Guarda-costas
111 Capítulo cento e onze
Notas iniciais
Naruto e Yumi permaneciam calados. Fazia mais de um dia inteiro que os dois não abriam a boca para falar sobre nada. Eles sequer se olhavam, mesmo estando um frente ao outro. Ninguém podia julgá-los por isso, afinal, não havia muito o que se dizer, Gaara já havia ocupado o lugar de narrador, falou tudo o que queria antes de sair deixando-os para trás em uma enorme nuvem de tensão.
Talvez, tensão nem fosse a palavra certa para isso. Era mais como um sentimento de completa apatia.
Yumi não sabia o que pensar e muito se deveria pensar algo. Ela achava que a jovem Kushina era realmente digna de pena, mas isso não a tornava menos miserável nos olhos de Yumi. Ainda assim, era incrível como as mulheres dos Uzumakis sofriam pelas decisões ruins dos homens daquela família.
Yumi não foi diferente. Sua mãe não foi diferente. A mulher que Naruto ama também não foi diferente.
Yumi olhou de esgueira para Naruto. Ela queria conseguir ler os pensamentos que corriam naquela cabeça, mas nada vinha a sua mente. Ele havia ficado a maior parte do tempo com os olhos fechados e só parecia expressar algum tipo de movimento quando um dos guardas se aproximava para permitir que qualquer um deles utilizasse o banheiro.
Apenas aquilo por si só era bem diferente do que ela esperava. Naruto não era o tipo de pessoa passiva que se comportaria bem em um momento daquele. Ele era impulsivo, agitado, orgulhoso. Um homem com esses tipos de característica não poderia se acostumar tão facilmente a se submeter a uma posição de vulnerabilidade. Ainda assim, ali estava ele paralisado, frio. Como se ele estivesse morto.
Yumi sorriu suavemente e aquilo chamou a atenção de Naruto que abriu os olhos em sua direção. Olhos azuis, chocantemente gelados se voltaram para ela de forma inexpressiva e a sua risada apenas aumentou, transformando-se em uma gargalhada.
Mas, o motivo da súbita mudança de humor não era nada engraçado. Naruto e Minato eram tão malditamente parecidos que era patético o fato dela ter demorado tanto para descobrir a verdade. E apenas porque outra pessoa lhe comunicou aquilo.
Ela deveria ter percebido no momento que Minato aceitou se casar com Kushina, mesmo depois de toda a objeção de Naruto ao casamento. Ela deveria ter percebido o olhar triste de Minato todas as vezes que o nome de Naruto era citado. Ela, principalmente, deveria ter percebido a verdade no momento que Minato deixou tudo para Naruto e nada para ela
Yumi havia pensando que aquela era uma estratégia de Minato para que, mesmo após a morte, alguém pudesse salvar a sua adorável filha das mãos de um marido abusador. Mas, não havia sido nada disso. Minato simplesmente escolheu o herdeiro que queria para carregar o legado Uzumakis.
Ela deu outra gargalhada e sorriu tanto que a sua bochecha começou a doer e seus olhos lacrimejarem. Patético. Por que tudo parecia tão miseravelmente patético em seus olhos naquele momento?
Gaara havia sido genial em deixá-la naquela situação, porque pela primeira vez em muito tempo, ela não tinha ideia de qual seria seu próximo passo.
Yumi deveria pensar em outros passos, ela precisava modificar novamente seus planos e incluir pessoas que não estava planejando em suas metas.
Ela pensou que poderia polpar Naruto dos seus objetivos, afinal, ele era um inocente. Alguém que não teve qualquer outra escolha que não fosse ser arrastado sem querer para a confusão sangrenta que era aquela família. Mas, não era mais assim. Naruto era parte da confusão agora.
Ele havia nascido de quem não deveria. Minato. Kushina. Yumi dificilmente deixaria que o que ela acabou de descobrir fosse deixado para lá. Isso porque ela tinha uma promessa a cumprir. Algo que ela prometeu a muito tempo atrás, em frente ao túmulo da sua mãe.
Ela encerraria o carma daquela família. E levaria todos aqueles que tinham o sangue Uzumaki para o túmulo... Junto com ela.
Eles poderiam se divertir muito mais no inferno juntos.
Os olhos de Yumi brilhavam em uma nova resolução. Ela tinha muito mais trabalho para fazer. A única coisa que precisava era sair daquele inferno.
