas o abajur próximo a ela mostra suas afeiçoes, ela segura nas mãos um retrato dela e meu irmão, ambos sorrindo um para o outro, em algum lugar onde foram no passado, a Cait da fotografia está feliz e apaixonada, já a Cait que segura a foto, está triste e quebrada. E eu sei que seu sofrimento é mais que a perda do meu irmão, é por tudo que ela tem passado desde que ele saiu. O que me leva a outra lembrança torturada...
— Cait, o que está fazendo?— Eu perguntei quando entrei no quarto e notei que ela estava debruçada sob a cama do meu irmão. Ela apenas gemeu e pediu que eu fosse embora, mas apenas ignorei e tirei seus saltos altos.
— Eu liguei para ele mil vezes, mas ele não atende. Só vai para caixa de mensagem, ele é um idiota. – Ela enrola a língua e sei que está bêbada mais uma vez, no último mês ela estava fazendo isso com frequência.
— Ele não vai atender Cait, eles nunca vão. – Eu disse suavemente, sem querer feri-la, eu tinha tentando rastreá-los de todas as maneiras possíveis, eu entrei no sistema federal, eu quebrei todas as leis cibernéticas eu fiz tudo que podia, mas nada me levava a eles, é como cavar um buraco sem fundo, como se eles nunca tivessem existidos.
— Ele não tem o direito de fazer isso comigo. – Ela guincha e tenta ficar de pé. – Não depois de tudo que passamos, no início éramos errados um para o outro, eu o odiava, mas agora que ele foi embora, eu percebi que eu nunca o odiei, sempre o amei...
— Cait, ele é meu irmão isso provavelmente está me matando a cada dia, Harry era tudo o que eu tinha desde que a mamãe nos deixou, e viver agora sem saber o que está acontecendo com ele, está me deixando louca. – Sussurrei sabendo que tudo isso nos machucava, mas Cait tinha se apegado ao meu irmão de uma maneira irreversível, afinal ela não tinha mais ninguém no mundo. Ele foi seu porto seguro, assim como foi o meu.
— Eu o amo, e sei que você pode tentar acha-lo. – Ela senta ao meu lado. – Devíamos encontrar eles, sei que você se encantou pelo o loiro bonitão.
De fato, ela estava certa, eu queria encontra-los, ter um romance com Oliver e escutar os resmungos de Harry para sempre, eu perdi as contas de quantas vezes me peguei no computador quebrando todos os códigos do governo russo para saber sobre a máfia, mas eu não sabia qual o método de comunicação eles utilizavam, pois tudo que eu encontrava não me levava a onde eu queria chegar, é como se eles fossem fantasmas, e existisse apenas em nossas cabeças.
— Eu estou tentando o máximo que posso, mas nada funciona, eles estão completamente fora do nosso alcance. – Eu suspirei pesadamente e tentei ao máximo não começar tudo de novo.
Cait estava estranha esses dias, pediu licença do hospital e tem ficado em casa por um longo tempo, sempre vejo ela chorando e bebericando algo, não posso deixar que minha amiga vire uma alcoólatra de vinho por causa do amor louco pelo o meu irmão. Ele não iria querer isso para ela.
— Eu preciso de um banho. – Ela resmungou saindo um pouco cambaleante para o banheiro e se trancando lá.
E como habitualmente, ela ficava lá por muito tempo debaixo da agua quente até que seu corpo não aguenta mais, no fim ela se arrastava para cama e no dia seguinte começava tudo de novo... então depois de duas semanas eu a encontrei desmaiada na sala, pensei que ela tinha entrado em algum coma, quando estávamos no pronto socorro e sua equipe medica de amigos lhe deu um sermão dos infernos ela chorou tudo que tinha guardado, mas não acabava ai, foi quando descobrimos que minha amiga estava gravida de quinze semanas, e que o bebê não morreu por sorte ou graça divina, foi quando uma Cait mais triste apareceu, além de criar um filho sem pai, ela quase o matou, e isso foi seu ponto de ruptura.
— Sente-se e pare de me encarar como se eu fosse uma louca. – Cait chama me tirando das memorias. Eu suspiro e desço as escadas indo até o sofá. – Eu sei que você está lembrando do quanto eu fui irresponsável e quase matei Luca, mas em minha defesa eu não sabia que estava gravida, se eu soubesse...
