Guarda-costas

76 Capítulo setenta e seis


Notas iniciais
Boa leitura!

Hinata acordou novamente em outra cama. Os últimos cinco dias haviam passado como um flash em sua memória e tudo que ela podia lembrar eram as dores insistentes em seu corpo e em seu braço e Naruto ao seu lado sempre que ela acordava.

Ele também tinha levado um tiro, então ela preferiu pensar que ele estava de cama com ela, pelo simples fato de que ele também não conseguir ficar em pé e não porque ela estava convalescida sem capacidade de se mover.

Porque, de outra forma, ela se sentiria profundamente envergonhada por ter sido a única que tinha sido machucada gravemente de novo.

Por que era ela que sempre levava a pior? Aquela era uma questão que ninguém conseguia responder, nem mesmo ela.

Mas, as teorias eram frequentes em sua cabeça. A mais popular era que na vida passada ela provavelmente era uma rainha paparicada e amada por todos, agora na sua vida atual, o universo estava apenas tentando contrabalancear o seu destino.

Ela suspirou abrindo os olhos e tentando se levantar, a dor do seu braço já havia diminuído um pouco de intensidade, mas ela sabia que aquilo era bem mais por causa do analgésico que a sua capacidade de recuperação.

Ela sentou-se na cama e passou cinco minutos parada sentindo cada osso do seu corpo gritar em desconforto, esperando até o momento que cada um deles se calasse.

Ela estava no quarto de Naruto no apartamento que ele tinha no centro da cidade. Eles geralmente não costumavam permanecer no apartamento, exceto quando Naruto estava trabalhando em algum projeto grande ou tinha que se encontrar com alguém importante.

Este último era o que fazia mais sentido, porque ele havia lhe comentando em uma das vezes que ela acordou grogue, que ele tinha uma entrega importante para fazer. Para quem e o que era essa entrega ela não tinha ideia, porque segundo ele, ela só precisava se concentrar na sua recuperação e deixar o resto com ele.

Quem que falava esse tipo de coisa para a sua guarda-costas? Obviamente, ela tinha que saber o que ele estava fazendo.

Ao mesmo tempo que ela se sentia irritada ao se lembrar desse diálogo, ela também se sentia grata por ele não estar ali, assistindo as suas tentativas humilhantes de sair da cama e alcançar o banheiro...

Aquilo de fato era um show de horrores!

E esse desconforto não eram apenas pelo fato dela não parecer nada atrativa encurvada de dor e arrastando o pé até alcançar algo para se firmar, mas pelo simples fato do incômodo que era ela ter que pedir ajuda para fazer algo tão simples como colocar um pé na frente do outro.

Sua mãe sempre lhe falava que a pior coisa dela, dentre muitas – ela enfatizava – era o fato de Hinata nunca precisar de ninguém por perto.

Primeiro: ela nunca ficava doente. Aquilo era uma coisa boa, na maioria das famílias, mas a sua mãe um profundo distúrbio mental. Ela precisava ser necessita por alguém.

Segundo, porque mesmo nas raras ocasiões em que Hinata se machucava, ela simplesmente ignorava a dor e seguia em frente com o que estava fazendo como se nada estivesse acontecendo.

E terceiro porque ela nunca demonstrava estar no mínimo incomodada, criando uma reputação de mulher de aço.

Hinata pensava naquela reputação com um orgulho que lhe enchia o peito e tentou cultivá-la durante toda a sua vida tentando a todo custo ignorar as dores, os ferimentos, os machucados...

Mas tudo aquilo veio por terra agora. Em menos de uma semana, Naruto a assistiu em um hospital, em uma crise de choro alucinada e fraca demais para executar tarefas tão simples como ir ao banheiro.

Ela completamente se desgraçou na frente de Naruto de tantas formas que a única coisa que ela podia fazer era justificar as suas ações como efeitos colaterais de grandes doses de medicamentos e o fato dela ter batido a cabeça muito forte.

Ela gemeu sentindo uma pontada forte em sua lateral e pensou no quanto Naruto era um filho da puta sortudo... Ele só havia levado um tiro. Hinata trocaria em qualquer dia, uma bomba por um revólver.

Hinata conseguiu chegar ao banheiro depois de algum esforço e várias paradas. O quarto do apartamento de Naruto era enorme, mas em comparação com a sua casa, onde o cômodo ocupava quase metade de um andar, aquilo não era nada.

