Habits of My Heart.
4 Capitulo 03.
Notas iniciais
Você pode pegar este coração
Curá-lo ou parti-lo ao meio
Não, isso não é justo
Me ame ou me deixe aqui
Felicity Smoak.
— Felicity eu vou sair com o Harry para a festa dos Jones – Declarou Cait animada.
— Você bebeu? – Perguntei me erguendo rápido do chão enquanto catava alguns cacos de vidro após quebrar um prato. Além de beijoqueira sonhadora, eu agora era um desastre ambulante na minha própria casa.
— Não! – Negou com uma careta.
— Porque se você chegar aqui dizendo que transou bêbada com meu irmão mais velho, eu jogo você pela a janela ou no fundo de um poço. Com o Harry, Barry seja lá qual for nome do crush da vez – Avisei jogando os cacos de vidros na lata de lixo. Eu estava irritada, e nem era meu período menstrual ainda.
— Mas eu acho que acabamos de fazer isso. – Relatou com gestos para cima se referindo ao meu irmão que estava no quarto. Cantarolando uma maldita música de amor. Fiz uma careta para ela, porque eu com a maldita certeza não queria saber da vida intima do meu irmão, muito menos se é com a minha melhor amiga.
— Felicity – Berrou Harry descendo a escada rapidamente dando-me um susto dos infernos. – Onde está minha camisa preta de botões? – Ofegou afastando os fios loiros da testa.
— Aquela que você arrancou todos os botões em uma noite dessas? – Acusei com sarcasmo. – Está na costureira assim como todas as outras de botões. – Bufei. Harry era um desastre quando seu assunto era camisa de botões, ele não tinha paciência para elas, ou talvez fosse suas noitadas, onde as garotas animadas arrancavam os botões como gatas selvagens.
— Como vou para festa? – Cruzou os braços sobre o peito como se eu fosse a solução dos seus problemas, onde não estou resolvendo nem os meus no momento.
— Bem, eu não sei.... – acenei passando pelo os dois. – Use a camisa que a mamãe enviou para você no natal. Ela é bonita!
— Aquela camisa nem entra em mim e também é rosa pink, nem se o inferno congelar eu usarei aquilo! – Disse ofendido arrancando uma risada de Cait. – E agora?
— E agora? – Franzi o cenho para ele.
— E agora? – Sorriu Cait.
— Tenho uma ideia – pisquei pegando meu celular. – Vou pedir uma do Tommy, ele chegou de viagem, vocês dois tem o mesmo tamanho e....
— Não. Não – negou estrondosamente Harry para mim. – Prefiro ir pelado como vim ao mundo do que usar uma camisa daquele babaca político.
— Mas ele é nosso....
— Não. Eu sou seu único irmão e você minha única irmã ponto final – tomou o celular com acidez. – Ele é apenas alguém que detesto, e insiste em se meter em nossas vidas.
— Tudo bem – esbravejo pegando o celular de volta. – Eu peço ao Ray, tem muitas não vai se importar. – Dei de ombros e o mesmo concordou por fim.
(.....)
— Obrigado Ray pago quando puder – soltou Harry com uma risada sarcástica já vestido para matar, namorar ou beijar, ou seja, arrasar na noite. Até que meu irmão é um gato, mas gato do que o Bene. Com uma voltinha rápida ele estala os dedos alisando os cabelos para os lados, deixando os fios loiros com um charme sexy. A camisa que Ray lhe deu ou emprestou é azul escura de botões dobradas até os cotovelos, calça jeans escura e botas.
— Não se preocupe com isso – acenou Ray com uma risada animada. – Ficou muito melhor em você do que em mim – esclareceu ao meu lado.
— Melhor assim – sorriu Harry por fim bagunçando os cabelos deixando o mais despojado possível. Que homem compulsivo, revirei os olhos passando a mão na testa. – Agora preciso buscar madame Snow antes que ela encontre o palito Allen, sou capaz de atira-lo no poço se ela ousar me trocar por ele.
— Encantador – sorri erguendo as sobrancelhas para o ele. – Agora ande – ordenei antes que ele parecesse uma Ihama com aquele cabelo.
