Guarda-costas
84 Capítulo oitenta e quatro
Notas iniciais
Os aviões estavam bastante altos no céu, mas ainda assim ela queria alcançar todos. Sua curiosa mente sempre se perguntava se algum dia ela poderia voar naquelas alturas, mesmo que estar tão alto fosse uma coisa que lhe deixava incrivelmente desconfortável.
Hinata suspirou, enquanto estava deitada no jardim da sua casa. Aquele era um de seus passa tempos preferidos, apenas observar os aviões saindo e chegando nas pista de decolagem. Por algum motivo ela considerava aquele constante trânsito bastante distrativo.
E hoje ela precisava da distração mais que tudo, porque ela tinha a enorme missão de esquecer tudo o que tinha acontecido algumas horas atrás quando ela e o seu pai se enfrentaram em uma briga colossal.
Aparentemente, ela era uma grande causadora de problemas e nada daquilo que ele esperava.
Mas, o que ele esperava dela?
O que ela esperava de si mesma?
Hinata suspirou pensando se algum dia ela poderia se permitir voar tão alto quanto aqueles aviões. Se algum dia ela não se importaria nenhum pouco com os olhos do seu pai lhe dizendo que ela havia errado de novo, que ela estava se metendo em coisas que não eram de sua conta. E que ela deveria se comportar com uma boa menina.
E a pior coisa de tudo isso, era que a pessoa a lhe dar a bronca era o seu próprio pai. Se fosse a sua mãe, o seu pai com certeza interferia, mas como era ele, Hinata não podia contar com a sua mãe para defendê-la.
Algo cheirou a sua mão e ela virou o rosto para dar de cara com o Tee. O poodle da família. A coisa mais desgraçada, barulhenta e mimada que ela já teve o prazer de conhecer. Ela saiu do seu modo distraído e sentou-se na grama, trazendo a pequena bola de pelos para o seu colo.
O cachorrinho ficou muito feliz com a atenção recebida e imediatamente a largou.
Ela sabia que ele estava correndo atrás de algum dos seus milhares brinquedos de morder. Por que era impossível ele apenas ficar quietinho no colo de alguém...
Hinata ia voltar a deitar, mas sentiu o joelho de alguém nas suas costas. Ela quase revirou os olhos percebendo a sombra na sua frente, mas ela também se sentiu feliz porque aquela pessoa estava ali.
Hanabi saiu de trás dela e sentou na sua frente com as pernas cruzadas e olhares curiosos.
— O que você fez dessa vez? — ela perguntou parecendo irritada.
— Por que você acha que eu fiz alguma coisa?
Hanabi revirou os olhos da forma como apenas uma criança de dez conseguia sem parecer ridículo. O rosto dela era delicado e bonito, mas por detrás daqueles olhos grande e inocentes tinha uma menina com uma mente diabolicamente malígna.
Hinata a amava mais que qualquer coisa nesse mundo.
— Você chora demais… — Hanabi suspirou, passando a mão em sua cabeça como se ela fosse apenas uma criança boba. Hinata meio que se sentia exatamente assim quando estava com ela. Apenas uma criança, mesmo ela sendo a mais velha por três anos.
— Quem disse que eu chorei?
— Você é uma boboca! Bobocas choram por tudo. — ela suspirou. — Papai é um boboca também, quando ele te viu chorar, ele começou a chorar também.
— Cala a boca! O papai não é um boboca!
— Tsk, tsk… Defendendo o inimigo… — Hanabi se levantou e bagunçou o seu cabelo. — Você tem que ser forte quando está brigando com alguém, idiota! Se você se levar pelas coisas que você sente, você vai ser apenas uma grandíssima idiota!
— Eu não sou idiota!
Hanabi apenas balançou a cabeça como se estivesse falando com alguém irrepreensível. Ela estava vestida com um enorme vestido branco, algo que deveria fazer ela se parecer mais velha, mas tinha o efeito oposto de deixá-la adorável.
Ela se parecia tanto com a mãe. A mesma postura, a mesma rigidez, o mesmo nariz empinado para tudo nessa vida. As duas irmãs não poderia ser mais diferentes nem se elas fossem moldadas para tal.
