Guarda-costas
89 Capítulo oitenta e nove
Notas iniciais
Naruto chegou em casa pronto para quebrar todas as coisas que poderiam estar em sua frente, porque ainda não havia qualquer notícia de onde estava Hinata, nem de seus homens, nem de seus contatos. Ele já havia procurado em todos os lugares humanamente possíveis, mas até o momento todas as suas tentativas eram frustradas.
A única coisa que ele sabia até o momento era que Hinata não queria ser encontrada, mas que ela ainda estava em Tókyo.
Hinata não tinha amigos que ele conhecia, ou colegas de trabalho que poderiam acolhê-la. Além disso, Shikamaru tinha feito um grande cerco em todas as pessoas que Hinata tivesse, alguma vez na vida, pelo menos trocado algumas palavras.
Mas, nenhuma pista havia sido encontrada. Naruto até mesmo começou a se perguntar se deveria chamar a polícia... O seu ceticismo estava aumentando e ele nunca se sentiu tão sem recursos em toda a sua vida.
O seu telefone tocou e o nome de Shikamaru acendeu na tela. Até aquele momento, as suas ligações não haviam significado a realização de qualquer progresso, por isso, suas esperanças não estavam altas.
— Diga.
— Senhor, concluímos a checagem de fitas do apartamento do senhor Uchiha e não havia nada nas fitas, ou elas foram apagadas ou desativadas. Como era o senhor Uchiha que utilizava os serviços do hotel, não temos como confirmar nenhuma dessas opções.
— Ou seja, você ainda não sabe de nada. — Naruto queria desligar o celular e jogar longe o aparelho, mas Shikamaru suspirou e parecia hesitar em falar qualquer outra coisa. Aquilo era novo. – Fale! – ele ordenou.
— Procuramos algumas filmagens em prédios próximos, também não haviam imagens. Então, fomos atrás das filmagens dos carros e encontramos... Hinata.
O coração de Naruto acelerou e ele começou a andar imediatamente de um lado para o outro da sala, enquanto escutava o restante da informação.
— Ela foi vista entrando no prédio e saindo quase meia hora depois. As horas das filmagens coincidem com o tempo que o sr. Uchiha foi visto pela última vez pelos seus homens.
Naruto se obrigou a parar de pensar em Hinata e se focar no problema. Porque Hinata estava naquele prédio? A reposta era bastante simples, uma vez que Sasuke era a única pessoa que ela conhecia ali. A poça de sangue que ele encontrou, então era o resultado de um ferimento que ela havia testemunhado ou que ela havia causado?
Ele fechou os olhos com força tentando imaginar Hinata atirando em alguém... Atirando em Sasuke! Como? Ela gostava muito dele, tinha um crush infantil desde criança, não era possível algo assim acontecer? Era?
Algo havia acontecido entre aqueles dois...
Naruto sentiu uma ponta de metal na parte de trás de sua nuca e o seu raciocínio paralisou. Ele não ousou se mover do ligar ou responder Shikamaru que ainda estava na linha. Uma mão puxou o seu aparelho de telefone da sua mão e o jogou longe do seu alcance, após desligar.
Naruto se obrigou a manter a sua respiração calma e a sua mente na ameaça que tinha cabeça em suas mãos nesse momento. Ele não tinha ideia quem era a pessoa que segurava a arma no seu pescoço, por isso o melhor era continuar mantendo-se quieto e planejar o seu próximo movimento.
Ele queria xingar a si próprio por ter sido pego tão desprevenido... Ele havia ficado descuidado com tudo o que havia acontecido e agora ele estava em sua própria casa sendo ameaçado por uma pessoa desconhecida, a qual ele ainda não sabia as intenções.
Poderia ser qualquer um de seus inimigos, mas ainda assim seus instintos lhe contavam que a sua vida não estava em imediato perigo. Ainda.
Por isso, evitar um disparo acidental era a mais importante das suas tarefas, até porque ele não sabia o nível de expertise da pessoa que o ameaçava. Ele não queria morrer por uma causa tão boba quanto o susto de uma pessoa que não sbaia mexer com uma arma.
