Guarda-costas
81 Capítulo oitenta e um
Notas iniciais
O toque da campainha despertou Hinata quase que imediatamente. Ela ficou paralisada escutando o barulho e tentando se lembrar de onde estava. Ela geralmente levava alguns segundo para se situar, porque os remédios na sua corrente sanguínea ainda estavam a deixando lenta demais.
Ela bocejou, levantou do sofá e foi até a porta do apartamento. Estava perto das dez horas da manhã e ela sorriu ao se aproximar da porta imaginando que a pessoa que encontraria do outro lado, era uma Sakura irritada que havia esquecido a chave do apartamento.
Mas, quando ela abriu a porta não foi isso que ela encontrou.
Dois policiais fardados apareceram na sua porta, um homem e uma mulher em diferentes estados de espirito. O homem parecia impaciente, como se aquele fosse o único lugar que ele gostaria de estar, mas a mulher, ela parecia preocupada e triste.
E foi aquele olhar foi o sinal que o seu coração precisou para começar a acelerar descontroladamente. Algo estava errado.
— Olá, aqui é o lugar onde vive Sakura Haruno? – A mulher disse calorosamente.
— Sim. – a voz de Hinata estava rouca, então ela limpou a garganta e repetiu claramente para os policiais. – Sim, é aqui. O que foi? Por que você estão procurando por ela?
— Você é uma familiar dela?
— Eu sou uma amiga, ela não tem família. Não uma que se importe. – A letargia de Hinata estava passando e ela começou a sentir um pouco do seu temperamento levando a melhor. Ela começou a procurar o seu celular no bolso do suéter que usava, porque por algum motivo ela sentiu vontade de telefonar para Naruto. – O que está acontecendo, por que você querem falar com ela?
Os dois guardas se entreolharam e o homem apenas abaixou a cabeça e deixou que a mulher assumisse. Mas, mesmo para ela parecia que a situação era difícil para ela simplesmente falar.
— Talvez deveríamos entrar na sua casa para conversarmos.
— Por que demônios eu deixaria duas pessoas que eu não conheço entrarem na minha casa?
— Nós somos policiais, senhora. – O homem finalmente abriu a boca, sua voz era fria como o gelo. – Estamos aqui para notificar a morte de Haruno Sakura.
A mulher olhou para o outro policial parecendo com raiva e o homem novamente abaixou a cabeça. Hinata escutou perfeitamente o que ele havia dito, mas havia um delay das informações na sua cabeça. Sakura morta? Que porra é essa?
— Desculpa, mas eu acho que ocorreu um erro aqui. – Hinata tentou explicar de forma racional, mas a policial parecia a olhar com pena nos olhos. – É sério, moça. Minha amiga acabou de sair, ela está voltando para o almoço daqui a pouco...
— Desculpa, senhora. Lamentamos muito.
Hinata franziu o cenho e suspirou fundo. – Vocês querem que eu ligue para ela, para vocês verem? – Hinata saiu da porta e entrou no apartamento procurando o celular, mas ele não estava em nenhum lugar visível. – Cadê meu celular?
A mulher entrou logo atrás dela e foi diretamente para a mesa de centro onde Hinata e Sakura possuíam diversas fotos juntas. Sakura adorava fotos, então ela sempre arranjava qualquer oportunidade para fotografá-la, mesmo que Hinata não estivesse a fim de tirá-las.
A policial pegou um dos porta-retratos em mãos e apontou para ela.
— Essa é a sua amiga, certo?
Hinata observou a foto que ela estava lhe mostrando, aquela foto era uma que Sakura amava, porque foi a primeira vez que Hinata havia conseguido um cliente fixo. Sakura a levou para jantar apenas para comemorar. Na foto, as duas estavam se abraçando muito forte, porque a noite era muito fria.
Hinata abraçou a si mesma sentindo o mesmo frio daquela noite e algo apertou o seu coração com uma força insuportável. Seus olhos começaram a marejar, sem qualquer razão.
— Eu tenho que achar o meu celular.
Hinata saiu da sala e correu atrás do seu celular, ela o encontrou na copa da cozinha, onde as duas tinham tomado café mais cedo. Ela sequer tinha lavado a louça ainda.
Sakura iria ficar furiosa se ela chegar em casa e encontrasse a louça ainda por lavar.
