Guarda-costas
22 Capítulo vinte e dois
Notas iniciais
— Soube que o Naruto escolheu um irmão juramentado. Quem é ele?
Kushina perguntou olhando para o homem de cabelo preto na sua frente. Ele estava sentado na cabeceira de uma confortável mesa, vestido em um elegante terno de três peças e parecendo ocupado, enquanto digitava no celular.
Nenhuma pessoa tinha a coragem de ignorá-la tão abertamente daquela forma. Mas, Kushina fez o máximo para não perder o seu temperamento e manteve o tom de voz raivoso em cheque.
Ele olhou para cima e deixou o telefone de lado antes de voltar a falar com ela. — É uma irmã… Hinata.
Kushina levantou da própria cadeira e começou a andar de um lado para o outro na sala que eles estavam ocupando em um restaurante pacato e privado. Um dos muitos lugares que Kushina conhecia para uma reunião daquelas.
— Sasuke, como você permitiu que uma pessoa desconhecida se aproximasse de Naruto dessa forma? E se ela for uma espiã de Nagato ou Tomoyo?
Sasuke suspirou. — Eu conheço Hinata a muito tempo, Kushina. Ela não é nada além de uma pessoa fora do nosso meio. E foi contratada por mim para ser uma guarda-costas de pouca importância.
— Pouca importância? — ela parou na frente de Sasuke, as bonitas unhas vermelhas segurando o tecido da roupa com força. — Ela é irmã juramentada de Naruto, isso a coloca exatamente onde muita gente gostaria de estar para destruir a vida dela. O quanto ela é capaz de influenciar as coisa que o Naruto decide?
Sasuke sorriu ironicamente. — Ela não é você Kushina que tenta de todas as formas descobrir formas de manipular o Naruto em cada oportunidade. Ela é uma boa pessoa.
— Boa pessoas? — Kushina deu uma risada nada delicada. — Como uma boa pessoa aceitaria se tornar irmã juramentada de Naruto? Por acaso ela não sabe quem ele é?
— Creio que os dois conversaram sobre isso.
Kushina voltou a andar de um lado para o outro e ficou em silêncio por alguns tempo, antes de voltar a se acalmar e sentar de novo.
— O quanto ela significa para ele, para ele a colocar como uma irmã juramentada?
— Ela é apenas alguém que ele confia. Diferente dos homens que rodeiam Naruto dentro da família, ela já salvou a vida dele uma vez, por isso ela não precisa provar lealdade.
— Não seja ingênuo Sasuke, ela pode muito bem estar envolvida no tiroteio. Eu quero ela longe!
Kushina recebeu um dossiê longo sobre a menina que havia se tornado sombra do seu filho a menos de uma semana. Vinte e um anos. Guarda-costas. Procedência normal. Pais comuns. E, segundo as várias fotos que ela havia recebido de interação dos dois, a única capaz de arrancar sorrisos sinceros do seu filho.
A mão de Kushina se fechou em um punho apertado.
Como uma pessoa comum poderia se atrever a se aproximar do seu filho? Algo que nenhuma das pessoas que ela treinou justamente para esse fim conseguiu?
— Você pode querer o que quiser, Kushina, mas Hinata vai permanecer onde está. Ela é a primeira pessoa que o Naruto confia plenamente naquela casa e ele não vai deixar você tocar nela. — Sasuke voltou a sorrir, lembrando das brigas infantis que ele constantemente assistia entre os dois. — Os dois são bem próximos, por mais que eles jurem para você que se odeiam profundamente.
— Sasuke…
— Chega, Kushina!
Sasuke fechou a expressão, observando como a mulher na sua frente falhava miseravelmente em conter a sua explosão de raiva. Ele estava naquele lugar, conversando com aquela mulher, por pura cortesia. Ele era um de seus aliados, mas ele não era um capacho.
— Hinata é minha protegida também. Não tente chegar perto dela com os seus planos manipuladores. Isso é uma ameaça!
Kushina pensou rapidamente a melhor forma de virar aquela história para a forma como ela queria, mas não tinha como. Sasuke tinha muito poder na manga e ele era o único que tinha conseguido se aproximar de Naruto a ponto de conseguir lhe informar sobre algo importante.
