Guarda-costas

73 Capítulo setenta e três


Notas iniciais
oi gente, um capítulo surpreendente para vocês, leem as notas do final do capítulo, please! Esse capítulo foi escrito no sétimo dia de quarentena, ao som das músicas mais tristes de Taeyeon! Quem tiver interesse em escutar essa deusa... https://www.youtube.com/watch?v=_93wlqgK7QI obs: Talvez o capítulo faça abordagem a um tema sensível para os leitores, então leiam com cuidado!

Nagato estava deitado em um leito de hospital sentindo-se destruído. Todo o seu corpo doía, apesar das doses imensas de medicação para amenizar os seus ferimentos.

Vários ossos do seu corpo estavam quebrados, metade do seu corpo parecia estar em chamas com as queimaduras que sentia e a outra metade, ele simplesmente não conseguia sentir nada.

Ele havia escutado que as queimaduras haviam sido muito graves e os nervos do local haviam sido tão destruídos que não mandavam informações de dor ao seu cérebro.

Não sentir dor seria uma informação muito bem vinda para ele, se também não significasse que ele estava além do reparo. Tudo nele morria lentamente e a dor era a única coisa que sinalizava que ele ainda estava vivo. Sobrevivendo.

Mas, sobreviver era muito difícil também e ele se pegava na dicotomia entre querer estar morto nesse momento de tortura, ou continuar lutando pela sua vida.

Nagato nunca foi um homem de pensamentos muito profundos. Na verdade, ele tentava afogar todos eles nos seus vícios. Bebidas, drogas, remédios controlados e, quando não estava chapado demais para fazer o seu pênis funcionar, mulheres.

Todos aqueles funcionavam como remédios para que ele pudesse sair da cama na manhã seguinte.

A bebida entorpecia qualquer sentimento amargo na sua garganta, as drogas o levavam para um lugar onde ele era invencível sem qualquer problema que não pudesse resolver, os remédios o faziam dormir a noite sem que pesadelos o atormentassem. E as mulheres...

As mulheres eram sua muleta.

No mundo em que ele vivia, o seu pai sempre havia tentado ensinar-lhe a ser o melhor. Constantemente tentando embutir na sua cabeça um sentimento de superioridade que jamais havia realmente ficado lá.

E ele tentava passar isso para o seu filho da melhor forma que uma criança poderia entender. Pelo exemplo.

Desde criança tudo que ele soube, via, assistia e replicava eram as atitudes do seu pai. Um homem violento e cruel que não tinha limites. Aquele homem também tentou ensiná-lo a ser viu, mas isso nunca funcionou.

Ele era fraco. E apenas isso.

Ele nunca conseguiu se considerar como seu pai, forte, complexo, superior, chefe. Ele era como a sua mãe. Fraco, irritável, sentimental ao extremo... E carente.

E pessoas fracas sempre tentavam provar a sua força em algo que eles podia controlar. Em seres mais fracos. Por isso mulheres sempre funcionavam para ele como o melhor tipo de muleta para a sua fraqueza.

Ele aprendeu a copiar esse sentimento quando o seu pai matou a sua mãe na sua frente, porque ela havia errado a combinação de cores do seu terno com a sua gravata.

Ele acabou com ela de forma tão banal que parecia como se ele tivesse apenas se livrando de uma barata que havia se aventurado no chão da sua sala, ele simplesmente, pegou uma estatueta da cabeceira em cima de uma estante e acertou com força na cabeça dela.

Ela morreu instantaneamente.

Nagato sempre suspeitou que não havia sido realmente a roupa que havia feito o seu pai a matar, mas sim ele. O seu filho de onze anos que vivia debaixo da saia de sua mãe, com muito medo do pai para aprender a ser forte o suficiente para ser considerado um herdeiro.

Mas, mesmo depois do episódio, o seu pai nunca havia conseguido o moldar da forma como queria, ele se tornou a sombra de uma criança, despois a sombra de um adolescente, até que se tornou um adulto que nunca conseguiu demonstrar que era bom o suficiente.

