Guarda-costas
47 Capítulo quarenta e sete
Notas iniciais
Os dois estavam dividindo o mesmo quarto.
Não era como se isso fosse algo novo, afinal os dois viviam juntos na mansão e no apartamento de Naruto e nunca houve um momento estranho entre eles. A novidade era que ela nunca tinha se sentido tão nervosa quanto hoje.
Nem mesmo depois daquele almoço em que os dois trocaram mais de que um beijo e passaram a tarde inteira na companhia um do outro.
O problema era que depois daquele dia, ela não sabia o que ia acontecer e nenhuma expectativa foi criada na sua cabeça. Agora, ela sabia que, assim como ele havia feito depois daquele almoço, ela seria ignorada por dias.
Talvez semanas se fosse levado em consideração que o momento que eles tiveram no quarto foi muito mais intenso.
Hinata balançou a cabeça tentando afastar o seu temperamento nervoso, aquilo não iria a ajudar em nada.
Porque mesmo que ela não quisesse levar outro gelo gratuito e ficar questionando a si mesma por dias, imaginando se tudo havia sido coisa da sua cabeça, ela não podia mudar o que estava por vir, muito menos trancada dentro do banheiro.
Urgh! Porque homens eram tão complicados?
O que ela faria agora? Assim que eles entraram no quarto, ele a dispensou rapidamente indo até a varanda fazer ligações importantes, porque como sempre ele estava trabalhando...
Hinata aproveitou a oportunidade para acalmar a sua mente, tomando um banho de água gelada, mas ela jamais imaginou que seria tão difícil sair daquele banheiro que a fazia se sentir um pouco mais segura.
Hinata se olhou no espelho e os seus olhos varreram pelo seu corpo. Ela não queria sentir inseguranças, nem nada, mas não era possível não sentir essas coisas. Ela não era lá muito sexy e o seu pijama de calças moletom e camisão da época de colégio não a ajudavam na causa.
Que Causa? Eu não estou tentando fazer nada! EU não me importo de como aquele babaca me ver.
O seu estômago embrulhou com aqueles súbitos medos e inseguranças, Naruto estava apenas se divertindo com ela e ela deveria também estar apenas se divertindo com ele, porque era isso que eles sempre faziam um com outro.
Era assim que eles eram.
Então, querida Hinata, para de ser fresca e sai dessa porra de banheiro.
Hinata respirou fundo, se encheu de coragem e foi para a porta, abrindo-a.
Mas, Naruto não estava sozinho. De forma alguma. O quarto mais parecia um quartel general que um quarto para pessoas dormirem. Haviam três mulheres e sete homens sentados em lugares diferentes, todos mexendo em computadores ou falando ao celular.
Alguém tocou o seu ombro e quando ela se virou, Sasuke a olhava divertido.
— Iai, Hinata? Você parece um pouco decepcionada irritada de nos ver aqui.
Hinata sorriu de forma amarela para ele, tentando fazer desaparecer sua expressão aborrecida. — Você se sentiria assim, se o quarto onde você deveria estar dormindo fosse completamente tomado por robôs escravos do Naruto.
Sasuke sorriu e olhou por cima dos seus ombros.
Hinata virou e percebeu que Naruto estava atrás dela. Ele olhou para os dois seriamente.
— Ninguém vai dormir hoje. — Naruto tocou no seu ombro e a guiou para a mesma mesa onde ele estava trabalhando.
Hinata sentou-se em uma cadeira e abraçou seus joelhos.
Naruto sentou ao seu lado.
Sasuke em frente a ele.
Ela estava em uma reunião com o homem que ela tinha uma crush a mais de dez anos e o homem que agora a pouco a estava deixando nervosa com pensamentos de beijos nada comportados.
A boa notícia? Ela finalmente não se sentia nenhum pouco nervosa, porque aquele dois idiotas a estavam deixando igualmente frustrada.
Ela queria socar alguma coisa.
— Temos muito trabalho a fazer. — Naruto disse.
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Kiba estava esperando Sakura chegar no restaurante em que os dois tinha marcado. E ao contrário do que o ambiente sugeria, aquele não era um encontro romântico ou mesmo amigável entre os dois.
Ele estava alí para resolver negócios.
Ela estava alí para obter respostas.
Nenhum dos dois queria realmente estar presente naquele ambiente. E kiba não queria ser aquele a dar as notícias que tinha descoberto. Ele nem sabia se tinha certeza do que estava fazendo, porque havia um grande conflito entre a empresa em que ele trabalhava e a aquela mulher que pedia ajuda.
