Guarda-costas

8 Capítulo oito


Notas iniciais
Boa leitura!

O jantar foi realizado no restaurante Hatt, no centro da cidade de Tokyo. Quando se falava em gastronomia moderna, nada era mais recomendado do que aqueles pratos, atraindo todo o tipo de turistas e habitantes locais da Ásia.

Era um legítimo cinco estrelas.

Uma bonita atendente observou quando Naruto entrou no restaurante e, com ele, uma menina que parecia muito com um adolescente em fase de puberdade vestindo um terno bastante caro, mas que combinava perfeitamente com a sua figura.

Os dois não falavam um com o outro. A menina muito ocupada olhando ao redor e ele com um rosto sedutor que analisava pessoas e lugares como um criminoso sendo perseguido. Ela conhecia aquele olhar calculista e cuidadoso, porque muitos dos que ela caçava possuia a mesma forma de prestar atenção a cada mínimo detalhe.

E, obviamente, ela também sabia quem era ele.

Naruto Uzumaki, você finalmente apareceu! A atendente abriu um sorriso educado e seguiu em sua direção, parando na sua frente com um leve cumprimento.

— Senhor Uzumaki, a sua mesa está em um local mais privado, me acompanhe, por favor.

Ele nada comentou e a seguiu por um corredor de salas privadas dentro do restaurante. Aquele era um lugar onde eram realizadas diversas reuniões de negócios sejam legítimos ou ilegais. O que havia chamado a atenção da polícia a muito tempo.

Também era por isso que ela estava infiltrada como uma atendente naquele restaurante por mais de um ano.

A sua missão era até bastante simples. Observar a movimentação das duas famílias de máfia local que viviam em guerra constante. A família Uzumaki e a Nagato. O plano era escutar as conversas que aconteciam tipicamente naquelas salas e repassar as informações para a Anbu, departamento de espionagem da Interpol.

Obviamente, que o foco da sua missão havia mudado logo que a agência descobriu que o chefe Uzumaki havia morrido e que o seu herdeiro havia voltado do exterior para tomar o lugar do seu antecessor.

Segundo os dados da Interpol, Naruto Uzumaki herdara a posição de chefe, mesmo não sendo filho legítimo. O que levantou bastante questões sobre um conflito interno dentro da família, desencadeado, principalmente, pelo escandaloso casamento da legítima herdeira, filha do falecido Uzumaki, com o herdeiro da família inimiga.

A mesma família inimiga que hoje Naruto se encontraria.

Essa família tinha dramas o suficiente para criar seu próprio compilado de soap opera e ela ficaria mas que feliz em ser encarregada em descobrir todos os podres deles, mas nada daquilo atraia o imediato interesse da Anbu.

No entanto, os caminhos que Naruto tomaria ao efetuar os seus negócios dalí para frente, sim.

O destino de mais da metade dos negócios escuso de Tokyo estava na mão daquela pessoa, da qual ninguém realmente sabia o que esperar. Ele poderia facilmente escolher continuar com caminho do tio e limpar os negócios da família ou seguir o caminho oposto e se aliar ao marido da irmã para conquistar as gangues menores. Criando um monopólio de poder.

Se fosse o último, ambas as famílias deveriam ser derrubadas rapidamente. Com fogo total.

— Por favor, entrem! O Senhor e Senhora Nagato chegaram em instantes.

Naruto sorriu para a atendente e agradeceu gentilmente. Enquanto a menina ao seu lado assentiu com um leve sorriso no rosto. Ela logo lhe deu as costas e começou a observar os arredores, principalmente próximo as janelas, fechando cada uma das cortina e parando no canto escuro da sala.

— O senhor deseja beber alguma coisa?

— Quero um uísque, por favor.

A atendente saiu deixando os dois sozinhos na sala.

Naruto olhou ao redor, achando estranha a localização que Nagato havia escolhido para a sua reunião de família. Pela visão geométrica que ele possuia do prédio, aquele era um lugar de alcance privilegiado para qualquer um que estivesse do lado de fora.

Haviam prédios por todo o redor, o que abria possibilidades de alguém do lado de fora monitorar as atividades de quem entrasse ou saísse daquele ambiente. Ele duvidava muito que Nagato que tivesse escolhido um lugar tão óbvio.

O que muito provavelmente significava que alguém mais estava participando dessa reunião nas escusas e sem ser convidado. Quem teria coragem o suficiente para espionar a reunião de dois chefes da máfia?