Ela sentiu um nó no estômago ao perceber que já não possuía tanto controle com o seu filho, quanto imaginava. Ela não conseguia sequer controlar algo tão simples, quanto a pessoa responsável pela proteção dele.
Ela tinha que recuar dessa vez. Ela sequer tinha tempo para armar algum plano.
— Como você pode me garantir que essa menina não está planejando alguma coisa ruim para o Naruto?
Sasuke gargalhou dessa vez. — Eu tenho certeza que ela deve estar tramando todo o tipo de coisa ruim para fazer contra ele. Eles não gostam muito um do outro.
— Eu não vou tentar entender isso, mas ela é sua responsabilidade, mas não pense que não ficarei de olho nos dois, enquanto estiver fora.
Sasuke se surpreendeu com aquelas palavras e levantou quando ela também o fez.
— Para onde você vai? Pensei que agora que o Naruto conseguiu recuperar um pouco do controle sobre a família e que Nagato e Tomoyo estão mais passivos, você voltaria para o lado dele.
Kushina sorriu azedamente. — Naruto conseguiu recuperar parte da confiança da família, se eu voltar agora ele vai perder isso. Eu sou um ponto fraco e, segundo muitos dos membros da família Uzumaki, eu sou inclusive uma traidora. Por isso, eu estou escolhendo me retirar de campo... Por enquanto.
— Você realmente não pretende dizer nada para Naruto?
— Não. Ele sabe que o que eu estou fazendo é para o bem dele.
— Você que sabe...
Kushina colocou o bonito casaco e dois homens apareceram imediatamente atrás dela, armados até os dentes. O poder que aquela mulher tinha escondido na manga era algo que até hoje, mesmo depois de trabalhar tanto anos com ela, ainda lhe surpreendia.
Minato havia cometido o erro de tê-la transformado em sua mulher. Um erro que provavelmente o levou para o caixão.
— Não se esqueça, Sasuke. Proteja o Naruto, enquanto eu estiver fora. Será que, pelo menos isso, você poderá fazer por mim?
— Sim, senhora.
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Tomoyo estava destruindo todas as peças de móveis da sua casa. Nada estava sobrando intacto, não desde que ele percebeu que as suas mercadorias ainda estavam paradas em Tokyo pela polícia local que havia recebido uma dica sobre o seu conteúdo ilegal.
E ele sabia exatamente de onde vinha aquela dica.
Maldito, Uzumaki!
Ele tinha pretendido acabar com a raça de Naruto duas semana atrás e, além de seus homens terem conseguido estragar completamente a missão, eles também tinha denunciado quem havia os contratado.
E, agora, ele estava tendo que colher os frutos da incompetência dos seus homens.
Nos últimos dias, ele estava em ritmo de gerenciamento de crise. Nada funcionava. O seu dinheiro estava sendo utilizado para pagar os seus clientes, quando as mercadorias não chegavam no tempo correto. Vários empresários que não se importavam com o dinheiro e apenas com a mercadoria que haviam comprado estavam lhe enviando mensagens ameaçadoras.
E agora as mercadorias estavam presas com a polícia. Para nunca mais serem recuperadas.
E, se isso, fosse a pior parte...
Alguns homens da sua família estavam indo embora, porque perceberem que os seus negócios estavam fora de controle. Os aliados da sua família estavam se voltando contra ele um por um. Uma vez que ele havia quebrado uma precisa regra das Sete Famílias, um pacto antigo de não agressão, que vigorava a mais de vinte gerações.
Ele tinha o quebrado, no momento, que havia mandado matar Naruto de forma tão direta e, agora que Naruto sabia que ele havia sido o responsável, ele simplesmente poderia vir com todo o tipo de ataques contra ele, sem receber qualquer represália das outras famílias.
Esse era mais um dos motivos dos seus negócios estarem caindo de valor e das pessoas estarem tentando evitá-lo o máximo possível.
Eles estavam com medo da represália virar contra eles.
Um dos homens de Tomoyo apareceu na porta, mas percebendo a destruição da sala de estar e o humor atual do seu chefe, resolveu não se aproximar dele.
— Fora! — Tomoyo gritou para o seu homem. — Eu avisei que não quero ser interrompido.
— Nagato está aqui, senhor!
Tomoyo parou imediatamente com a sua explosão e abaixou o abajur que agora tinha virado o alvo da sua raiva.