— Nada de sexo na minha casa, sem bebidas alcoólicas ou algo do tipo, se tocar na minha irmã enquanto eu estiver fora, quando eu voltar você morre Palmer. – Rosnou Harry com um cachorro raivoso.
— Chega – fiz uma careta empurrando-o para a porta. – Volte bem, eu te amo. – Pisquei fechando a porta antes que ele desse algum tipo de discurso amoroso.
— Amoroso como sempre seu irmão – soltou uma risada Ray se jogando no sofá de braços abertos. – Felicity.... – Interrompo o mesmo antes que ele faça algum tipo de pergunta.
Eu estava incerta do que iria fazer nesse momento, mas era necessário desde que conheci Oliver e Ray voltou, as coisas mudaram entre nós dois, não sinto aquela ansiedade de tê-lo para mim, como; ama-lo, ser completamente sua novamente. Era como se nossa química tivesse desaparecido.
— Não fale – pedi pressionando os lábios contra os seus, com gemido baixo ele correspondeu subindo suas mãos por dentro da minha camiseta branca, tirando-a sem muita dificuldade, deslizei a língua em sua boca procurando pela a sua, mas os toques ainda eram frios, o gosto do beijo não era mais o mesmo, pressionei meu corpo contra o dele como se nada fosse nos afastar, mas tal ato foi em vão, ele me correspondia à altura, mas meu corpo e minha mente não. Eu já não era mais a mesma Felicity que não podia vê-lo, que me jogaria nele como se nada mais me faltasse. Eu não era mais sua Ray.... – Desculpa – sai do seu colo deixando atordoado. Vesti minha camisa apressadamente, me sentindo de algum modo suja.
— Felicity o que diabos está acontecendo? – Questionou um pouco irritado bagunçando os cabelos com as mãos. – Até uma semana atrás estávamos perfeitamente bem em todos os sentidos, mas desde que voltei, você está agindo um pouco diferente a nós dois.
— Preciso de tempo, espaço ou algo do tipo, de fato as coisas mudaram, não me sinto a mesma – esclareci deixando-o chateado. – Sinto muito Ray, não posso transar com você sem sentir nada, eu me sentiria um lixo depois. – Fui clara.
— Encontrou outra pessoa? – Olhou em meus olhos com uma fina aflição. Devolvi o olhar insegura mais não poderia deixar escapar que um desconhecido estava me afetando internamente, isso não me fazia a melhor pessoa, mas também não seria a pior de todos.
— Não – menti sabendo que a verdade doeria para todos. – Mas como eu disse, preciso de espaço, eu acho melhor você ir embora. – Informei desviando o olhar do mesmo.
— Não precisa mais de espaço Felicity, acho que acabamos por aqui – Bufou irritado saindo pela a porta sem dizer qualquer outra palavra.
— Droga! Droga – esbravejei irritada subindo as escadas como um raio. – Por que não amar o Ray? Seria bem mais fácil, somos nerds, gostamos das mesmas coisas, ele é bom de cama, lindo, amoroso e acima de tudo amigo— listei exaltada pelo meu quarto jogando os sapatos para os lados amarrando meu cabelo em um coque desajeitado.
Em meio a toda minha frustração escuto o vidro da minha janela ser estalado por uma pedra o que me chamou atenção. Respirei fundo temendo que fosse Ray com algum tipo de ato romântico para me conquistar novamente ou Harry com algum ato de sadismo para terminar de me irritar pelo o resto da noite.
— Escuta aqui... – comecei abrindo a janela abruptamente. – Vai para o.... – parei de falar ao ver Oliver com as mãos nos bolsos de sua jaqueta preta. Seu olhar azul brilhava pela a claridade da lua, sua expressão era fechada apenas me observando com uma pantera negra. – Oliver.
— Acho que deixou cair isso na minha casa – afirmou puxando do bolso uma corrente com pequeno S como pingente representando família Smoak. Era da minha mãe. Passei a mão pelo meu pescoço sentindo o espaço vazio sobre minha pele.
— Ah! Sim – foi tudo que eu consegui pronunciar saindo da janela e correndo pelo o corredor em disparada até a porta da sala, antes que ele fosse embora com suas mudanças de humor. Abri a porta rapidamente, sua silhueta deslizou para perto, ele estendeu a corrente para mim. – Obrigado – murmurei com sorriso torto colocando-a de volta no meu pescoço.
