Guarda-costas

36 Capítulo trinta e seis


Notas iniciais
Os dois últimos capítulo eu precisava para contextualizar a história, mas NARUHINA ESTÁ DE VOLTA. Boa leitura!!

Hinata colocou os pratos na pia, logo depois de comer. Aquela havia sido a única missão que Sakura havia lhe dado durante estes dois dias, antes de ir para o quarto com a desculpa que estava com dor de cabeça.

Ela sentia a enorme guerra fria sendo formada entre as duas.

No dia anterior, assim que ela havia terminado a sua ligação com Naruto, ela havia saído do quarto para as duas finalmente terem uma conversa sobre o que tinha acontecido na noite anterior.

Ela havia agonizado pensando nas coisas que poderia ou não falar para a amiga, sem que ela ficasse muito chateada com a sua intrusão, mas Hinata sequer encontrou Sakura dentro do apartamento e passou todo o resto da manhã tentando descobrir para onde a sua amiga havia ido.

E como ela poderia lhe deixar naquele estado sem qualquer notícia. Sem um telefonema, uma mensagem. Nada.

Hinata estava terminando de fazer um buraco no chão — de tanto andar de um lado para o outro -, e foi quando Sakura finalmente resolveu aparecer em casa.

Ela parecia calma e agiu como se nada tivesse acontecido..

Ela não lhe deu qualquer explicação sobre o que tinha acontecido na noite anterior, nem respondeu onde tinha se metido toda a manhã e aquilo apenas estava contribuindo com as desconfianças de Hinata. Ela sabia que alguma coisa grave havia acontecido com a sua amiga, mas como fazer perguntas para uma parede?

As duas, então, se fecharam nos próprios pensamentos.

O que salvou Hinata de completamente perder a cabeça e jogar o cuidado para o espaço, foi que Naruto havia mandado duas cestas enormes de comidas, assim como havia prometido.

Em uma delas continha até mesmo as comidas importadas que Sakura tanto amava. No entanto, quanto Hinata foi oferecer para ela, como um símbolo de paz, Sakura recusou completamente a comida e se recusou a sair do quarto, utilizando o trabalho como desculpa para não olhar para sua cara o dia todo.

Sentindo-se completamente excluída, Hinata espantou a própria mágoa com os alimentos mais gordurosos que conseguiu pegar na cesta.

Ao longo do dia o seu grau de aflição foi diminuindo gradualmente, mas aquele ambiente passivo-agressivo ainda lhe dava nos nervos. Hinata não era o tipo de mulher que simplesmente aturava ser ignorada, mesmo que a pessoa que estivesse fazendo isso fosse a sua melhor amiga.

Muito menos se as pessoa que estava fazendo isso era a sua melhor amiga.

Ela queria ajudar de alguma forma, mas como ajudar em uma situação que ela não tinha nem ideia do que aconteceu?

Alguém bateu na porta do apartamento e Hinata correu para ver quem era pelo olho mágica. A sua testa fincou com a presença da pessoa que estava na sua porta e quando ela a abriu, Naruto entrou imediatamente dentro do apartamento, sem sequer pedir licença.

Ele nunca tinha entrado no seu apartamento e ele gastou um tempo olhando por toda a sala e cozinha com olhos cuidadosos.

— Errou o caminho de casa, foi? — Hinata perguntou, fechando a porta e Naruto se voltou para ela com um sorriso no rosto.

Os dois não se viam a quase dois dias inteiros e ela não pode se impedir de ficar um pouco nervosa com a presença dele no seu apartamento, mesmo sabendo que aquilo era uma completa besteira. Seu peito esquentou.

Naruto não lhe respondeu imediatamente, focando os seus olhos no sofá. Hinata percebeu que ainda não tinha limpado a sala e tinha sacos de salgadinhos e embalagens usadas por todo o lugar. Naruto a olhou por cima do ombro com a sobrancelhas levantadas.

Hinata cruzou os braços e levantou o queixo teimosamente. — Que é? Você por acaso avisou que vinha hoje?

