Guarda-costas

85 Capítulo oitenta e cinco


Notas iniciais
Boa leitura!

Oito horas antes do ataque ao Sasuke

Hinata levantou-se da cama depois do longo sonho que teve. Ela estava se sentindo acabada, destruída, mas algo nela também estava diferente… O luto ainda era perceptível e permanecia fazendo os seus ossos gelarem, mas dentro do seu coração algo forte crescia.

Hinata andou pelo quarto e pensou em um rápido plano de ação. Ela sabia que não era boa em planejar coisas, na verdade, o impulso era a única coisa que a guiava na maior parte das situações, mas os seus instintos e adrenalina estavam adormecidos naquele momento, talvez ela devesse isso as altas dosagens de remédio que ela precisou ingerir para sair do hospital.

Algo bom em tudo isso.

Hinata pegou uma bolsa e colocou algumas roupas aleatoriamente. Ela não tinha razão para levar mais do que duas peças de roupa, ela também tinha que viajar de forma leve, apenas o suficiente para mostrar que ela tinha partido daquela casa.

Hinata terminou de arrumar as suas coisas e revirou mais algumas roupas no chão. Ela pegou o pen drive que ainda estava no computador e colocou na bolsa, enquanto jogou o computador de lado.

Hinata saiu do seu quarto e foi até o computador de Sakura, assim, abrindo o e-mail da sua amiga que já estava logado, e recuperando os bilhetes de passagem aérea. Aquela tinha sido uma excelente ideia de Sakura e a pouparia de bastante tempo.

Tudo que ela teria que fazer agora, era mudar o horário do voo para hoje, mas não poderia ser pelo seu telefone. Ela não tinha qualquer confiança de que o seu aparelho não estava grampeado.

Muito obviamente alguém permaneceu observando cada um dos passos de Sakura durante os últimos dias e ela não sabia qual era o alcance dessa vigilância. Além disso, ela não podia confirmar se ela estava sendo vigiada dentro do seu próprio apartamento ou não.

Hinata foi até a janela e observou o lado de fora. Havia um carro preto parado em frente ao seu apartamento, os passageiros do carro não estavam sendo nada discretos e abertamente deixavam ser olhados. Aquele era o time que Naruto sempre colocava a sua “disposição”.

Segundo ele, eles estavam por perto, em caso de ele precisar alguma coisa dela e vice versa. Hinata nunca tinha de fato questionado o porquê de eles estarem o tempo todo presente, porque ela nunca precisou.

Ela confiava em Naruto.

Mas, hoje, ela precisaria se livrar daqueles homens.

Ela continuou olhando por mais alguns minutos tentando verificar se novos olheiros eram vistos ou se alguma pessoa nova na rua parecia suspeita, mas nada lhe chamou a atenção.

Ela pegou seus documentos, passaportes, todo dinheiro que tinha e cartões de crédito. Ela precisava mover o seu dinheiro rápido, porque logo eles também seriam rastreados.

Naruto a procuraria em todos os lugares, de forma incansável e ela teria que se prevenir ao máximo. Sem chamar atenção para si mesma tão cedo.

Porque se ela quisesse de fato colocar em prática o que estava tramando, ela precisaria de tempo para conseguir chegar até o ponto onde queria chegar. E para isso ela precisava sumir como fumaça do alcance de Naruto.

Hinata foi até o seu quarto de novo e puxou uma caixa de debaixo de sua cama. Colocando a senha, ela abriu o compartimento e puxou dois revólveres e alguns carregadores. Ela também pegou um silenciador.

Ainda estava de manhã. E ela chamaria muita atenção apenas saindo pela porta, mesmo que disfarçada. Os homens de Naruto não eram amadores e perceberiam a sua evasão em instantes. Ela precisava ser rápida e mais esperta que eles.

Hinata olhou pelo olho mágico da sua casa e não havia ninguém no corredor. O prédio era antigo e não tinha câmeras nos corredores, apenas no elevador e nas saídas de emergências.

Hinata jamais se arriscaria em ir qualquer um dos dois caminhos. Porque se o time de segurança que Naruto lhe mandou fosse um pouco esperto, eles iriam colocar homens monitorando todas as saídas do prédio, principalmente as de emergência.

