Guarda-costas
7 Capítulo sete
Notas iniciais
— Ele ainda está te procurando, não posso mentir para ele por muito tempo, minha senhora.
Sasuke falou no telefone, enquanto esperava que terminassem o serviço de limpeza do seu quarto. Ele estava no Bulgari Hotel Beijing um dos melhores do país, mas os assuntos naquele lugar estavam muito além dos determinados pelo seu novo chefe.
Ele estava alí, em ordens de uma segunda pessoa. Kushina Uzumaki.
A voz suave da mulher com quem ele falava, soou no telefone. — A única coisa que eu me tornei para ele, nesse momento, é uma fraqueza. E Nagato não vai hesitar em me utilizar contra ele.
— Mas, ele ainda tem a Senhorita Yumi ao seu lado. — Sasuke ponderou, sentindo o seu coração doer, ao se lembrar da mulher que jurou e falhou proteger. — Ele já a possui e poderia muito bem utilizá-la, em vez da senhora.
Kushina calou-se do outro lado da linha e suspirou. — Yumi não pertence a essa família. Não tem porque qualquer um de nós pensarmos nela como uma fraqueza. Naruto, não é idiota o suficiente para deixar ser usado dessa maneira.
Sasuke não ousou discordar e simplesmente afirmou. — Entendido, senhora.
— Naruto precisa de um tempo para se organizar e diferenciar quem realmente está ao seu lado, depois disso eu vou entrar em contato pessoalmente. — ela decidiu. — Por enquanto, mantenha um olho nele por mim. Você é o único dos antigos subordinados da família que eu realmente confio do lado dele.
— Não sei se é possível vigiá-lo, minha senhora. — Sasuke respondeu friamente. — Ele tem seus próprios planos. E eu não acho que ele pretende contá-los a qualquer pessoal. Muito menos para mim.
— Apenas permaneça ao lado dele e me diga o que ele está fazendo. — ela ordenou. — Não o deixe sozinho e volte assim que você conseguir cuidar do que eu pedi.
— Sim, senhora.
A ligação foi cortada e logo uma voz feminina alcançou os seus ouvidos.
— Senhor, o quarto já está pronto. Deseja mais alguma coisa?
Sasuke olhou para a pessoa atrás dele pelo reflexo da janela. A sua camareira. Ela possuia um cabelo negro e liso, uma figura bonita e um rosto inocente que não combinava em nada com a forma como ela estava olhando para ele.
Em qualquer outro dia, ele teria aceitado o implícito convite de sexo, mas hoje não era um desses dias. Conversar com aquela mulher tinha sempre o efeito de fazer a sua cabeça doer e trazer a tona velhas mágoas.
— Não. Apenas isso. Muito obrigado.
A mulher saiu sem dizer qualquer outra palavra.
Assim que a porta bateu, Sasuke imediatamente sentiu o peso da sua amargura em meio ao silêncio ensurdecedor do quarto.
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— A senhora acha que ele vai ficar na dele? — Uma bonita menina perguntou para a distinta senhora sentada no seu camarim.
Aquele não era um lugar que habitualmente recebia pessoas importantes como aquela, mas aquela senhora havia sido sua companhia por duas semanas.
— Ele é fiel a família. Vai fazer o possível para proteger o Naruto em sua posição de direito. Para isso ele não pode permitir que meu filho se aproxime de mim. Essa seria a decisão mais acertada.
— Ele não parece confiar muito na senhora.
A mulher sorriu sem humor. — E quem confia, Ino?
Ino terminou de passar o batom vermelho e se preparou para a sua performance. Ela era uma das dançarinas exóticas mais famosa de toda a Tokyo. Uma posição que ela herdou da mulher que conversava casualmente ao seu lado.
Kushina havia sido uma das mulheres mais poderosas no mundo do entreterimento, conseguindo a sua fama desde muito jovem como dançarina profissional. Até que ela se apaixonou por um membro de máfia e se casou com ele.