Mas, a pessoa com que ele estava mais preocupado não era sequer a Sakura.
A merda que tinha para acontecer com ela já tinha acontecido e nada podia mudar aquilo, nem mesmo pegar os desgraçados que a machucaram. Porque uma coisa que ele aprendeu todo esse tempo era que memórias como aquelas nunca iam embora.
A pessoa que o preocupava era Hinata. Porque aquilo atingia diretamente ela e o seu querido protegido, Naruto.
E isso, porque tudo que havia acontecido com ela tinha sido orquestrado por uma pessoa. Kushina Uzumaki.
Aquela mulher podia muito bem tirar o posto do próprio demônio no inferno, se é que já não o fez.
Sakura, para ela, havia sido apenas um meio para alcançar um fim. E o objetivo era provavelmente atrapalhar a relação entre Naruto e Hinata.
Ele mesmo tinha observado a interação entre os dois. Os dois eram próximos, tão próximos que a mente de Kiba havia visualizado muito mais que apenas amizade entre eles, porque a dinâmica deles era como nenhuma outra.
Eles eram patrão e empregado. Mas, era impossível dar ordens para Hinata e ela fazia o que queria. Qualquer outra pessoa teria chutado a bunda dela para a rua a muito tempo, mas não Naruto.
Eles eram guarda-costas e protegido. Mas, naruto não esperava a proteção de Hinata e a protegia na mesma proporção que ela o fazia. Isso não era normal.
E para completar, ele também era um chefe de tríade e ela sua irmã juramentada. Nada entre eles era normal e ao mesmo tempo os dois combinavam em perfeição.
Kushina, provavelmente, não estava gostando de toda aquela aproximação. E Kiba estava em dúvida se a melhor forma de resolver aquele assunto, seria contar tudo a Sakura, porque se ela contasse a Hinata, Hinata tomaria a dor de sua amiga para si.
O que significava vingança contra Kushina.
Vingança contra a mãe de Naruto.
E o lado que Naruto tomaria naquela briga era indeterminado.
Sakura apareceu na porta vestida em um terno básico que ela costumeiramente utilizava no trabalho. E como sempre ela estava deslumbrante. O antigo Kiba a olharia com desejo e sentiria as suas calças apertarem assim que a visse, mas o Kiba de agora era imune a beleza de suas ‘clientes’.
Sakura sentou na cadeira e o garçom apareceu imediatamente com o cardápio. Sakura pediu apenas uma salada e Kiba pediu uma refeição completa. Não era ele que iria pagar mesmo e o dinheiro que ele recebia como programador e segurança para o Shikamaru não era nem de perto o suficiente para pagar um lugar daqueles.
— Por que não come mais? — Kiba perguntou assim que o atendente saiu. — Você está magra.
— Eu não tenho muita fome esses dias. — Sakura lhe ofereceu um breve sorriso. — Você deve saber o porque. — ela respirou fundo. — Eu sei que isso está sendo difícil para você e eu realmente não queria te envolver nisso… Mas, eu comecei a ficar preocupada e eu não sei se o sentimento correto que eu deveria estar sentindo nesse momento é preocupação ou ódio.
— Pela sua amiga Ino?
Sakura tocava o cabelo frequentemente, um claro sinal de ansiedade.
— Sim. Ela estava comigo no apartamento. Eu já te disse... Ela me atraiu para lá e eu fui. Eu tenho alguns lapsos de memória e eu acho que ela estava com ele, mas eu não tenho cert…
— Ela estava com ele, Sakura.
Kiba cortou imediatamente o trem de pensamento de Sakura. Ela queria de alguma forma absolver a amiga do que tinha acontecido, mas não era possível, porque ele sabia que Ino estava envolvida até o pescoço no assunto.
— Para começar o nome dela não é Ino Tommy. — Kiba puxou do seu paletó um envelope. — Ela se chama Yamanaka Ino e ela é uma dançarina de cabaré e fazia serviços profissionais de prostituta em uma casa noturna. — ele mostrou fotos de Ino com vários homens, bebendo, dançando em um palco. — Ela sempre foi a principal atração dos lugares onde trabalhava. Muito bonita, bastante profissional
Kiba acrescentou e, embora, o comentário havia sido bastante cruel, foi o suficiente para Sakura direcionar o olhar pela primeira vez para as fotos que ele jogou na mesa. A reação dela foi muito parecida do que ele já tinha visto várias vezes.