Tinham duas chamadas não atendidas de Naruto, mas ela pulou aquelas chamadas, discando o número de Sakura com rapidez. A chamada sequer completou porque estava fora da área de cobertura.
Hinata tentou de novo, mas nada.
A policial apareceu de novo do seu lado com o mesmo porta-retrato em mãos e Hinata sentiu as lágrimas começarem a derramar de seus olhos espontaneamente.
— Não pode ser...
— Eu sinto muito mesmo. – A mulher colocou uma mão no seu ombro e a fez sentar no banco da cozinha. – Nós a encontramos próximo ao santuário Meiji. Nós precisamos de alguém para reconhecer o corpo.
Hinata levou a mão a cabeça, sentindo-a martelar. Seu rosto estava encharcado de lágrimas descendo por todo o caminho até o seu pescoço.
— Se eu preciso ir reconhecer, então você não tem certeza que seja ela...
Hinata enxugou o seu nariz da melhor forma possível, mas o seu corpo não a obedecia mais. Lágrimas apenas continuavam caindo sem parar.
— É apenas um procedimento. Infelizmente, temos certeza, senhora.
O aperto no seu peito aumentou de forma proporcional ao desespero que sentia e ela voltou a abraçar o próprio corpo, com medo de que a qualquer momento tudo fosse desmoronar.
Nada parecia real, era como se ela estivesse em uma cena de filme ruim, como se tudo aquilo estivesse acontecendo com outra pessoa. Sua mente simplesmente não aceitava a ideia absurda que Sakura estava...
A mulher a abraçou da melhor forma que podia, mas Hinata realmente não conseguia fazer nada. Os seus braços travaram ao redor de si mesma e o seu corpo ia e vinha em um balanço frenético.
Um copo de água foi para em sua mão e ela bebeu alguns goles de forma automática.
— Eu tenho que ver... – Hinata usou toda a sua força apenas para sussurrar aquelas palavras e depois que ela saíram do seu corpo, o seu corpo finalmente parou de agir sozinho. Ela estava mais calma. – Eu preciso reconhecer, certo? Eu tenho que ter certeza que não é ela.
A policial ao seu lado tirou o copo de sua mão e a olhou preocupada.
— Você tem alguém para quem podemos ligar? Alguém que possa estar com você?
A mente de Hinata era um turbilhão, então ela não respondeu nada, apenas balançando a cabeça negativamente.
— Eu tenho a Sakura... – Ela sentiu uma outra onda de lágrimas tentarem a atacar. – Nós moramos juntas, ela sempre está comigo.
— Sinto muito, senhora. – a mulher respondeu novamente passando as mãos nas suas costas em uma tentativa inútil de acalmá-la. – Algum familiar que podemos chamar?
Familia? Hinata não tinha ninguém assim. Ela tinha Naruto, mas ele estava trabalhando. Ele tinha a ignorado mais cedo, ele não podia me mimar. Ele tinha dito.
Sakura tinha sorrido daquilo.
— Eu quero vê-la. Só isso. Me leva para vê-la.
A viajem de carro foi curta e Hinata não tinha muita certeza de como ela foi parar na viatura de polícia, mas em alguns minutos ela estava na frente de uma sala fria. A placa da frente apontava que aquele era o necrotério e que o responsável era o dr. Tokoshi Mio.
E a única coisa que o cérebro de Hinata registou de todas aquela informações, era que o nome daquele homem era muito engraçado. Alguém pediu o seu nome completo e informações pessoais e ela os deu, depois a levou para outra sala onde ficava uma mesa com um copo coberto.
Ela se aproximou dela e o médico retirou a manta que lhe cobria.
O cabelo rosado foi a primeira que ela viu e a única coisa que ela precisou para confirmar a realidade.
Aquela era Sakura.
O médico saiu da sala e Hinata se aproximou da sua amiga. Ela parecia tão calma, pacífica, como se estivesse dormindo.
Hinata puxou a sua mão e a pele estava tão gelada ao seu toque... Hinata entrelaçou os dedos em sua mão, mas o rigor do corpo já era perceptível e a realidade tudo aquilo caiu como um balde de água no seu corpo.
O primeiro soluço foi arrancado a força do seu peito e Hinata fechou os olhos sentindo uma onda de desespero esmagador.
— Sakura....