E o que eles achavam que eles fariam, conversariam sobre os seus próximos crimes um um lugar tão pouco seguro?

— Por que você fechou a janela, pirralha? — ele perguntou olhando as duas cadeiras na sua frente, a espera dos seus convidados.

— O seu cunhado escolheu um lugar muito aberto. Pode ter reportés do lado de fora e é impossível observar todos os cantos.

Naruto sorriu para si mesmo. Se até mesmo ela havia percebido a fragilidade do lugar… Ou talvez a pirralha fosse realmente eficiente nesse trabalho.

— Pode deixar algumas abertas, não vamos estragar a paisagem dos nossos convidados.

Ela não se mexeu. — E se alguém te fotografar? Você quer ser novamente estampado na capa de uma revista e provocar outro escândalo essa semana?

Naruto se virou e ofereceu uma piscadela para Hinata. — Você viu a capa? Eu achei que fiquei maravilhoso nela. — ele brincou. — Mesmo assim, abra algumas janelas.

Ela não mais questionou, moveu-se e abriu as únicas janelas na qual ela poderia ficar de olho do lado da parede onde estava encostada.

— Tente não fazer nada indecente. — Hinata olhou seriamente para ele. — Eu não quero ter que explicar novamente para o meu chefe porque você se meteu em confusão.

— Que tipo de indecência eu poderia cometer com a minha irmã na mesma sala?

— Não imaginei que isso poderia ser um empecilho! — Hinata sussurrou.

A bonita atendente voltou com uma garrafa de Uísque e alguns copos com gelo. Ela o serviu e se moveu para deixar um copo ao seu lado, mas Naruto ignorou completamente o copo e segurou o seu pulso quando ela se aproximou.

Naruto sentiu nos seus dedos como o pulso dela acelerou e observou que a sua risonha feição se transformou em surpresa e um pouco de medo. Percebendo a reação, mas não deixando transparecer, Naruto sorriu de forma espetacular e sedutora, descendo o olhar para a altura dos seus seios.

— Shizune… — ele leu o seu nome na lapela da sua camisa. — Que horas você sai hoje a noite?

Ele escutou o bufo vindo das suas costas e ignorou, observando enquanto a mulher na sua frente recolhia a mão e deixava a bebida ao seu lado.

— Desculpa, senhor.

Naruto a viu se retirar envergonhada e seu sorriso sumiu assim que percebeu que aquela mulher era bem mais do que aparentava. Ele olhou para trás e encontrou o olhar reprovador de sua guarda-costas.

— Você não perdoa ninguém, não é? Se tiver repórteres do lado de fora, amanhã a primeira manchete será que você assediou uma atendente de restaurante.

— Cuidado, pirralha, dessa forma, eu vou pensar que você está com ciúmes.

Urgh! Ciúmes?

— Por favor, vá sonhando!

Não muito tempo depois, a porta se abriu e novamente apareceu a atendente, mas dessa vez ela não estava sozinha. Atrás delas estava um homem e uma mulher.

O homem possuía cabelos alaranjados e estava vestido em um impecável terno preto, o seu rosto era marcado com piercings e tatuagens, o deixando com um aspecto grotesco e intimidador. Mais atrás, havia uma mulher de aparência completamente antônima ao homem na sua frente. Ela tinha lisos cabelos loiros e uma estatura delicada coberta por um vestido rosado de rendas.

Qualquer um que a observasse daquela distância, pensaria que estaria diante de um anjo. Linda, delicada, inocente, altiva. Mas, os olhos de alguém que conhecia a verdadeira personalidade daquela mulher, saberiam notar os ombros caídos, a hesitação em seus olhos e o sorriso falso grudado nos lábios.

Também era possível notar a mancha roxa ao lado da boca que estava sendo coberto de forma falha pela maquiagem.

E foi naquele lugar que os olhos de Naruto travaram.

Seus pulsos se fecharam com violência por baixo da mesa, entretanto o seu sorriso não saiu um centímetro do lugar e os seus olhos permaneceram insondáveis.

— Naruto! — Yumi chamou delicadamente, mas Nagato não permitiu que ela viesse mais a frente.

Naruto percebeu a sutil indisposição entre os dois, mas deixou passar. — Minha linda irmã! Como está?

Ele perguntou de longe, a voz fria que não remontava a um irmão que passou anos sem olhar irmã adotiva. Nagato puxou o braço de sua esposa e a levou para o canto oposto da mesa, o mais longe possível de Naruto. Enquanto, os três guarda-costas de Nagato se organizavam parados ao lado das janelas abertas.