São os chamados estágios de luto. E Sakura saiu do estágio da negação para a da raiva em um único salto. Kiba conseguia vislumbrar perfeitamente o ódio brilhando nos seus olhos. E ele preferia muito mais esse sentimento do que a tentativa patética de Sakura de tentar inocentar aquela vagabunda.
— Porque ela faria isso?
Kiba suspirou resignado, essa era a parte difícil de explicar e Kiba não tentaria decidir pela Sakura o que ela deveria fazer com a informação que daria. Se ela quisesse contar para Hinata ou simplesmente fingir que nada aconteceu, era uma escolha única dela.
— Quando Ino era mais jovem, ela foi recrutada por uma outra mulher que tem um passado muito parecido com o dela. Kushina Uzumaki.
Sakura levantou a cabeça em surpresa ao escutar o nome. — O que? A mãe de Naruto?
O garçom retornou interrompendo o tsunami de questão que surgiam na cabeça de Sakura e assim que ele foi embora Kiba começou a comer lentamente esperando que Sakura organizasse seus pensamentos. A sua própria salada ainda intocável.
Será que ele precisaria explicar o óbvio para ela?
— Eu não consigo entender... Porque, ela faria algo assim? Eu...
Ela parecia que ia começar a sufocar e Kiba colocou um pouco de suco no seu copo. — Você precisa de açúcar. Beba!
Sakura pegou o copo e começou a beber mecanicamente. Ela tomou todo o líquido de apenas uma vez. — Não faz nenhum maldito sentido. Eu nem sequer a conheço, nem a Hinata jamais a viu. Porque ela tentaria fazer algo assim? Se eu contar tudo isso para a Hinata, isso vai simplesmente atrapalhar o filho dela…
— Bingo! — Kiba sorriu. — Você pegou a essência. Eu acho que o objetivo de Kushina é separar esses dois. Que melhor forma de fazer isso do que fazer com que Hinata queira trucidá-la.
— Você tem essas fotos. Isso são provas suficiente para eu mostrar para o Naruto o que essa mulher é!
— Não seja ingênua, Sakura. — Kiba se segurou para não revirar os olhos. — Você esquece que essa é a mãe dele. Você acha mesmo que ele ficaria do lado de vocês e contra do próprio sangue?
Sakura não respondeu imediatamente. O pensamento dela estava longe como se ela estivesse relembrando de alguma coisa. Kiba não perguntou o que era e apenas continuou com as informações.
— O problema também está no fato de que eu não consegui provas concretas de que foi ela que tramou tudo isso. As ligações do número que você me deu da Ino, mostram um histórico de chamadas para um número desconhecido, mas que está localizado aqui em Tokyo. Algumas fontes me disseram que Kushina, sequer se encontra no Japão e que ela havia ido embora a quase de quatro meses.
— Ela não precisava estar aqui. A Ino era suficiente. Ela só precisou dar a ordem e que coincidência que ela sumiu, justamente na época que eu conhecia a Ino.
— Foi a mesma coisa que eu pensei. — Kiba deu de ombros. Essa era a conjuntura mais óbvia. — Eu ainda estou vendo se consigo pegar algumas informações mais concretas, haviam outras pessoas buscando informações sobre ela também.
— Quem? Outra vítima?
— Pouco provável.
— Você consegue encontrar a Ino? — A voz de Sakura era como uma navalha.
— Vou tentar. Deixei alguns olheiros online em caso dela fazer alguma movimentação bancária ou pelo menos aparecer em alguma câmara de vigilância. Por enquanto, não me apareceu nada, mas é possível que ela esteja se escondendo.
— O que tenha fugido do país...
— Não. Não tem nenhuma viagem de pessoas com o perfil dela.
— Então, voltei para o escuro. — Sakura disse mais fria que normal.
— Você vai contar para a Hinata? — Kiba finalmente perguntou. — Se você fizer isso, será exatamente o que Kushina quer.
Sakura suspirou e amassou o guardanapo de pano na sua mão.
— Eu não quero que Hinata esteja ligada com essa família, se isso demonstra um pouco o que eles são capazes de fazer apenas para conseguir um objetivo. Mas, eu não sei como ela vai reagir e isso me assusta.
— É sua decisão.
— Eu sei.
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