— Não por isso – sussurrou olhando para os lados. – Bom preciso ir. Achei que fosse mesmo seu, já que foi a única a invadir minha propriedade. – Ralhou.
— Desculpe por isso – sorri me referindo a invasão.
Ele apenas me olhou com receio e girou sobre os calcanhares, eu queria falar algo para ele, algo que de fato chamasse sua atenção. Mas tudo que consegui fazer foi escorar-me no batente da porta observando-o se perde de vista entre as sombras.
[......]
Não consegui dormi, esse era um fato! Meus olhos queimavam, imploravam por descanso, minha cabeça latejava com os pensamentos a mil, minhas ideias todas embaralhadas. Eu me remexia na cama onde parecia ter espinhos, ao invés de um colchão macio, até Bene minha bola de pelos, decidiu pular da cama para dormir no tapete duro do quarto ao ter que dividir a cama comigo. Era o cúmulo de tudo.
— Shiiu. Faz silêncio idiota – escutei as risadas pelo o corredor ao longo da madrugada. Só o que faltava, ouvir meu irmão fazer sexo.
— Não se preocupe mocinha, ela já está dormindo feito pedra – disse Harry com a voz embolada pela a bebida e uma risada abafada me fazendo revirar os olhos.
— Harry – repreendeu Cait com outra risada. – Agora entendo porque suas camisas de botões não duram muito. – Embolou a voz também, e eu sorri porque amanhã seria um longo dia para os dois, e se caso alguém culpasse a bebida iria receber um inferno de um sermão meu.
Os murmúrios ficaram mais baixos e eu sabia que ele já devia estar arrancando a camisa como em um show de strip-tease. Depois de alguns minutos de pegação no corredor como dois adolescentes descarados, os mesmos enfim acharam a cama fechando a porta e abafando os sons ruidosos de prazer. Por Deus! Se amanhã Cait vim choramingar que não estava lucida novamente e dormiu com Harry pelo o álcool, eu jogo ela no lago com uma pedra amarrada no pescoço. Era uma promessa!
— Por que eu? Meu Deus! Por que eu não posso ser normal? – praguejei socando o travesseiro. Com muito tempo depois enfim o sono resolveu me visitar me levando ao subcontinente pleno e frustrado em uma mansão assombrosa com um homem de olhos azuis.
(......)
— Você está parecendo o gato de botas com a pança muito maior – franzi o cenho para Bene enquanto ele bebia seu leite em toda sua elegância felina de olhinhos fechados. – Precisa de um regime pulguento – esclareci cutucando sua barriga redonda com o dedo.
— Bom dia – anunciou uma Cait toda sorridente se jogando ao meu lado me dando vários beijos pelo o rosto de uma maneira mais meiga do que antes.
— Cait. Cait – acenei nervosa para que ela parasse. – Essa boca andou pelo o corpo do meu irmão, eca! – Fiz uma careta nojenta.
— E como andou – sorriu maléfica pegando um pedaço de pão para passar a manteiga. Rolei os olhos por sua roupa onde na verdade era uma camisa de Harry que mais parecia um vestido em Cait. – Qual o problema Felicity? Esses dias você anda muito ranzinza, Ray chegou, falta de sexo é que não é – mordeu o pão com uma risada atônita.
Sempre fomos abertas uma com a outra, ela sabe meus segredos mais íntimos, afinal de contas eu só tinha ela como uma mulher para conversar. Se ela pelo menos soubesse de um terço do que acontece dentro de mim, me chamaria de louca.
— Você está bem com isso? – Perguntei curiosa desviando do assunto.
— Isso o quê? – Sorriu bebendo um gole do seu café com os fios castanhos do seu cabelo ondulado caindo sobre os olhos.
— Esse relacionamento com Harry – respondi com suspiro. – Ele não é muito mulherengo para você? – Eu precisava ser sincera, mesmo que Harry seja meu irmão, não deixaria de proteger minha melhor amiga dele. Harry é um homem de trinta e quatro anos, e nunca quis uma família além de mim.
