Guarda-costas
82 Capítulo oitenta e dois
Notas iniciais
Kiba sorria enquanto olhava para o outro lado da janela, pensando em quão bem tudo aquilo era ao seu redor.
Ele não queria estar acostumado com nada daquilo... Aquela casa, principalmente, mas a vida boa sempre fazia com que ele apegasse, mesmo que nada fosse realmente seu. Ele gostava de quão quente a casa inteira era no inverno congelante do lado de fora, os aquecedores nas piscinas, o chef que sempre cozinhava o que ele queria comer.
Gaara sempre fazia questão de deixá-lo confortável e, por mais que aquilo tenha o deixado muito desconfiado no início, agora ele já não mais olhava de esgueira para cada uma das gentilezas daquele homem estranho.
Ele simplesmente aceitava.
Kiba nunca na vida tinha vivido uma experiência de confiança como aquela. Shikamaru foi o mais próximo de alcançar esse nível de amizade com ele, mas mesmo Shikamaru ainda era desconfiado com o seu passado, não deixando que ele chegasse perto de computadores de alta tecnologia como medo que ele voltasse a seus antigos hábitos.
Gaara não apenas não se importava com o que ele fazia, também havia o contratado para fazer justamente isso. Mesmo utilizando truques ilegais.
Kiba suspirou ainda olhando pela janela, se perguntando onde estava Gaara, pois ele já deveria ter chegado em casa.
Nos últimos dias, ele parecia erradico como se estivesse se preparando para algo que poderia acontecer a qualquer momento. Quando Kiba pressionou sobre o que se tratava tudo aquilo, Gaara simplesmente mudava de assunto com as suas descaradas cantadas.
Muito descaradas cantadas.
Gaara não tinha qualquer senso de ridículo sendo tão aberto quanto ao fato dele querer um outro cara.
Kiba no início havia ficado chocado demais com aquela atitude, mas já havia se acostumado, não era como se Gaara o atacasse a todo momento. Ele parecia até bem distante esses dias... Sem mais caminhadas no jardim, ou conversas até muito tarde da noite.
Tudo isso, porque ele mal estava em casa.
“Eu estarei resolvendo coisas, não cause muito trabalho e fique em casa hoje“.
Como se ele saísse de qualquer maneira.
Quem assistia de longe a interação entre os dois, poderia pensar tanta merda do relacionamento entre eles. Até mesmo os guardas não sabiam como tratá-lo na maior parte do tempo: Como um prisioneiro, uma vez que ele veio para aquela casa contra a sua vontade; um colega, uma vez que ele também foi empregado por Gaara para ser um Hacker; ou um amante...?
Apenas o pensamento daquela palavra fez a sua pele arrepiar. Era muito estranho ter pessoas achando que ele poderia ser amante de algum cara. E um cara como Gaara ainda por cima.
Afinal, estava bastante obvio com aquele jeito controlador de Gaara que ele não seria o botton em qualquer relação, então as pessoas, com certeza, achariam que era ele que dava o cu e não o ruivo...
Ai que pesadelo!
O telefone de Kiba tocou e ele sorriu pensando que provavelmente Gaara estava lhe mandando boa noite, mas não era ele. Era Shikamaru.
Fazia bastante tempo que ele não falava com seu antigo chefe. Ele planejava visitar ele depois que ele tivesse voltado de viajem, mas parecia que o tuor deles pela China havia causado bastante dano.
Muito dos seus amigos, que haviam embarcado como seguranças privados de Naruto haviam saído machucados, até mesmo Hinata, aquela pirralha demônio, estava de cama com ossos quebrados e uma concussão dos infernos.
Então, aquela ligação era uma definitiva surpresa.
— Ei.
— Kiba? Pode falar? – A voz de Shikamaru era preocupada e isso foi o suficiente para preocupá-lo também.
— Claro. Eu estou sozinho, o que foi?
— É a Sakura. Ela...
Kiba desconhecia aquela fala hesitante, porque ela não combinava com o estilo direto do seu ex-chefe. Um pressentimento ruim se instalou no seu peito e ele se viu repetindo um mantra: Não... Por favor, não... Que nada tenha acontecido...
— Eu sinto muito Kiba, Sakura foi encontrada morta agora a noite. – A notícia veio como uma onda para cima de Kiba e ele teve que buscar a poltrona para se sentar. Ele não esperava aquilo, definitivamente, não aquela notícia. Ele engoliu saliva algumas vezes para não parecer patético ao telefone. – Eu sei que você estavam saindo, mas... Eu preciso de você... Hinata está quebrada.
