Guarda-costas

86 Capítulo oitenta e seis


Notas iniciais
Mil perdões pela demora! Não era a intenção, mas só agora consegui terminar de editar! Espero que gostem!

Naruto jogou o telefone do outro lado da sala, na parede, com o máximo de força que conseguiu. O aparelho se espatifou no chão e Jiraya rapidamente segurou o seu braço quando ele tentou socar a mesa de vidro.

Ele não tinha qualquer controle sobre si mesmo naquele momento. Tudo que ele sabia era que Hinata tinha ido embora. Simplesmente, ido. Por quê?

Naruto começou a andar de um lado para o outro. Ele tinha recebido a notícia da fuga duas horas atrás e mesmo com todo o tempo que teve para se acostumar com a ideia, ele ainda não conseguia acreditar no que estava acontecendo.

Hinata estava desesperada, ele sabia disso. Tinha até mesmo entendido a necessidade que ela tinha de ficar sozinha, no seu antigo apartamento, mesmo que ele não quisesse que ela deixasse o seu lado.

Ela tinha perdido a melhor amiga, a única pessoa que tinha em Tókyo, aquilo poderia deixar qualquer um desesperado, principalmente, porque Naruto não tinha ideia de como era a relação de Hinata com a sua família de sangue, até onde ele conhecia, Hinata poderia até mesmo ter uma relação com os seus pais piores do que a que ele mesmo tinha com os seus.

Talvez ele tenha entendido errado as necessidades de Hinata... Talvez respeitar o espaço que ela queria teria sido a coisa errada a ser feita... Talvez ela correu atrás de consolo de alguém que ele não tinha ideia quem era...

Eram tantos ‘talvez’ que corriam em seus pensamentos que estavam o deixando doente.

Ele continuava criando cenários para entender se haveria alguma justificativa para ela ter simplesmente desaparecido, sem deixar qualquer recado. Sem qualquer telefonema, bilhete ou um ‘adeus’ que fosse.

Algo tinha acontecido com Hinata desde a última hora que eles se falaram, quando ele a deixou na porta do seu apartamento. Ele também havia deixado vários seguranças nas saídas de emergências e principais, porque ele sentia que tudo o que tinha acontecido com a Sakura não havia sido mera fatalidade.

Naruto também investigou incansavelmente cada um dos passos que Sakura havia tomado nas últimas semanas. Ele havia perguntado e interrogado todos os seguranças que ele havia pedido para cuidar da rosada, todos os amigos mais próximos, as pessoas com quem ela trabalhava... Mas ele não conseguiu obter nada, sempre recebendo as mesmas respostas de diferentes pessoas.

Nada suspeito aconteceu, senhor.

Ela vivia da casa para o trabalho, senhor.

Ela costumava sair apenas para o trabalho e não tinha amigos, senhor.

Nada apontava para alguma coisa que pudesse ter levado ao final trágico dela, o que o deixava cada vez mais preocupado. Ela queria conversar com ele naquele dia, mas não conseguiu. Será que tudo aquilo tinha haver com ele?

Naruto balançou a cabeça com força, expulsando uma nova onda de pensamentos frustrantes, ele não tinha tempo de se preocupar com a morte de Sakura agora, apenas Hinata.

Para isso, ele precisava pensar racionalmente em cada um dos seus próximos passos.

As pessoas que vigiavam Hinata não haviam visto nada de estranho, enquanto guardavam os pontos de saída do prédio. Segundo eles, ela não havia passado por eles e não havia saído pela porta principal, o que restava apenas uma opção para a sua fuga, ela provavelmente saiu pelo apartamento do vizinho, pulando de um prédio ao outro.

A distância entre os prédios não era grande e facilmente uma pessoa poderia pular de uma varanda para outra. Ele havia percebido aquilo a muito tempo atrás, enquanto observava as fraquezas que o prédio possuía e que dificilmente evitaria uma invasão.

O problema de tudo isso, era que mesmo se ele conseguisse elaborar a rota de fuga que foi utilizada por Hinata para sair do prédio sem ser observada pelos guardas, ainda ficava o maldito questionamento do porquê.

Hinata poderia facilmente pedir que um dos seus homens a levassem para qualquer lugar. Mais que isso, ela não devia satisfação para ninguém e poderia muito bem ir onde quisesse, a única coisa que os seguranças fariam seria seguí-la para comprovar que tudo estava bem.

Então, o que restava de explicação era que Hinata não queria que ele soubesse o que estava fazendo.

A porta do seu escritório se abriu e Shikamaru entrou rapidamente. A sua expressão não era boa como de costume. Com tudo o que seus homens haviam passado nos últimos dias, a expressão de ninguém estava para brincadeira.

— Senhor Uzumaki. — Shikamaru disse enquanto colocava-se para a sua frente. Se ele percebeu a destruição do seu escritório, bem como o celular jogado no chão, ele não demonstrou.

