Guarda-costas

110 Capítulo cento e dez


Notas iniciais
Gente, mil desculpas! Boa leitura!

Kushina sentia-se horrível, ela nunca havia se sentido tão mau antes, com a sua ansiedade a mil, sem que nada pudesse a confortar. E tudo o que ela precisava era falar com Minato o mais rápido possível. Mas, como ela poderia encontrar ele hoje? Ela não tinha permissão para sair de casa e muito menos sabia como poderia chegar perto de Minato sem que conseguisse atenção indesejada.

Ainda assim, ela precisava fazer algo.

Os dois já estavam juntos a tanto tempo, porque ele brigaria com ela se, apenas uma vez, ela o desobedecesse e resolvesse sair por conta própria? Ela tinha motivos mais que suficiente para fazer o que planejava. E ela tinha certeza que ele ficaria muito feliz com as notícias que ela tinha para dar.

Kushina acariciou a sua barriga sentindo-se preocupada, mas de alguma forma completamente preenchida e... Feliz? Será que ela poderia ousar sentir felicidade nas suas atuais circunstâncias? Ela já tinha conseguido tantas coisas em tão pouco tempo que as vezes ela ficava com medo que aquilo fosse apenas uma ilusão de sua cabeça.

Obviamente, nada do que ela era hoje, foi o que ela havia sonhado quando era jovem e ingênua. Contudo, para ela, a sensação de liberdade e esperança ainda era a mesma daquela época.

A pequena coisa que estava na sua barriga era a sua esperança.

Uma vez ela sonhou que dançar era a única coisa que poderia fazer com que ela saísse do buraco de onde ela havia saído, agora, ela sabia que o tempo todo estivera errada. Buscar sonhos era perigoso. Em cada esquina havia alguém que se divertia em destruir esses sonhos.

O mais fácil e seguro era seguir os caminhos tipicamente femininos e conseguir um homem que pudesse proteger e cuidar, para que finalmente ela pudesse sair do fundo do poço.

Kushina sorriu. Ela adoraria pensar que havia sido maquiavélica o suficiente para bolar por si mesma aquele plano. Engravidar de um homem poderoso, ter o seu herdeiro, mas nada daquilo havia sido planejado por nenhum deles. Ela simplesmente se deixou levar no relacionamento com Minato e no final, ambos estavam muito absorvidos um no outro para pensar nas consequências dos seus atos.

Afinal, não era como se ela estivesse esperando que tudo correria a mil maravilhas, mas ela confiava em Minato mais que tudo nesse mundo. E ela sabia que ele não deixaria que nada acontecesse a ela e aquela criança.

Isso era quão bom homem ele era. E o quanto ela não o merecia.

Kushina começou a andar pelo quarto que eles compartilhavam tantas noites. As noites que ele não precisava sair para cuidar dos negócios de seu pai ou das gritarias de sua esposa.

Assim como hoje.

Minato havia lhe avisado que naquela semana seria muito difícil de encontrá-la, isso porque ele precisava ficar próximo de sua esposa e prestar o papel de casal ideal para os pais dela que estavam voltando para Tókyo dos Estados Unidos. Kushina odiava quando ele ia encontrar àquela mulher que tão pouco se importava com ele, mas ela não podia falar nada e permanecia calada àquela situação.

Ela não tinha direito de impedir que ele a encontrasse. Pelo menos, não até agora.

Ele nunca havia amado àquela maldita mulher esposa, ele amava a ela. Para Minato, ela era apenas uma aliança que ele foi obrigado a aceitar por obrigação à sua família, e nada mais. Ele estava sempre reclamando dela, do quanto ela era fria, soberba... Delicada demais, frívola demais... Para ela, ele era como um monstro.

Mas, não para Kushina. Para ela, ele era como um verdadeiro príncipe. Alguém que a tirou do inferno que era a sua vida e que agora a direcionava para um caminho muito bom.