— Não acredito no quanto você mudou, Yumi. Realmente se tornou uma mulher.

Dessa vez, Yumi sorriu genuinamente.

— Do que você está falando? — ela disse brincalhona. — Você que mudou bastante, ainda lembro do quão magro era, você não?

Ele bateu a língua parecendo contrariado. Ele mal se lembrava da época em que era apenas um adolescente magricela que não possuía drama nenhum na vida.

— Então, quer dizer que você se casou? — ele perguntou. — Meu convite deve ter sido perdido nos correios.

Yumi remexeu-se na cadeira, sentindo-se desconfortável. Ela olhou para Nagato que continuou calado, ocupado demais, observando cada gesto do Uzumaki. — Não era como se você fosse vir. Nem o papai fez isso.

Naruto tentou imaginar o seu tio, entrando na casa de um Nagato para entregar de mão beijada a filha traidora no altar. Sem dúvidas ele preferiria a morte do que aguentar aquele ato de traição. Da mesma forma, como o próprio Naruto agiu quando descobriu que a sua mãe havia se casado com o seu tio.

— Você não pode culpar ninguém sobre isso Yumi. Foi você que escolheu a sua posição.

Yumi estremeceu com aquelas amargas palavras e o sorriso genuíno do seu rosto desapareceu. Ela não mais continuou a conversa e Naruto se sentiu irritado ao perceber que ela não havia rebatido com o seu habitual tom de superioridade, como ela sempre fazia quando eles eram pequenos.

— E ela escolheu muito bem. — Nagato falou pela primeira vez, pegando a mão de Yumi e beijando os seus dedos.

— Nagato… — Yumi sussurrou apreensiva.

Naruto percebeu que Yumi parecia desconfortável com a aproximação de Nagato. Não que fosse inesperado, aquele idiota era um abusador desde pequeno, e ele não era otimista o suficiente para imaginar que ele trataria a sua esposa diferente.

Muito menos uma esposa filha da casa inimiga.

— Soube que você chegou no exterior e já voltou a antiga vida de farra, Naruto. Está em todos os tablóides.

Naruto sorriu ironicamente. — Não vamos conversar como se fossemos velhos amigos, Nagato. Por que não somos… — Ele bebeu o seu uísque, sentindo arder na sua garganta e Nagato perdeu a expressão amistosa do rosto. — Eu vim aqui apenas ver o show que você estava planejando fazer, usando a minha irmã. Eu sei que isso funcionou muito bem com o meu tio, quando ele ainda estava vivo. Queria saber se o truque funcionaria comigo também.

Nagato sorriu também. — Não se faça de superior, Naruto… Pelo que eu me lembre você sequer pertence a primeira linha da família Uzumaki. Yumi deveria ter recebido o título de chefe, mas acho que a sua mãe fez um bom trabalho abrindo as pernas… Bom o suficiente para fazer aquele velho esquecer a própria filha!

— Nagato! — Yumi puxou a mão de Nagato, mas ele a ignorou. Naruto continuou a saborear a sua bebida sem sequer piscar os olhos.

— Eu não vou discordar quanto a isso. — ele respondeu.

Os olhos de Nagato se aguçaram com a apatia de Naruto. Quando eles marcaram aquela reunião, ele esperava encontrar a mesma criança mimada, irritante e odiosa que ele havia sido na adolescência.

Uma pessoa que não aguentava insultos e pensava em si próprio como superior a qualquer coisa. Ele achava que iria se divertir expondo a sua Yumi para que ele visse a quem ela pertencia agora, mas não esperava que se depararia com uma pedra de gelo que poderia inclusive rir com os insultos jogados contra a própria família.

— Então, por que você me chamou aqui? Não creio que tenha sido pela comida.

Naruto abaixou a bebida e apoiou o braços na mesa. — Hum… Sasuke Uchiha disse que essa deveria ser uma conversa de cavalheiros. Mas, eu acho que ele se importa mais com a Yumi do que qualquer um de nós.

Yumi permaneceu silenciosa, enquanto olhava apreensiva os dois homens ao seu lado.

— O que você quer?

— Muito simples… — Naruto disse sério. — Eu quero que em uma semana você e todos os seus negócio estejam fora do meu território. Eu não quero ver nem uma sombra da sua gente pisando no que é meu!

Notas finais
Comentam, favoritem e recomendem, por favor, é importante para mim como autora!