E Naruto ainda não podia morrer. Não sem antes achar Hinata. Sã e salva. E depois cortá-la em picadinhos.
Então, ele fez a única coisa que poderia fazer para que a pessoa atrás de si lhe apontasse uma mínima dica de quem ela era, ou o que queria.
Com a voz fria e calma, Naruto começou a fazer perguntas. — Se você está apontado uma arma para a minha cabeça, ou você é muito estúpido ou sabe exatamente o que está fazendo. Qual dos dois, você é?
O cano da arma se separou da sua cabeça e Naruto escutou os passos da pessoa se afastando dele. Como ele não conseguiu escutar aqueles mesmos passos se aproximando momentos antes? Os seus inimigos não poderiam conseguir melhor oportunidade para destruí-lo do que agora que era refém.
Mesmo sem a ameaça da arma tocando a pele do seu pescoço, Naruto ainda não virou a cabeça para saber quem era a sua ameaça, no entanto o mesmo se acusou quando finalmente resolveu respondê-lo.
— Temos contas a acertar, Uzumaki.
A voz era conhecida em seus ouvidos e ele se surpreendeu com a sua origem. Naruto então permitiu-se se mover e observou o seu atacante sentado confortavelmente em seu sofá e abaixando a arma que antes lhe ameaçava.
Ele queria esganar a si mesmo e aos seus instintos por imaginar que a sua vida não corria um perigo imediato. Ele obviamente estava muito mais estúpido do que imaginava. Como ele jamais poderia imaginar que estaria seguro estando na mesma sala que Uchiha Itachi?
— O que você quer? Esqueceu alguma coisa na última reunião que tivemos?
— Eu não esqueço de nada, Uzumaki. E esse, provavelmente, vai ser um dos seus maiores problemas em um futuro próximo, mas não hoje. – ele pausou e encarou diretamente os seus olhos. – Hoje, eu vim fazer uma proposta. Eu tenho algo que você quer e você tem algo que eu quero.
— Sasuke? – Naruto perguntou com um pequeno sorriso no rosto. – Me desculpe, mas no momento ele não pode receber visitas. Ele se encontra em uma situação onde realmente não sabemos se ele permanece nesse mundo.
A resposta de Naruto tinha apenas a intenção de irritar aquela pessoa e descontar a sua própria frustração, mas Itachi permanecia inabalável, mesmo com a notícia de que seu irmão poderia, possivelmente estar morto. Seu rosto ainda era sério, sem esboçar qualquer reação, nem raiva, nem pesar, nem tristeza, nem a porra de um sorriso irônico que fosse... Nada! Aquele homem havia dominado a arte de ser impassível.
— Por que eu pediria meu irmão para você? Quando você mal consegue encontrar um caminho até a sua mulher? Onde ela está Naruto?
— Vai para a puta que te pariu! – Com a resposta raivosa de Naruto, Itachi deixou seus lábios se esticarem em um sorriso que não trazia qualquer expressão para o seu rosto diferente da sua habitual frieza.
— Você quer saber onde ela se encontra?
A pergunta veio curta e direta e Naruto não respondeu imediatamente, sentindo que estava se movendo em uma armadilha mais perigosa que a arma que acabara de ser apontada para a sua cabeça. No entanto, Itachi não esperou uma resposta sua e simplesmente continuou falando, como se o assunto tratado por eles fosse de uma inutilidade sem sentido.
— A sua menina atirou no meu irmão.
Naruto franziu o cenho e observou a arma ainda na mão de Itachi. Ele não podia desconfiar de Itachi, porque, apesar da família de onde ele vinha, ele não era uma pessoa que simplesmente mentia para conseguir alguma coisa.
— Eu deveria atirar nela de volta. – ele disse ainda calmo. – Bem no meio de sua testa.