E foi com essa fraqueza que ele ousou sonhar no impossível, desejar o inalcançável de forma pura e distante como um amor impossível.

Yumi...

Apenas o pensamento dela fazia com que o seu coração saltasse. A beleza dela era algo que praticamente exigia em ser admirada, mas ele não achava que merecia sequer olhar ela nos olhos.

Ela era pura e doce. Tudo que ele nunca havia sido nessa vida.

E ela o encantou de primeira. E ele em todo o momento durante meses buscava qualquer motivo para conseguir admirar o seu amor de longe.

Até que o seu pai percebeu e uma segunda pessoa também percebeu... Assim em pouco tempo, a sua pequena paixão platônica e primeiro amor foi forçada a ir até ele.

Nagato encontrou Yumi amarrada a cabeceira da sua cama com os olhos vendados e lágrimas saindo ao redor do pano.

Ela parecia desesperada demais para evocar qualquer tipo de pedido de palavra e ele paralisou com a surpresa de encontrá-la naquelas condições no seu quarto.

Ele tirou o seu casaco para cobrir o belo corpo nu exposto, mas antes que pudesse completar o ato, seu pai havia entrado no quarto.

“- Nem ouse fazer isso com o seu presente! Sabe quão difícil foi trazê-la aqui?

Nagato olhou para o seu pai confuso. — Mas, o que é isso? Pai... Ela é... Ela é filha de Minato!

Ele bufou em escárnio. – Isso fará dela ainda mais deliciosa... – ele se aproximou da cama onde Yumi chorava quietamente. – Olha como ela é bonita... – ele tocou o bico dos seus seios e Yumi não se preocupou mais em ficar silenciosa, ela soluçou dolorosamente. – Você deve agir como um homem uma vez na vida.

— Eu não vou fazer isso! – ele gritou para o seu pai.

O seu pai levantou-se rapidamente da cama e lhe deu um soco na cara. Nagato sentiu seu corpo enfraquecer e ele caiu no chão em dor.

O seu pai nunca se segurava no momento de querer lhe ensinar uma lição. E a regra era clara, a única pessoa que podia gritar ou se recusar a fazer alguma coisa era ele.

— Você fará porque eu estou mandando.

Nagato ficou calado, ele tinha medo demais para retrucar. O seu pai foi até o outro lado do quarto, pegou o celular do seu casaco e apontou para onde Yumi estava deitada.

— O que você esta fazendo? – Nagato sentia como se estivesse em ponto de lágrimas. – Você vai filmar ela?

— Obviamente, temos que ter provas do que está acontecendo.

— O senhor vai assistir? – Nagato sentia a ânsia na sua garganta.

— Eu tenho que confirmar para saber se pelo menos isso você consegue fazer direito!”

Nagato emergiu seu cérebro na dor da presente situação e tentou retirar as imagens do que veio a seguir da sua cabeça. Ele não era forte o suficiente para conviver com a merda que ele mesmo tinha feito.

Ele deveria ter simplesmente se negado a cometer tamanha atrocidade com alguém que ele já estava apaixonado. Mas, como dito antes, ele era fraco. Fraco demais.

Então, ele seguiu em frente, utilizou-a da forma como o seu pai queria e em menos de dois meses o seu pai conseguiu convencê-la a se tornar a sua esposa.

Sua esposa... Ele queria rir daquela expressão.

Mesmo depois de casado e com em posse de todos os direitos que ele tinha sobre a sua esposa, Nagato havia prometido que nunca mais tocaria Yumi, se não fosse por sua vontade. Ele prometeu que seria bom para ela e que faria o possível para compensar a primeira noite deles.

E Yumi, em um dado momento, de fato procurou por ele.

Ele pensou que finalmente, ele poderia tê-la de uma forma real, que ele poderia cuidar de sua esposa como havia prometido em seus votos, mas ele percebeu em pouco tempo que ela estava além da dor.

