Guarda-costas
77 Capítulo setenta e sete
Notas iniciais
Hinata acordou se sentindo melhor depois da segunda semana de cama. Seu braço ainda era um problema muito grande e a dor ainda lhe incomodava bastante, principalmente, porque ela já tinha saído de todos os remédios.
Por isso, Naruto havia comentado que estava falando com um centro de reabilitação de queimaduras para começar o seu tratamento. Aparentemente ela teria que usar a pele ressecadas de cobras em cima das queimaduras para cicatrizar e recuperar parte de sua pele.
Hinata achou a ideia irada. E imediatamente pensou em quem seria a primeira pessoa a saber da notícia.
E o primeiro nome que veio na sua cabeça era o de Haruno Sakura.
Hinata e Naruto ainda estavam no apartamento do Centro, sem previsão para voltar para casa. Parecia que a bomba resultou em alguns problemas para Naruto, principalmente porque ele era o principal suspeito de tê-la plantado.
Ele e Tsunade.
Esta última estava desaparecida a duas semanas e a polícia não conseguia encontrá-la para dar o seu depoimento, então a polícia ainda não estava tão em cima de Naruto quanto deveriam.
E eles não iriam encontrá-la, porque a única pessoa que sabia de fato onde estava a mulher era Naruto.
Depois de algum tempo de cama, Naruto finalmente havia lhe contado todas as ramificações do que tinha planejando. Hinata serviu como isca jogada em um tanque de tubarões famintos, enquanto ele ia atrás de uma outra presa.
Hinata não tinha ideia do porquê ele tinha que ir atrás da mulher, mas ela pouco se importava.
Hinata foi até a sala, seus movimentos já estavam bem melhores, mas a sua costela ainda doía a cada respiração. O médico havia aparecido mais duas vezes e ele havia dito que para uma recuperação completa, ela ainda teria que esperar mais três meses.
De preferência, sem fazer movimentos bruscos.
Naruto falou que ela receberia licença remunerada, uma vez que foi um atentado de trabalho. Uma designação que Hinata acreditava que jamais tinha sido usada em um acidente de trabalho.
Hinata pegou o telefone e se sentou no sofá. Ela tinha recebido várias ligações de Sakura nos últimos dias, mas ela preferiu não atender. Era complicado explicar para a sua melhor amiga que ela havia sofrido um atentado, sido explodida com uma bomba e estava com quase metade do braço queimado.
Tudo isso em uma viagem que Sakura achava ser uma desculpa para uma escapada romântica.
Isso a lembrava que Sakura ainda teria que responder quanto a terrível ideia de calcinhas com sabores na sua mala. Só em pensar naquele momento humilhante, ela tinha vontade de torcer o pescoço fino da sua amiga.
O problema é que talvez não fosse a melhor ideia tocar nesse assunto agora. Porque, eventualmente ela teria que comentar sobre a sua primeira vez...
Ela olhou para o celular com várias chamadas de Sakura no telefone. Hinata tinha mandado mensagens falando que estava tudo bem e que não poderia entrar em contato com ela, mas quando Sakura começou a insistir demais e as desculpas faltaram, ela simplesmente a ignorou.
Ela até chegou a telefonar para Naruto pedindo uma foto dela comprovando se ela estava bem?
Essa sim era uma coisa estranha de se pedir para o seu chefe, principalmente porque o tom que ela falou com ele era realmente grosseiro e acusador.
Sakura estava se tornando mais a sua mãe que a sua melhor amiga.
Ela ligou para ela antes de mudar de ideia e logo no segundo toque Sakura atendeu.
— Onde você está?
Sakura perguntou afobada antes de Hinata dizer alô. Hinata estranhou o tom de voz dela e se preocupou com a forma apressada que ela falava.
— Com Naruto. Eu te avisei antes. O que foi? Você está parecendo estranha.
— Eu tenho que te ver. Quero ver como você está. Naruto não passava o telefone para você quando eu pedi. Ele sempre falava que você estava ocupada. – ela estava falando muito rápido, até que parou por alguns instantes e respirou fundo. – Onde você está, eu posso sair do trabalho e ir te pegar.
— Isso não é necessário, Sakura. Sei chegar em casa sozinha. – Hinata revirou os olhos.
