Guarda-costas
33 Capítulo trinta e três
Notas iniciais
Hinata acordou no momento que escutou seu telefone tocar, mas mesmo assim os seus olhos se recusaram a abrir. Ela alcançou o outro lado da cama, encontrando o espaço vazio. Nenhum sinal de Sakura para abraçar, então se contentou com o travesseiro que tinha o mesmo cheiro dela.
O barulho de telefone parou de tocar e ela voltou a dormir. Alguns minutos depois voltou o mesmo barulho e, um pouco antes do telefone parar de tocar, ela conseguiu alcançá-lo em cima do criado mudo para atender.
— Hum… — Hinata disse com os olhos ainda fechados. Tudo que ela queria era dormir… E ela ainda sentia que o seu corpo havia sido atropelado por um ônibus. E o culpado por isso era…
A voz de Naruto soou do outro lado. — Isso é hora de ainda estar dormindo?
Hinata tentou sentar ao escutar a voz dele, mas o seu abdômen e costelas doíam bastante.
— Que horas são?
— Passou das sete.
Hinata abriu pela primeira vez os olhos e verificou o horário pelo celular. Era 07:05. Por que o desgraçado a estava chamava essa hora, quando ela não estava no trabalho?
Mas, afinal, porque ela não estava no trabalho mesmo? Os acontecimentos da noite anterior vieram rapidamente na sua cabeça. Naruto lhe deu uma surra, a castigou na piscina e ela o... beijou?
Hinata finalmente conseguiu se colocar sentada e abrir os olhos acordando imediatamente. Como que ela tinha se esquecido daquilo? Talvez havia sido apenas um sonho ruim? Um pesadelo cavernoso. Porque, definitivamente, ela não tinha se humilhado daquela forma por causa de um bolinho de arroz.
Se bem que o bolinho estava muito bom…
— O que você quer? — ela perguntou voltando a cair no seu travesseiro. O seu corpo gritou em protesto, mas ela decidiu ignorar, justamente com as imagens que vinham na sua cabeça da noite anterior.
— O que aconteceu? — ele perguntou.
Ele estava em um lugar calmo que Hinata não conseguia discernir se era o escritório ou se ele ainda estava em casa. — Você chegou bem no escritório?
— Ainda estou em casa, esperando tomar café com a minha ausente guarda-costas. — ele a provocou. — Está fugindo de mim, pirralha.
— Por que eu estaria fugindo de você? — Hinata voltou a se encolher ao lado do travesseiro de Sakura e sussurrou de forma ameaçadora. — Você que vai ter que fugir de mim! Não pense que eu me esqueci o que você fez ontem?
— O beijo?
Hinata tossiu, sentindo-se surpresa por ele falar tão levianamente daquilo. — Aquilo não foi um… Aquilo! Eu estava apenas resgatando a minha comida.
— A mesma comida que você me deu de bom grado depois? — ele sorriu do outro lado.
Era muito bom que pelo menos um dos dois estava se divertindo com toda aquela situação. Pelo menos o sorriso dele fez com que a flexibilidade da sua imaginação diminuísse. Ele estava apenas a provocando. Tudo foi uma grande provocação.
Porque ela pensava tanto sobre coisas que não significavam nada?
— Mas, o que aconteceu? — ele voltou a ficar sério. — A sua elaborada mensagem “Naruto, eu preciso do dia livre”, não foi o suficiente e você ainda me disse que me ligaria de manhã e não ligou.
— Você está ciente que ainda são fodidamente sete da manhã? O amanhã que eu me referia é até o meio dia..
— Eu não me importo com isso. O que aconteceu? — ele perguntou mais uma vez.
Hinata suspirou decidindo se deveria ou não contar sobre a condição de sua amiga, não que ela soubesse de alguma coisa, uma vez que ela mesma estava no escuro em toda a situação. E também era da intimidade dela.
Mas, ela sempre contava tudo para ele e optou por contar o que Sakura havia lhe contado.
— Sakura teve um “momento”.
— Momento?
— Não tente me perguntar o que é, por que eu mesma não sei.
— Você não sabe? — ele sorriu alto de novo. — Você já teve vários desses.
Hinata entrecerrou os olhos. — Quando?
— Quando eu te falei na semana passada que cortaria o seu bônus do final do mês, se você continuasse a colocar pimenta na dentadura do Remmy pela manhã. Você se trancou no quarto e disse que não falaria comigo durante o resto da semana.
— Eu lembro também que você arrombou a porta do quarto e tentou cavou a minha testa...
Ele a ignorou. — Ou no mês passado quando você tentou colocar os meus Rottweilers na casa das crianças das empregadas, apenas porque elas te chamaram de menino.
— Aquelas crianças eram muito mal educadas.
— Ou a vez…
— Ok, chega… — ela suspirou resignada. — Mas, os meus momentos nunca envolveram lágrimas e ela estava chorando tanto ontem, Naruto. Eu não sabia o que fazer.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos. — Você não precisa fazer nada. Eu tenho certeza que ela já se sentiu melhor com a sua presença aí.
— Não sei… Ela não quis falar o que aconteceu.
— Talvez não tenha acontecido nada.
— Quando eu cheguei ela estava no banho com roupa e tudo e no rosto dela tinha umas marcas vermelhas. Então, eu tenho quase certeza que aconteceu alguma coisa.
— Eu vou chamar o Sasuke para pedir que ele olhe isso para você.
— Eu já pedi, falei com ele ontem.
A linha silenciou.
— Você já acostumou a pedir as coisas para ele sem antes me perguntar, não?
Hinata tirou o telefone do ouvido e revirou os olhos para a tela. — Desde quando você se importa com isso?
— Talvez desde quando você pediu para ele queimar uma policial pelas minhas costas.
