Guarda-costas
27 Capítulo vinte e sete
Notas iniciais
O porto era um local de grande utilidade para os negócios da família Uzumaki. Foi o primeiro espaço conquistado pela tríade e também foi por meio daquele negócio que a família conseguiu o nome e o temor que precisava para começar sua história.
Por meio daquele lugar, eles começaram a regular a entrada e saída de mercadoria dentro de Tokyo, seja legais ou ilegais. Também era por meio daquele ponto que as pessoa pagavam fortunas para fugir ou entrar no país com o que quisessem.
Desde drogas à outras pessoas.
Já na entrada do século XXI, Minato começou a limpar os portos controlando completamente a entrada e saída de produtos. Esse controle gerou uma desavença com as outras famílias que tinham que pedir permissão para realizar qualquer negócio através dele.
A família mais afetada por esse controle foi a Nagato, que costumeiramente utilizava o porto como ponto de entrega para o tráfico humano.
Como a família Uzumaki não tinha qualquer interesse em continuar com aquele negócio tão cruel, eles simplesmente colocaram um ban permanente no negócio de tráfico humano e foi quando a rivalidade entre as famílias começaram.
Os dois lados insistiam em uma convivência pateticamente pacífica em frente a mídia e as outras famílias, mas por detrás das cortinas eles tentavam destruir a todo o custo o negócio um do outro. Até que o casamento de Yumi e Nagato aconteceu.
E Minato sentiu-se obrigado a permitir certas liberdades para Minato com o intuito de proteger a sua filha. Assim, Nagato voltou a fazer negócios de muita valia que permitiu a expansão do seu negócio no território dos Uzumaki.
No caminho em que as coisas estavam indo, naquela época, todos estavam apenas esperando que as famílias Uzumaki e Nagato se juntassem como em datas passadas e que Nagato conseguisse recuperar a sua vantagem nos negócios com a entrega do controle do porto.
Mas o pior aconteceu.
Minato morreu, colocando Naruto no seu lugar e Nagato não apenas teve que esquecer sobre a sua retomada de negócios, como também teve que abdicar de todo o território que havia conquistado por cima dos Uzumaki.
Por isso, não era surpresa para ninguém que o ataque no porto, era obra única de um Nagato que estava perdendo a cabeça, atrás de vingança.
Hinata e Naruto saíram do carro juntos e alguns dos homens da família Uzumaki que os acompanharam, se espalharam por todos os lados, procurando pontos estratégicos para continuarem a atenta vigilância. Hinata permaneceu ao lado de Naruto, como a sua já conhecida sombra.
— Senhor Uzumaki! — Um homem de estatura pequena de cerca de um metro e sessenta de altura os saudou.
Naruto não se preocupou com a sua presença e continuou andando para onde os ataques haviam sido realizados. Segundo as informações que eles já havia recebido, duas bombas foram colocadas dentro no prédio administrativo do porto e mais três no cais.
Como ainda estava no início da manhã, no período de troca de turno dos funcionários, a bomba conseguiu fazer como vítimas tanto os funcionários da noite quanto os da manhã que estavam chegando ao trabalho.
O desastre foi total e as perdas de vidas já passava da contagem de dezenas. As outras três bombas destruíram o cais e a proa de um navio que começou a encalhar a beira-mar.
Os bombeiros ainda estavam apagando o fogo, mas a ameaça de outras bombas haviam sido descartadas imediatamente depois de uma varredura realizada pelo esquadrão antibomba.
— Todos os empregados sobreviventes já foram mandados para o hospital e a polícia está esperando do lado de dentro de uma das cabines de operação.
Naruto se aproximou do porto e viu de longe o desastre no cais e no navio. Hinata não sabia o que estava passando na cabeça dele, mas sabia que pela calma como ele estava enfrentando a situação, não deveria ser nada bom. — Porque eu falaria com a polícia?