Kiba respirou fundo e passou a mão rapidamente pelos seus olhos, ele não tinha lá muito direito em chorar pela morte de Sakura, mas ele se sentia mau por ela.
— O que eu posso fazer? Cadê Hinata?
— Bom, ela está no hospital, ela acabou de identificar o corpo.
— Meu deus...
— Sim... Os médicos disseram que ela vai ficar em observação, já que os ferimentos dela não se curaram completamente, mas ela deve receber alta amanhã. – Shikamaru suspirou e Kiba utilizou mais esse momento para se recompor. – Eu preciso que você faça algo por mim.
— Claro. Qualquer coisa. Hinata precisa de algo?
— Não, ela não. Sakura estava indo encontrar com Naruto antes de morrer, mas ela nunca chegou até ele. Talvez, ela tenha sido pega entre o apartamento e o parque onde eles iam se encontrar.
O coração de Kiba parou uma batida, antes de começar a acelerar ainda mais. Até o momento, ele estava tão absorvido pela notícia da morte dela que ele ainda não tinha pensando no porquê. Bem... Ele poderia adivinhar o porquê daquele falecimento prematuro. – Ela morreu indo encontrar com Naruto?
— Sim.
— Ele está com Hinata?
— Ele esta o tempo todo do lado dela.
A cabeça de Kiba começou a girar com os acontecimentos dos últimos meses, ele havia sido a pessoa a contar para Sakura quem havia a machucado de forma tão sórdida. Kushina Uzumaki.
Quais eram as chances de Sakura ir se encontrar sozinha com Naruto, se não fosse para contar sobre Kushina? E ela morreu assim?
— Naruto está procurando as pessoas que falaram com ela nesse último mês e vocês foram vistos juntos algumas vezes...
Não tinha como Naruto saber que eles haviam se encontrado, exceto se ele estava acompanhando os passos de Sakura. Por que ele estaria a vigiando? Será que ele havia descoberto tudo o que aconteceu com Sakura? Ou talvez... Ele estava protegendo a mãe dele?
Naruto poderia ter machucado Sakura para proteger Kushina?
— Naruto que saber se você sabe de alguma coisa que estivesse a perturbando. – Shikamaru continuou a falar completamente alheio ao estado de pânico que o outro se encontrava.
Nem louco que iria falar a verdade! Se Naruto estava realmente procurando com quem Sakura havia conversado, como ele poderia adivinhar a intenção dele? Por tudo que Kiba sabia, Naruto poderia estar querendo apagar as pessoas que sabiam o que a sua mãe havia feito.
— Eu não sei de nada que pode ajudar. Eu e Sakura apenas jantamos juntos.
— Hum... – Shikamaru suspirou. – Eu não sei mais o que fazer. Segundo os colegas de Sakura, ela estava estranha no trabalho esses dias. Não conversava mais com ninguém, não saia com os outro depois do trabalho, vivia trancada em casa. Alguma coisa estava acontecendo, Kiba.
— Bom, eu não sei. Não conversávamos sobre essas coisas, além disso fazia muito tempo que eu não a via.
— Certo! Até mais e Kiba...
— Hum...
— Não tente voltar aos seus hábitos antigos, Kiba. Eu não quero que você busque informações ilegais de Sakura, deixa isso comigo.
— Claro, Shikamaru.
Os dois desligaram e Kiba se moveu para o seu escritório. Na última vez que eles se encontraram, ele havia prometido para Sakura que ele continuaria a buscar informações sobre as pessoas que a machucaram, mas ele nunca havia feito o que prometeu. Ele estava ocupado com outras coisas.
Mas, agora era a hora. Ele tinha que descobrir se Naruto tinha alguma coisa haver com a morte de Sakura.
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Hinata tinha levantado da cama pela primeira vez depois de três dias e, apesar do tempo que passou fazendo nada, ela nunca se sentiu tão cansada.
As suas lágrimas haviam secado na segunda noite, no momento que ela não suportava mais ver o rosto preocupado de Naruto ao seu lado. Ele parecia que ia entrar em parafuso apenas por vê-la tão destruída e isso a fez parar de se debulhar em lágrimas.
Ela não tinha conseguido participar da cerimônia de enterro que fizeram para a sua amiga, porque o seu médico continuou a alertando que o seu físico e a sua mente estavam muito desgastados.
Hinata queria gritar com ele falando que ela ainda assim iria dizer adeus a sua amiga, mas ela não teve forças para discutir.