Aquelas ameaças tão pouco eram mentirosas. Porque se Hinata de fato tivesse atirado em Sasuke, ela agora tinha um alvo gigantesco em suas costas, porque Itachi não deixaria o assunto simplesmente ir embora.
— O que você quer? – Naruto perguntou um pouco mais irritado.
— O que eu quero é um assunto bastante delicado para ser resolvido no momento, mas eu entendo a sua pressa. Afinal, a sua mulher está preste a destruir a sua vida... E a dela.
Naruto franziu o cenho e sentiu um gosto amargo na boca, ele tinha uma sensação ruim percorrendo o estômago, algo que não era apenas medo por Hinata. Era o sentimento de emboscada se fechando ao seu redor.
— Você vai me dar a sua palavra de que me dará tudo o que eu quiser?- Questionou Itachi.
— Minha palavra vai bastar.
— Se não bastar eu atiro no meio da sua testa também.
— O. Que. Você. Quer.?
— Uzumaki Minato.
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— Oras, oras... Se não é a amiga do meu filho. A que devo essa honra?
Kushina falou essas palavras no mesmo momento que sentiu a presença de uma segunda pessoa na sua sala de estar. Usualmente ela era a pessoa conhecida por entrar na casa dos outros sem permissão e agora ela estava sendo vítima das suas mesmas artimanhas.
— Hyuga Hinata. Esse é um nome que vive percorrendo na boca de meus informantes. — ela continuou falando, finalmente abrindo os olhos. A menina na sua frente era uma pessoa de aparência simplória. Ela também tinha uma arma na mão e um ódio nos olhos que a fizeram desconfiar dos motivos de ela estar ali. Naruto não estava em nenhum lugar próximo, então ele provavelmente não tinha sabia o que estava ocorrendo.
Kushina relaxou, aquela não era a primeira vez que alguém apontava a arma para ela, talvez nem fosse a última. Isso obviamente dependeria se ela sairia daquele confronto viva ou morta.
A raiva de Hinata era palpável e Kushina procurou em sua própria memória se alguma vez já havia feito, mesmo que involuntariamente, alguma àquela menina. Ela sabia que não, porque ela ainda não havia tido tempo suficiente para cuidar dela com suas próprias mãos.
Aquelas eram coisas que ela ainda estava planejando para o futuro, então ou a menina tinha a habilidade extraordinária de ver o seu próprio futuro, ou ela estava ali por um motivo alheio às suas intenções.
Hinata abaixou a arma rapidamente e sorriu levemente. Não era um sorriso com humor, era quase como se ela estivesse achando toda aquela cena muito engraçada. Algumas lágrimas também caíram dos seus olhos e a afeição alegre desfigurou se em tristeza.
Todas aquelas mudanças aconteceram tão rápido que Kushina começou a se perguntar, se Hinata estava em pleno estado de suas faculdades mentais. Ela parecia estar à beira de um ataque nervoso.
— O que você quer? — Kushina perguntou um pouco mais séria e Hinata apenas deu um passo para trás e se encostou no vidro de sua janela do seu terraço.
— Eu não sei... — E ela sorriu novamente, massageando sua têmpora. — Eu vim aqui pensando em uma coisa, depois mudei, e agora vendo você... Eu não sei se eu quero mudar de ideia. Como você pode estar sentada aqui, tão serena depois de ter acabado com a vida de uma pessoa inocente?
Hinata voltou a apontar a arma e balançou a cabeça como se estivesse dissipando todos os pensamentos que vinham na sua mente. Kushina por alguma razão pensou que a melhor forma para manter a situação minimamente sobre controle era permanecer calada.
Ela sabia como lidar com pessoas de todos os tipos, mas o mais difícil de fazer era tentar manipular alguém que sequer sabe o que estava fazendo.
— Parece que nós duas temos um problema resolver. – Hinata disse um pouco mais calma. — Algo que provavelmente você deve ter pensado por uns dois segundos antes de dar a decisão final e transforma a vida de uma pessoa que você nem conhece na merda! Não é mesmo?
