Guarda-costas

34 Capítulo trinta e quatro


Notas iniciais
Feliz dia dos Pais e boa leitura.

Naruto entrou em um bar próximo ao porto, em um lugar bem próximo da Marina, onde ele quase foi morto alguns meses atrás, se não fosse pela atuação heroica da sua guarda-costa que no momento espontaneamente lhe salvara a vida.

Os seus inimigos haviam utilizado uma das suas pessoas de confiança, alguém que ele ingenuamente achava que nunca poderia lhe trair, por causa da sua aliança com o seu tio e da sua própria proximidade, quando era apenas uma criança.

Naquele época, ele havia sido um idiota em contar com a confiança que o seu tio forjou em seus anos de trabalho e os seus inimigos tiveram a oportunidade de ouro de acabar com a sua vida. Obviamente aquela havia sido uma situação de chance única, porque depois dessa vez, ele nunca mais tinha sido estúpido o suficiente para dar outra oportunidade para os seus inimigos.

Ele mesmo andava por linhas turvas, não era muito inteligente achar que era o única que fazia aquelas coisas. Andando em meio a dois mundos, traindo um e andando em direção para o que mais lhe acomodava.

Por isso, ele havia passado os últimos meses terminando de limpar a casa, escolhendo a dedo os homens que deveriam estar próximos ao seu círculo, destruindo as famílias que antes tinha sido suas aliadas e acabando com os negócios paralelos das famílias que ainda queriam fazer parte dos Uzumakis.

Mas, a parte mais difícil de tudo, não foi destruir pessoas, mas sim capturá-las para si.

Havia muita gente que ainda olhava com desconfiança a sua ascensão de renegado a chefe, mesmo que não tivessem coragem de lhe confrontar frente a frente.

Foi quando ele começou a recrutar dentro das casas que conviveram com ele desde criança e que conheciam seu pai como ninguém. Ele não podia confiar em que tinha aliança com o seu tio, mas talvez pudesse contar com aquele que possuiam laços de lealdade mais forte que aquele proveniente do dever.

Os laços de amizade que o seu pai forjara com muito outros homens.

Pessoas jovens que o conheceram quando ainda era uma criança, em uma época em que gostava de viver à sombra de seu pai e atrás das barras da saia da sua mãe.

Foi difícil encontrar todas essas pessoas, principalmente, porque elas não eram próximas a casa principal, mas, no fim, ele finalmente havia encontrou um grupo capacitado de homens que estavam felizes o suficiente para viver baixo o seu comando, sem pensar muito profundamente em traição.

Obviamente, Naruto não confiava plenamente em qualquer um daqueles homens. Errata: ele não confiava plenamente em ninguém… Em ninguém, exceto a sua guarda-costas que lhe salvara a vida mais de uma vez, enquanto estava no trabalho ou mesmo fora dele.

A sua guarda-costas que havia se tornado sua irmã de juramento com apenas algumas semana de convivência e depois disso havia se tornado a sua mais temperamental braço esquerdo que estava encantada em usar os punhos mais que a cabeça.

Ela era a única pessoa que Naruto se sentia cômodo em confiar plenamente, mesmo que houvesse se prometido a muito tempo atrás que nunca voltaria a fazer aquilo com ninguém, nem mesmo seu próprio sangue.

Apenas aquele pensamento foi o suficiente para fazê-lo se sentir mais relaxado. Porque além de Hinata lhe inspirar completa confiança, ela também lhe trazia uma sensação de calma que contrastava em absoluto com a sua personalidade forte.

Hinata em meio aos seus vinte e um anos, era exatamente como a sua idade sugeria. Irritadiça, maluca, inexperiente e um pouco louca demais para o seu habitual gosto por pessoa.

Perto dela, ele era o maduro, o profissional, o chefe de todos, aquele que jamais cometia erros e que era inteligente demais para o seu próprio bem.

Quem diria que algum dia ele seria o responsável da situação? Seus pais nunca se atreveriam a dizer tal coisa ou o seu tio, mas talvez se eles tivessem tido a oportunidade de conviver sequer um dia com aquela pirralha, eles definitivamente teriam tido uma opinião diferente sobre o seu próprio grau de maturidade.

De todas as forma, todo aquele tempo de transição já havia durado quase três meses e ele finalmente poderia dizer que estaria concluído nessa noite, após se encontrar com uma pessoa que não via a mais de dez anos.

Sabaku no Gaara.

A mesma pessoas que alguns anos atrás, havia ajudado o seu pai a se tornar a primeira pessoa a trair as sete famílias e transicionar os seus negócios da ilegalidade para a mais completa legalidade. Isso tudo quando tinha apenas dezesseis anos.