Naruto foi em seu lugar, ele tinha organizado todas as coisas que eram necessárias e pago por tudo. Segundo ele, muitas pessoas tinham ido dar o último adeus para Sakura e que ela era muito amada pelo seu círculo.
Besteira!
Sakura era como ela, as duas não tinham amizades fortes, apenas pessoas que as cercavam e elas tinham que conviver... Bem, isso era verdade, até Naruto aparecer em sua vida, então Hinata começou a ter duas pessoas para ela.
Talvez tenha sido isso que tenha afastado Sakura de vez dela? Por isso que ela não mais contava o que estava acontecendo na sua vida?
Ela se lembrou do dia que Sakura chegou em casa de manhã cedo, a roupa dela estava desgastada o seu rosto estava destruído, havia marcas por todo o seu corpo e ela chorou toda a noite até dormir.
Hinata tinha acreditado que alguma coisa havia acontecido com ela, mas nem a Sakura, nem as pessoas que ela pediu que a investigassem havia chegado a alguma conclusão.
Mas, ela sabia que algo tinha dado muito errado.
A polícia havia parecido duas vezes para falar com ela, mas nas duas vezes foram impedidos por Naruto e pelos médicos que a colocaram em repouso absoluto. No entanto, a presença deles indicou uma coisa que ela já imaginava e apenas não tinha confirmação.
Sakura havia sido assassinada.
Hinata colocou as últimas peças de roupa em sua mala e a fechou. Naruto estava na porta lhe aguardando pra os dois saírem daquele lugar juntos. Ela queria muito visitar Sakura no cemitério, dizer que sentia muito por ter sido tão omissa, mesmo sabendo que algo estava errado.
Ela queria se livrar daquela sensação de culpa.
— Vamos? – ele perguntou da porta.
O seu rosto ainda era bonito, apesar da barba por fazer, e do cansaço e preocupação visíveis no seu rosto. Hinata não tinha sido agraciada com a habilidade de parecer bonita estando destroçada por dentro. E isso apenas aumentou o seu desconforto.
O que aquele homem estava fazendo alí com ela, quando ele parecia tão fora de lugar?
Ele tinha uma guerra para lutar contra vários chefes mafiosos, problemas para resolver com os seus homens que estavam sendo atacados constantemente, uma empresa multimilionária para dirigir e, ainda assim, ele estava o tempo todo ao seu lado, enxugando suas lágrimas e fazendo carinho no seu cabelo.
Era óbvio que ele precisava de um descanso. Um descanso dela.
— Eu acho que eu vou sozinha. – ela disse, olhando para a mala em cima da sua cama. – Eu quero ficar no apartamento hoje.
— Não! – a resposta dele parecia tão definitiva que ela sorriu. Em outra ocasião ela simplesmente teria pulado no pescoço dele, apenas por ele achar que podia simplesmente mandar na sua vida pessoal.
— Sim...
— Hinata, eu não acho que seja uma boa ideia você ficar sozinha.
Hinata franziu o cenho. – Eu não preciso de babá, Naruto...
— Não, não precisa, eu sei. – ele respirou fundo. – Mas, eu quero você perto de mim.
Hinata pensou no quanto aquilo soava clichê na voz dele, ele jamais teria falado aquelas palavras se ela não estivesse no estado que estava e aquilo foi o suficiente para acender uma faísca de raiva dentro dela, que foi embora tão rápido quanto chegou.
Ela pensou em uma solução rápida e imaginou uma forma de fazer Naruto concordar com ela.
— Eu só quero arrumar as coisas dela. Você mesmo disso que quer que eu me mude com você... Eu farei isso, mas preciso de um tempo sozinha.
Naruto parou de falar e raciocinou consigo mesmo. Ele costumava fazer isso com assuntos que eram muito arriscada e ela se viu torcendo para ele apenas aceitar que ela não queria ficar com ele hoje. Ele balançou a cabeça negativamente e suspirou.
— Ok, mas só hoje.
Hinata sorriu para ele e ele se aproximou para abraçá-la. Ela gostava muito de estar nos seus braços e quase voltou atrás com a ideia de não passar a noite com ele. Mas, ela manteve-se firme, ela não era fraca ao ponto de não conseguir passar uma noite sem tocá-lo.
E Naruto com certeza não gostaria de servir de muleta para ninguém.
Além disso, se ela queria encontrar alguma pista do que havia acontecido com Sakura, aquilo provavelmente estaria na casa delas. Ela usaria aquela noite para descobrir o que havia acontecido com a sua amiga e se nada funcionasse ela pediria para Naruto aquele favor.
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