Ele afastou a maior parte da sujeira de cima do sofá, jogando em cima da suja mesa de centro. — Eu não acho que se eu tivesse avisado, o ambiente da sua sala seria mais... receptivo.

Hinata grunhiu e moveu-se para a cozinha em busca de uma lixeira e um pano úmido para limpar a sua bagunça. Era a primeira vez dele alí e se Sakura saísse do quarto e visse Naruto alí no seu sofá com a sala completamente suja, ela teria um treco.

— O que você veio fazer aqui? — Hinata levantou a cabeça e percebeu como ele lhe observava sério. — Não acho que você sentiu a minha falta.

Ele retirou o bonito paletó que estava vestido. Ele tinha vindo da empresa? — Vim verificar se a Sakura precisava de mim.

Hinata revirou os olhos. — Porque ela precisaria de você. Eu estou aqui.

— Eu tenho um ombro maior para oferecer. — ele a provocou apontando para o próprio ombro.

— Idiota. — Hinata terminou de colocar as embalagens na lixeira e a deixou de lado. — Se foi para isso que você veio, pode ir embora, ela não está recebendo ninguém e na saída leve o saco de lixo para mim.

Naruto sorriu divertido. — Ciúmes?

— Só de saco cheio de gente me irritando hoje. — Hinata disse e começou a andar de um lado para o outro. — Primeiro, a bonitinha saiu ontem passou a manhã toda fora, não me ligou, não me mandou mensagem, nem deixou escrito na porra de um papel para onde estava indo. Aí quando ela chega, ela simplesmente se recusa a me dizer para onde foi e, quando eu tento descobrir o porque ela estava tão descontrolada naquele dia, ela briga comigo.

Hinata parou na sua frente colocando a mão na cintura e o olhando irritada. — Hoje, ela me ignorou o dia inteiro, não fala quase nada e sempre se tranca no quarto. O que? Meu rosto é tão feio que ela não quer mais me ver?

— Pode ser uma das razões.

Hinata fechou a cara e ia se afastar de Naruto, mas ele a puxou de volta, prendendo-a entre o meio das suas pernas e segurando as suas duas mãos para que ela não começasse a ficar agressiva.

— Vai embora, Naruto, eu estou cansada!

— Mentirosa. — ele manteve o braço dela preso e a puxou para ele, gentilmente.

Hinata se equilibrou encostando o joelho no sofá entre as suas pernas abertas dele. A posição parecia bastante com a do dia na piscina, mas o sentimento era diferente. Ele não estava a provocando, ele a olhava seriamente, como se estivesse preste a lhe dar uma bronca.

Ela ia bater nele, de verdade.

— Você não pode ficar chateada com alguém que precisa de você, pirralha. Quando alguém tenta consolar outra, ela tem que ser compreensiva.

Tisk! Hinata torceu os lábios exasperada, mas não tentou se afastar dele. — Eu não sou assim, Naruto. Eu não sei fazer essas merdas de entender os sentimentos dos outros. Você sabe disso. — ela hesitou e pensou mais um pouco. — Na verdade, você não sabe disso, você nunca precisou de consolo.

Ele sorriu tristemente. — Eu já utilizei seu ombro mais vez do que você ou eu jamais saberemos.

Hinata percebeu os olhos dele saírem de foco, como ele sempre fazia, quando se lembrava de algo que não gostava e ela levantou as mãos, espalmando em suas bochechas e apertando elas até que o seu rosto ficasse engraçado.

Ela sorriu e isso o trouxe de volta para ela. — Odeio quando você começa a viajar do nada. Isso quer dizer que você está me ignorando. Eu não gosto disso.

Foi a vez de Naruto se exasperar. — Você é muito dengosa por atenção. Eu te acostumei mal.

Hinata deu uma risada e Naruto a jogou no sofá, parando em cima dela. Ele prendeu as mãos dela por cima da cabeça e pressionou as suas testa violenta e repetitivamente.

O seu castigo fazia um retorno.