A voz de Naruto deu arrepios por todo o corpo de Hinata e o empregado que estava ao seu lado recuou alguns passo e abaixou os olhos. — Eles pediram para falar com o senhor. Eu posso informar que o senhor não está disponível...
— E, porque, você faria isso, quando ele está bem aqui? Parecendo mais disponível que nunca?
Hinata virou-se e percebeu a aproximação, de uma mulher e três outros homens. Nenhum deles estava vestido com roupas de policial, mas ela conhecia cada um daqueles rostos.
Hinata sentiu o seu corpo resetar com a presença, principalmente da mulher. Karen havia ameaçado a vida de Naruto mais de uma vez e quase tinha conseguido chegar nele, menos de uma semana atrás, quando ela apontou uma arma para a sua cabeça.
Por sorte Hinata havia chegado a tempo e arrancado a arma das suas mãos.
Aquele encontro havia deixado um gosto amargo na boca de Hinata e uma sensação de perigo toda vez que encontrava algum policial muito perto de Naruto.
Ela nunca pensou que estaria em uma posição, onde os policiais haviam se tornado alguém que ela tinha que ter cuidado, mas do que alguém que ela podia pedir ajuda. E aquela mulher era a causa de toda aquela sua nova percepção sobre a força policial do Japão.
Karen era raivosa, inconsequente e impulsiva. E parecia ter contas a acertar com o seu protegido.
Naruto, sequer se virou, quando percebeu a voz as suas costas e Hinata se colocou na frente da linha de visão dos policiais, impedindo qualquer acesso a Naruto que continuava não dando qualquer atenção àquela cena.
Hinata observava cada pequena expressão no rosto daquela mulher e percebeu imediatamente quando a raiva flutuou no seu olhar, quando Naruto permaneceu a ignorá-la.
— Precisamos saber quem poderia ter planejado um ataque tão horrível contra o senhor.
Naruto continuou em silêncio e o homem baixinho percebendo a tensão da situação se colocou ao lado de Hinata, um pouco mais atrás.
— O senhor Uzumaki está ocupado agora, senhorita. Podemos marcar um horário para essa conversa no escritório principal.
— Não me venha com senhorita, eu sou uma policial e tenho toda o direito de questionar onde o senhor esteve entre as sete da noite de ontem e seis horas da manhã de hoje.
Naruto suspirou. — Eu estava em uma videoconferência sobre um time de Beisebol no qual eu tenho interesse em comprar. Depois, eu dormi.
— Acompanhado?
Naruto se virou e colocou a mão na cabeça de Hinata a empurrando para frente. — Eu dormi com ela. Você pode questioná-la sobre tudo que fizemos ontem a noite.
Hinata olhou para trás em um mister de surpresa e irritação e acompanhou com os olhos quando Naruto lhe deu as costas e saiu acompanhado do homem baixinho que lhe seguia de perto com a boca aberta em choque.
Karen tentou seguí-lo, mas Hinata a impediu se colocando entre ela e o caminho que levava ao seu protegido.
— Saia da minha frente! — ela tentou lhe empurrar, mas Hinata apenas segurou o seu pulso e lhe empurrou para trás. — Você quer ser presa?
— Sobre que autoridade? — Hinata sorriu levemente. — Que eu saiba você está aqui apenas como uma civil e se eu quiser eu posso chutar a sua bunda daqui até o portão..
Os olhos de Karen se afiaram, quando Hinata jogou na sua cara a sua suspensão. As duas sabiam muito bem que ela não deveria sequer estar na cena de crime, muito menos questionar Naruto sobre qualquer coisa que tinha haver com esse incidente.
— Então, você sabia que ele havia utilizado sua influência para me cortar do caso? — cada palavra que saia da sua boca destilava um ódio que Hinata nunca havia visto antes.
— Ele não tem nada haver com você ter sido cortada. Eu que fiz isso.