Hinata sempre falava que, na verdade, ela não parecia como ninguém, por mais que ninguém concordasse com ela, sempre falando que ela era idêntica com o pai.
Hinata se levantou do chão onde estava e limpou o seu short, ela parecia determinada parando ao lado da sua irmã caçula. Ela limpou o restante das lágrimas de seus olhos e começou a marchar para dentro de casa.
Ela já se sentia bem melhor depois de ter gastado vários minutos vendo aviões e conversando com a sua irmã. Qual dos dois teve mais resultado? Ela não conseguia dizer.
— Ei, idiota, o que você vai fazer? — Hanabi perguntou correndo para ficar ao seu lado.
— Pedir desculpas por ter gritado com o papai! Ele deve estar muito triste comigo.
Hanabi parou e bateu no seu ombro com força.
— Idiota! Não acabamos de dizer que você tem que lutar contra o seu inimigo.
Hinata também parou, massageando um pouco o seu braço. Era sempre incrível a força que aquela meninas tinha nas mãos. — Mas o papai chorou, como eu posso simplesmente deixar para lá?
— Papai chorou porque ele é um boboca, não seja uma boboca também, ainda existe esperança para você.
Hinata sorriu suavemente e olhou para sua irmãzinha, tão pequena e já era tão dura. Tudo para ela era uma questão de perder ou ganhar.
— Seja boazinha, Hanabi. E sempre peça desculpas primeiro. — ela apertou as bochechas carnudas daquela criança e continuou a andar.
Quando ambas chegaram na varanda da casa o senhor e senhora Hyuga estavam na porta porta da frente discutindo.
— De onde já se viu um pai pedir desculpas para a filha de treze anos? — a Senhora Hyuga questionava como se aquela fosse a coisa mais ridícula do mundo. — É por isso que aquelas crianças fazem o que querem com você.
— Mas, ela estava chorando…
— Crianças choram, idiota! É só para isso que elas servem.
— Não fale assim da minha filha, ela é a primeira da turma mini juvenil de boxe.
Ao escutar a voz do pai, Hinata entrou na varanda com ainda mais rapidez e olhou para ele. Ela também olhou para a sua mãe.
Era perceptível como os dois pareciam profundamente chateados por estarem brigados, mas logo Hinata começou a chorar com todas as forças dos seus pulmões e correu para os braços do seu pai.
Hanabi foi até a sua mãe e imitando a mãe cruzou os braços olhando negativamente para aquela cena, enquanto os dois idiotas continuavam chorando como dois bobocas.
Hinata abriu os seus olhos e sentiu as lágrimas correrem nos seus olhos. Tudo parecia um enorme pesadelo e tudo que ela era voltar para casa.
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Sasuke sentou-se na poltrona de sua casa sentindo-se derrotado. Nada podia fazer com que ele se movesse do lugar. Nem as chamadas incessantes de Yumi, nem as mensagens de Naruto perguntando onde estava. Ou as batidas nas portas dos seus subordinado preocupado com o seu paradeiro.
Ele estava simplesmente muito além de qualquer coisa. Sem qualquer interesse para qualquer uma dessas pessoa.
Será que aquele era o momento para ele sair da sua toca? Será que aquele era o momento dele se denúnciar para o mundo como o filho da puta que era? Talvez Naruto o poupasse, dando-lhe apenas um tiro na cabeça. Rápido e indolor.
Sasuke suspeitava o que era que havia causado a morte prematura da melhor amiga de Hinata. Sabia que aquilo poderia explodir a qualquer momento e por mais que ele quisesse se mover e fazer algo a respeito, ele simplesmente não sentia qualquer força para sair do lugar.
Kushina...
Ainda haviam tantas dúvidas sobre o que tinha acontecido e muito mais perguntas sem respostas. Aquela mulher era sempre o epicentro de todas as confusões que influenciavam o caminho da família Uzumaki. E agora mais que nunca.
No entanto, denúnciar ela para Naruto era como deixá-lo entre a cruz e a espada. Se ele escolhesse a namorada, ele teria que matar a mãe, se ele escolhesse a mãe, Hinata estaria destruída.
E além de tudo havia toda a situação que envolvia a morte da rosada. Todas as coisas que haviam lhe trazido dor, como ele poderia simplesmente contar tudo isso para ambos.