Ela não conseguia sentir mais nada em seu coração. Ela havia lhe dito que ele podia fazer o que quisesse com ela, contanto que ele a batesse primeiro.

Ele ficou em choque, porque ele bateria em uma mulher? Ele jamais aceitaria aquilo, ele nunca faria com uma mulher o que o seu pai fazia com a sua mãe.

Então, ele fez a única coisa que ele considerava certo naquela situação, ele se negou veemente em tocar sequer um dedo nela.

E como resultado de suas recusas, sua esposa procurou na rua o que não conseguia dentro de casa.

Ela saiu um dia e foi parar em um hospital com várias partes do corpo machucadas. Ele a buscou no médico, cuidou dela em repouso e a levou para casa, sem perguntar qualquer coisa.

Ele achava que aquilo foi um momento de impulso que jamais voltaria a se repetir, mas dois meses depois de completamente curada, Yumi fez o mesmo. Dessa vez, ela quebrou uma perna também.

E dessa quando ela estava completamente quebrada na cama de um hospital, ele recebeu os primeiros olhares de nojo em sua direção.

Era como se ele havia feito isso com ela. Ele era o seu agressor. E de certa forma, todos aqueles olhares estava corretos. Ele quebrou aquela mulher. Ele a estuprou, a utilizou, a filmou, a ameaçou e a obrigou a casar com o seu algoz.

Agora, ela agia como a pessoa quebrada que ele havia lhe transformado, realmente, não fazia nenhuma diferença se ele nunca quis nada daquilo.

O alvo do seu amor platônico havia sido destruído por ele e estava além do reparo por sua culpa.

Dessa vez, ele a levou para casa de novo. Cuidou dela. E da próxima vez que ela pediu que ele a batesse, ele fez. E foi a sua vez de começar um lento processo de morte.

Era engraçado como, agora, na cama de um hospital com metade do corpo queimado, tudo o que ele tinha para passar o tempo, eram pensamentos infelizes.

Ele não conseguia evocar um único pensamento bonito em sua memória, mas o que ele podia fazer?

Por acaso houve algum momento feliz que ele pudesse utilizar para substituir toda a merda que acontecia constantemente na sua vida?

Nagato ouviu a porta do seu quarto se abrir e abriu os olhos, segundo os doutores ele tinha tido muita sorte que um pouco da sua visão ainda estava em condições aceitáveis, mesmo se ele não fosse a utilizar por muito tempo.

Ele escutou o som do salto no chão do seu quarto e os passos em sua direção. Uma cadeira foi arrastada para o seu lado, mas ele ainda não conseguia ver a pessoa. Até que de repente o cheiro chegou em seu nariz.

Ele reconhecia quem era... Até demais.

Uma mão tocou o seu braço enfaixado delicadamente. A dor insuportável do seu braço foi embora rapidamente.

Yumi... Ela nunca o tocava, se não fosse na frente dos outros para manter a aparência.

Na verdade, ela pedia que ele tocasse outras pessoas, sem se importar com ela. E ele fazia isso, em uma estúpida esperança de deixá-la com ciúmes.

Algo que nunca aconteceu e que provavelmente nunca aconteceria.

O fato era que ela nunca sentiria qualquer coisa por ele, não importava o quanto ele tentasse.

— Eu soube que você está morrendo.

A voz dela era gélida como sempre. Aquela era a verdadeira voz de sua esposa. A sua verdadeira personalidade. Não havia pena, empatia, calor, nada...

Nagato fechou os olhos com força focando no tom de Yumi, procurando em algum canto profundo da sua voz algo diferente da completa indiferença que ela sempre o tratava. Mas, não havia nada alí. Ela era uma concha vazia.

— Algo esteve muito errado! – ela bufou pesarosa. – Não era para a explosão ter sido tão forte...

Nagato abriu os olhos surpreendido pelas palavras. Como assim, como ela poderia evitar a força da explosão? Nagato tentou forçar as palavras para fora de sua boca, mas não conseguiu, suas cordas vocais estavam danificadas demais.