Obviamente, nada do que aquela pessoa havia feito anos atrás veio veio sem sacrifícios. Quase toda a sua família havia sido destruída no processo, inclusive seu pai e sua mãe.

A única coisa que havia sobrado àquele homem havia sido seus dois irmãos, Temari e Kankuruo. Talvez por essa razão Naruto considerasse que apenas teria completado a sua transição após conversar frente a frente com aquela pessoa.

O encontro apenas veio mais cedo do que ele estava planejando.

Afinal, mesmo que estivesse se preparando para seguir caminhos diferente das outras famílias, ele ainda fazia parte do seu corpo principal. Ele poderia mudar de ideia a qualquer momento, sobre se queria continuar com os seus planos de mudança ou simplesmente dar a marcha a ré e voltar a ser o homem que o seu tio era.

Não que ele estivesse planejando recuar do seu objetivo. Isso era um nunca, o problema era que Gaara não conhecia bem o suficiente para saber de tudo aquilo.

Aquele encontro era tão importante, quanto era perigoso para ambos. Naruto poderia muito facilmente ter entregado a posição de Gaara para a tríade e ter armado uma emboscada para pegá-lo com as calças baixas.

Também, era um perigo para Naruto que poderia estar querendo envolvê-lo na sua louca cruzada por vingança. E queria matá-lo para resolver contas com a família Uzumaki que havia se involucrado naquele mesmo assunto diversas vezes, mesmo que não fosse o culpado direto da pessoa que levou a vida da mãe e do pai de Gaara.

Naruto tentou não pensar em todas as formas como aquilo poderia dar errado e, assim como sua guarda-costa lhe sugeria tão frequentemente, confiou em seus instintos. Em seus instintos e nas duas dúzias de homens colocados em lugares estratégico de rápida chegada no bar em caso de alguma coisa sair muito errado.

Os dois irmãos estavam lhe esperando na porta de um bar meia boca. Kankurou com um sorriso brilhante no rosto e Temari como o seu completo oposto.

— Finalmente. Gaara já está esperando a algum tempo. — disse Temari com um ar apático que a fazia parecer entediada e distraída, mas Naruto sabia que aquilo era tudo fachada. Ela sabia exatamente tudo o que estava acontecendo ao seu redor e além.

Hinata conseguia imitar aquele mesmo ar com o mesmo efeito. O problema é que Hinata não fazia aquilo propositalmente, ela SEMPRE estava entediada e distraída.

Naruto levantou a mão impedindo que os seus guardas entrassem no bar e os irmãos, também, não o seguiram até o lado de dentro do bar, deixando apenas ele e Gaara sozinhos naquela espelunca.

Naruto não podia dizer que ele havia ficado surpreso com o convite, afinal, meses atrás ele achava que Gaara havia escondido a sua mãe com um objetivo claro de vingança em mente, uma vez que as sete famílias estavam atrás da sua cabeça.

Mas, nada daquilo importava mais, porque mesmo que Gaara tivesse tido alguma coisa haver com o livramento de Kushina após a morte do seu tio, ele tinha tido sido o responsável pelo seu desaparecimento posterior.

Gaara estava sentado em um banco alto no balcão do bar. Bebidas estavam espalhados por todo o lado, mas a única coisa que ele possuía em mãos era uma taça de vinho tinto. Naruto sentou no balcão também, deixando uma cadeira entre eles.

Eles não eram inimigos, mas muito menos amigos.

Naruto pegou uma garrafa de uísque aleatoriamente, um copo e serviu a si mesmo. Não havia um bartender. Nada surpreendente para o tipo de conversa que ele espera levar com aquele homem.

Nenhum do dois olharam um para o outro, nem trocaram amenidades e o primeiro a falar foi Naruto.

— Veio cobrar o que fez?

O outro lado continuou em silêncio por alguns segundo. — Não sei se estou em posição de cobrar algum favor que nunca me foi pedido. Mas, vocês Uzumakis tem essa característica de achar que todo mundo quer alguma coisa de vocês.

— Então, você não quer nada? — Naruto sorriu ironicamente, olhando para ele uma vez. — Essa foi uma conversa curta.

Naruto levantou da cadeira e começou a sair.

— O que eu fiz pela Kushina foi um favor a seu tio, não a você. Pelo menos gostaria de ser honesto quanto a isso. Mesmo que honestidade não seja o forte de nossas famílias.

Naruto parou, mas não voltou a se sentar.

