Guarda-costas
88 Capítulo oitenta e oito
Notas iniciais
Kushina estava preparando o seu cabelo e maquiagem. Afinal, estar em cárcere privado não era motivo o suficiente para ela não estar perfeitamente apresentável e preparada para receber qualquer pessoa a qualquer hora do dia. Uma das grandes coisas que ela havia aprendido quando era apenas uma dançarina e Escort em um clube de solteiros da cidade na década de 80.
Ela sempre havia sido conhecida como a mais bonita e talentosa entre as meninas. Ela sempre conseguia atrair os olhares dos mais ricos e agradá-los a ponto de se apaixonarem. Ela era conhecida por conseguir o que queria, na hora que quisesse e de quem quisesse.
Essa fama levava muitas pessoas a se perguntarem por que ela ainda praticava aquele tipo trabalho degradante. Qualquer um na posição de fama que ela havia conquistado, já teria saído daquela vida a muito tempo, podendo ser a esposa de uma família de classe média ou a amante secreta paparicada por um homem milionário.
O caso era que, desde aquela época, Kushina já tinha plena consciência de suas próprias ambições e sabia que qualquer um não serviria aos seus propósitos. Ela queria o melhor, ela queria cumprir o sonho que a sua mãe tinha para ela, a muito tempo atrás.
E ela sequer precisou esperar tanto assim...
A pessoa que o realizaria não demorou para aparecer em seu clube. E com apenas uma breve troca de olhares, ela já sabia qual seria o destino que ela tomaria dalí em diante. Uma decisão que a levou todo o caminho até a sua atual prisão de luxo.
Kushina saiu do seu quarto e foi até o balcão de sua janela, ela havia sido presa em um apartamento luxuoso, completamente vigiado por câmeras e seguranças. Ela não tinha como sair dali, mesmo que quisesse.
O que ela ainda não fazia tanta questão. Afinal, ela ainda não tinha reencontrado o seu filho e tinha coisas para tratar diretamente com ele, mesmo que Naruto não quisesse ouví-la.
No entanto, ela estava começando a ficar entediada com toda aquela espera... Como aquela criança poderia mantê-la sozinha por tantos dias, sem sequer lhe enviar uma mensagem? Ele não se importava com a própria mãe?
Além disso, ela também estava preocupada com ele, com a empresa e com as próximas decisões que ele tomaria.
Ela queria poder aconselhá-lo no que ele precisasse ou pelo menos fazer com que algum peso descansasse em seus ombros em vez do dele. Ela queria fazer o que toda mãe faria naquela situação, mesmo que ninguém acreditasse nas suas boas intenções, nem mesmo seu filho.
Kushina suspirou olhando a linda paisagem na sua frente. Se não fosse por assuntos urgentes e pelo seu desejo de tomar conta de Naruto, ela ainda estaria na França, cuidando da sua própria vida e deixando que ele finalmente se tornasse o herdeiro que merecia. Sozinho.
Ela sentia tanto orgulho dele... Naruto finalmente havia se tornado o que ela tinha planejado para ele desde o início da sua vida: uma pessoa importante na sociedade japonesa, o líder dos Uzumakis.
A sua mãe ficaria orgulhosa de observá-la também, notando quão longe ela havia conseguido chegar. Levando o nome da sua simples e patética família para frente sem que ninguém pudesse impedí-la.
Isso porque as pessoas que haviam tentado pará-la haviam ficado para trás a muito tempo.
Agora ela só tinha mais um problema para resolver, antes de se aposentar de vez e aproveitar a vida que cultivou para si. O casamento de Naruto.
Kushina suspirou pensando em quão difícil seria aquela tarefa.
Ela havia encontrado a menina perfeita. Bonita, inteligente, elegante, bem comportada e dócil. Ela vinha de uma família bastante rica que era conhecida por seus serviços aéreos, donos de vários aeroportos privados que funcionavam principalmente como ponto de importação e exportação de drogas em países da Europa.
Kushina havia escolhido aquela menina logo após o Porto da família ter sido completamente dizimado. Naquele ataque, Naruto havia perdido muito da sua vantagem em barganha com as outras famílias na tríade e um casamento com alguém que lhe oferecia as mesmas vantagens que o empreendimento que havia acabado de ser destruído era uma excelente escolha!
