Guarda-costas
112 Capítulo cento e doze
Notas iniciais
Hinata estava sentada no sofá, enquanto olhava de um lado para o outro. As suas mãos já estavam desatadas, mas a ameaça da arma que Itachi segurava ainda assombrava a sua segurança. Contudo, a situação delicada em que ela estava não era a causa de nenhuma das suas preocupações.
Isso porque haviam duas pessoas que estavam ocupando todos os pensamentos da sua cabeça. Hanabi e Naruto.
Gaara, aparentemente, havia pegado os dois para ele, por causa de uma vingança que ela nem sabia de onde havia saído. E, por quais motivos haviam sido os dois? Hanabi, apenas, porque ela estava no lugar errado, na hora errada? Naruto, por que ele nasceu da pessoa errada e foi idiota o suficiente para confiar em alguém que apenas queria a sua cabeça?
Como ele ainda não havia percebido antes que todo mundo ao seu redor de alguma forma tinha um plano por debaixo dos panos contra ele? O que também gerava um sentimento de culpa para ela. Se ela tivesse feito as coisas certas desde o início, talvez, ela ainda estivesse no seu cargo, protegendo-o, não?
Qualquer que fosse o motivo e a culpa de qualquer um dos dois ter sido pego, a realidade para ela ainda era a mesma, ela não podia fazer nada. Suas mãos estavam atadas, porque Gaara era poderoso demais para ela se atrever a ir contra ele sozinha.
E se teve uma lição que ela aprendeu muito bem, desde a última vez que ela tentou fazer vingança com as próprias mãos, foi que não haveriam muitos bons resultados dessa tentativa.
Na época, talvez ela tivesse percebido seu erro antes que fosse tarde demais, mas ela não estava bem da cabeça e o luto havia consumido qualquer restício de sua sanidade. Agora, ela teve tempo suficiente para se curar e se considerava levemente mais esperta.
Além do mais, havia muito mais a perder agora.
Hinata percebeu que além da batalha interna que ela estava tendo dentro de si mesma para aceitar suas limitações e segurar sua impulsividade, havia uma outra guerra ocorrendo do lado de fora da sua cabeça e que era muito mais emblemática para o resultado do que iria acontecer com as pessoas que ela queria salvar.
Ela precisava que Itachi deixasse para trás qualquer tipo de ressentimento que ele sentia por Minato e focasse em salvar o seu irmão. O irmão que estava na mesma situação que Hanabi.
Hinata sabia que ela faria qualquer coisa para defender Hanabi, mesmo se aliar com a pior corja que poderia imaginar, mas não parecia que Itachi tinha qualquer intenção de simplesmente aceitar a “ajuda” de Minato. Não havia nenhuma confiança ali e Itachi estava apenas esperando o primeiro momento de deslize de Minato para colocar uma bala na sua cabeça.
Todos os três estavam na sala de estar de Naruto. Haviam alguns homens do lado de Itachi que entravam e saíam da casa, trazendo armas e informações. Eles estavam procurando por toda Tókyo o Sasuke, mas ainda não haviam tido nenhum resultado.
Quanto ao grupo de seguranças de Naruto, todos eles estavam na mansão esperando apenas as ordens para colocar em prática o resgate de seu chefe.
Nenhum deles ainda tinha visto Minato, então, as ordens que eles esperavam deveria vir diretamente do recém-aliado de Naruto, Itachi. Absolutamente, todos, estavam esperando apenas o aceno dele para colocar em prática os ataques planejados para a família Sabaku.
O plano de Itachi era simplesmente fazer as ruas de Tókyo sangrarem. Invadir todos os negócios comandados por Gaara, sequestrar pessoas que fossem importantes para o outro lado e matar qualquer um que ficasse no caminho.
Com isso, o outro lado também responderia da mesma forma e, assim, os participantes da tríade poderiam refazer o Japão na década de noventa, época em que a cidade inteira de Tókyo cheirava a sangue, violência e morte.
Hinata sabia que esse plano não era bom para ninguém, porque diferente do que ocorria a muito tempo atrás, onde as tríades tinham poder absoluto sobre o governo e a polícia, não havia mais tanta influência assim. Apesar de que ainda houvessem pessoas que eram facilmente compradas pela máfia, haviam muito mais pessoas que odiavam cada um de seus membros e faria de tudo para exterminar cada um deles.
O que sobrava a segunda alternativa.
Um acordo.