Naruto decidiu sentar-se no sofá, o seu estado de agitação não era uma coisa que ele tinha orgulho. Como líder de sua família, herdeiro de uma fortuna imensa, além de chefe de todos aqueles homens e mulheres que estavam sempre sua disposição, ele não podia se permitir desabar dessa forma.

— Senhor, nós procuramos em todos os lugares e não a encontramos. Procuramos nas casas das pessoas mais próximas, de seguranças da empresa ou de qualquer outra pessoa que ela possa ser um pouco familiarizada. Ainda assim nada.

— E os vizinhos? Alguém reclamou de arrombamento, roubo qualquer coisa do tipo?

— Dois vizinhos chegaram a reclamar de arrombamento. Um deles era uma senhora, vizinha de Hinata e o outro era um proprietário do prédio contiguo. Parece que Hinata enganou todos os guardas pulando de um prédio para o outro e saindo pelo segundo prédio. Infelizmente, não tínhamos como prever que ela faria tal coisa. Além disso, procuramos qualquer pista no seu apartamento e não havia nada que parecesse suspeito.

Naruto olhou para cima pela primeira vez, quando percebeu que Shikamaru de repente se calou. Se tinha uma coisa que Naruto sabia como fazer, era ler a feição de seus funcionários e havia algo que Shikamaru estava hesitante em lhe contar.

— Diga, Shikamaru! Se você tem algo a dizer apenas diga.

O homem abaixou a cabeça e começou tocar na sua testa, preocupado.

— Quando realizamos a busca, fomos pesquisar sobre a entrada e saída de veículos nas ruas, táxis e qualquer outra forma que ela poderia ter utilizado para fugir de nós e não achamos nada. Então, ampliamos a busca e encontramos uma pista na base de dados do Aeroporto Internacional de Tóquio, segundo o sistema, Hinata embarcou para a Europa algumas horas atrás.

Naruto levantou novamente do sofá e pela primeira vez naquela noite ele sentiu um pouco de alívio. Hinata nunca partiria para um lugar desconhecido, sem saber a língua, sem ter os documentos de visto.

Ela não havia calculado bem esse movimento e as suas intenções estavam claras como o dia.

Aquilo era uma distração. Ela estava tentando conseguir algumas horas de vantagem, para fazer seja lá o que pretendia. Ele não podia deixar que isso continuasse, porque a cada momento, Naruto sentia que ela estava caminhando ainda mais para uma zona perigosa.

— Esqueça essa viagem, ela está tentando apenas fazer com que eu perca meu tempo caçando-a em outro país. — Naruto começou a andar de um lado para outro. — Faremos o seguinte, comecem a procurar novamente qualquer pessoa que possa ter entrado em contato com Hinata, quem ela possa confiar. Procurem saber se alguém de sua família está na cidade, talvez ela tenha isso se acolher com eles. E, principalmente, procurem por pessoas dentro da nossa própria família... Hinata não tinha muitos amigos, mas ela conhecia muita gente. Façam isso, silenciosamente.

Shikamaru e Jiraya se entreolharam, mas não falaram nada. Nenhum deles acreditavam que Hinata ainda pudesse estar em Tóquio, então tudo aquilo parecia uma grande perda de tempo.

Naruto foi até o seu casaco e o vestiu. Jiraya levantou as sobrancelhas e questionou:

— Onde vai?

Naruto simplesmente o ignorou. – Façam o que eu mandei e me mandem uma mensagem. – Naruto pegou outro celular da gaveta da sua mesa. – Mandarei o meu número para vocês.

— Talvez, eu deva ir com o senhor. – Shikamaru pediu, mas Naruto apenas balançou a cabeça e saiu.

Naruto sentia firmemente em seu coração que ele sabia onde Hinata estava, porque só havia uma pessoa onde Hinata de fato poderia ir, sem levantar suspeitas e muito menos sem ser dedurada. E apenas uma pessoa que ela pediria ajuda.

Naruto tentou abafar o desconforto no estômago, apenas imaginando que Hinata poderia ter confiado em Sasuke, em vez dele.

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Hinata percebeu o sangue, mas aquilo estava bastante distante de lhe incomodar. Em um dia normal, talvez até mesmo ontem, ela estaria desesperada em ver qualquer tipo de machucado naquela pessoa, mas ela já não sentia nada.

Ela estava com raiva. E ela não confiava mais nele.

Sasuke Uchiha se inclinou na sua barriga, ele havia levado um tiro no estômago e a dor parecia ser excruciante para ele. Ele gemeu angustiado e cobriu o ferimento do tiro com a própria mão.

— Que porra foi essa? – Ele gritou para ela.

Hinata sorriu, sentindo-se satisfeita com o seu trabalho. Se ela pudesse, ela apontaria a arma na cabeça dele e faria o que estava querendo fazer, mas ela não podia, ele tinha informação que ela queria, além de que Naruto deveria ser a pessoa a acabar com a vida daquele traidor.