— Teria sido mais cuidadosa, eu sei e não julgo você, cada um de nós temos nossos próprios demônios para expulsar, você usou o álcool para esquecer e eu usei minha inteligência, mas nos fins das contas continuamos na mesma com um pacote extra. – Tento sorri apontando para o teto onde Luca está rocando agarrado com seu urso polar e Bene ao seu lado como vigia.
Meu gato virou o protetor fiel do meu sobrinho desde que ele nasceu, Cait teve uma gravidez de risco, e com sete meses ela teve que passar por uma cesariana de emergência para dar a luz a um garotinho muito pequeno e lindo, ele acabou passando três meses de recuperação no hospital com problemas respiratórios, até que obteve sua alta, foi outro inferno a se passar, orando todos os dias para que ele saísse dessa bem e sem sequelas, eu pensei que minha amiga morreria mais ela foi forte e cuidou do seu filho com dedicação a cada segundo, acho que Luca sentiu o imenso amor de sua mãe, então ele saiu forte e hoje é o garotinho mais lindo e incrível que já conheci, mas não podemos deixar de lado que o outro participante não sabe da existência do fruto de seu amor por Cait.
— Eu preciso encontra-lo, saber se ele está bem. – Ela respira olhando para o teto. – E dizer que ele precisa ensinar ao Luca não quebrar os corações das garotinhas na escola.
— Acho difícil o Luca não fazer isso, ele é lindo demais para não quebrar os corações das meninas apenas com duas palavras. – Eu bufo e me inclino pegando sua mão. – Foi difícil, é difícil, mas no fim vai dar tudo certo.
— Porque você acredita tanto nisso.... – Suas palavras são cortadas por duas batidas na porta. Eu olho confusa pois já é tarde, e quase ninguém vem nos ver, é então que uma Cait mais maluca pula do sofá e correr para porta. – Harry.
— Espere. – Eu puxo sua mão levando-a para longe da porta. – E se for um assassino da máfia em série, que veio nos exterminar por nós sabermos demais sobre ele?
— Felicity...
— Luca precisa da mãe viva, já que o pai não está aqui para protege-lo. – Eu corto um pouco dura. Ela assente com medo e fica perto de mim, pego um taco de beisebol e caminho lentamente até a porta, pelo o olho magico eu vejo um peito coberto por um terno escuro e apenas, quem quer que seja é alto.
— Quem é? – Cait indaga para a porta ainda fechada parada ao meu lado.
— Sou um amigo de Oliver e Tommy, assim como Harry. – Ele responde, sua voz é suave e não possui ameaça, mesmo assim me mantenho receosa ao abrir a porta para um estranho tarde da noite. Pego meu celular e passo para Cait, ela deixa na discagem rápida e balança a cabeça para mim prosseguir.
— Se você tentar algo, saiba que eu tenho um amigo policial que fará picadinho de você. – Eu ameaço com firmeza. – Estou com o dedo na discagem rápida, um toque e ele estará aqui em dois minutos, antes que você possa fugir.
— Acredito que sim, querida. – Ele disse, sua risada era suave como sua voz. Então eu balancei a cabeça e Cait abriu um pouco a porta, eu segurei o taco de beisebol com força a frente do meu corpo, eu bateria nele até a morte se ele fizesse algo contra nós.
— Creio que isso não será necessário. – Ele sorrir sem mostrar os dentes.
— Creio que a essa hora da noite, um desconhecido batendo em nossa porta também não seria necessário. – Retruca Cait alarmada.
O homem a nossa frente é realmente muito bonito, ele possui pele clara, cabelos loiros perfeitamente penteados para trás com algum tipo de gel, olhos verdes como duas esmeraldas polidas, corpo forte vestido com o terno sofisticado, ele com certeza exala perigo e máfia dos seus poros. Para uma pessoal normal, ele seria apenas algum magnata, mas no mundo de Oliver, Harry e Tommy não existe esse tipo de homem, são apenas assassinos qualificados, lobos em pele de cordeiro.
— Posso entrar? – Ele pede mantendo o sorriso.
— Não, você não pode. – Eu nego e ele fica em silencio. – Apenas diga o que tem a dizer e saia, a máfia não é bem vinda na minha casa.
— Mesmo seus respectivos companheiros? – Ele ergue uma sobrancelha loira em questão.
— Eles são a exceção. – Cait dá de ombros casualmente.