— Onde ele está?
Tomoyo perguntou, antes de passar pelo seu homem e seguir em direção a saída. Nagato estava na sua porta esperando encostado na parede e parecendo mais entediado do que nunca.
Aquele era um homem perigoso e volátil que se irritava muito facilmente com aliados e inimigos. Tomoyo tentava ao máximo evitar chateá-lo e não buscar problemas para si mesmo. Havia sido um milagre incrível que eles haviam se tornado aliado, mas isso apenas aconteceu porque eles possuíam um inimigo comum.
— Pensei que você estava tentando ignorar as minhas chamadas.
Nagato pegou um cigarro da sua carteira e o acendeu, sem se incomodar com a presença do outro homem na sua frente. — Não seja uma mulherzinha, Tomoyo. Você é o único culpado dessa situação.
Tomoyo engoliu em seco, sentindo o seu sangue ferver. — Incrível como você fala isso agora, depois de ter sido você a armar todo esse plano.
— Eu também te dei todas as informações para você conseguir matar ele. Como foi que você conseguiu fuder tanto assim?
Tomoyo se calou. Ele realmente tinha recebido todas as informações para conseguir pegar o Naruto de surpresa, inclusive o nome da pessoa que poderia facilmente ser trazida para o seu lado e trair Naruto. E quase conseguiu se não fosse por uma mulher… Uma maldita mulher que o salvou no último instante.
A vergonha da situação era o suficiente para lhe atacar os nervos uma segunda vez naquele dia.
— Se você veio aqui pedir explicações, eu vou te mandar se fuder.
Nagato tragou o cigarro e sorriu.
— Não sei, porque todo esse estresse. Não é como se Naruto fosse te matar…
— Ainda… Ele pode muito bem pedir para as sete famílias tirarem a proteção do meu nome. Você se esqueceu? Eu quebrei o nosso pacto de não agressão.
— Para ele te matar ele precisaria pedir permissão para todos nós.
— Você acha que alguém vai ficar do meu lado? Eu tenho que certeza que até mesmo você vai me deixar para trás quando a hora chegar.
— Não tenha dúvidas. — Nagato sorriu novamente e Tomoyo segurou a vontade de socar a cara daquele idiota. — Mas, nada disso vai acontecer, para ele pedir a sua morte, ele teria que conseguir uma reunião com as sete famílias e ele ainda não conseguiu.
Tomoyo se encostou na parede, um pouco mais aliviado. — Quem está bloqueando isso?
— A única pessoa que me pediu para vir até você, curar as suas crises de menininha.
— Hidan? — Tomoyo ignorou as ofensas.
— Ele está no México e aparentemente ninguém consegue alcançá-lo. Mais dois membros da família também estão fora de radar, por isso Naruto ainda não poderá fazer nada.
— Pelo menos isso…
— Então, você precisa se acalmar e parar de me ligar. As minhas negociações com você vão continuar. Naruto não vai fazer nada direto contra mim, porque ele não tem como provar o meu envolvimento no caso. E se ele tentar, eu tenho a irmãzinha dele para controlá-lo… — Nagato sorriu perversamente. — Não podemos ficar fracos agora, por que Hidan tem alguns planos preparados. Mas, vai demorar algum tempo para ele preparar tudo.
— Quanto tempo? Eu estou perdendo dinheiro.
— Ele disse que pelo menos três meses.
Tomoyo bateu o seu punho na parede. — Como eu vou esperar tanto tempo?
Nagato virou os olhos. — Não é como se você tivesse opção Tomoyo. Apenas cale a boca e siga o que o Hidan está falando. Em pouco tempo, vamos ter uma estratégia infalível para acabar com aquele miserável.
Tomoyo pensou em tudo que poderia fazer para evitar a sua completa destruição, enquanto Naruto estava lhe nocauteando por todos os lados. Ele teria que retroceder e enfraquecer o seu próprio poder e confiar naquele dois homens para lhe erguerem de novo.
Obviamente, ele não acreditava que aqueles homens manteriam a promessa depois que eles vencessem o seu inimigo comum. Mas, ele jurou que se caísse, ele levaria o máximo possível com ele.
E se fosse apenas Naruto que ele conseguisse arrastar junto para o inferno, ele já se daria por satisfeito.
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