Havia sido por aquele motivo que ela havia tentado de tudo para impedí-lo de participar da reunião com os outros membros da tríade, mas Sasuke a impediu em cima da hora. Uma pena... Sasuke pagaria bastante caro por interferir no seu caminho mais tarde.
Por sorte, segundo algumas informações que ela havia conseguido colher sozinha, a reunião com os urubus, não havia resultado em nenhum acordo, muito pelo contrário, Hidan, Tomoyo e Minato estavam desaparecidos ou mortos e as ações das empresas Uzumakis estavam mais em alta que nunca.
O casamento que ela havia escolhido, apenas ampliaria aquela vantagem o que seria uma excelente notícia para todos os envolvidos.
Só havia um pequeno problema.
Naruto parecia bastante apessoado a menina que vivia ao redor dele. Hyuga Hinata.
Kushina havia utilizado os últimos meses para pesquisar sobre a menina que era sua guarda-costas e irmã de juramento. Ela tinha um histórico fraco. Uma família normal. Um emprego desdenhoso. Sem qualquer educação de excelência. Sem conexões ou vantagens.
Quanto a beleza... Nada ali. Ela gostava de cortes de cabelo baixos que a faziam ter uma aparência menos feminina, gostava de ternos e sapatos escuros, nunca havia sido fotografada minimamente bonita. Tinha uma boca medonha que sempre realizava insultos em sua maioria direcionados a Naruto.
Além de tudo era muito mau comportada e nunca obedecia a ninguém.
Nada nela enchia os olhos de Kushina. E, na sua opinião, ela simplesmente não tinha material o suficiente para estar ao lado do seu filho, exceto, talvez como uma simples empregada.
Mas, ainda assim Naruto ainda era bastante apegado nela.
Sasuke havia lhe dito que os dois eram mais do que “simples amigos”, que Naruto estava apaixonado por aquela criança idiota, mas como Kushina poderia acreditar em tal coisa? Seu filho havia sido criado desde o início a ter sempre o melhor e mesmo quando ele estava longe dela, com raiva de tudo e de todos, ele nunca tinha se desviado daquele caminho.
Mesmo as namoradas dele na época de faculdade eram sempre de alta classe ou extremamente belas. E ele nunca colocava importância suficiente em seus relacionamentos para eles chegarem a ser mais importantes que os seus negócios, mesmo que ele jamais pretendesse voltar para a casa e comandar os negócios da família.
Como que agora, nessa altura do campeonato, após Naruto finalmente ter assumido o controle da família, ele estaria apaixonado por uma simples garota...
Impossível!
A mulher que ela havia conseguido era, simplesmente, muito melhor.
E mesmo que Naruto não desistisse de manter aquela pirralha ao seu lado, ela confiava no bom senso dele, para mantê-la apenas como um de seus caprichos, enquanto possuísse uma relação marital com a mulher que ela escolhesse.
E ela já tinha preparado tudo. A pretendente chegaria em poucos dias e tomaria para si a mão de seu filho. Algumas de suas artimanhas teriam que ser usadas, se Naruto não percebesse por conta própria as vantagens daquele relacionamento, mas ela confiava que a mente de Naruto faria a escolha certa quando chegasse o momento.
Ela só precisava agora, descobrir como minimizar a presença de Hinata na vida de Naruto.
Xxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Hinata observou o hotel onde Kushina estava sendo mantida. Do lado de fora, havia apenas alguns guardas nas saídas de emergência e no corredor. E, assim como no apartamento de Sasuke, a segurança seria um obstáculo intransponível para ela alcançar o seu objetivo.
Para invadir o apartamento de Sasuke, ela precisou se disfarçar. Essa parte foi bastante complicada, porque ela precisou desacordar uma camareira, apenas para roubar o seu cartão mestre e as suas roupas. Ela cobriu a sua cabeça, o seu corpo e não tentou qualquer aproximação que causasse muita desconfiança naqueles homens.
Ela precisou de todo aquele disfarce, porque os guardas de Sasuke eram pessoas que a conheciam ou que já haviam há visto na companhia de Naruto. Obviamente, que se ela não estivesse se escondendo de Naruto ela poderia ter simplesmente aparecido na porta dele que eles a deixariam entrar, mas aquela não era a situação em que ela se encontrava.