— Parece que as coisas na sua cabeça já estão resolvidas. — Naruto abriu a boca pela primeira vez e Yumi olhou para ele de novo com um sorriso permanente no seu rosto.
— Não nos vangloriamos tanto de sermos bem resolvidos? Irmão? — Ela sorriu de novo saboreando o gosto da palavra na sua boca. Ela já havia o chamado daquela forma várias vezes, mas nunca lhe pareceu tão maravilhoso quanto agora. – Por acaso, você tem alguma dúvida do que quer fazer comigo?
— Nunca! — A sua resposta foi rápida e feroz, quase como uma promessa e Yumi sorriu novamente achando todo aquele cenário muito mais divertido que o anterior. — Tudo o que você fez, as pessoas que você machucou... Nada disso tem nada a ver com as coisas que descobrimos hoje. Você machucou alguém importante para mim, machucou Hinata, machucou alguém que ela amava mais que tudo e depois de tudo matou a minha mãe e me fez me distanciar da mulher que eu amo. Você realmente acha que o fato de compartilharmos o mesmo destino de merda vai fazer com que eu esqueça tudo isso?
Naruto parecia bastante resoluto em suas palavras. Mas, todas aquelas palavras apenas fizeram Yumi sorriu ironicamente.
— Oh, sim, eu sou a pessoa má. Eu fiz isso e aquilo... Mas, do que exatamente eu fiz você se afastar? – Yumi perguntou provocativamente. — Você sabia desde sempre que não havia sido ela. Você a afastou porque assim como Minato é um covarde. Você não queria contar tudo o que tinha acontecido, não queria que ela soubesse quão podre a nossa família é, muito menos queria que ela soubesse que o único motivo da melhor amiga dela ter morrido, foi pelo fato dela ter se atrevido a se apaixonar por você. Você não queria ver os olhos de acusação, queria? Não queria que ela te culpasse pelo resto da vida por todas as coisas que haviam acontecido para Sakura. Ah... A covardia... parece que é uma droga que viaja no sangue dos homens da nossa família.
Naruto se moveu na sua direção tentando ao máximo alcançá-la, mas as pernas da cadeira estavam grudadas no chão e tudo que ele conseguiu foi se machucar nas correntes ao seu redor.
— Não fale o nome dela, filha da puta! – Naruto disse com raiva, a passividade dos seus olhos já tinha ido embora. – Você não tem direito nenhum a falar o nome de Sakura! Como você pode, Yumi, tão arbitrariamente destruir alguém dessa forma. E por quê? O que você queria com isso. Ela sequer era alguém conectada a mim. Ela não poderia me machucar, ainda assim você foi atrás dela de forma tão sórdida. Por que?
— Sórdida? – Yumi queria rir daquilo. – Você acha que aprendi esses truques sozinhas? Não se engane, querido irmão. Eu tive uma excelente mestra. Alguém que me fez aprender na pele que a melhor forma de atacar o inimigo é fazer ele chorar pela pessoa que ama. Você não chorou por Sakura, mas Hinata chorou por ela. E aquela menina vai ser sempre o fantasma entre vocês. Esse foi o truque que a sua mãe me ensinou muito tempo atrás, quando ela tentou se livrar de mim para deixar o caminho livre para você. – Tudo fazia tanto sentido para Yumi agora. Ela nunca teve certeza absoluta do que movia Kushina. Poder, medo, arrogância? Não, nada disso. — Era engraçado que antes eu achava que o que Kushina queria era que eu desaparecesse para que ficasse muito mais fácil para ELA governar Minato. Ser a mulher da família... Mas, não era nada disso. Ela simplesmente queria se livrar de mim por sua causa. Você era a motivação dela. Ela me vendeu para aquele monstro, fez Nagato tocar as mãos asquerosas dele em mim quando eu era apenas uma criança. Fez eu perder tudo o que eu tinha. Por você! Agora eu sei que foi por você!
Os dois se olharam com raiva cerrada. Não havia escapatória para aquele destino, ambos nasceram para se odiarem. Porque era aquilo que os Uzumakis produziam. Ódio.
Minato odiava o seu pai, por quem ele era. Kushina odiava Minato por ele abandoná-la sem qualquer esperança. Naruto odiava Minato e Kushina pela traição a Hiya. E Yumi odiava todos eles por tudo o que precisou sofrer ela e a sua mãe.