Será que era por isso que eles estavam alí? Ele tinha escolhido um lugar onde ela poderia se movimentar melhor?

Um suspiro audível saiu do seu corpo e ela juntou todo o embaraço que sentia, transformou em raiva e, logo, em energia para tirar a sua roupa.

Ela tomaria um banho sozinha pela primeira vez em algum tempo.

Ela estava vestida uma cueca confortável de Naruto e um suéter que lhe cobria até quase os joelhos, ela sentia que podia chorar em agradecimento por Naruto ter deixado ela usar aquelas roupas, porque ela não achava que conseguiria forçar muito mais o seu braço para tirar qualquer outra peça.

Terminando o esforço épico de tirar a roupa e entrar no chuveiro, ela finalmente conseguiu relaxar o seu corpo.

Hinata se elogiou por conseguir fazer tudo sem sentir vontade de vomitar e, apenas depois do seu banho que ela se permitir olhar para o espelho do banheiro e verificar as marcas em seu corpo.

Na última vez que ela fez exatamente esse gesto de verificar o seu corpo no espelho, as roxuras no seu corpo haviam sido causadas exclusivamente pela boca e mãos de Naruto. E mesmo que aquelas roxuras fossem algo vergonhoso para alguém em sua posição, ainda sim, lhe pareciam muito melhores das que ela ostentava agora.

Pelo que Naruto havia lhe dito, ela fraturou uma das suas costelas na queda, por isso era perceptível um enorme ponto machucado na sua pele.

Ela também tinha batido a cabeça, lhe dando uma concussão. Isso explicava o porquê das suas constantes dores de cabeça, desorientação e confusão mental. Na maioria das vezes que ela acordava, ela precisava de dois minutos para associar tudo na sua cabeça e descobrir onde estava.

Quando Naruto estava por perto era mais fácil, porque ela não tinha tempo de se sentir confusa antes dele começar a apontar dedos na sua cara e mandar ela dizer qual era o número de dedos que estavam para cima.

Ela enrolou a toalha no seu corpo cuidadosamente para não movimentar o seu braço mais que o necessário. Ela ainda não tinha visto como o seu braço havia ficado, mas segundo o que Naruto havia explicado, algo quente, provavelmente um pedaço da bomba, havia explodido diretamente nela queimando o seu braço.

A dor ainda era algo marcante, mas aos poucos ia diminuindo. O que só podia significar uma boa notícia. Ela até mesmo já tinha saído das drogas mais pesadas, isso porque a sua reação a analgésicos muito forte era incompatível com a concussão que tinha na sua cabeça.

Ela sentiu pena dos médicos que tiveram tanto trabalho cuidando dela.

Ela começou a retirar a bandagem do seu braço. Sentindo cada uma das agulhadas na sua pele a cada momento que movia um centímetro do seu curativo. Ela fechou os olhos enquanto retirava cuidadosamente o invólucro e quando sentiu que já tinha terminado ela abriu os olhos...

E fechou de novo.

Agora ela se sentia enjoada, de verdade.

Ela abriu os olhos devagar até conseguir observar claramente a área afetada. A sua pele que antes era uma mistura de pele branca, macia e musculoso, agora estava em carne viva e em diversos outros estágios de queimaduras.

Era uma imagem horrorosa que ela só tinha visto antes em fotos, enquanto estava em seu treinamento de guarda-costas.

Aquele tipo de queimadura destruía até mesmo os nervos de seus braços. Que porra ela ia fazer com um dos seus braços inutilizado?

A porta do banheiro abriu e Naruto apareceu na porta, olhando-a através do espelho.

A respiração de Hinata pausou imediatamente, quando ela o olhou no reflexo com o cabelo loiro jogado para trás, barba por fazer e os olhos azuis cobertos por seu óculos de leitura.

Ele parecia extremamente gostoso usando aquelas coisas, nada parecido com ela, que simplesmente parecia que tinha saído de um filme pré-adolescente com crianças com problemas de socialização.

Ela sorriu para ele pelo espelho, esquecendo o quão feio o seu braço estava por alguns instantes, antes dos olhos dele desceram para o seu ferimento também. Ela engoliu em seco, sentindo-se incomodada pela preocupação que viu brilhar nos seus olhos no momento que ele viu o seu ferimento exposto.

Sua cabeça rodou um pouco e ela sentiu todo o restante da sua energia esvaindo do seu corpo. A sua concussão levando a melhor contra ela novamente, mas Naruto estava ali para ajudá-la.