Algo como... Senhora Uzumaki?

Quando ela escutou aquela frase pela primeira vez da boca de um funcionário de um dos restaurantes que Minato gostava de levá-la, aquele som havia ficado impregnado sua cabeça. Ela nunca ousou sonhar que aquela alcunha poderia algum dia se tornar oficial, mas agora era possível. Porque ela tinha dentro de si a coisa mais importante que Minato poderia querer.

O sucessor.

Alguém que pudesse tomar nas costas os negócios da família depois que Minato estivesse velho demais para aquela vida. Alguém que protegeria a família e o nome Uzumaki, assim como Minato protegia todas as noites da sua vida.

Era estranho pensar que dentro de sua barriga tinha alguém que seguraria tanta responsabilidade em um futuro próximo, mas ela protegeria aquele pequeno ser, até que ele pudesse voar por si mesmo. Tão alto, muito mais alto do que ela foi capaz de ir.

Kushina sorriu ferozmente olhando para a sua barriga que não demonstrava qualquer sinal de guardar uma vida. Contudo, o sorriso nos seus lábios morreu rapidamente, após o forte estrondo que veio da parte de fora da sua casa. Alguém havia entrado à força.

Kushina não pensou duas vezes e ao escutar o som de passos se aproximando do quarto, correu para o seu banheiro, tentando alcançar a parte mais segura da casa, mas tudo foi tão rápido que o seu corpo não conseguiu se mover com a rapidez necessária e logo se viu presa por duas pessoas.

Ela tentou gritar, mas a sua boca foi tapada, enquanto ela era arrastada pelo chão até que a jogaram para frente sem qualquer consideração do seu gênero.

Ela não estava esperando tal violência e imediatamente se preocupou com a sua barriga. Ela cobriu o seu abdômen com a mão tentando protegê-lo, mas após aquele gesto, a única coisa que ela escutou foi um grunhido antes de levar um pisão na sua cabeça.

O golpe a fez perder o equilíbrio e sua cara bateu no piso com força estrondosa. Os seus olhos apagaram por apenas alguns segundos e depois começou a retumbar o som surdo de vozes ao seu redor. Eram várias pessoas e mesmo em estado de atordoamento, Kushina sabia que ela estava cercada.

Ela moveu-se um pouco para tentar levantar o seu corpo mais uma vez, mas ela não tinha qualquer controle sobre o seu corpo. A sensação não era diferente das vezes que havia cheirado uma carreira de cocaína, com a única diferença da dor que a fez querer chorar.

Kushina conseguiu mover as suas mãos e arrastou-as novamente para o seu abdômen. O seu bebê ficaria bem, ela cuidaria para que nada o afetasse. Ela faria de tudo. Ela precisava ser forte para cuidar da criança de Minato.

— Olha como essa vagabunda protege a barriga! — A voz injuriada gritou, mais uma vez se aproximando de Kushina. Ela sabia que não tinha qualquer chance de defesa e tudo que ela podia fazer era se encolher em uma bola. Mas antes que um chute fosse direcionado para o seu corpo alguém mais parou na sua frente.

Ela tentou reconhecer aquelas pessoas, mas ainda não conseguiu enxergar nenhuma delas. Apenas uma pessoa parecia clara na sua mente, porque a voz ela reconhecia de longe. A única pessoa que ainda tinha o efeito de lhe dar medo, mesmo depois de Minato colocar o seu cinturão de proteção ao seu redor. O pai dele. O avô da sua criança.

Namikaze.

O reconhecimento quase a fez querer chorar novamente e finalmente ela entendeu o porquê de estar sendo massacrada dessa forma na sua própria casa.

— Senhor, por favor se acalme. – A pessoa que parou na sua frente tentou amenizar a situação. E por incrível que parecesse Namikaze parou a sua tentativa de violência e se afastou.

— Você já chamou aquele miserável?

— Ele já está a caminho, senhor.