— O seu tio sabia que alguma coisa estava errada e pediu que eu tirasse Kushina do jogo se algo acontecesse com ele. — Gaara tomou um gole da sua taça. — No entanto, quando ele pediu que eu a tirasse do jogo, eu pensei que ele queria que eu a protegesse. Não tenho mais tanta certeza hoje. Tirar alguém do jogo pode significar muitas coisas, inclusive a morte. O que você acha, Uzumaki? Ou melhor o que você sabe de tudo isso?

Naruto voltou a sentar na sua cadeira e voltou a pegar outra dose do uísque.

— Eu sei que essa é uma das piores bebidas que eu já tomei na vida e que você está protelando um tempo que eu gostaria de estar em companhias melhores.

Gaara sorriu pela primeira vez. — Eu não sabia o que encontrar quando soube que você seria a pessoa que substituiria Minato no poder… E eu continuou não tendo ideia do que você é.

— Eu juro por deus que eu nunca te vi falar tanto na sua vida.

Gaara sorriu.

— Não é um hábito meu. Mas, por alguma razão eu estou curioso com você, Uzumaki. Minato te escolheu em vez da própria filha, mesmo depois de você ter renegado os Uzumakis. Isso te faz um traidor, não um herdeiro.

— Aparentemente, você também vai ter que entrar na lista de pessoas que precisam dar uma voltinha no inferno apenas para perguntar isso para ele.

— Você não está curioso?

— A única coisa que eu estou é entediado. — Naruto tomou outro gole.

— Bom, eu tenho algumas respostas. Minato, por alguma razão, confiava em você para limpar a família, o que deveria ser alguma coisa que você já haviam conversado antes. Por isso, nos últimos três meses, você transformou em sangue cada ponto de drogas, casas de prostituição e empresas clandestinas na cidade.

Gaara tomou o resto da sua taça e a deixou em cima do balcão.

— Você descobriu quem é leal a você. Mas, nada disso me importa muito… O que eu realmente quero saber, é a quem você é leal.

Naruto gargalhou, dessa vez, também deixando o seu copo em cima do balcão e virando em direção a Gaara. Os dois se encararam, procurando suas próprias respostas nos olhos insondáveis uns dos outros. Dois homens de família diferentes, um do lado certo da lei e o outro estagnado confortavelmente entre dois extremos.

Os dois igualmente perigosos. O rosto de Naruto ainda era risonho, enquanto Gaara permanecia sério.

Gaara foi o primeiro a romper o silêncio, dessa vez.

— Eu acho que você é mais esperto que as pessoas te dão o crédito. Seu pai foi enredado pelas duas mulheres que ele mais amava na vida. — Gaara pareceu pensar profundamente. — Ele escolher se casar com uma mulher sem escrúpulos e que foi a esposa de seu irmão. Deixou a filha ir com um dos seus maiores inimigos. Nagato, certo? O nome daquele cretino débil?

Naruto não respondeu, mas Gaara não se importou e continuou com a conversa.

— Você pelo contrário foi mais forte. Deixou que a sua irmã permanecesse nas garras do caminho que escolheu, sem ter que continuar alimentando a ambição daquele idiota. E deixou a sua mãe se afastar, mesmo podendo impedir.

Naruto permaneceu com o sorriso no rosto, mesmo que não se sentisse muito divertido. Não gostava quando as pessoa sabiam tanto dele mesmo. Era mais divertido quando ele fazia aquele joguinho de adivinhação.

— Dessa forma, você afasta as suas duas únicas fraquezas e uma vez que descarta as suas duas únicas opções do baralho, não há o que escolher… Não há o que perder. Brilhante.

— Obrigado pelo elogio, mas eu já sabia.

— Só tem uma falha nesse seu plano. Uma hora as duas cartas vão voltar para o baralho e uma delas vai ter que ser descartada. Qual delas será?

Naruto continuou sorrindo, sem qualquer traço de preocupação nos olhos. — Eu vou pensar nos problemas, quando eles vierem a mim.

Gaara permaneceu em silêncio e cada um levou o seu próprio tempo refletindo sobre as palavras um do outro. — As pessoa te dão pouco crédito pelas suas ações, Naruto… Mas para mim, você parece confiável.

Naruto dessa vez gargalhou alto. — Isso não é uma coisa que eu escuto frequentemente. Agora me diga o que você quer?

Gaara também abriu um pequeno sorriso no seu belo rosto. — O mesmo que você. A cabeça das sete famílias.

Notas finais
Ontem foi uma loucura e não deu para postar. De todas as forma, o que acharam dessa nova aliança? O que esperam do Gaara? Espero que tenham gostado. Comentem, favoritem e se realmente gostarem recomendem. BJS Até quarta!