Naruto se acalmou em sua cadeira e voltou a seu estado de apatia habitual. Não havia nada ali para Yumi. Nem pena, nem raiva, nem qualquer sentimento que pudesse remotamente lembrar que quem conversava eram dois irmãos que acabaram de se descobrir.
Ainda assim os dois formaram uma conexão naquele momento.
— Eu vou te matar, Yumi. Eu juro por tudo que eu tenho de mais preciso que eu vou acabar com você. Eu vou destruir tudo que você conseguiu e depois de tudo isso. Eu acabar com o miserável que botou nós dois no mundo.
Yumi sorriu com aquela promessa. Aquelas palavras a fizeram se lembrar da mesma promessa que realizou no túmulo de sua mãe.
— Não se preocupe, irmão. No final, o nosso objetivo é o mesmo. Mas, por favor, se eu morrer antes de você, lembre-se de guardar um tiro para Hidan. Nem o inferno me aceitaria se aquele desgraçado permanecesse vivo depois que fosse me embora.
Yumi sorriu novamente.
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Kiba olhou ao seu redor, vasculhando pela milésima vez o quarto onde estava. A sua mão direita estava presa no poste de uma cama e havia uma mulher o observando pronta para fazer tudo o que ele queria, exceto lhe libertar.
Ele era um prisioneiro novamente. Preso a um dia, naquela posição vergonhosa. E mesmo que não estivesse sentindo dor, ele estava longe de se sentir remotamente confortável.
Ele mataria aquele miserável assim que ele aparecesse na sua frente. Aquela era uma promessa!
Kiba não tinha visto Gaara pelo mesmo tempo que estava preso, porque ele estava ocupado demais sendo um filho da puta com outras pessoas. Ele até mesmo tinha esquecido dele...
A porta do seu quarto abriu e a pessoa que Kiba menos queria ver na sua frente apareceu. Gaara estava apenas com um roupão ao redor do seu corpo, deixando o peitoral aberto aos olhos de todos. A mulher que deveria “cuidar” dele ficou chocada com a visão de Gaara quase desnudo.
— Como ele está? – Gaara perguntou diretamente para ela, como se ele não existisse no quarto e a raiva de Kiba quadriplicou.
— El-Ele, — a mulher gaguejou, mas logo recobrou a sua postura. – Ele esta muito bem senhor, mas ele não aceita comer e exige falar com o senhor o tempo todo.
— Vai pra puta que te pariu, eu não exige falar com ninguém não. – Kiba respondeu por cima dela parecendo frustrado. Ele não tinha perguntado por Gaara, ele tinha xingado o jumento de tudo que era tipo de nome e exigido sair dali.
A mulher pareceu chocada com as palavras rudes voltadas em sua direção e Kiba estava cada vez com mais vontade de estrangular ela. Se pelo menos ele pudesse se livrar daquelas algemas. Kiba puxou suas mãos com força e conseguiu apenas mais dor.
— Não faça isso. – Gaara disse em sua direção. – Você vai apenas se machucar.
Kiba não respondeu, tentando transmitir raiva o máximo que podia apenas com o olhar. Aquele era o tratamento do silêncio, ele só voltaria a falar com aquele animal se ele o largasse. Antes disso, NUNCA!
— Saia. – Gaara disse e a mulher correu rapidamente para a porta, deixando o dois sozinhos.
Kiba desviou o olhar para a direção oposta de Gaara, mas Gaara não se importou com o tratamento frio e foi em direção a ele. Ele se sentou na cama ao lado de Kiba e esticou as pernas dele, antes de repousar a sua cabeça no dele.
A cena foi rápida demais e tão inesperada que Kiba não teve qualquer reação àquele gesto. Gaara estava com a cabeça no seu colo, com os olhos fechados e aparentemente já havia apagado completamente.
Ser uma porra louca 24 horas por dia deveria cansar mais do que o esperado. Kiba pensou o que deveria fazer com ele, agora que estava tão perto. Bater, estrangular, arrancar aqueles cabelos vermelhos irritantes?
Enquanto, Kiba pensava qual seria a melhor forma de retribuir ao ruivo, as suas mãos inadvertidamente começaram a acariciar os fios de seu cabelo, confortando Gaara ainda mais em seu colo.
Aquele era um dos raros momentos de calmaria na vida de Gaara. O que o levou para um lugar distante, um lugar onde em seus sonhos, ele poderia facilmente apresentar Kiba a seus pais.
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