O olhar de choque no rosto de Karin veio de forma involuntária e já era tarde demais quando ela voltou a se esconder atrás da sua muralha de ódio.
— Você?
— Eu achei que você precisava de um tempo de folga, depois do nosso último encontro, quando tentou matar o Naruto, apenas porque você fudeu a sua batida. Aquilo não me pareceu muito profissional.
Karen se aproximou de Hinata e falou no seu rosto. — Pensei que você fosse mais esperta que isso.
— Engraçado a recíproca é verdadeira. Mas, naquela noite eu percebi que você não passa de uma cabeça quente a ponto de cometer uma loucura. — Hinata lhe empurrou para trás novamente com mais força, dessa vez. — Eu não gosto de como você olha para o Naruto, como se ele te devesse alguma coisa. Vai tentar conseguir sua escalada na polícia com a prisão de outra pessoa, porque eu não vou deixar você tocar um dedo nele.
Karin não conseguiu segurar o desprezo na sua voz. — Como você conseguiu me tirar?
Hinata suspirou e respondeu calmamente, enquanto aguentava para si o olhar de ódio que ela já vira muitas vezes sendo jogado em direção de Naruto. — Eu conheço alguém... que conhece alguém…
Na verdade, ela só conhecia o Sasuke e ele havia prometido que faria alguma coisa contra Karen, em completa discrição, sem contar uma palavra para o Naruto, porque se ele soubesse, ele a bolinaria até a morte com a acusação de que ela estava preocupada com ele.
— Apenas me escute e fique longe dele. — Hinata olhou para trás de Karen, onde os dois policiais permaneciam parados, olhando ansiosamente para a interação das duas. — Você são policiais, não são? Tirem ela daqui, ela esta invadindo propriedade privada.
Os dois se entreolharam sem saber como prosseguir.
— Eu vou sair. — Karin finalmente disse, depois de alguns segundo de silêncio. — Mas, eu vou voltar. E quando eu colocar algemas naquele pulsos e você não tiver mais ninguém para te proteger, eu vou querer ver toda essa arrogância outra vez.
Hinata sorriu para as palavras ameaçadora da sua boca e sentiu seu próprio temperamento subir.
— Só venha logo para cima de mim. — Hinata se virou para sair. — Eu sempre estou a fim de uma boa luta.
Quando, Hinata voltou para Naruto, no escritório principal do porto, ele estava sozinho, olhando de forma atenta para fora da janela. Ela sabia que quando o humor dele estava assim, o silêncio deveria reinar.
E logo que ele tivesse pensado tudo que tinha para pensar, ele voltaria ao normal.
E pronto para atacar.
Hinata sentou no sofá do escritório, esticou as pernas em cima da mesa e pegou o celular para jogar candy crush.
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Sasuke sentou na cama sentindo a sua cabeça doer. Ele já estava quase acostumado com aquela dor e a considerava muito melhor que a dor no peito que sentia cada vez que estava sóbrio o suficiente para pensar nas merdas que estava fazendo.
Ele levantou da cama e levou consigo a garrafa de Jack que vivia na sua cabeceira. Ainda era muito cedo para beber, mas ele sabia que apenas uma única coisa conseguiria parar a sua compulsão pelo álcool ou melhor uma única pessoa…
Ele escutou o seu telefone tocar novamente, mas assim como das últimas vezes, ele não atendeu.
Ele sabia o que tinha acontecido com Naruto.
O porto era a barganha mais forte que Naruto possuía nas negociações das rotas de transporte de areia. E com aquilo destruído, ele teria que esperar ainda mais para conseguir destruir os laços de dominação que as outras família ainda tinham com a Uzumaki.
Naruto estava agora completamente acuado sobre qual seria o seu próximo passo.
E Sasuke era o único que poderia ser culpado por isso.