As palavras dela saíram como um grito de socorro e tudo desabou dentro dela, porque aquela pessoa que ela olhava tão claramente era a sua melhor amiga. E ela não estava mais ali.
Xxxxxxxxxxxxxxxx
A cabeça de Hinata girava como um redemoinho. Alguém havia a tirado de perto de sua amiga e agora ela estava sentada em alguma recepção, em uma cadeira de metal.
Ela tinha perdido completamente a noção de espaço e de tempo. E a única coisa que ela conseguia sentir era a mão gelada de Sakura entre os seus dedos.
Será que ela estava sentindo frio? Ou medo?
Alguém entrou na sala onde ela estava e mesmo sem olhar para cima Hinata reconheceu a pessoa. O perfume era o seu favorito...
Hinata voltou a chorar desesperadamente e balançar o seu corpo da cadeira de metal. Ela abraçou com ainda mais força o seu joelho e escondeu o seu rosto. Hinata se fechou em uma concha onde ela poderia estar sozinha.
Ela não conseguiria aguentar mais nada. E ela não queria que Naruto a assistisse desmoronar de novo. Mas, quando ele se sentou ao lado dela e a puxou para o seu abraço, ela foi sem qualquer resistência para o seu colo, escondendo o seu rosto no pescoço dele.
O seu corpo não conseguia esconder a ferocidade do seu choro e Hinata segurou com força o seu ombro, buscando a todo custo alguém em quem ela pudesse se apoiar.
— Eu estou aqui, meu amor.
Hinata realmente não conseguia falar mais nada e simplesmente continuou a chorar e a segurá-lo com medo que ele fosse para algum lugar longe dela. Algum lugar onde ele também estivesse gelado como a sua amiga.
— Sakura... – ela tentou dizer, mas um soluço interrompeu as suas palavras e ela voltou se esconder no pescoço de Naruto.
— Eu sei... Eu sei... Não precisa me dizer mais nada. Eu já sei de tudo.
Hinata se sentiu aliviada por não ter que falar mais nada e ela simplesmente ficou ali, abraçada com Naruto até sentir que tudo aquilo fosse demais para a sua cabeça. E tudo ficou escuro.
Xxxxxxxxxxxxxx
— Como ela está?
Naruto perguntou preocupado assim que viu o médico sair da sala de exames. O seu coração estava apertado de uma forma que ele jamais sentiu. Assistir Hinata daquela forma havia acabado com ele de várias forma diferentes.
— Demos um sedativo para ela se acalmar, ela está dormindo agora. Você me disse que ela teve uma concussão a pouco tempo, por isso precisamos mantê-la em caso do quadro neurológico dela ter alguma piora.
Naruto escutou todas aquelas palavras silenciosamente e o medo veio como uma bomba para ele.
— Ela vai ficar bem?
— Geralmente, pacientes que possuem concussão precisam de bastante repouso para que as o cérebro possa se curar sozinho. Ela recebeu uma notícia muito forte, por isso ela pode estar em um estado de confusão mental muito grande e talvez isso possa afetá-la de alguma forma. Agora, só precisamos observar o seu quadro e ver como ela vai reagir nas próximas horas. Talvez seja uma boa ideia algum familiar estar com ela quando ela acordar.
— Eu vou ficar aqui. Ela é minha namorada.
— Como quiser, senhor Uzumaki.
O médico se foi e Jiraya e Shikamaru apareceram na porta como dois fantasmas.
— Eu quero saber o que demônios aconteceu com a Sakura hoje. Deveríamos ter nos encontrado agora de manhã, mas ela não apareceu. – A raiva na voz de Naruto era tão perceptível que ambos os homens deram um passo para trás automaticamente. – Quero descobrir cada passo dela e principalmente o que ela estava tão ansiosa para conversar comigo. – Ambos assentiram. – Jiraya... Quem estava responsável pelos detalhes de segurança de Sakura?
— Kuhan.
— Ótimo, leve-o para o porão. Eu quero saber que porra ele estava fazendo no lugar de proteger de Sakura.
— Sim, senhor.
Naruto respirou fundo e tentou apaziguar a raiva que remoía o seu corpo e apenas depois de algum tempo, ele entrou onde Hinata estava deitada e permaneceu ao seu lado durante todo o momento.
Fale com o autor