Depois disso, ela se casou com o chefe da máfia e tornou-se o que era hoje.
Ino tinha o desejo de ser como ela. Mas não acreditava que tinha o sangue frio para alcançar tal patamar. Ou a beleza necessária para seduzir o bonito novo herdeiro da poderosa família que comandava simplesmente metade dos negócios legais e ilegais de toda a ásia.
Naruto Uzumaki era muita coisa para a sua bonita bolsa de grife.
— Eu confio na senhora. — Ela disse com um sorriso astuto no rosto. — Por isso estou aqui.
Kushina sorriu novamente, dessa vez, um pouco mais a vontade. O seu rosto ficava bem mais bonito quando ela sorria dessa forma. Ela parecia livre de uma forma que uma senhora da máfia jamais seria na vida.
— Você vai subir muito ainda com essa boca doce, Ino. Apenas espere a sua vez.
— Será que você me apresentaria o seu filho? Talvez ele consiga me transformar em uma senhora respeitável.
Ino levantou-se da cadeira. O seu corpo era voluptuoso coberto por algumas penas de ganso que eram adereços da sua performance da noite. Ela colocou uma máscara que cobria todo o seu rosto e deu uns últimos retoques no seu cabelo.
Kushina havia se calado e Ino sentiu necessidade de retirar o que havia acabado de dizer.
— Você sabe que eu estou brincando, Kushina. Eu não vejo o Naruto desde que ele era um adolescente e não parava de olhar os meus seios. Quais são as chances dele se interessar por mim.
Kushina permaneceu com a expressão séria e impenetrável, observando os seus dedos no mesmo onde antes havia uma aliança.
— Se ele se apaixonasse por você, seria uma das minhas mais secretas alegria. — ela disse, surpreendendo Ino. — Pelo menos assim, você poderia me ajudar a voltar a conviver com ele por mais de dez minutos em uma mesma sala. Mas, você não tem a capacidade de fazê-lo se apaixonar.
— Não sei porque você insiste em acreditar que ele te odeia. Ele sempre foi louco por você, não acredito que isso tenha mudado.
Kushina pôs um sorriso triste no rosto. — Foi é a palavra chave.
Ino conseguiu se surpreender com a tristeza que escutou na voz daquela mulher de ferro. E se lembrou de um antigo ditado que cansou de escutar na sua terra natal “Uma mãe tinha uma fortaleza imbatível, quando se tratava de cuidar da prole. Mas quando era o filho que a atacava a sua fortaleza era da fragilidade de uma pétala de rosas.”
— Bom… Já que eu não tenho a capacidade de amarrar o seu amado filho. Que mulher você acha teria?
— Uma pessoa poderosa o suficiente para me enfrentar cara a cara.
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Hinata sorriu para o espelho observando o seu terno novinho em folha. Ela havia recebido naquela manhã, embrulhado em um presente com um cartão de nada mais nada menos que de Uchiha Sasuke.
E ele coube perfeitamente no corpo dela. Nenhum tecido a mais, nenhum tecido a menos!
Ela se sentiu encantada, porque aquela era a primeira vez que ganhava uma roupa que não fosse do seu pai ou de alguém do seu trabalho.
Sasuke não contava como alguém do trabalho certo?
Ela sorriu mais uma vez no espelho colocando um pouco de gel no cabelo. Hoje era o dia do evento especial de Naruto e nada justificava que não ela tomasse os mínimos cuidados com a sua aparência. Pela imagem da empresa, claro. Não que ela estivesse pensando em tirar um foto com a roupa nova e enviar para Sasuke.
Ela pegou o celular se colocou na sua melhor posição e tirou uma foto.
Já eram oito horas da noite, então ela rapidamente terminou de se arrumar. Pegou sua calibre .38, colocou no coldre atrás das costas e mais duas facas em cada uma das mangas do seu paletó. Pronta para trabalho!