— Esse geralmente é o tempo que eu costumo pensar em coisas insignificantes. – Kushina respondeu ironicamente.
— Ela era insignificante para você?
— Ela quem?
Os olhos de Hinata voltaram a encher de lágrimas, mas dessa vez nenhuma gota caiu de seus olhos. — Você sequer sabe o nome dela... Então, por que você fez isso?
— Querida, eu não costumo falar coisa assim para qualquer um, mas vou fazer uma exceção para você, já que você parece um pouco insana, nesse momento e dificilmente vai se lembrar de qualquer coisa. – ela descruzou as pernas e olhou diretamente nos seus olhos. — Eu costumo fazer as coisas sempre por três motivos: O primeiro deles sempre será autopreservação, o segundo sempre será o meu filho. E o terceiro a minha família. Você deve estar um pouco confusa com esse segundo e terceiro, uma vez que Naruto é minha família, mas o problema é que, a minha família representa muito mais do que o meu primogênito, traz consigo peso do nome que ele possui. De onde ele nasceu. Não imagino que uma menina como você consiga entender algo desse tipo, afinal que tipo de nome você possui? Que herança você tem para dividir? Você não passa de uma menina com quem ele se diverte, uma segurança, uma empregada. Alguém que não vai ficar na vida dele por tempo suficiente para eu gastar mais do que dois segundos pensando em como me livrar de você.
Ela falava sem parar e os olhos de Hinata começaram a se desfocar. — Você é uma vadia! E eu de fato não vou me lembrar de nada do que você acabou de dizer.
Kushina bufou descontente com a sua reação. Ela esperava algo mais explosivo, vê as suas palavras corroendo a alma daquela menininha, mas nada disso aconteceu;
— Será que eu devo te contar em qual dos três motivos a minha visita está relacionada? Na verdade, eu poderia resumir todos esses motivos em apenas um. Ego. E isso é o que mais me machuca... Como demônios a minha melhor amiga acabou sendo morta para proteger o ego de uma filha da puta como você?!
— Sua amiga?
— Sakura é o nome dela.
— Hum. – Kushina observou as suas unhas, como se nada no mundo lhe importasse. — De fato não tenho ideia do que você está falando.
— Deixa eu esclarecer sua memória. Você mandou estuprá-la, agredí-la e, por último, matá-la. Eu acho difícil você não se lembrar agora.
— Eu ainda não sei do que você está falando. Porque não chamamos o meu filho aqui e discutirmos nós três juntos. No final do dia, talvez você ainda tenha a sorte de sair daqui viva com o dinheiro da sua rescisão...
Hinata sorriu. — Naruto não vai me demitir. – Ela afirmou. Não havia qualquer dúvida no seu olhar, e aquilo foi a única coisa da noite que fez Kushina ficar um pouco preocupada. — Eu posso não ser lar muita coisa aos seus olhos, mas tenho a leve impressão de que eu ganharia na lista de prioridades que ele possui.
— O que te faz ter tanta certeza?
— O fato de ele jamais ter mencionado a sua existência para mim. Afinal, que tipo de homem que adora a própria mãe, não mencionaria sequer o seu nome para a mulher que ama?
Kushina endureceu seu olhar e se irritou com aquelas provocações. A menina atingiu um nervo. E ela pagaria por isso, Kushina apertou o botão de pânico que possuía ao lado da mesa de centro da sua sala, o seu gesto não foi sorrateiro, por isso Hinata percebeu imediatamente.
— Você acha que ele te ama? Engraçado, recentemente me disseram a mesma coisa, mas que seja.. Ele não está aqui agora, isso quer dizer que se você sumir, ele não vai saber onde te encontrar.
Kushina sorriu lindamente e Hinata olhou para a porta, pronta para a entrada dos seguranças. No entanto, algo aconteceu antes que sequer pudesse mudar a direção da sua arma. Kushina aproveitou daquela leve distração e puxou uma arma de debaixo do assento de seu sofá e a apontou na direção de Hinata.
E logo veio o tiro.
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