— Era para você estar mais inteiro, agora qualquer coisa que eu faça com você irá parecer como um ato de caridade. – com a voz ainda fria, ela parecia falar consigo mesma. Ele queria olhá-la mais uma vez, mas ela continuava fora de sua visão e ele não conseguia virar o pescoço na sua direção. – Agora, me diga Nagato. Será que eu devo te tirar desse sofrimento?

Os batimentos dele aceleraram e ele percebeu mais do que nunca a morte lhe rodeando. A morte lhe alcançando em forma de mãos delicadas e voz suave. Aquele seria seu fim? Pelas mãos da pessoa que ele amava, mas que nunca lhe correspondeu?

Ela suspirou. — Eu queria ter tido o prazer de fazer você sofrer um pouco mais, mas os médicos estão falando que você não vai passar da noite. Se eu quiser que você sofra mais um pouco, eu não terei a capacidade de acabar com a sua vida em minhas mãos, mas se eu te matar, você irá embora pacificamente... Aqueles malditos, deveriam ter prestado mais atenção na potência da bomba, eu havia sido muito clara sobre o quanto de estrago eu gostaria de fazer...

Ela continuava falando consigo mesma e ele mais uma vez tentou virar o rosto para observá-la. Uma última vez... Por favor, Yumi, me deixe ver o seu rosto...

Mas, ela não lhe permitiu, retirou a mão de seu braço e falou mais alguma coisa para ele ouvir.

— No fim das contas, eu ainda quero acabar com você com as minhas próprias mãos... – ele escutou o som do seu sorriso abafado. – Fazer o que? Vou pensar nisso como um pequeno agrado por você ter me feito de mim quem eu sou hoje... Afinal, eu não estaria aqui sem você!

Nagato queria chorar, escutando palavras tão cruéis dos lábios dela, palavras que quem não a conhecia de verdade, jamais imaginaria que sairiam de sua boca.

Pelo menos disso, ele poderia se vangloriar que ele era o único a ver o lado cruel dela.

E ele estava pronto para ir para qualquer destino que ela havia planejado para ele, a única coisa que ele queria era olhá-la por uma última vez. Mas, ela não lhe permitiria isso, justamente porque ela sabia que era isso o que ele mais desejava.

— Não se preocupe, eu vou fazer o possível para ser bom para você...

Ela sussurrou próximo ao seu ouvido e ele voltou àquela primeira noite, onde o destino virou de cabeça para baixo a vida dos dois.

“- Não se preocupe, eu vou fazer o possível para ser bom para você...”

Ele havia dito a mesma coisa para ela antes de tudo. Ele queria rir e chorar ao mesmo tempo, ele realmente achou que aquilo poderia ser de alguma forma bom para ela?

Ela colocou uma seringa na sua linha de visão, antes de descer com ela diretamente no seu coração. A dor da penetração da agulha era infinitamente menor do que a que ele já sentia em seu corpo.

O seu coração acelerou com a nova agressão e ele sentiu como se o seu corpo estivesse afundando em adrenalina. Uma força poderosa que o deixava sem ar.

Nas últimas forças do seu coração acelerado, ele tentou olhar mais uma vez em direção da sua esposa e por um milagre de Deus, dessa vez ele havia conseguido, mas ela já não estava lá.

Notas finais
Bom gente, estamos em quarentena! Espero que todos permaneçam saudáveis e lavem bem as mãos! Eu vou fazer uma coisa com vocês, eu não estou completamente livre por que eu estou home office, então talvez seja uma coisa um pouco complicada aumentar o fluxo de capítulos, mas eu vou fazer o possível, por isso, sempre que eu terminar de escrever um capítulo novo e editar, eu vou logo postar, se eu não postar nenhum na semana, eu vou postar no domingo como sempre! Ou seja, terá no mínimo um capítulo por semana, MAS se eu tiver tempo vou tentar postar dois. Agora, vamos ao capítulo, O QUE VOCÊ ACHAM DA YUMI? E DO NAGATO! OBS: teremos NaruHina no próximo!