Ela resmungava irritara, mas o seu coração se sentia mais tranquilo. Assim, como o dele.

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Hinata e Naruto haviam terminado de limpar completamente a sala. Por única e constante pressão de Naruto que disse que iria ajudá-la. Obviamente, ele a enganou, colocando um banco no meio da sua sala e berrando ordens, sob ameaças de novas testadas dolorosas.

Depois de meia hora tudo estava um brinco e Hinata se jogou no sofá.

— Isso é trabalho escravo.

Naruto passou o dedo no tampo da mesa de centro e sentindo-se satisfeito, sentou ao seu lado. — É a sua própria casa, pirralha.

— Não importa. Eu não ia limpar toda essa merda agora. Déspota! — Hinata cruzou as suas pernas e socou o seu braço, chamando a atenção de Naruto. — Vamos falar sério, o que aconteceu hoje para você vir me ver?

— Adivinhe com quem eu encontrei hoje?

— Nem ideia. Algum empresário idiota? Alguma modelo gostosa? Algum policial que quer te matar? Algum gigolô para…

— Gaara.

A respiração de Hinata travou e ela voltou o seu corpo completamente para Naruto. — Que porra!... — ela disse com a boca aberta. — ...Não tenho ideia de quem ele é.

— ha.. ha..- ele revirou os olhos. Ele não costumava fazer isso, mas a convivência estava lhe dando hábitos pouco sofisticados. — Eu já te falei sobre ele. Lembra da família que realizou a transição antes de mim?

Hinata balançou a cabeça.

— O que fugiu com a minha mãe.

— Há… — Hinata sentou-se ereta no sofá e o olhou com raiva. — Não acredito que você foi vê-lo sem mim.

— Você estava ocupada com a Sakura.

— Eu estava ocupada sendo ignorada pela Sakura. Isso não é uma programação muito importante que não poderia ser adiada.

— Eu não precisava de você alí.

— Não me diga... — Hinata cruzou os braços. — Você poderia ter fodido com tudo indo sozinho. Você deveria ter falado comigo primeiro.

— Eu sou o seu chefe, Hinata. Eu não preciso falar com você sobre nada e posso te dispensar quando eu quiser.

— Então me dispensa, seu filho da puta, você obviamente não precisa de mim.

Ela o olhou desafiadora, mas ele deu um peteleco no seu nariz. A dor foi imediata. Era um coisa com Naruto, ele nunca diminuía a sua força quando estava lidando com ela. Nem quando eles estavam lutando de verdade, nem quando ele fazia pequenos gestos como aquele.

— Não seja desesperada e escuta.

Ela se silenciou segurando a ponta do nariz que estava vermelho.

— Gaara não está com a minha mãe. Eu já sei disso a bastante tempo. Nós não somos inimigos nem nada do tipo. Mas, nós fomos lá para discutir a possibilidade de uma aliança entre as nossas famílias.

Ela largou o nariz e perguntou curiosa. — Você já tem bastante gente, para que você precisa de mais?

— Por que a ajuda dele pode acelerar o meu trabalho, principalmente se pensamos igual. Eu estou querendo enfrentar um conglomerado de famílias que dominaram o submundo do Japão durante todo esse tempo. A única coisa que impede que eles venham até mim com força total é uma regra antiga de não agressão que existem entre nós.

Ele continuou. — Basicamente, quer dizer que nenhum golpe de destruição total de uma família pode ser orquestrado. Por isso, se aliar com alguém de fora pode me oferecer certa estabilidade, quando eu sair.

— Quer dizer que você está dentro dessa reunião de seita macabra te protege de alguma forma.

— Em tese, mas eu não estou preocupado com a minha saída, mesmo sem a aliança com o Gaara. Nós conseguimos enfraquecer duas famílias que estavam se unindo contra a mim. Tomoyo e Nagato. — ele puxou, distraidamente, um fio que estava desfiando da manga do seu suéter e começou a brincar com o tecido. — Eu fechei os negócios de Nagato no meu território e estou atacando Tomoyo, destruindo todo o resto.

