Guarda-costas

87 Capítulo oitenta e sete


Notas iniciais
Novamente desculpa o atraso XD

Yumi olhava os binóculos com um grande sorriso no rosto. Tudo estava se movimentando exatamente da forma como ela gostaria e sem ninguém suspeitar sobre quem de verdade movia as peças por trás do jogo. Ela jamais achou que conseguiria chegar em tal ponto sem ninguém suspeitar de nada, mas aqui estava ela, cumprindo o seu papel de mocinha a perfeição.

As poucas pessoas que a reconheciam por quem ela realmente era estavam ocupadas demais com as suas vidas ou não se importavam nenhum pouco com os Uzumakis para interferir em seus assuntos privados. E, por isso, ela agradecia aos céus por aquela família ser tão fodida que ninguém levantava a mão para ajudar.

Mas, aquela situação não era exatamente desmerecida.

Os Uzumakis fizeram o seu nome em cima de uma montanha de cadáveres e tristeza, tanto fora quanto dentro da família. A cena que ela assistia agora, exemplificava bastante os seus pensamentos. Dois jovens utilizados de forma sórdida apenas porque um Uzumaki queria mover as cadeiras de poder dentro das tríades.

Especificamente, a imagem que Yumi observava por detrás do seu binóculo era de duas pessoas que se encaravam com ódio e desprezo no olhar. Ela podia sentir aqueles sentimentos em toda a longa distância do prédio de Sasuke ao seu e sabia que não sairia nada de bom dalí.

Ela também não se importava nenhum pouco com o que poderia acontecer. Porque nenhum dos dois lhe importava realmente.

Hinata segurava com firmeza a arma na cabeça de Sasuke. Sasuke estava deitado no chão a encarando com olhos vagos que não sentiam, não observavam e não expressavam nada. Ambos já estavam conversavam por bastante tempo... E mesmo que a demora estivesse a deixando ansiosa, ainda era excitante observar o embate.

Yumi não tinha nada contra aquela menina, Hinata Hyuga. Pobre coitada, ela apenas tinha se envolvido em uma família desgraçada... Talvez em outra vida as duas poderiam ter sido próximas, até mesmo cunhadas... Yumi sabia do amor recém descoberto de Naruto por aquela menina, o qual ela já havia desconfiado desde a primeira reunião que eles tiveram juntos.

Provavelmente, nenhum dos dois percebia os olhares trocados ou a forma como Naruto olhava para ela de forma exasperada e cuidadosa. Duas expressões que você apenas utilizava se a preocupação estivesse em sua cabeça. Ele se preocupava com ela mesmo com tão pouco tempo a conhecendo e aquilo ficou bastante claro para ela.

E, foi aquele olhar, dado algumas vezes no intervalo de vinte minutos que selou todo o destino daquela menina, de sua amiga, de seus familiares... E agora estava preste a transformá-la na assassina de Sasuke, o seu primeiro amor, e de Kushina, a mãe de seu amor.

Bravo, Hyuga! Bravo! Você não teria se saído melhor nem se tivesse sido contratada apenas para esse papel.

Yumi sorriu, enxergando tudo aquilo como uma coisa muito boa para Hinata. Afinal, lições de vida como aquela deveriam ser prezadas mais do que qualquer outra coisa na vida.

Hinata era uma menina que estava começando a vida agora e conseguiu manter a sua inocência preservada até o momento. Yumi não teve essa oportunidade, ela foi arrebentada por dentro pelas pessoas que mais confiava, abandona pelas pessoas que mais amava e aquilo apenas a tornou mais forte.

Naquela situação, ela entendeu quão valiosa havia sido a lição que havia tomado. Hinata talvez conseguisse o mesmo esclarecimento. Se ela sobrevivesse até lá...

Finalmente, o disparo da arma de Hinata veio e Sasuke parou de se mover no chão. Hinata sequer lhe ofereceu um segundo olhar antes de sair do apartamento, ela havia conseguido a informação. Kushina provavelmente levaria uma surpresa e tanto quando a visse entrar na sua porta.

Agora, era a sua vez, ela deveria seguí-la também para o segundo e final embate da noite.

Antes de sair, Yumi não resistiu e olhou por mais alguns segundo o corpo caído de Sasuke e, assim como Hinata, também deu adeus ao seu primeiro amor.

O único pelo qual alguma vez conseguiu sentir qualquer coisa.