Como ele poderia contar que ele já sabia disso desde a época que ocorreu mais ainda assim preferiu ficar em silêncio quanto a isso?
Sasuke não tinha muitas esperanças sobre a sua vida. Em verdade, ele já havia desistido a muito tempo de qualquer possibilidade de futuro. Ele sabia que ele estava apenas a espera de ser enterrado, ele só não sabia quem seria o causador da sua morte.
Ele pegou o copo de uísque e voltou a beber. Ele ainda não tinha parado de se embebedar desde a notícia que Sakura estava morta chegou até ele. Depois disso, ele ainda soube que Hinata havia sido hospitalizada de novo.
Cada um daqueles acontecimentos, apenas colocavam uma pá de cal em toda a sua vontade de ficar sóbrio.
Nada era capaz impedí-lo de simplesmente se corroer em álcool até encontrar alguém que lhe tirasse daquele martírio. E essa pessoa não demorou…
Um objeto metálico encontrou a parte de trás do seu pescoço e Sasuke apenas sentiu a parte gelada do cano de uma arma. Ele suspirou e fechou os olhos, pedindo a qualquer um que pudesse escutar os seus pensamentos e intenções que sua espera terminasse aquela noite.
Sasuke abriu novamente e observou pelo espelho da sua janela um reflexo familiar que lhe trouxe calafrios no corpo e um sentimento de vergonha profunda no rosto. Ele não tentou se mover, não tentou desarmar o seu atacante, ele apenas ficou parado observando o desenrolar do que estava acontecendo.
O atirador afastou a arma do seu pescoço e caminhou até a sua frente, enquanto ainda o mantinha na mira. E quando o mesmo parou em sua frente, Sasuke percebeu os olhares de ódio que ele nunca havia visto igual.
Hinata estava na sua frente, vestida em casuais roupas, jeans, suéter e tênis. Ela pareceria a mesma de sempre se não fosse pelos olhos fundos e aparência cansada.
Se qualquer um a visse com um olhar alheio a situação, já descobriria de primeira que aquela menina estava perigosamente próxima ao seu limite. Sasuke conseguia enxergar isso com uma claridade que apenas quem já esteve na beira consegue identificar.
Ele bebericou um pouco mais de seu uísque e manteve o olhar fixo em Hinata. Ela não disse nada, mas não era como se ela estivesse hesitando em confrontá-lo... Era como se ela ainda estivesse lívida por estar segurando uma arma na sua cabeça.
— Você pode largar a arma, Hinata. Eu não vou fazer nada e pretendo te contar qualquer coisa.
Hinata desviou o rosto dele e fechou os olhos com força, tentando segurar a emoção que estava para transbordar dela. A fala de Sasuke foi apenas uma confirmação do que ela já esperava, mas não podia acreditar.
— Eu confiei em você… — ela falou baixinho.
— Eu sei. — Sasuke disse curto e grosso.
— Naruto confia em você…
— Nesse caso, existem suas discordâncias…
— QUE PORRA DE DISCORDÂNCIA!
Hinata gritou batendo o cano da arma na mandíbula de Sasuke com toda a força que podia imprimir no golpe. Depois sentou-se por cima dele, puxou o cabelo dele e apontou a arma debaixo do queixo.
— Você acha que eu estou brincando, Sasuke?
Os olhos de Hinata agora estavam marejados por lágrima, ela sequer se importava mais com tudo aquilo. Ela só queria alguém para dizer a verdade.
— Você acha que tudo isso é uma grande brincadeira. Eu perdi a minha melhor amiga. A MINHA IRMÃ!
A voz de Hinata foi ficando cada vez mais alta. A mão dela estava tremendo pela adrenalina. Pelo desespero. E Sasuke podia sentir tudo isso, a raiva, a dor. Tudo aquilo era mais forte que o golpe que recebeu.
Ele apenas não merecia morrer nas mãos de Hinata. Aquilo seria digno demais.
— Você vai me dizer o que sabe. — A voz de Hinata voltou a se acalmar e mesmo as lágrimas já haviam secado. — E não tente me enrolar dessa vez, porque apesar do que todos vocês pensam, eu não sou nenhuma idiota!
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