Não havia nenhum motivo para toda aquela preocupação toda, principalmente porque ela estava com Naruto. Hinata deu uma olhada de leve na bandagem do seu braço e percebeu que se chegasse em casa daquela forma, Sakura iria pirar ainda mais.
— Vamos fazer assim, eu vou agora para casa e você me espera lá. Aí você pode me fala o que quer tanto, pode ser?
— Ok. – Hinata conseguiu escutar a respiração funda de Sakura do outro lado da linha. Alguma coisa estava deixando a sua amiga tensa e não era apenas uma preocupação boba.
Uma intuição percorreu o seu corpo e ela sentiu um gosto amargo na boca.
— Está tudo bem, Saku? Você não é de surtar assim.
Um silêncio do outro lado, mas quando Sakura voltou a falar, ela não parecia mais tão ansiosa.
— Nem eu sei o que eu tenho. Tive um pesadelo horrível e só estou tentando acordar dele.
— Ai.. ai.. – Hinata caçoou da amiga. – Você não está bem grande para ficar assustada com pesadelos, Sakura?
— Para de zoação e volta rápido. – Sakura fingiu irritação e pela primeira vez desde o início daquela conversa, Hinata sentiu que estava realmente falando com a sua melhor amiga. – Se você não voltar rápido, eu vou puxar a sua orelha até em casa, menina.
— ok, ok. Até mais.
Xxxxxxxxxx
Naruto entrou no restaurante mais cedo do que imaginava. Talvez porque ele estivesse esperando por aquela ligação a alguns dias. Ele escolheu uma mesa afastada e privativa, onde ninguém poderia escutar a conversa que teria e com quem estava se encontrando.
Não que ele fosse fazer qualquer coisa errada naquele lugar. Mas, ele estava voltando aos velhos hábitos de paranoia, depois do episódio de Hinata.
E não era ruim estar sempre precavido e ele sabia que havia relaxado a sua segurança nos últimos meses, enquanto se fingia de cachorro morto.
Foram bons meses sem ter que se preocupar se a cada esquina teria um assassino a espreita esperando um deslize seu.
Agora, aqueles momentos de paz tinham ido embora.
Ele conseguiu cumprir a sua missão. Algo que ele havia planejado a muito tempo, gastado sua energia e esforço. E mesmo que o final tenha sido exatamente aquele pretendido por ele, muita coisa saiu do seu controle.
Ele tinha se machucado, por estar distraído demais. Ele quase perdeu Hinata por não ter conseguido prever todos os movimentos do inimigo. Ele ainda não havia descoberto quem era essa maldita sombra que se aproveitava dos seus movimentos...
E agora ele era o suspeito do atentado pela polícia chinesa e japonesa, bem como estava sendo perseguido silenciosamente pelas famílias de Tsunade, Tomoyo e Nagato.
O que também colocava Hidan na jogada. Aquele maldito provavelmente estava escondido em algum canto, deixando a situação esfriar, antes de aparecer novamente e voltar ao jogo.
Naruto havia passado uma semana inteira o procurando antes de desistir. Quando Hidan não queria ser encontrado, dificilmente ele era encontrado.
Hidan em qualquer situação seria para Naruto o segundo mais suspeito de ter colocado a bomba na reunião. Primeiro, porque ele saiu horas antes da explosão, segundo, porque ele se viu em um beco sem saída com as exigências de Hinata.
Um covarde quando estava encurralado sempre mostrava o seu pior lado.
O problema era que Naruto não acreditava que Hidan faria algo assim. Não havia motivo nenhum para ele matar dois de seus dóceis aliados...
Havia acontecido muitas coisas paralelas nessa viagem. Coisas que ele esperava acontecer mais tarde, o que o obrigou a acelerar todo o seu plano de negócios de estabelecer conexões com quem ele não queria.
Itachi.
O desgraçado apareceu do nada, perguntando se ambos poderiam fechar entre si os negócios da exportação de areia de forma legalizada. Parecia que a família Uchiha não fazia objeções quanto a legalização de certos negócios, sabendo manipular muito bem em que lado se inserir em cada situação.
Gaara havia entrado no jogo também e não teve nenhuma oposição quanto a Itachi participar na divisão dos lucros.
Naruto ficou desconfiado de primeira. Ele sabia que nunca confiaria em Itachi. Os Uchihas eram uma família que só pensava em si mesma e em mais ninguém. E traição para eles era uma coisa tão normal quanto respirar.