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Naruto caminhou com pressa para o apartamento de Sasuke. Ele tentou o telefone dele por diversas vezes durante o dia, mas nenhuma das suas ligações foram atendidas ou suas mensagens retornadas. Obviamente, Naruto não estava preocupado com aquele “desaparecimento’, até porque havia sido ele mesmo, a pessoa a entregar alguns dias para ele tirar folga.

Sasuke estava trabalhando incansavelmente nos últimos dias, como uma máquina. Cuidando tanto dos assuntos da empresa, quanto vigiando a sua mãe.

E, apesar da desconfiança de Naruto não ter sido cessada completamente, ele ainda acreditava que deveria dar uma certa brecha para ele, por tudo que ele havia feito pela sua família durante a sua vida, sem nenhum deles merecer de fato.

A coisa era que Naruto não se importava realmente se Sasuke havia o traído ou não, era impossível sentir ódio do Uchiha. Isso porque ele sempre acreditou que em algum momento Sasuke teria forças o suficiente para se livrar do forjado cordão umbilical que lhe impuseram e ir embora da forma mais desastrosa possível.

Era um tanto triste o fato de nunca ter havia uma possibilidade de escolha para ele. Ele nunca havia escolhido ser parte da poderosa família Uzumaki no passado, ele simplesmente foi arrastado para aquela posição cruel, sem ter como voltar atrás por si mesmo.

Sasuke havia sido abandonado pelos seus pais para obter paz entre as famílias, obviamente Nagato havia o tratado da melhor forma possível, sendo um pai, um mentor, alguém da família, mas nenhuma daquela boas intenções seriam capazes de mudar a forma como aquele relacionamento foi iniciado e as razões de haver acontecido.

Afinal, um desastre que era iniciado desde o começo, não poderia jamais terminar de uma forma boa.

Por isso, Naruto havia tomado uma decisão importante. Ele deixaria Sasuke ir, se assim ele quisesse, porque agora havia uma oportunidade clara para aquilo ocorrer.

Itachi Uchiha, seu irmão mais velho, havia se aproximado para unir alguns negócios entre as famílias. Naruto sabia perfeitamente bem o ódio que aquele homem sentia pelos Uzumakis, mas, mesmo assim, ele ainda assim fez o primeiro passo para ambos começarem a se relacionar em algum nível, nem que fosse apenas profissional.

Naruto não julgava o ódio que Itachi sentia pela sua família. Como poderia? Itachi havia sido o único contra a entrega do seu irmãozinho quando a proposta foi feita. E ele feito muito mais que argumentar em contra, ele armou uma verdadeira confusão quanto a isso.

Mas nada adiantou. Ele era apenas um adolescente, lutando sozinho. E, no fim, não conseguiu.

Naruto se lembrava ainda daquele dia. Ele havia sido levado para aprender pelo seu pai e tio, porque por alguma razão, ele tinha que entender, antes dos dez anos, como era uma reunião de sequestro/acordo. Na época, seu pai havia lhe contado que ele receberia um novo amigo em casa e que essa pessoa provavelmente estaria um pouco chateada por ficaria longe de seus pais, assim era o seu trabalho fazer com que o menino ficasse confortável em meio a tantos adultos desconhecidos.

Naruto aceitou aquilo com um grande sorriso no rosto. Mas os seus serviços não foram necessários.

Sasuke foi entregue nas mãos de seus tios e ele não chorou em momento algum. O menino tinha olhos gelados e negros, como se já tivesse visto coisas demais. Ele também não falava, tinha a feição caída e a única vez que ele olhou para cima e demonstrou qualquer tipo de emoção foi quando ele olhou para o seu irmão mais velho com ódio. Itachi, o menino forte que esbravejava com todo mundo também parecia quebrado, com os olhos cheios de lágrimas que não caiam.

Talvez, naquele momento, Naruto houvesse percebido o absurdo de tudo que estava acontecendo, porque em vez de melhorar o humor dentro do carro, ele apenas se sentiu triste pelo menino e seu irmão.

Em casa, quando ele perguntou para o pai o porquê da situação, o seu pai apenas balançou a cabeça e disse que ele não podia questionar aquelas coisas. Ele deveria confiar no chefe da família porque ele sempre fazia o melhor.

Naruto suspirou, seu pai era a melhor pessoa que ele havia conhecido na vida, mas tinha um problema com aquilo. Ele confiava demais em uma família que tinha como esporte arremessar facas nas costas um do outro.