Essa era a ideia de Minato e a razão do porquê ele havia voltado para casa. Segundo ele, o problema que Gaara possuía era pessoal e o rancor que ele sentia era direcionado apenas a ele, logo, tudo que deveríamos fazer era trocar ele pelos reféns que Gaara possuía.
Ele queria salvar todos, inclusive os dois filhos.
Enquanto Minato falava o que ele pretendia, Hinata conseguia perceber a inconfundível semelhança entre Naruto e ele. A forma de falar, se expressar, e encantar mesmo sem ter ninguém para ser encantado... Tudo era muito semelhante para simplesmente ser ignorado.
Havia apenas uma diferença que Hinata não podia deixar de notar. Os olhos. Não era um lance com a cor, pois ambos eram de lindos azuis cristais, era sobre a forma, enquanto os olhos de Minato ainda tinham um brilho que deslumbrava, os de Naruto eram, na maior parte do tempo, frios e inexpressivos, assim como os de Kushina.
Ela sabia disso porque ela havia sido a última pessoa a ver as luzes dos olhos de Kushina pela última vez. Ela tinha matado a mãe dele. Ela tinha matado a mãe do homem que amava... Cada vez que ela pensava nisso, parecia ainda mais absurdo.
Parecia que o que ela havia feito tão absolutamente errado, mas o problema é que, ela teve suas próprias razões, ela não pensou em Kushina como mãe de Naruto, ela pensou nele como a algoz de Sakura, a pessoa que havia matado ela.
Como ela poderia simplesmente deixar ir aquela raiva e perdoar aquela mulher apenas porque ela era a mãe da pessoa que amava?
Outro problema na sua cabeça que deveria ser deixado para outro momento, porque o que eles estavam esperando estava ocorrendo. O telefone estava tocando.
— Eu disse. É ele. – Minato foi o primeiro a se levantar e ir direto para perto do telefone, mas seus olhos estavam virados para Itachi que olhava com cara de poucos amigos para o telefone e para Minato. – Devo atender ou não? Você tem que decidir logo.
— Itachi não respondeu apenas segurou a arma na sua mão com ainda mais força.
Dois segundos passaram, o que pareceram horas na cabeça de Hinata, porque aquela poderia ser facilmente a última ligação que Gaara faria. Não havia como prever as ações dele, ele poderia simplesmente matar cada uma das pessoas que ele tinha e procurar outras formas de acabar com a vida de Minato pessoalmente.
Ele também poderia fazer a vida deles um inferno, apenas por que se sentiu irritado, mas Itachi não disse nada e Minato permaneceu esperando.
Hinata, por outro lado, não tinha paciência, ela puxou o telefone e colocou no viva-voz.
— Uou, pensei que não atenderia. Aparentemente, vocês tem mais coisas para fazer que salvar seus entes queridos.
A voz de Gaara soou forte do outro lado da linha e Hinata queria ser capaz de atacar aquele filho da outra por telefone.
— Cadê a minha irmã?
Hinata foi a primeira a falar. Ela precisava saber onde estava Hanabi mais que tudo, porque ela não era importante para Gaara, ela nem deveria estar naquela boate para início de conversa. O que ele seria capaz de fazer com uma pessoa completamente inocente e desavisada?
Hinata não sabia e aquilo estava a comendo viva.
— Hum... – Gaara falou. – Hinata? Esse é o seu nome, certo? Kiba adora citar você. Eu peço desculpa pelo mau entendido, a sua irmã acabou sendo capturada, porque meus homens pensaram que ela fosse você. Infelizmente, não temos como resolver essa parte de forma civilizada, porque ela já está em meu poder, então se tudo correr bem, não se preocupe, ela voltará para você sem qualquer arranhão.
— Naruto e Yumi também são inocente...
O outro lado ficou em silêncio ante de sorrir suavemente.
— Itachi e Minato, vocês que estão se escondendo atrás dessa menina, vocês não acham que deveriam atualizá-la sobre a bagunça que é a sua família? A coitada está no escuro, sem ninguém para segurar a mão dela.
— Fale comigo! – Hinata gritou perdendo a paciência, ela odiava não ser levada a sério, principalmente quando ela já sabia que haviam muitas coisas que não estavam sendo contadas para ela, mas ela sabia também que não tinha tempo para nada disso, o importante para Hanabi e Naruto... E Sasuke, mas se Itachi não começasse a se mover para salvar o próprio irmão, Hinata não pensaria duas vezes em deixá-lo para trás se isso significasse ter as suas duas pessoas de volta. – O que você quer?