— Sabe Felicity.... – Começou incerta. – Eu sempre gostei do Barry, mas ele nunca vai olhar para mim como olha para íris, e no fundo isso dói muito – mordeu lábio desconfortável. – Eu já tive minha cota desastrosa como; Ronnie meu primeiro amor que morreu em um acidente trágico em uma usina nuclear, Jay que me traiu da pior forma com seu coração de gelo e por fim amei um homem que nunca olha para mim como alguém para namorar, apenas como uma grande e velha amiga, eu não quero ser segunda opção de ninguém. Pelo menos Harry me coloca em primeiro plano todos esses anos, resolvi dar uma chance e esperar onde isso tudo irá parar, mesmo que eu saia com o coração partido depois, eu posso correr os riscos.
— Sei bem como se sente – suspirei massageando as têmporas com pesar. – Primeiro o Cooper; maníaco cibernético que foi preso e depois morto na cadeia, e por fim Ray.... Onde estamos mais para amigos colegial do que um amor perfeito.
— A verdade é que não combinamos com os perfeitos – admitiu se levantando da cadeira com um pulo rápido. – O imperfeito talvez seja mais gostoso e intenso – indicou para o teto se referindo a Harry. Solto uma risada jogando um pedaço de pão na mesma que acena e volta a subir as escadas quase correndo. Desço o olhar para encontrar Bene comendo a fatia de pão que caiu.
— Sua baleia-gato – acusei incrédula. – Bene você vai explodir – revirei os olhos repousando minha testa sobre o braço acima do balcão. Escutando seu ronronado satisfeito.
(....)
Eu tinha um plano! Eu seria amiga de Oliver mesmo que ele não desejasse isso, eu sabia ser bem persistente quando a questão seria desafios, Oliver tornou-se um para mim, quando entrou na minha vida por acaso. Além do mais, eu já tinha colocado meu aplicativo de busca, para funcionar, o que duraria algumas horas até que toda pesquisa fosse concluída, e tudo sobre Helena fosse passado para mim.... Respirei fundo com minha autoestima lá em cima, seguindo para a porta do mausoléu, hoje eu agiria com toda minha educação, bateria na porta formalmente, não invadiria com fiz pela a primeira vez que estive aqui. Assim seria todos os dias para fazê-lo enfim ceder e confiar em mim. O que foi bem fácil....
No primeiro dia Oliver demorou trinta minutos para abrir a porta, não parecia surpreso com a minha presença, deixou-me entrar mesmo com seu silêncio cortante, ele se mantinha quieto todo tempo, mas acabou parando de me mandar embora, quase não falava sobre nada, apenas me observava com atenção como se eu fosse belamente sua presa ou uma louca.
No segundo dia ele demorou apenas quinze minutos, mapeava o jardim de trás, tirando todos os entulhos do lugar, a cada dia ele fazia a mansão ganhar uma nova forma, eu lia livros para ele e contava todas as histórias da cidade nos últimos anos desde que esteve fora.
No terceiro dia ele abriu com cinco minutos parecia que já estava à minha espera, acabei trazendo algumas coisas que lhe faltava na dispensa. Pelo o que ele me contou sempre sai apenas a noite como um lobo solitário, para comprar tudo que precisasse no armazém de uma senhora que não questionava um desconhecido sexy.
No quarto dia a porta já estava aberta, entrei e passei direto para a cozinha onde sempre o encontrava tomando uma xícara de café. Eu sempre saia quando Harry já estava longe em sua oficina no centro. Ray desde o dia em que esclareci parte dos meus sentimentos ele não voltou mais, ao menos para conversamos, eu por outro lado me senti aliviada, não queria ver aqueles olhos de decepção novamente, não faria bem para ninguém, Cait começou seu namoro enrolado com Harry aos trancos e barrancos, meu irmão pela a primeira vez na vida estava fazendo algo admirável, fazer Cait feliz e se estabelecer com alguém. Minha amizade com Oliver crescia aos poucos ele não deixou de ser um chato, nunca sorria, pelo menos falava nem que fosse o pouco do pouco.
— Pegue para mim por favor a caixa de ferramentas que está perto da escada. – Pediu Oliver segurando um pedaço de madeira próximo a janela da sala.