Dessa vez, ela não reconhecia qualquer dos guardas que estavam vigiando Kushina, mas ainda assim ela tomou as precauções necessárias. Hinata já sabia muito bem qual era o quarto em que ela estava hospedada, Sasuke havia lhe contado, assim que ela concordou em atirar nele.
Então, a parte mais difícil do seu trabalho estava parcialmente concluída.
Apenas restava conseguir chegar no andar em que ela gostaria, se chamar atenção dos guardas que atentamente observavam cada pessoa que passava pelos corredores.
Para isso, primeiramente ela desceu no lobby do hotel. A recepcionista bastante calorosa e pronta para agradar, parecia uma presa fácil para Hinata e, assim, que se aproximou do balcão, desejou-a boas vindas e perguntou sobre as suas reservas.
Hinata também sorriu para ela, retribuindo o bom humor ao qual era atendida. Felizmente, a recepcionista comprou rapidamente sua fachada inocente e parecia mais disposta ainda em agradar. Toda aquela amabilidade, provavelmente custaria o seu emprego no futuro, mas Hinata não se importou com aquilo.
— Gostaria de pedir o quadro 1407, por favor.
Hinata pediu o mesmo quarto onde Kushina estava hospedada e quando a recepcionista verificou em seu computador, percebeu que o mesmo estava ocupado. Hinata fingiu desanimo e inventou que era uma pessoa bastante supersticiosa e que quando ela estava em uma cidade nova ela geralmente usava o mesmo quarto de hotel.
Demonstrando, novamente, ser uma funcionária perfeita, a recepcionista disse que haviam dois quartos disponíveis ao lado do quarto em que ela queria e que a vista era a mesma. Ela até mesmo daria um desconto pelo inconveniente...
Hinata sorriu, agradeceu pela generosidade do hotel e aceitou os quartos que ela propôs. Hinata fez o check in e conseguiu a chave do quarto de número 1408.
Antes de subir no elevador, ela se preparou, colocando o seu boné e seus óculos escuros. Os guardas que vigiavam Kushina de fato nunca tiveram contato com ela, porém ela não tinha como saber se Sasuke não havia em algum momento mostrado alguma foto sua.
Quando Hinata desceu no andar, ela tentou não olhar para nenhum deles e foi diretamente para o seu quarto.
Os homens a olharam de esgueira, mas logo a excluíram como potencial ameaça, deixando-a seguir seu caminho. Hinata entrou no quarto e trancou-se, já era tarde da noite. Ela não precisava esperar mais tempo para fazer o que pretendia, mas em vez de partir diretamente para a ação, ela apenas sentou-se na cama macia, abaixou a cabeça e respirou fundo.
Naquele momento, ela admitiu para si mesma que estava cansada. Exausta.
Depois de tudo o que tinha acontecido com a Sakura, após ter ficado internada alguns dias no hospital, tomando remédios e depois toda a jornada de descoberta e busca de informações que ela enfrentou, ela sentia que sua energia estava se deteriorando rapidamente.
Sua cabeça doía, a parte de trás dos seus olhos ardia, ela também ainda não havia comido nada o dia inteiro ou bebido qualquer coisa. Ela simplesmente não sentia que estava dentro do seu próprio corpo, como se tudo o que estivesse acontecendo estivesse ocorrendo com outra pessoa e ela fosse apenas um espectador intrometido.
Hinata gostaria que aquilo tudo isso estivesse acontecendo com qualquer um que não fosse ela.
Ela pensou em Sasuke, a quem ela deixou sangrando no chão, desacordado. A antiga Hinata jamais faria uma coisa daquelas, não importasse o quanto a pessoa tinha sido ruim com ela, mas, ainda assim, poucas horas atrás ela tinha sido capaz de atirar a sangue frio e deixar para morrer a pessoa que ela tinha como o seu primeiro amor.
Ela sabia que não estava bem, a sua sanidade mental nessas últimas horas era precária. Ela estava fazendo coisa que nunca achou que seria capaz e sem sentir qualquer remorso antes, durante e após. Hinata havia invadido a casa de seus próprios vizinhos, ameaçado atirar em pessoas inocente, atirar de fato em pessoas que ela já considerou amigas...