Nós não poderíamos dar-se ao luxo de confiar em alguém da máfia que não fosse nossos homens, se esse cara tinha algo para dizer ele poderia dizer de onde estava.
— Pare de procurar. – O cara falou de uma maneira sutil. Eu sabia ao que ele se referia. Diretamente olhando em meus olhos ele prosseguiu. – Sei que você tem fuçado a procura deles, mas não vai encontrar nada, tudo que está conseguindo fazer é chamar a atenção de outros inimigos para si, Bratva não é a única em nosso país, dentro do mesmo lugar possuímos duas inimigas, e vocês estão conseguindo fazer que elas venham atrás de vocês.
Eu senti todos os pelos do meu corpo se arrepiar com seu aviso, Cait não estava muito diferente de mim, suas mãos tremiam enquanto ela deu um passo para trás.
— Não sei ao que você se refere. – Minto.
— Sim, você sabe querida. – Ele balança a cabeça. – temos conexão dentro do próprio governo, sei que você quebrou muitas leis cibernéticas para nos localizar, mas não trabalhamos dessa maneira, então eu apenas vim pessoalmente lhes dizer que parem, quando seus respectivos companheiros desejar entrar em contato eles farão, até lá vivam suas vidas e deixe o resto para depois, não queremos que vocês se machuquem, afinal eles ainda lutam para mantê-las vivas, se vocês estragarem isso morrendo nada restará para eles, então tudo será um caos, não é apenas a vida deles em jogo, mas as suas também.
— Como posso ter uma garantia que eles estão vivos? Você pode ser um impostor e....
Minhas palavras são cortadas quando ele puxa algo atrás de si, meu movimento é acerta-lo, antes que ele possa nos ferir com uma arma, eu dou dois passos firmes em direção a ele, e ergo o taco quando eu baixo com toda força que tenho, porem ele é mais rápido e segura o taco no ar, antes que possa atingir seu rosto, olhando-me surpreso por um momento, sou baixinha mais tenho força idiota. Então quando eu tento puxar de volta, ele ergue sua outra mão livre, antes que eu possa gritar para Cait fugir, o cara sem nome me mostra uma caixa média de presente.
— Você realmente se parece com seu irmão. – Ele pisca e puxa o taco das minhas mãos com cuidado, deixando-o encostado perto da porta e volta a se aproximar de nós, e segura minhas duas mãos colocando o presente entre elas. – Tenha uma boa noite, querida. – Sorrir saindo e fechando a porta silenciosamente.
Eu e Cait olhamos para a caixa como se ela fosse uma cobra prestes a nos picar, eu com a mão tremendo rezo para que não seja uma bomba, assim que tiramos a tampa, o que vejo faz meus olhos lacrimejarem....
— Oliver.... – Eu sussurro tirando um globo muito bonito, dentro dele possui uma rosa vermelha, e quando você balança o globo as pétalas que estão caídas dança ao redor da rosa. O que me faz lembrar sua estufa, a mesma que eu e Luca tem cuidado nas horas vagas.
— Harry... – Cait soluça tirando outro globo de neve, diferente do meu, o dela é um castelo coberto de neve como aqueles dos contos de fadas. – Ele nunca esqueceu que eu amava essa coisa. – Ela chora me fazendo chorar também, porque os dois homens das nossas vidas estão dando seu aviso que respiram, mesmo que muito distante de nós.
Uma semana depois.
— Okay, vamos lá menino grande. – Eu murmuro pegando Luca de sua cadeirinha, ele estava todo sujo e precisa urgentemente de um banho quente, para poder ninar.
Eu e Cait dividíamos nosso tempo com nosso garotinho, eu consegui um trabalho em uma loja meio período, era quando Cait estava de atendimento no centro hospitalar. Suspirei e o trouxe para mim, antes que eu pudesse alcançar sua bolsa, eu senti algo frio pressionar minha nuca, o que causou arrepios por todo o meu corpo.
— Em silencio, se afaste do carro. – Comanda uma voz fria como gelo. Eu fico mais tensa, abraçando Luca em meu peito. – Agora vá em direção aquele carro, não chame atenção, odeio bater em mulheres. – Ele me empurra em direção a um carro preto que estava estacionado do outro lado da rua.
— Você deve estar me confundindo com outra pessoa....
— Seu nome é Felicity Smoak, e esse menino em seus braços é seu sobrinho Luca Matteo Smoak e aquela que está no carro é a mãe dele, Caitlin Snow, eu sei exatamente quem vocês são, então comece a se mover, eu iria odiar ter que bater em você para faze-la andar. – Ele me corta, suas palavras como facas sendo afiadas.