— Só um minuto – afirmei saindo em busca da caixa. Notei que a mesma estava próxima a escada inclinei-me para pega-la quando uma barata saiu voando em minha direção. Soltei um grito agudo desviando da mesma, meu coração parecia que ia sair pela a boca.
— Felicity – chamou enquanto eu tinha um ataque de pânico no meio da sala. – O que houve?
— Oliver – gritei me jogando no colo dele escondendo meu rosto na curvatura do seu pescoço, meu corpo todo tremia eu estava aponto de ter um ataque cardíaco. Maldita barata voadora.
— O que houve? – Voltou a repeti procurando meu olhar. Por um momento eu voltei a ser Felicity de quinze anos atrás que temia a tudo e a todos, meus olhos deviam estar pidões pois Oliver me fitava desconfiado, seus lindos olhos azuis traziam-me efeitos aquecedores por todo meu corpo, até o modo como meu nome era pronunciado por seus lábios me deixava zonza.
— Você é muito bonito – soltei encantada sem aos menos filtrar minhas palavras encarando seus lábios convidativos, o tom da sua pele com o contraste da luminosidade que adentrava na enorme sala, era sensual, na verdade tudo nele era. Não sei como, mas eu realmente me sentia em casa, com um estranho, mas ele já estava deixando de ser apenas um estranho, ele estava tornando-se, Oliver.
— Você está bem? – Perguntou desviando da minha admiração, colocando-me no chão com leveza eu tinha adquirido um amor platônico por aqueles grandes braços. Eu me encaixava perfeitamente bem neles, parecia que tinham sido moldados para me envolverem para sempre.
— Estou – sussurrei ainda tremula, não mais por medo da barata, mas sim por querer voltar para os toques de Oliver. – Foi só uma barata – sorri minimamente.
— Bom acho que agora ela já foi embora – observou seguindo até a caixa de ferramentas. – Eu levo isso – disse sem me encarar. Assenti mais não o segui, minha respiração estava pesada parecia que eu tinha corrido uma maratona, meu coração batia acelerado, eu estava ansiosa, tudo porque ele me tocou novamente, eu sempre achava uma maneira de estar em seus braços, todas as ocasiões eram trágicas, mas podia-se dizer que era divertido.
Com alguns minutos segui para fora da casa enquanto Oliver parecia concentrado no que fazia pela a janela velha, seus pensamentos talvez não estivessem realmente ali.
— Oliver estou indo – declarei colocando as mãos nos bolsos de trás do meu short jeans.
— Tem algum compromisso hoje? – Questionou deixando-me surpresa. Ele nunca perguntava nada sobre mim, o que eu fazia ou deixava de fazer. Era sempre frases evasivas sobre tudo.
— Não. Não – gaguejei com sorriso torto. – Só não estou me sentindo muito bem – falei cansada.
Eu estava tudo menos bem, meu corpo e minha mente estavam muito cansados hoje, acordei estranha, mas do que o normal como Harry sempre jogava na minha cara, talvez uma noite de sono me deixasse realmente bem, assim pensei.
— Posso acompanha-la até sua casa – ofereceu limpando as mãos. Ele não entendia... mais alguns minutos perto dele, depois do efeito anterior, eu pularia em seus braços e não era de medo, mas sim de desejo insano, e lhe beijaria até que meus lábios caíssem. Me julgue, mas o que posso fazer se cada dia que passa eu anseio por ele, mesmo que ele não note ou não se importe.
— Não precisa, eu vou caminhando – dispensei saindo igual ao flash pela a estrada vazia sem escutar qualquer frase que me fizesse voltar atrás. Eu queria ficar, mas de certa forma era melhor voltar para meu lugar, eu já estava sendo um incomodo isso estava escrito em seus olhos. Segui todo o caminho me sentindo como na beira da morte. Um suor frio me percorria inteiramente. Efeito Oliver Queen era devastador.
— Felicity – disse Harry assim que abri a porta. – Você está bem? – Analisou minha face com atenção.
— Estou? – Balbucie nervosa. – Não sei. – Gemi em desconforto.
— Você parece pálida – afirmou me encarando com seus olhos cor de mel preocupados deixando o jornal sobre o sofá ficando mais próximo a mim.
— Harry... – chamei seu nome apenas para desmaiar em seus braços.