E a pior coisa de todas, ela havia mentido para Naruto...
O será que ele estava fazendo agora? Será que ele estava procurando por ela como louco ou ele estava tão zangado que havia desistido de procurá-la? Como ela conseguiria explicar cada uma de suas ações, quando finalmente chegasse a hora?
Principalmente, quando ela sequer sabia explicar para si mesma?
Ela queria vingança, mas ela sabia que não conseguiria matar a mãe do homem ao qual amava.
E, no final, tudo que ela conseguia concluir, era que não havia um final bom para aquela história.
Hinata jamais poderia pedir para Naruto confiar apenas em sua palavra, contra a sua mãe. Ela precisaria de provas que demonstrassem que Kushina havia feito alguma coisa contra Sakura. Ela precisava admitir com a própria voz.
Hinata puxou o gravador de dentro do seu bolso. Até agora naquele aparelho só via a confissão de Sasuke e provas contundentes de que ela havia atirado nele e provavelmente matado.
Aquilo tudo havia sido proposital, afinal ela poderia apenas ter desligado no momento que atirou nele, mas ela não o fez. Ela conseguiria as provas que precisava, apresentaria elas para Naruto e daria uma oportunidade a ele. Ou ele confrontaria a própria mãe e acabaria com a presença dela em sua vida. Ou ele a denunciaria para polícia e ela seria presa por assassinato.
Ela pegaria facilmente, vinte anos de prisão, uma vez que ela não apenas o matou, ela também o torturou antes de dar o tiro final. Talvez, ela ainda tivesse a oportunidade de alegar insanidade temporária, porque elas não estava se sentindo em plena consciência das suas ações, no entanto, o final ainda era o mesmo, ela iria para a cadeia e ele nunca mais a olharia de novo.
Ela devia pelo menos aquilo para ele, certo? A possibilidade de escolher quem ele queria manter em sua vida.
Hinata respirou fundo mais uma vez e olhou novamente para o seu relógio. Apenas naqueles breves pensamentos ela havia gastado meia hora. Ela levantou da cama e verificou a sua arma, ela completou a munição de voltou a colocar a arma na parte de trás das suas costas.
Ela andou pelo apartamento, para se acostumar com o layout do lugar, justamente porque o quarto ao lado era idêntico ao seu. Não haviam saídas laterais, apenas a principal que possuía abria apenas com um cartão de acesso. Os guardas provavelmente possuíam um, mas eles não entrariam no meio da noite se não fosse algo de muita urgência.
Quando, Hinata terminou a sua vistoria, ela seguiu até a varanda do seu quarto. A distância de uma varanda para outra era grande, mas ela ainda conseguiria chegar até o outro lado, porque havia um suporte na parede para fiações.
Ela calculou a distância da sua varanda até aquele suporte e conseguiu pular e se pendurar nele. Depois, balançou o seu corpo e soltou a mão, sendo arremessada até o outro até a varanda que queria alcançar.
Em menos de trinta segundos ela havia chegado na varanda do seu inimigo. Em mais trinta segundos, ela conseguiu localizar Kushina sentada no sofá próximo a varanda.
A porta da varanda estava escancarada e ela facilmente conseguiu entrar sem ser notada. Os olhos de Kushina estavam fechados e ela possuía uma bebida nas mãos e um sorriso irônico no rosto.
Hinata olhava para aquela cena e sentia-se enjoada. Ela não esperava que encontraria sua sogra em meio a todas aquelas situações. Ela sequer tinha certeza se encontraria aquela mulher em qualquer momento da sua vida.
Afinal, ela e Naruto não tiveram tempo para conversar sobre nada do que eles estavam fazendo. O que eles eram? Namorados? Um lance? Será que ele achou que iria morrer no dia seguinte que eles transaram e ele a usou como um último pedido de ceia?
Ela não poderia reclamar se fosse esse último, porque ela havia se divertido para um caralho...
Ela parou em frente ao sofá de Kushina, pegou a arma e apontou para ela. A mulher sequer abriu os olhos, mas seu sorriso ampliou consideravelmente e ela falou:
— Oras, oras... Se não é a amiga do meu filho. A que devo essa honra?
Fale com o autor