— O que eu quero, é muito difícil de você conseguir. – Gaara informou. Não havia escárnio em sua voz, era apenas a realidade e Ela sabia disso.
— O que você quer, Gaara? – Itachi falou pela primeira vez depois de muito tempo e era impossível não observar a raiva naquela voz.
— Hum, finalmente, o chefe apareceu. – Gaara disse, — eu quero que você me diga o que a me oferecer, eu soube que os Uchihas geralmente são razoáveis.
— Deixe o Sasuke ir, ele não tem por que está em toda essa confusão, ele é inocente.
— Mas, vocês adoraram tagar de inocente qualquer pessoa.
— Seja claro.
— Levante a arma que você segura com tanta força na mão e termine a sua vingança. – ele disse calmamente.
Hinata olhou rapidamente para Minato que permanecia em silêncio, Gaara estava pedindo que ele o matasse aqui e agora?
Itachi parecia ainda mais irritado, mas o outro lado da linha sorriu. — O que você quer, Gaara?
— Mandarei a hora e o local. Vamos nos ver pessoalmente, sozinhos. AH! Por favor, traga presentes como um sinal de boa consideração, farei o mesmo.
O telefone ficou mudo do outro lado, ele tinha desligado. Hinata voltou a se sentar no sofá e refletir.
— Como ele sabia que você estava armado? – ela perguntou a Itachi.
— Alguém está nos observando em algum lugar.
— Mas, foi tudo vasculhado por ponto digitais.
— Deve existir algum observador a longa distância.
— Um sniper?
— Provavelmente. Mas, ele já deve ter ido embora, os meus homens já estão procurando bons pontos de observação, eu irei pedir para que eles ampliem o raio de busca.
Hinata suspirou. – O que vamos fazer? Uma armadilha? Tentar virar o jogo? Gaara não parece o tipo que apenas ameaça, e se ele se livrar de alguém para dar um aviso vai ser de Hanabi, ela não é importante para ele.
— O que nós vamos fazer? – Itachi repetiu sua pergunta, mas dessa vez olhando para Minato que parecia levemente mais satisfeito. Hinata achava que ele não deveria parecer tão feliz porque pela forma como as coisas estavam indo a única solução estava sendo entregar ele de bandeja. – Nós vamos escutar Minato, vamos fazer uma troca.
— Até que fim, você está me escutando. Eu já disse Gaara que apenas a mim e mais ninguém...
Itachi interrompeu Minato, perguntando diretamente para ela. — Quem é Kiba?
— Hun?
— Ele falou sobre Kiba, você conhece essa pessoa.
— Por que isso é importante? Ele era um dos guarda-costas contratados de Shikamaru. Não sei bem por que Gaara o mencionou.
— Os dois parecem ser próximos.
— O que você quer fazer? – Minato perguntou, perdendo um pouco do seu humor. – Qualquer coisa que você faça agora vai apenas deixar aquele louco mais revoltado e colocar a vida das nossas pessoas em perigo.
— A vida de todo mundo já está em perigo, nós só vamos equilibrar as coisas.
— Você quer Kiba? – Hinata perguntou, cortando a confusão entre eles. – Para que? Usar ele de moeda de troca? Ele também é inocente nisso.
— Foda-se! – Itachi esbravejou. — Eu quero o meu irmão e se eu tiver que rolar cabeças, — ele apontou com a arma para Minato e Hinata. – eu vou fazer.
O celular de Itachi apitou sinalizando a chegada de uma mensagem. Era o endereço.
Itachi se aproximou do sofá e olhou de cima a baixo para ela. – Se você quiser ficar de fora, eu não me importo, mas se você quiser salvar a sua irmã, você vai ter que fazer muito mais que o papel de protetora de inocentes. Eu quero a louca psicótica que atirou no meu irmão, deixou ele tetraplégico e foi sozinha atrás de Kushina para colocar uma bala na cabeça dela. Foda-se o namorado. Se você não consegue fazer ao menos isso, pode ir embora!
Hinata sentiu seu sangue ferver, ela estava tentando ser sã na situação, responsável, cuidadosa, porque ela sabia que quando aquele seu lado aparecia as coisas costumavam complicar mais do que melhorar. Contudo, se ela precisasse disso para conseguir a sua irmã e Naruto de volta, ela faria isso e muito mais.
— Eu topo.
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