(.....)
— Ela vai viver? – Perguntou nervoso Harry.
— Sim – respondeu Cait me fazendo despertar com uma lã de álcool próximo ao meu nariz.
— O que aconteceu com ela? – Perguntou angustiado, eu estava suando mais do que o normal, meu cabelo estava grudado sobre a testa e no meu pescoço, me sentia pesada com uma dor de cabeça latejante.
— Ela está com início de pneumonia, precisa descansar e se alimentar bem, vou ao hospital pegar os remédios necessários – esclareceu afagando meus cabelos com carinho. – Consegue ficar quieta até eu voltar, querida?
— Sim – sorri com a voz fraca.
— Eu cuido dela – afirmou Harry ficando ao meu lado.
— Eu volto rápido – disse Cait pegando sua bolsa e seguindo para fora do quarto rapidamente.
— Sinto muito Harry, acho que ultimamente estou dando muito trabalho – forcei um sorriso com vários espirros.
— Não importa, você continua sendo minha irmãzinha mesmo assim – sorriu acolhedor afastando meus cabelos da testa. – Estou aqui para cuidar de você, esse sempre foi minha função desde que você nasceu.
— Obrigado – acaricie sua mão com leveza fazendo-o sorrir com carinho.
Muito minutos depois, Cait voltou quase com a farmácia toda, me medicou e me ajudou a tomar um banho bastante frio, para livrar-me de uma possível convulsão por minha febre ter aumentado bastante, eu estava me sentindo fraca e exausta naquela noite. Eu queria apenas que aquele mal-estar horrível passasse.
Dias depois.
— Você está bem melhor – afirmou Cait tirando minha temperatura. – Bem melhor – sorriu analisando o termômetro.
— Quando posso sair? – Perguntei animada. Fazia dias que eu não saia de casa e a falta que eu sentia de Oliver me consumia por dentro.
— Em uns dois dias – avisou séria. – Enquanto isso fique nessa cama sem ir para lugar algum – ordenou com olhar castanho em total seriedade. – Nesse momento quem vos fala é Dra. Snow.
— Tudo bem – revirei os olhos deslizando para debaixo das cobertas com sorriso murchando.
— Cait precisamos ir – chamou Harry entrando no quarto em passos largos colocando seu relógio de pulso com uma camiseta preta bem apertada em seus músculos, cabelos loiros bagunçando o que realmente era seu charme, com uma calça jeans escura. Seu olhar cor de mel caiu sobre mim com receio. – Podemos deixa-la sozinha? Vai que ela morre ou tenta se matar.
— Claro que posso – berrei irritada. – Vão logo para esse jantar – ordenei com resmungo.
— Qualquer problema ligue de imediato – ordenou Harry preocupado.
— Eu sei Harry – murmurei cansada.
— Então vamos – disse deixando um beijo exagerado sobre minha face corada. – Eu te amo Srta. Caixa da doença.
— Eu também te amo engraçadinho. – Afirmei devolvendo o beijo. Cait fez o mesmo onde correspondi com a mesma doçura. Por fim os mesmos saíram fechando a porta atrás de si. Deitei de lado agarrada ao travesseiro relaxando os ombros, mas uma noite sozinha e vazia. – Mereço – suspirei fechando os olhos.
Alguns minutos se passaram até que senti uma frieza incomodar minha pele exposta já que meus braços estavam fora das cobertas, senti um perfume amadeirado invadir minhas narinas o que me fez abrir os olhos de imediato pelo o reconhecimento.
— Oliver – soltei nervosa ao vê-lo se aproximar ao fechar a janela. Vestido com uma calça de moletom cinza assim como o casaco que fazia pareia. – Oliver – repeti sem acreditar que ele estava mesmo ali, sentando ao meu lado com olhar azul brilhante sobre a luz do meu abajur dando-lhe um feito selvagem, por alguns segundo aquilo me arrancou o folego. Mas o que eu notei me fez de fato perder o folego.
Ele tinha cortado o cabelo, deixando-os curtos, assim como a barba que ficou rala, ele não poderia ter ficado melhor. O homem estava de matar, e mesmo eu doente, aquilo me deixou quente por dentro. Oh homem!