— Então, porque eles aceitaram se reunir com você?

Naruto sorriu. — Eles pensam que tem algo contra mim, por causa da destruição do porto. Mas, nada disso importa realmente pra mim. Eu estava esperando que algum ataque dessa magnitude ocorresse para que os membros das Sete Famílias pararem de se esquivar de mim.

— Hum. E?

— E que agora é guerra, Hinata. — Naruto a olhou seriamente e percebeu o sorriso de Hinata se abrindo. Ela estava animada e ele deu outro peteleco no seu nariz. — Isso é sério, pirralha. Eles vão vir para cima de mim com tudo que possuem, assim que eu anunciar a minha saída. E eu planejo fazer o mesmo. — ele pausou. — Gaara é como eu. Ele quer vingança sobre o que aconteceu com a sua família.

— É isso que você quer Naruto? Vingança? — Hinata voltou a sorrir, ainda massageando o seu nariz. — Eu jurava que você só queria ver todo o circo pegar fogo.

Dessa vez, foi Naruto que sorriu. Ela não estava lá muito longe da verdade. Hinata levantou e buscou duas cervejas na geladeira. Ela não costumava beber muito, porque o gosto era amargo e o álcool deixava a sua cabeça meio besta.

Mas, hoje ela estava buscando por pensamento mais calmos que os seus normais, principalmente com Naruto do seu lado, sentado confortavelmente no seu sofá sem nenhuma intenção de ir embora. Ela também puxou mais alguns salgadinhos e espalhou em cima da mesa de centro.

Naruto a olhou de esgueira.

— Eu vou limpar depois, não enche o saco!

Hinata pegou o controle da televisão e colocou em um filme de ação, enquanto Naruto pegou o tablet do seu paletó e começou a ver os seus números. Essa era um rotina comum entre eles, quando os dois não estavam treinando ou comendo.

Hinata deixou a cabeça dela desabar no sofá e começou a cutucar o braço de Naruto com o pé, até finalmente conseguir a sua atenção.

— Você não me disse porque veio aqui hoje.

— Hum? Eu te disse o que aconteceu com o Gaara.

— Isso é o que aconteceu com você hoje, não o porque você veio. Eu estou voltando para o trabalho amanhã, você poderia ter me dito tudo quando eu chegasse em casa. — Hinata engatinhou no sofá até se aproximar dele. — Admita que sentiu a minha falta.

Ela apoiou o queixo no seu ombro e ele virou o rosto para ela. A prepotência da sua guarda-costas era perceptível nos seus lindos olhos perolados. Naruto não respondeu nada e aproximou o rosto dos dois.

A provocação de Hinata sumiu junto com a prepotência e o sorriso, assim que ele se aproximou. E ela engoliu em seco com o gesto. O que ele ia fazer?

— Se você quiser um beijo de boa noite vai ter que pedir. — Naruto sussurrou e ela se jogou para trás, batendo a cabeça no braço do sofá.

— Caralho, isso dói.

Naruto sorriu e voltou a sua atenção para o tablet. Hinata, por outro lado, sentindo o seu rosto queimar violentamente, lançou um forte chute na direção da sua mão, que ele segurou com precisão, antes de alcançar o alvo.

— Você vai se machucar. — ele lhe alertou, mas não soltou o seu pé.

Ela virou-se e puxou um travesseiro para o seu braço, tentando se concentrar no filme passando na televisão, em vez da mão quente que ainda segurava o seu pé.

Ela estava chateada e a melhor forma de demonstrar aquilo, era fechando a cara.

No entanto, ela não pode sustentar a sua raiva por muito tempo, o calor no seu pé gelado, o cansaço do exercício de ter limpado toda a sala e esses dois dias de estresse com Sakura, a fizeram fechar os olhos em instantes e ela dormiu alí mesmo, enquanto mentalizava as coisas que iria pegar da cesta de Naruto para comer na manhã seguinte.

Notas finais
O que acharam da dinâmica dos dois? Será que Hinata queria uns beijinhos de boa noite?? Comentem!!!