Saindo do seu quarto/despensa e indo em direção a sala, ela observou cerca de dez pessoas todas vestidas em ternos pretos luxuosos e parados na beira da escadas. Nenhum deles pareceu reconhecer a sua presença, exceto pelo mais velho que se aproximou e curvou-se na sua frente em saudação.
Como ele era mais velho, ela rapidamente fez o mesmo.
— Senhorita, Hyuga. — ele disse com um sorriso no rosto. — Soube que a senhorita tornou-se guarda-costas pessoal do senhor Uzumaki.
Hinata olhou para todos os homens na sala. Aquilo parecia estranhamente com um filme do poderoso chefão e não com a segurança de uma pessoa que iria apenas em um jantar de negócios. — hum… Sim.
— A senhorita será a única que acompanhará o senhor Uzumaki no jantar, mas nós estaremos nos arredores para qualquer emergência.
Ele lhe entregou um ponto eletrônico e um botão do pânico, muito utilizado em missões de proteção de grande escala. Ela já havia participado de algumas, por ser mulher as pessoas ficavam mais confortáveis ao seu redor, por isso sempre era escolhida para ficar próxima a pessoa que estava protegendo.
— Que tipo de emergência pode ocorrer em um jantar de negócios, Yamato?
Naruto estava descendo as escadas com um Black-tie impecável que o deixava com uma aparência elegante e distinta, muito diferente da pessoa que Hinata conhecia. O seu cabelo loiro estava bagunçado, mas, ainda assim, combinava perfeitamente com os olhos azuis e o leve divertimento na sua expressão.
Naruto ignorou cumprimento dos guardas que se curvaram quando ele passou e se aproximou de Hinata, a olhando de cima para baixo. — Quem que te transformou em um penguin?
— Lá vem você com os animais de novo.
Naruto sorriu e olhou uma mancha roxa no nariz dela que ele mesmo havia causado na noite passada. O seu antebraço também doía pela sucessão de golpes que ela havia lhe dado, enquanto ele se defendia.
— Pelo menos você parece um pouco descente hoje, mesmo que… Nada feminina.
Hinata fez uma cara feia e suspirou audivelmente soprando o cabelo da sua testa em uma atitude desafiadora. — Você falando de decência?!
O corpo de Yamato ficou momentaneamente tenso com a resposta de Hinata. Mas, Naruto lhe lançou um olhar rápido de advertência que impediu qualquer movimento que ele planejava fazer.
Yamato fez uma reverência ao seu chefe e se afastou dos dois.
— Quem conhece a indecência, sabe distinguir perfeitamente o seu oposto.
Hinata o olhou com cara de pouco amigos, mas mudou de assunto, sussurrando em volume o suficiente para apenas Naruto escutar. — Porque tantas pessoas para te proteger hoje? Aqui tem mais proteção que uma missão de escolta em guerra.
— Os negócios são uma guerra, pirralha. — Naruto respondeu no mesmo volume e olhou para o Yamato o chamando para outra sala.
— Porque tantas pessoas. A ideia era passar despercebido, mas até aquela idiota percebeu que tem algo errado.
— Recebemos informações que Nagato movimentou uma grande quantidade de pessoas para esse reunião.
— E você pretende levar esse batalhão me escoltando para um restaurante movimentado no centro da cidade para jantar com a minha irmã e o seu marido?
Yamato permaneceu em silêncio. Ele sempre havia sido o responsável pela proteção do chefe, mas naquele momento ele estava sendo deixado de escanteio em prol de uma menina que não deveria ser mais velha que a sua própria filha.
Ele adoraria saber o que o Naruto estava planejando, mas não era seu lugar interferir nas decisões do chefe.
— Mantenha-se próximo do restaurante. E movimente-se apenas se eu der um sinal. Não quero toda essa escolta atrás de mim.
Yamato assentiu e juntos saíram para a reunião de negócios.
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