Eu tentei olhar para ele sob o ombro, mas fui empurrada abruptamente para frente, por sorte estou com meus tênis esportivos, se fosse saltos eu poderia ter tropeçado e com Luca caído no chão, duvido que ele me seguraria, sua voz era como o diabo sussurrando maldades.
— O que você quer? – Eu pergunto sem rodeios.
— O chefe quer vê-la, então eu vim busca-la pessoalmente, sem mais perguntas cadela. – Ele responde me conduzindo para o carro. A porta é aberta e Cait abre os braços para pegar Luca ansiosamente.
— Meu bebê. – Ela suspira beijando Luca assim que o pega de mim. Lagrimas molham seu rosto.
— Entre vadia, não temos o dia todo. – O cara atrás de mim late. Eu rosno para ele antes que eu possa me conter e o acotovelo no rosto, eu sinto o impacto de encontro com seu nariz. Ele pode ir para o inferno.
— Você é um merda, seu idiota. – Eu tento soca-lo novamente, mas antes ele me segura nos pulsos me girando e batendo meu corpo contra o carro com força. Meu rosto estala no vidro, e o contando bruto faz minha pele arder. Maldita certeza que cortei minha testa.
— Corajosa, mas burra. – Ele sorri perverso. – Eu não esperava, então dou alguns pontos para você, na próxima vez eu posso corta alguma parte do seu corpo como resposta.
— Tomasio, se afaste. – Um sotaque diferente nos cumprimenta. Eu olho para cima para ver um homem encostado no carro ao meu lado. Ele veste um terno preto, seu cabelo está raspado nas laterais e alto em cima, o tom da sua pele parece mel, seus olhos são escuros, ele é bonito por fora, mas a frieza que encontro em seu olhar o torna muito feio. – Eu sou Natanael, mas todos me chamam de Rico.
— Você pode ir para o inferno, Rico. – Eu cuspo.
— O inferno tem sido nosso lar por muitos anos, talvez você goste de passar uma temporada conosco. – Ele sorri puxando um cigarro do bolso, acende e me fita tranquilamente, como se não estivéssemos no meio da rua para o mundo ver. – Soube que Harry está no jogo novamente, mas não sabíamos que ele tinha família deixada para trás, então uma abelha me contou que ele tinha uma linda irmãzinha xeretando nos assuntos da máfia russa, o que me despertou curiosidade, foi então que eu descobrir também que você tinha bônus. – Ele bateu com os dedos no vidro do carro, Cait estava assustada, o que me deixou mais alarmada.
— Não sabemos nada sobre ele. – Eu engulo. – Por favor, ele partiu e não temos ideia do que pode ter acontecido com ele. Somos inúteis para você.
— Não estou aqui para encontra-lo, querida. – Ele disse sem tirar os olhos dos meus. – Eu sei exatamente onde e com quem ele está nesse momento.
— Então não nos machuque, deixe-nos ir. – Eu imploro com os olhos arregalados. O cara atrás de mim, sacode meu corpo com força, pressionando contra o vidro, eu perco a respiração por um momento.
— Já foi na Rússia? – Rico me indaga naturalmente, apagando o cigarro no chão.
— Não. – Respiro com meu peito doendo. – E não quero ir.
— É uma pena, pois nós estamos de saída. – Ele sorri e passa por mim com uma rajada de vento, seu perfume me dar náuseas. – Sim, não fui realmente um cavalheiro. – Ele volta e para a minha frente quando o idiota que me segura me puxa pelos cabelos para trás. – Eu sou o subchefe Rico da máfia italiana, e esse que segura você é Tomasio, meu segurança pessoal.
— É um prazer. – Lato em desprezo.
Tomasio puxa meu cabelo com mais força, e eu tento controlar as lagrimas que querem descer sobre meu rosto. Dia de merda!
— Vamos vadia. – Ele me empurra para dentro do carro, e senta ao meu lado. Cait me olha tremula, e balança a cabeça para que eu não faça nada, Luca nos fita em silencio. Rico senta ao lado de um motorista tremendo, e acena que ele vá em frente.
Foda-se, estamos indo para Rússia, direto para a toca do inimigo. Não era assim que imaginei rever meu irmão novamente, muito menos Oliver.
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