Sasuke havia acabado a videoconferência que estava realizando com Naruto sobre alguns negócios de um time de Beisebol. Eles iam utilizar a compra e venda do time para limpar o dinheiro dos últimos negócios de empreendimentos ainda posicionados na ilegalidade.
Mas, assim que a reunião acabou, Sasuke recebeu no seu celular a chamada que esperava constantemente. Yumi.
Os dois haviam engatado um relacionamento amoroso a três meses, quando ela surgiu na sua casa completamente machucada pelos punhos do marido.
Ela havia dito que o amava que o queria, no entanto, mesmo que ele insistisse o tempo todo que era hora dos dois fugirem juntos, abandonando toda a vida que eles não mais queriam, ela recuava.
Yumi estava acostumada demais com a vida tormentosa que sofria e ele estava acostumado demais com as migalhas de amor que ela jogava para ele.
Os dois estavam preso em um relacionamento sem saída, porque apenas Deus sabia que ele jamais iria deixá-la sozinha de novo, nem que ele fosse utilizado apenas como lenço para as lágrimas dos bonito olhos de Yumi.
Ela nunca havia lhe telefonado nenhuma das vezes que eles haviam se encontrado, ela apenas aparecia na sua casa quando queria então quando ele viu o número desconhecido no seu celular, ele sentiu que a sua respiração falhou.
E, quando, ele atendeu a única coisa que ele podia escutar era a respiração abafada do seu amor.
— Yumi…
— Sasuke, me escute, eu não tenho muito tempo. — ela interrompeu. — Nagato pretende fazer um ataque contra o porto amanhã.
— O que?
— Ele disse que estava perdendo vantagem com as outras famílias, enquanto Naruto estava conseguindo ainda mais influência. — sua voz tremeu. — Ele estava muito bravo.
— Você está bem? — ele perguntou preocupado, ele já tinha escutado aquele tom amedrontado outras vezes. — Porque não nos encontramos. Só me diga, onde você está que eu vou te buscar.
— Eu não posso...
Foi a única resposta dela, antes de desligar.
Sasuke sentindo-se com o coração em frangalhos, pensou em ligar Naruto, mas assim que ele começou a discar o seu número, ele pensou no medo que ouviu na voz de Yumi.
Ela estava sozinha com aquele animal e ele tinha certeza que ela já havia apanhado aquele dia. Aquele seu tom de voz nunca lhe enganava. Depois pensou sobre todas as coisas que Nagato faria com Yumi se ele descobrisse que ela havia vazado a informação para o irmão.
Quantas pessoas sabiam disso? Ele suspeitaria que a sua dócil esposa era a única que vazaria a informação do que ele estava planejando? E se Nagato descobrisse o relacionamento entre eles?
Sasuke sentiu todo o corpo em torpor, quando abaixou o celular e percebeu que não ligaria para Naruto. Ele não podia arriscar a vida de Yumi daquela forma.
Então, ele não ligou. Pegou sua bebida e a entornou até cair em um sono embriagado. E agora que estava acordado a culpa estava o consumindo.
Ele não tinha ideia se o que ele estava fazendo era por Yumi ou pelas migalhas de relacionamento que eles tinha. Afinal, Naruto iria querer saber de onde vinha aquela informação e teria que confessar o seu romance clandestino com a irmã mais nova do seu chefe.
Ele desconfiava que era o último, o que completamente o desqualificava em ficar ao lado de Naruto. O homem que ele havia aprendido a respeitar e até mesmo a admirar em certo ponto.
Sasuke tomou um banho, escovou os dentes para tirar o bafo de alcoólatra e vestiu o seu terno. E o que ele viu no espelho não o agradou. Ele parecia demais com outro membro da sua família que havia perdido mais do que conseguiu aguentar e de alguma forma, foi a lembrança daquele pessoa que o ajudou a vestir a sua carapaça de frio homem de negócios.
Ele pegou o celular na sua cabeceira e respondeu. O dever lhe chamava, mesmo que ele já houvesse falhado com ele.
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