A sua alternativa. E única saída. Era o prédio vizinho.

Hinata colocou as suas luvas de couro e foi até o apartamento em frente ao seu. A senhora que vivia ali, saia para trabalhar todos os dias as nove horas da manhã. A mulher era como um relógio, nunca adiantada, nunca atrasada.

Ela também era bastante descuidada quando colocava a senha para entrar e sair do apartamento. E Hinata conseguiu gravar o código em poucas vezes que viu a senhora utilizá-la para abrir a porta. 25240.

Hinata colocou os números e o aparelho de tranca fez um barulho, antes de facilmente permitir a sua entrada.

Ela olhou ao redor e não havia ninguém em casa. Ela procurou por alguma coisa que poderia usar em sua fuga e apenas achou alguns dólares na mesa de cabeceira do quarto da sua vizinha.

Ela prometeu a si mesma que devolveria o dobro do valor furtado se saísse viva das suas próximas vinte e quatro horas.

Ela foi até a janela do apartamento e subiu a grade com agilidade. Ela fez o possível para não olhar para baixo, e calculou rapidamente a distância até a próxima janela, impulsionando-se de acordo com a necessidade de alcançar o outro lado.

Hinata se agarrou a outra grade e rezou para que a mesma permanecesse firme sob o seu peso. Ela se agarrou com força no ferro e com a força do seu braço se puxou para cima da varanda.

Ela estava usando a sua sorte agora. Porque não tinha como ela saber qualquer um dos hábitos das pessoas que moravam naquele apartamento. Ela pegou um boné e colocou em sua cabeça, fechando o seu rosto para qualquer câmera que pudesse haver na casa ou a vista de alguém.

Hinata também puxou a arma para a sua mão, sentindo-se culpada por ter que apontar àquilo para uma pessoa inocente. A culpa durou apenas o tempo de ela colocar o silenciador no revólver.

Ela olhou para baixo para ver se tudo estava certo do lado de baixo e observou dois homens parados na saída de emergência. Ela conhecia aqueles dois. Mais homens de Naruto.

Ela se apressou forçando a janela para entrar no apartamento e apenas o fato daquela janela estar trancada fez a sua ansiedade diminuir. Provavelmente, não haveria ninguém dentro…

Mas, novamente ela estava errada.

O som de passos veio da cozinha de forma apressada e ela teve tempo apenas para se abaixar atrás do sofá. A pessoa parecia estar apressada e Hinata tentou olhar pelo reflexo da janela de quem se tratava.

Era um mulher, altura média, extremamente magra e alta. Derrubar ela demoraria menos de cinco segundos com um ataque surpresa, mas Hinata não precisou disso, porque a mulher rapidamente pegou suas coisas e saiu pela porta.

Hinata permaneceu sentada no chão atrás do sofá. Ela tinha a arma apertada em suas mãos e ela se assustou um pouco com aquilo. Ela se assustou com o pensamento de ela estar preparada para atacar uma mulher que não tinha nada haver com os seus problemas, apenas para conseguir sair mais rápido do apartamento.

Sua mãe ficaria orgulhosa. Hinata apenas sentia-se vazia.

Ela levantou a sua bunda do chão e foi até a porta, olhando novamente pelo olho mágico, também não havia ninguém naquele corredor. Depois disso, ela saiu pela porta e não olhou para trás.

Na rua, ela apenas observou o carro cheio de seguranças de Naruto e desceu a rua no caminho oposto, ninguém observou a menina de calças jeans rasgadas no joelho, com um suéter vermelho, casaco e boné.

Ela se misturou na multidão e sumiu como fumaça.



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No apartamento de Sasuke

Hinata agora olhava para Sasuke sentindo-se irritada. Ela estava bastante perto dele e tudo que ela queria era encher a cara dele de tiro, mas ela respirou fundo e se acalmou saindo de cima dele e se afastando alguns passo sem tirar o olho.

Ela sentou-se no sofá e esperou que ele começasse. Ele não o fez, apenas continuou a encarando como ela fazia.