— Se você está sabendo, então não foi pelas suas costas.
— Hinata!
Hinata abafou o sorriso no travesseiro. Naruto quase nunca a chamava pelo seu nome, sempre escolhendo se referir a ela como pirralha ou qualquer outra coisa ofensiva, exceto quando ele estava puto. Como agora.
— Eu estava te protegendo. Esse é o meu trabalho.
— Conversamos sobre isso depois.
Ela sabia que ele ia desligar, mas ela gritou no impulso. — Não desliga.
— Hum?
Era engraçado escutar o tom de voz dele desconfiado. Mas, o que é que ela tinha a falar para ele? Ela sequer sabia porque ainda o estava mantendo na linha.
— Você não falou de recompensa.
— Recompensa?
— Os danos morais pelo que você me fez passar ontem. Eu exijo ser ressarcida.
Ele sorriu. — Ressarcida pelo beijo que você me deu e sequer que comentar?
Hinata rosnou na linha. — Para de dizer que eu fiz aquilo com você!
— Mas, você fez, pirralha. Da próxima vez, aproveite a viagem e coloque a língua. Eu vou te ensinar como se chupa uma língua.
Hinata sentiu as bochechas esquentarem. — Pervertido!
— Eu vou mandar comida para vocês duas. E você pode tirar o resto do dia e amanhã de folga.
— Eu posso voltar... — ela começou.
— É uma ordem.
Hinata torceu o berço, mas conhecia muito bem aquele tom de voz. Ela até mesmo já havia desafiado uma de suas ordens emitidas e as consequências não foram nada boas para a sua testa. — O que você vai aprontar amanhã sem mim?
— Vou visitar as minha garotas, elas sentem a minha falta.
Hinata revirou os olhos. — E isso vai durar toda a manhã? Que estamina!
— Você ainda não viu a metade.
Novamente, as suas bochechas esquentaram. — Pervertido! Eu vou desligar… Ah! Manda sorvete pra mim, junto com a comida.
— Descanse!
— Se cuida! E qualquer coisa me liga!
Ela desligou a chamada e jogou o telefone nos lençóis. A sua cabeça ainda não estava trabalhando em velocidade total, por isso alguns de seus pensamentos ainda eram bastante claros, então ela começou a repetir a mesma coisa que ela se repetia nos últimos dois meses.
Ele esta te provocando Hinata não caia no papo desse fodido!
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Hinata levantou da cama e foi diretamente encontrar Sakura. O problema é que ela não estava em lugar nenhum. Nem no quarto, nem no banheiro ou na cozinha ou na sala. Também não havia nenhum recado que lhe desse alguma ideia para onde ela ia.
Hinata ligou para o celular de Sakura e se irritou quando caiu na caixa postal. Para onde aquela doida tinha ido?
Ela deixou várias mensagens no celular da sua amiga e nada. E a única coisa que Hinata pode se contentar em fazer era esperar, ou chamar a polícia. Mas achava que aquilo era demais. Ela daria até o horário do almoço para Sakura se apresentar na sua frente.
Hinata então se contentou em andar de um lado para o outro na sala, até que algumas horas depois Sakura apareceu pela porta com uma sacola de compras na mão. Ela entrou e lhe cumprimentou como se nada tivesse acontecido.
Hinata andou atrás dela. — Para onde demônios você foi toda a manhã? Sabe o quanto estava preocupada contigo?
— Porque? Você chegou ontem do trabalho e geralmente dorme até o meio dia. Não achei que você acordaria nesse horário.
— E pensou em sair sem me dizer nada? Depois do susto que me deu ontem.
Sakura suspirou fundo e começou a desempacotar. — Não creio que devo satisfação para onde eu vou.
— O que?
— Eu não quero entrar nesse assunto, já te disse o que aconteceu ontem. Porque não deixamos o passado no passado?
— Essas frases são ditas para coisas em antigas Sakura, não para coisas que aconteceram ontem.
— Eu não penso em ficar presa em casa. E eu já te disse foi só um momento de fraqueza, raiva, tristeza o que seja!
— E quem foi que te causou isso? Se é que eu posso perguntar.
— Não pode! — Sakura largou as compras na mesa e começou a organizá-las no armário. — Eu não quero falar de ontem, será que é tão difícil de entender esse simples pedido?
— Eu não quero esse papo furado não. — Hinata puxou os próprios cabelos com força em frustração. — Você não quis me dizer nada ontem e tudo bem, mas eu não gosto que mantenha as coisas no escuro comigo.
— Apenas esqueça Hinata!
Sakura gritou perdendo completamente o controle, não havia nenhuma parte da sua borbulhante amiga, mas pelo menos também não tinha a cara de triste da noite anterior. Pelo menos com raiva ela poderia lidar.
— Esquecer? Você me ligou ontem, não fui eu que vim voluntariamente para casa. Então, não venha me dizer que eu não tenho nada haver com isso e que eu não posso te perguntar nada sobre o porquê de você estar naquele estado.
— Eu não deveria ter te chamado então.
— Então não deveria, se você não vai confiar em mim, não deveria ter pego o celular e telefonado para mim.
Sakura largou imediatamente as mercadorias e pegou o celular em cima da mesa.
— Por mim, você pode ir embora, então. Eu não sou seu problema, então para de tentar me solucionar, Hinata. Eu vou para o meu quarto.
Sakura deu as costas para Hinata e foi em direção ao seu quarto, mas antes que pudesse chegar na porta Hinata gritou o seu nome.
— Isso por acaso é outro ‘momento’ seu?
Sakura não virou-se de volta e apenas bateu a porta do quarto, quando entrou no cômodo. Hinata por outro lado se jogou no sofá, sentindo-se completamente irritada.
Ela queria ligar para Naruto de novo.
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