— Você sumiu esses dias – disse estourando minha bolha. – Precisava ver se você estava mesmo bem, porque sempre está metida em confusões – soltou um suspiro resignado.
— Desculpe pelo o sumiço – sorri baixo em um tom de desculpas. – Não fiz por mal – completei notando sua expressão suavizar um pouco. – Estive doente, passei dias na cama. – Fiz uma careta.
— Por isso você saiu daquele jeito? – Questionou curioso.
A verdade Oliver é que eu tinha receio de me jogar em seus braços, acreditei que fosse apenas amizade, mas acho que por minha parte tem algo a mais acontecendo entre nós.
— Sim – sussurrei rouca.
— Pensei que... – parou de falar balançando a cabeça como se desejasse afastar algum tipo de comentário.
— Fale comigo – pedi com carinho passando minha mão por cima da sua em aperto suave. – Sou sua amiga, mesmo que você não deseje isso.
— Pensei que não queria mais me ver – disse por fim um pouco inseguro abrindo os olhos para me fitar melhor.
Sorri notando que era a primeira vez ele se abria comigo, transparecendo confiança, isso me deixou mexida, se eu estivesse bem me jogaria nos braços dele e lhe arrancaria mais verdades, mas permaneço quieta apenas olhando dentro daquele mar infinito que ele chama de olhar.
— Esses dias foram longos longe do seu mau humor – esclareci animada. – Você é uma companhia indispensável Queen.
— O que você tem? – Sussurrou notando que eu já fechava os olhos com o corpo um pouco ainda quente. Maldito remédio, eu queria ficar acordada caramba, Oliver se abrindo é algo que vale o Oscar!
— Uma virose, apenas. – Respondi com chiado e minha visão nublando.
— Eu disse para você não pular naquele rio congelado – resmungou mais perto.
— Foi divertido – sorri torto lembrando quando encontrei um enorme lago atrás de sua casa, Oliver não quis entrar, eu por minha vez pulei como se tivesse encontrado um tesouro perdido mesmo sobre seus protestos. Dois dias depois eu estava assim, entregue a uma virose. No fim ele tinha mesmo razão.
— Achei o motivo do seu sumiço, agora posso ir – murmurou tentado se afastar.
— Não – impedi que ele fizesse. – Não quero ficar sozinha Oliver – choraminguei com os olhinhos que Bene faz para mim todas as manhãs atrás de comida. – Não pode negar esse desejo, afinal eu sempre estive lá para você desde que chegou nessa cidade, caso você precisasse, e mesmo que você odeie admitir, sei que você se importa comigo. – Chantageia sem me importar.
— Isso não é verdade. – Negou.
— Mas agora estou voltando a esquentar como o inferno, a febre me ronda, posso morrer e a culpa seria sua – argumentei me afastando para que ele tivesse acesso a parte da minha cama. – Por favor.
Ele começou uma guerra interna, olhando para os lados um pouco zangado, mas enfim assentiu o que me deixou nas nuvens internamente, afastei a coberta enquanto ele tirava os tênis. Antes que ele ficasse desconfortável na cama, puxo seu braço para cima, me encaixando ao seu lado.
— Felicity.... Você está perto demais – advertiu.
— Não o bastante – ignorei deitando em seu peito rígido.
Agora me sentia relaxada e realmente em casa, era dessa montanha músculos que eu sentia falta por esses dias dolorosos. Joguei a coberta sobre nós finalmente encontrando meu descanso triunfal, seus dedos percorreram a linha do meu braço me deixando arrepios por fim descansando sobre minha cintura.
— Boa noite, Oliver – inalei seu perfume amadeirado. Eu já não estava lingando para o depois, apenas no agora, que dizia claramente o que eu poderia sentir, conforto nos braços de alguém que nunca sentiu nada por mim.
— Boa noite – sussurrou afagando meus cabelos com a mão livre, era um carinho novo para mim, me senti tão bem nos braços de alguém ainda desconhecido, Oliver tinha efeitos sobre mim, esse que me deixava insegura mais acolhida. – Felicity.... – suspirou grave como se desejasse dizer algo, mas se calou, será que eu seria capaz de amar alguém que não se importa? Que talvez partisse e me deixasse sozinha.
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