— Como ele pode deixar chegar nessas circunstâncias? — Outro grito veio de onde ele estava, acompanhado de vários objetos sendo quebrados. — Eu disse que não aceitaria um bastardo na minha família. Como ele ousa me desonrar dessa forma?

Kushina sentiu medo novamente mas não ousou levantar a cabeça. Como ele poderia ser descoberto tão rápido sobre a sua gravidez? Ela mesma apenas descobriu apenas algumas horas atrás.

Alguém estava a observando? Não tinha outra explicação. Alguém seguia cada um de seus passos e falava para aquele homem. Que porra! Se ela soubesse que estava tão fodida assim desde o início, ela teria corrido para algum outro lugar para se preparar e armar um plano.

Mas novamente a vida era uma vadia e não gostava de semelhantes.

— Fique quieta.

Uma voz sussurrou próximo a ela. Ela gostaria de saber quem era que estava falando por ela agora que ela estava completamente perdida, principalmente, quem era aquela pessoa tão corajosa para ousar se meter na frente do chefe dos Uzumakis e o objeto de sua raiva.

Ela queria agradecer pessoalmente a ele, porque se não fosse pela sua presença, ela estaria morta e o seu bebê também. Mas, a sua voz não funcionava para agradecimentos e tudo que saia da sua boca era sangue e saliva.

A surra não lhe incomodava nenhum pouco, ela já tinha a pele calejada de apanhar desde muito jovem, mas lhe irritava profundamente que seu filho, ainda na barriga, já estava sendo levado ao meu destino que ela.

Que terrível mãe você tem, meu bebê. Mas, aguente mais um pouco.

Kushina se acomodou no chão porque não havia outro lugar para ela ir e ela esperou por tanto tempo que sentia que a dor do seu rosto e o estresse da situação estava a arrastando para a inconsciência. Mas ela novamente não teve sorte e outro estrondo a fez acordar de vez.

— Kushina! — aquela voz ela reconhecia muito bem também, mas naquele momento a presença dele não lhe trouxe muito alívio, porque o que quer que fosse acontecer com ela e com o seu bebê seria decidido naquele momento.

Ela queria ser arrastada para a obliviedade e ignorar tudo que acontecesse ao seu redor, mas o drama continuava vindo para perto dela sem descanso.

Minato tentou se aproximar do seu corpo, mas o mesmo homem que se colocou em frente do Namikaze para defendê-la também o impediu de se aproximar dela.

— Saia! — Minato ordenou, mas o homem não se moveu nenhum centímetro do lugar. Kushina realmente ficou curiosa sobre a sua identidade porque não era sempre que, em um único dia, ela conhecia alguém que se colocava na frente de pai e filho tão assustadores.

— Senhor! O seu pai lhe aguarda. Por favor, vá até ele.

Mas, Minato não se afastou e ele apenas falou com ainda mais raiva — Saia. Hiya!

Hiya. O nome do idiota era Hiya. Será que ele não sabia com quem estava se metendo? Se ele continuasse desobediente assim, ele jamais sairia vivo daquela casa. Ele sairia como ela, em um saco preto para ser enterrado.

Mas, a voz de Minato não o assustou nenhum pouco e ele não se moveu um centímetro do lugar. A mente de Kushina quase se afastou da realidade de novo, antes da voz penetrantemente fria do Namikaze soar novamente no recinto.

A maior parte da raiva dele havia ido embora, enquanto Minato não chegava e a única coisa que ela poderia fazer era agradecer que ele não havia descontado o ódio nela.

— Parece que você chegou. — A voz dele fez com que a sua pele se arrepiasse de medo. E Minato virou se para encarar o seu pai.

— Que porra você pensa que está fazendo? Eu disse para ficar longe dela. Não existe razão para fazer qualquer tipo de violência contra uma mulher.

— E eu te disse para não criar um bastardo com essa vagabunda! – a voz aumentou novamente, transformando-se em um rugido estrondoso.