Exceto para o Sasuke, aparentemente.
Essa viagem não foi apenas para busca Tsunade e destruir as esperanças que as famílias das tríades tinha de destruí-lo, também foi para testar o grau de lealdade de Sasuke.
E, até o presente momento, Sasuke não o decepcionou. O que era uma boa notícia, desde que ele não tinha que matar com as próprias mãos o primeiro amor de sua namorada.
Namorada? Você tem que pedir para ela primeiro seu idiota!
Naruto sabia que já havia atrasado demais as coisas com Hinata. Ele estava temeroso que as pessoas a utilizassem ela como uma isca para correr atrás dele, somados a essa possibilidade ele também tinha pensamentos muito confusos sobre o que ela significava para ele.
Os dois precisavam de uma conversa.
E sexo. Mas, ela não poderia se mover bruscamente por três meses. Naruto suspirou pesaroso.
Ele pediu um champagne e esperou enquanto a sua companhia chegava. Passados dez minutos, ela entrou na sala privativa.
Ela estava com um vestido rosa claro e a expressão mais alegre no rosto que ele já havia visto, desde quando ela tinha apenas treze anos e ele foi embora.
Yumi abriu um sorriso e foi até ele. Naruto apenas se levantou e a recebeu de braços abertos. Ela cheirava a lírios, o mesmo cheiro que sempre o encantou quando ambos eram mais novos.
Ele gostava de falar que a sua irmãzinha cheirava a verão.
Ele a afastou e os olhos dela estavam cheios de lágrima.
— Ei... – ele disse enxugando uma das lágrimas que estavam escapando. – O que é isso? Não me diga que está de luto.
Ela deu uma risada curta, antes de voltar a chorar de novo.
— Eu sei que eu sou ruim por estar tão feliz depois de tudo que aconteceu. – ela enxugou as lágrimas do seu rosto e apertou o canto dos olhos para parar as lágrimas. – Mas, eu não consigo evitar.
— Te garanto que ninguém vai te culpar por isso.
Ele afastou uma cadeira e ela se sentou ao seu lado. A bebida chegou e alguns petiscos, uma taça para cada e ambos bridaram.
— Eu pensei que você tinha me esquecido. Quinze anos atrás. E depois que eu me casei...
— Não vamos falar disso. Você está de volta e isso que importa não?
— Obrigada! – ela disse baixinho, olhando para as próprias mãos.
Naruto riu também de toda a situação. Ele estava sendo recebido como um herói quando na verdade não era. Não tinha sido ele que havia plantado a bomba, ele não teria sido capaz de fazer aquilo, colocando Hinata em risco, nem mesmo para salvar a própria irmã. – Você tem que agradecer para outra pessoa, querida.
— Como? – Yumi levantou os olhos confusas.
— Não fui eu que plantei a bomba na reunião, embora os resultados não tenham me deixado incomodado.
— E quem foi?
— Não sei. Mas eu pretendo descobrir cedo ou tarde.
Yumi bebericou a sua bebida. — Você não pode comemorar uma vitória sequer, não é? – ela deu um sorriso triste. – Eu até pediria que você deixasse esse assunto para lá, em caso de ser muito perigoso para você, mas eu sei que você jamais faria isso. Você parece muito com o Minato nesse sentido.
— Por que eu pareceria com o seu pai?
Yumi sorriu tristemente.
— Bom, para alguém deve ter ido os supergenes dos Uzumakis.
Naruto a observou com a feição baixa. Ela ainda carregava muitos dos gestos que ela tinha quando Minato estava ao seu lado. Acuada, com medo, parecendo que ia quebrar se alguém a tocasse com um pouco mais de força.
A Yumi de treze anos tinha uma dureza que a Yumi de hoje não tinha.
— Você alguma vez vai me dizer o que aconteceu?
Yumi levantou os olhos rapidamente, encarando os de Naruto. Ele perderam um pouco do brilho anterior.
— Talvez. Um dia. Quem sabe. – Yumi suspirou sabendo exatamente do que ele estava falando. – Mas, eu não sei se você vai gostar do que eu vou dizer.
— Por que eu não gostaria?
— Porque se algum dia eu abrir esse capítulo da minha vida, alguém vai sofrer bastante ou eu... Ou você.
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