Ele avançou até ela rapidamente, quando percebeu que ela estava perdendo o equilíbrio e a segurou pela cintura.

— O que eu falei sobre você se levantar? – ele perguntou irritado.

— Se depender de você eu não saio nunca mais daquela cama... – a sua voz era fraca, mas ela replicou rapidamente.

— Vamos... – ele a pegou no colo, ignorando o próprio machucado dele.

Naruto a colocou na cama cuidadosamente e alcançou um copo de água para ela. – Vocês está com alguma dor? Ainda não está na hora do seu remédio, mas o médico disse que eu poderia de dar algum analgésico se a você sentisse algum incômodo. Além disso, ele disse que eu deveria...

Ela levantou o seu braço não machucado e silenciou a sua boca.

— Ele disse que você deveria calar a boca, ou minha cabeça vai explodir.

Naruto balançou a cabeça em repreensão antes de dar um peteleco fraco em sua testa.

— Bom feito, eu te disse para não sair da cama se eu não tivesse do seu lado.

— Certo, certo... – Hinata suspirou em falso arrependimento. – Eu sinto muito por ter ido mijar. Da próxima vez me coloque em uma frauda e eu não vou precisar me mover.

Ele bateu de novo em sua testa um pouco mais forte que antes e lhe cobriu com o edredom. Naruto daria um excelente enfermeiro, se ele desistisse da carreira de mafioso reformado.

— Por que você está rindo? – ele perguntou desconfiadamente enquanto arrumava o lençol ao seu redor.

— Você deveria pensar em investir em uma roupa de enfermeiro...

Ela ergueu as sobrancelhas em uma sugestão nada sutil e ele bateu de novo a sua cabeça, antes de sentar-se ao seu lado na cama.

— Como você está?

— Com dor. Irritada. E com muita inveja.

Ele a olhou confuso e ela completou: — Estou com inveja de você, porque obviamente, eu preferia um tiro na barriga.

Ele alcançou a sua testa para outro peteleco, mas ela segurou a sua mão antes do contato na sua testa, ela tinha certeza que dessa vez iria doer o golpe.

— Desculpa, vou calar a boca e obedecer, mas apenas com uma condição...

Ele afastou a mão e cruzou os braços. Os olhos dela desceram sem querer para a camisa de Naruto que tinha os três primeiros botões abertos. Ela adorava que ele se vestia todo formal, mesmo estando em casa. Parecia que ele não tinha outro modo de manuseio que não fosse o modo “todos negócios”.

Bom... Esse e o “tarado erótico”, mas ela não tinha como dar um completo feedback sobre ele assim, porque ela só tinha experimentado uma vez e meia e ela acreditava que aquilo estava longe de ser o suficiente para a sua curiosidade.

Ele estalou os dedos na sua frente do seu rosto e os olhos dela deixaram de secar o peito dele e foram para os olhos dele. Sakura costumava dizer que Hinata deveria gostar de caras que olhassem os meus olhos e não os meus peitos, mas fala sério... Os olhos não tinham graça nenhuma.

Ela sorriu e ele sorriu também acompanhando-a. Ainda sob o efeito dos resquícios de drogas, ela parecia uma pateta sorrindo para ele.

Ele balançou a cabeça entretido com as expressões faciais dela. Ele beliscou a ponta do nariz dela antes de aproximar a sua boca da dela e dá um beijo nos seus lábios. — Eu consigo ouvir os seus pensamentos de longe.

Ela alcançou os lábios dele para um novo beijo e ele a ajudou completando o caminho até os lábios dela. — Duvido muito. – ela sussurrou.

Ele sorriu de novo e se afastou mantendo as mãos na cabeça dela que tentava segui-lo para lhe roubar mais beijos.

Ela gemeu quando não conseguiu o que queria.

Naruto voltou a ficar sério com ela e perguntou. — Pois bem, me diga o que você quer para me obedecer e eu farei.

— Ah... – ela sorriu lentamente, parecendo extremamente maliciosa nos olhos de Naruto. – Aquela coisa da fantasia de enfermeiro... Eu não estava brincando. Vista ela e eu farei qualquer coisa que você me diga.

Naruto observou os olhos acinzentados dela mais uma vez, suspirou e sentindo-se derrotado decidiu não falar mais nada.

Notas finais
Quem quer ver o Naruto de enfermeiro? o/ Comentem!!