Kushina só pode fechar os olhos com força. Ela não queria que Minato soubesse daquela forma. Ela queria contar as notícias para ele e ver os seus olhos brilharem em alegria.

— Que? — A voz de Minato diminuiu em raiva e aumentou em confusão e Kushina se sentiu ainda mais frustrada.

Ainda assim, ela não poderia mais pensar naquilo, tudo que ela precisava fazer era deixar que Minato tomasse conta da situação. Mas... Silêncio. Apenas silêncio.

— Você foi um estúpido novamente. Achava mesmo que essa vadia não tentaria algo assim? Esse truque é tão velho que mais nenhum homem cai, exceto a porra do meu filho que se encanta por qualquer vagina triste.

Kushina sentiu raiva por cima de toda a dor que sentia e foi essa raiva que fez com que ela obtivesse coragem suficiente para levantar a cabeça pela primeira vez.

Mas, ainda assim ela não conseguiu enxergar nada, tudo que ela observava era a parte de trás de um homem que permanecia a sua frente como uma barreira. Ele era enorme, maior que Minato, truncado e parecia extremamente desagradável. Não tinha charme, sofisticação ou beleza e mais parecia com uma parede de concreto.

Ela tocou a sua perna e o utilizou para se apoiar. O sangue desceu pelo seu nariz e boca e escorreu pelo seu pescoço. Ela estava sangrando profusamente e tinha certeza que o seu nariz estava quebrado.

Minato direcionou o seu olhar para ela e tentou se aproximar de novo dela, mas antes de tudo Namikaze lançou um soco no seu rosto e Minato caiu na frente de Hiya.

— Você nunca mais vai chegar perto dessa mulher, Minato. – Namikaze pegou o filho pelo camisa e o trouxe novamente para o seu pé. – Você vai se afastar dessa vagabunda, vai voltar para casa e cuidar da sua esposa e me dar um legítimo herdeiro, alguém que não me envergonhe como você fez. Alguém que consiga segurar o meu nome com a cabeça erguida.

— Ela está grávida, eu não posso deixá-la sozinha.

— Não se preocupe com isso. Eu darei um pouco de honra para essa mulher, mesmo que eu preferiria jogar ela do alto de um prédio.

— Do que você está falando?

— Graças a criança nessa barriga, ela se casará.

Os olhos de Namizake foram em direção a Hiya e Hiya segurou o seu braço a puxando de uma só vez para cima.

— Os dois se casarão e terão essa criança. E você nunca poderá reaver a sua paternidade, porque ela pertencerá a outro homem, entendeu?

— Pai... – Minato tentou falar, mas o seu pai foi rápido para lhe calar.

— Se você não fizer isso, Minato. Eu mato essa criança, eu mato ela e... Mato você!

Kushina sentiu lágrimas caírem dos seus olhos sem qualquer indicação, ela não era de chorar, mas aquele destino parecia terrível demais. Ela estava sendo vendida como se não fosse nada, novamente. Minato não deixaria que aquilo acontecesse, porque ele sabia muito bem que para ela ficar longe dele era pior que a morte.

Por favor, não me abandone, Minato. Por favor!

Mas, os olhos de Minato não foram nenhuma vez em direção a ela, eles focaram no seu pai. Testa colada uma na outra, o poder no olhar do Namikaze era forte demais. Forte demais para resistir. E naquela noite, o homem que ela amava não levantou um só dedo para lutar por ela.

E Kushina foi abandonada

Novamente.

Notas finais
Eu tirei umas feriaszinhas, estava muito estressada e minha escrita não estava fluindo mais tão bem. Vou voltar a postar normalmente, não se preocupem. Quanto os capítulo que eu irei revisar novamente, eu escolhi que postarei na Wattpad e mais para frente postarei o meu user. É a única solução que encontrei. Acabou o arco de Kushina. O que você acham dela agora?