— Seus olhos mudaram… — ele disse calmamente. Nada tirava a paz de espirito dele… Aquilo costumava ser uma das coisas que ela mais gostava nele, agora ela simplesmente queria fazer ele demonstrar dor. Talvez um tiro na virilha fosse o suficiente para arrancar aquela máscara de calma do rosto dele. — Eu já vi esses mesmo olhos em outra pessoa. Neji… — Sasuke sorriu. — Ele ficaria orgulhoso.

— Cala a boca... E começa a falar.

— As duas coisas ao mesmo tempo? — Hinata revirou os olhos sentindo sua paciência esvaziar rapidamente. — O que você quer saber?

— É verdade?

— O que é verdade, Hinata?

— Você sabe muito bem! — Hinata se aproximou de novo e ela utilizou a arma para bater na mandíbula dele de novo. — Eu pedi para você verificar justamente esse assunto para mim. Eu pedi para você me dizer se tinha alguma coisa estranha acontecendo com ela. Lembra agora?

— Nunca me esqueci.

Hinata respirou fundo novamente, antes de voltar a falar imprimindo toda a raiva que sentia em cada palavra. — É verdade?

— Sim.

A resposta veio tão rápido que parecia uma bala no coração de Hinata e ela sentiu novamente a sua garganta apertar. Ela queria que alguém dissesse que nada daquilo era verdade. Ela queria escutar isso pelo menos uma vez, mesmo que não acreditasse.

Sasuke a olhou com a mesma calma de sempre. Ele parecia estar dando um tempo para ela assimilar o que ele disse e se acostumasse com o fato dele ser um filho da puta, mas ela não se acostumaria com aquilo nunca.

— Porque você não me disse? — Hinata perguntou mais calma, engolindo tudo o que estava sentindo. — Porque? Eu não entendo isso.

— Como eu podia falar que a mãe do homem que você ama, mandou estuprar a sua amiga, apenas para ter uma carta na manga?

Hinata recebeu aquela resposta como um tapa na sua cara e desviou o olhar para longe de Sasuke. Seus olhos começaram a juntar lágrimas, mas ela não as derramou. Ela ainda tinha algum orgulho e iria mantê-lo, nem que fosse com o único objetivo de não chorar na frente de Sasuke.

— Então você ficou calado, esperando que a carta na manga daquela mulher fosse usada? — Hinata apertou a arma na sua mão com força. — Satisfeito com o resultado? Kushina usou a carta… Sakura morreu.

Hinata disse aquela frase em voz alta pela primeira vez desde que soube da notícia e a sua voz quebrou em um soluço baixo. Ela levou a mão na boca e mordeu a sua pele, até passar aquela vontade absurda de apenas se deixar desabar.

Ela olhou de novo para Sasuke e dessa vez ele tinha a cabeça baixa. A feição dele mudou também. Finalmente, a sua falsa calma tinha ido embora.

— Eu sinto muito.

— Você não tem o direito de sentir nada… — Hinata voltou a apontar a arma para ele. — Eu não quero escutar pêsames de você. A única coisa que eu quero é saber… Onde está Kushina?

Sasuke levantou os olhos e balançou a cabeça hesitante. A única razão de Hinata ter andado todo o caminho até a porta daquele desgraçado, era porque ela tinha escutado Naruto falar que quem estaria responsável pela segurança de Kushina era ele.

— Você não pode fazer isso, Hinata. Naruto…

— Não fala dele para mim. Você não se importa com ele. Não se esqueça que você foi o primeiro a traí-lo e só Deus sabe quantas vezes...

— Ele não tem nada haver...

— CADÊ KUSHINA!

Sasuke se calou e virou o rosto pensando em alguma alternativa para sair daquela posição. Hinata poderia ver as máquinas começarem a funcionar naquela mente maldosa, mas ela não deixaria que ele escapasse, não importava quanto tempo ele passaria pensando que dizer para fazê-la de otária… De novo.

Então, Hinata atirou nele.

Notas finais
Onde você querem o tiro que Hinata deu no Sasuke? kkkkkkkk Justifique a sua resposta!