— Você fica rodeando a porra do assunto e não percebe que eu estou com pressa. – Hinata abaixou a arma e voltou a sentar em frente a ele, assistindo enquanto ele agonizava em seu ferimento. – Talvez esse tiro lhe dê algum senso de urgência, porque ou você me diz onde está Kushina Uzumaki ou você vai sangrar até a morte.

— Hinata, eu...

— Chega, só me diga o endereço e eu prometo que não vou te matar e vou até mesmo aproximar o telefone de você para você não ter que rastejar até ele... Olha como eu sou uma boa pessoa!

Sasuke a olhou e a boca dele se esticou em um sorriso irônico.

— Eu sabia que no fundo você era um tanto psicopata, Hinata. Naruto não escolheu errado.

— Para de enrolação, meu deus! – Hinata se estressou e gritou com ele. – Será que eu tenho que atirar de novo para você abrir a boca?

Sasuke continuou pensando, apesar da dor que sentia. Era como se ele, ainda naquelas condições, continuasse matutando se aquilo seria bom ou ruim para ele. Hinata gostaria de aprender a se manter calma daquela forma, mas ela não era assim.

Ela era impaciente. E ela sentia que o seu truque da viajem poderia ter facilmente ido por água abaixo. Se sim, ela tinha apenas algum tempo, antes de Naruto chegar chutando a porta e impedir o que ela planejava.

Hinata levantou a arma mais uma vez e dessa vez atirou no braço que ele tentava estancar o seu ferimento. O projétil tocou nos bíceps e, dessa vez, ele caiu da sua confortável poltrona para o chão.

Hinata se aproximou e apontou para a cabeça dele.

— Está com pressa agora?

— Naruto está para chegar. – ele disse. Uma golfada de sangue saiu de sua boca. – A única pessoa com pressa é você.

Hinata suspirou e começou a andar de um lado para o outro. Ele não falava de jeito nenhum e, a esse ponto, ela não acreditava que ele delataria o lugar que ela queria, não sob tortura. Ele precisava de outro incentivo.

— O que você quer?

— Hum... – Sasuke sorriu de novo. – Parece que agora estamos conversando.

Hinata bufou desgostosa com tudo aquilo. – É incrível como a sua vida não vale nada para você... – ela resmungou. – Por mim tudo bem, cada um escolhe quando morre e quando vive, mas pare para pensar no seu irmão.

Aquilo chamou a atenção de Sasuke o suficiente para o sorriso desmanchar no seu rosto. Ele agora estava prestando atenção nela.

— Eu encontrei com ele na reunião. – Hinata parou se caminhar e olhou diretamente nos olhos negros de Sasuke. O seu rosto estava pálido pela falta de sangue e ele parecia lívido com as coisas que ela estava contando.

— Cala a boca! — ele disse fracamente.

— Por incrível que pareça, ele quer te ver. – Hinata sorriu ironicamente. – Talvez ele esteja tarde demais para isso.

— Itachi jamais falaria algo assim...

— Bom... Não apenas ele disse, como ele também fez negócios recentes com Naruto e Gaara. Agora me diga, Sasuke, por que o seu irmão tentaria fazer qualquer negócios com Naruto se ele não estivesse querendo se aproximar de você?

Sasuke ainda sério pareceu raciocinar mais um pouco e uma nova onda de tosse lhe assaltou. O sangue saia pelos seus lábios de forma ainda mais severa.

— Você ficou boa com o jogo de palavras, Hinata. Com a pontaria também.

— Claro, meio que eu estou aprendendo assistindo um monte de cobra pular no pescoço um do outro... Mas agora que nos desviamos do assunto novamente, me responda, onde está Kushina.

— Ela não é o inimigo, Hinata... – ele disse de novo. – Tudo o que aconteceu com Sakura foi estranho demais para ser obra dela. Enfim, ela não me importa nenhum pouco, mas eu quero que você me responda, você vai matá-la?

Hinata observou como os olhos de Sasuke começavam a se desfocar. Ela precisava das suas respostas, porque ele estava morrendo e rápido.

— Não. – ela respondeu.

Sasuke levantou a sobrancelha suspeitosamente. — Tem certeza?

— Não.

— Bom, pelo menos não é uma mentira. – Sasuke sorriu dessa vez de forma um pouco gentil. Da mesma forma, como ele costumava sorrir para ela antes. – Então, eu vou pedir o que eu quero de você.

— Fala logo.

— Outro tiro. – ele respondeu.

Hinata o olhou seriamente. Ele realmente queria morrer.

— Será um prazer.

Notas finais
Próximo capítulo do domingo! Não mudamos a data de postagem! Comentem o que você acharam da Hinata meio psicótica! kkkkkk