Naruto via Sasuke como ele realmente era, alguém que não tinha nenhuma razão para se manter fiel. Alguém que tinha a dúvida grudada nos seus olhos e uma amargura que blindava o coração.

Apenas mais um resultado do que era pertencer aos Uzumakis.

Naruto saiu no andar de Sasuke. Havia apenas dois guardas a vista no corredor, mas nenhum deles tentou lhe parar. Ele foi até o apartamento onde Sasuke estava hospedado, abriu a porta e fechou. Naruto chamou por ele duas vezes e nas duas foi completamente ignorado. Ele se perguntou se Sasuke não estava presente, mas se fosse esse o caso os guardas do lado de fora haveriam avisado.

Naruto entrou no apartamento do amigo e a visão do que encontrou o paralisou no mesmo instante. No chão, próximo ao sofá, uma poça de sangue estava formada. Era sangue o suficiente para ter matado uma pessoa, mas no caso, a pessoa não estava presente.

Naruto sacou a arma da sua calça e começou a vasculhar todos os cantos do apartamento silenciosamente. Não seria uma boa ideia atrair a atenção dos outros guardas para dentro da casa, então ele simplesmente resolveu fazer tudo sozinho. Não havia ninguém ali, nem qualquer perpetrador, nem Sasuke, nem Hinata.

Ele também observou os seus arredores, tentando descobrir se aquilo poderia ser obra de alguma pessoa fora do apartamento, mas as janelas de vidro também estavam intactas. Aquilo não foi obra de um sniper.

Naruto foi até a poça de sangue e verificou o local. Não havia nenhuma pista do que havia acontecido ali. O que poderia ter feito aquela pessoa sangrar? O quem era a pessoa que alí sangrava. Pela expressão pacífica dos guardas do lado de fora, nenhum deles sabia o que havia acontecido ali. Silenciadores, provavelmente foram utilizados. A polícia também não poderia ser avisada, porque, no final, a pessoa responsável por aquilo poderia ser o seu próprio Sasuke.

Agora, Naruto tinha as mãos cheias. Duas pessoas desaparecidos em menos de vinte e quatro horas.

Uma ponta de preocupação fisgou Naruto e ele parou para pensou o que eram aquelas coisas acontecendo tão rápido e de uma única vez. Onde estava Sasuke? Onde poderia estar sua namorada?

Naruto puxou o telefone do seu bolso e discou um número enquanto ainda buscava pistas ao redor.

— Senhor!

— Shikamaru pare o que você está fazendo e venha até o último endereço de Sasuke, traga uma equipe.

— Aconteceu alguma coisa?

— Isso é o que eu pretendo que você descubra. No apartamento a uma poça de sangue, mas nenhum corpo. Também preciso que vocês verifiquem as câmeras de segurança do prédio e dos arredores alguém atirou em alguém e retirou o corpo sem os guardas perceberem.

— Sim, senhor. – Naruto já ia desligar, mas Shikamaru chamou a sua atenção. – Ah senhor... Desculpa, apesar das suas ordens ainda verificamos as chegadas dos voos no destino da viajem de Hinata e, de fato, ela não estava em nenhum.

— Eu sei, ela não iria embora.

— O que faremos agora para procurar ela?

Naruto suspirou. – Não tenho novas ordens, apenas venha rápido para o apartamento.

Naruto desligou e fechou os olhos com força. A sua cabeça estava começando a dar sinais de enxaqueca.

Nesse momento, tudo o que ele poderia fazer por Sasuke era esperar uma resposta de Shikamaru sobre o que havia acontecido naquele apartamento. Talvez essa fosse a única pessoa que conseguiria resolver esse problema. Pelo menos, ele tinha contatos o suficiente para fazer acontecer um exame forense e descobri a quem pertencia todo aquele sangue.

Naruto não podia se preocupar com aquilo agora. Ele precisava encontrar Hinata o mais rápido possível, mesmo que estivesse de volta à estaca zero.

Naruto saiu rapidamente do apartamento e sequer olhou para os incompetentes guardas antes de voltar para o elevador. Ele estava começando a ficar maluco com tudo que dava errado ao seu redor, porque para alguém que sempre planejava precisamente cada um de seus passos, tudo estava saindo do controle.

E ele sequer conseguia se concentrar o suficiente para elaborar um bom plano. Ele precisava encontrar Hinata o mais rápido possível ou acabaria queimando Tókyo inteira durante a noite.

Notas finais
Tadinho de Naruto, sempre atrasado...