Guarda-costas

2 Capítulo dois


Notas iniciais
Tenham uma excelente leitura!

— Não quero ela como meu guarda costas, Sasuke. Tire isso da sua cabeça.

Naruto olhou para o homem na sua frente, enquanto tirava a roupa que cheirava estranhamente a vômito. Ele estava com raiva de tudo, nesse momento, principalmente porque o idiota que ele queria matar havia fugido com toda a confusão que a pirralha havia causado. Porque ela havia pulado nele, afinal de contas? Será que eles trabalhavam juntos?

Pelo visto não, porque aparentemente ela trabalhava para ele.

— Isso não tem como, meu amigo. Ela já foi contratada. – Sasuke respondeu, sentando-se no sofá do escritório principal do clube Lacoste. Aquele era um dos lugares mais caros da cidade e naruto era o seu proprietário, mesmo que a administração ficasse a cargo do seu amigo. – Além disso, você mesmo disse que preferia trabalhar com uma mulher.

— Você chama aquilo de mulher?

Tirando a camisa, Naruto sentiu uma onda de dor atacar o seu ombro. Se aquela menina tivesse conseguido concluir a chave de braço, o seu braço estaria deslocado nesse momento. O espelho também mostrava que as marcas vermelhas nas suas costela já começavam a ficar roxas.

Seu rosto também estava coberto de sangue e havia cortes espalhados pela sua cabeça, testa e lábios. Desgraçada!!

— Meu Deus, Naruto, isso foi uma surra e tanto! — Sasuke prendeu o sorriso, sabendo que sorrir nesse momento não era aconselhável.

— Ela teve sorte que eu não a matei, mas eu vou resolver isso em segundos.

— Ela já foi para casa. Eu mandei seu motorista levá-la.

Naruto lhe lançou um olhar assassino e permaneceu em silêncio. Apesar dos seu mau humor, ele já encontrava-se bem mais calmo que antes. Ele não queria admitir, mas a luta provavelmente havia diminuído o seu temperamento de fogo.

— Eu disse que ela começaria próxima semana. – Sasuke continuou — Tempo suficiente para ela estudar o seu perfil.

— Eu já disse que não e eu não gosto de me repetir, Sasuke.

Naruto continuou a cuidar dos seus ferimentos, enquanto o amigo suspirava audivelmente.

— Você não está mais nos Estados Unidos, Naruto. Você veio para cuidar dos negócios do seu pai e se manter limpo. As pessoas precisam vê-lo como um empresário e não como um membro de máfia! — Sasuke deu um novo trago no cigarro, esperando colocar um pouco de luz na situação. — Você mesmo disse que era necessário montar uma imagem de empresário playboy para a imprensa e para os inimigos da família. Para isso você vai precisar de um guarda-costas. A empresa que ela trabalha é especialista em celebridades e pessoas importantes. O que aumentaria a sua credibilidade. Além disso, ela só iria se livrar das mulheres que vivem no seu pé. Perfeito!

— Eu não disse para você demitir a empresa. Eu disse para você demitir ela.

Naruto olhou para o seu peitoral e havia a moldura exata de dentes, marcando exatamente o bico do seu peito. Aquela vaca era maldosa.

— Ela também é facilmente controlável... – Sasuke continuou. – Nos conhecemos a muito tempo e ela é como uma irmãzinha para mim, eu posso falar qualquer coisa para ela e ela irá acreditar. Além disso, você não precisará montar qualquer imagem para ela, Hinata já pensa em você como a desgraça da humanidade.

Naruto sorriu sarcasticamente. – Eu não vi nada de facilmente controlável nela. Aquela pirralha é um touro em uma sala de cristais.

— Exatamente! – Ele colocou uma bebida para Naruto e deixou ao lado do seu amigo. Ele já estava bem mais calmo do que horas antes. Isso era um bom sinal. — Você não vai precisar se preocupar com alguém realmente inteligente vendo através da sua fachada.

Naruto não disse nada e Sasuke o deixou sozinho, voltando para o bar com o intuito de pegar uma bebida mais requintada e uma garota. Quando voltou, encontrou apenas a bebida que havia colocado para Naruto intacta, no mesmo lugar onde tinha deixado e nem um sinal do seu amigo.

Então, ele tomou aquele súbito desaparecimento como um sim.

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— O que aconteceu com você, Hina? – Sakura apareceu na porta, seu rosto rebocado por um creme verde que deixava ela mais parecida com um musgo do que com uma mulher.

— Que diabos, algum dia você vai me matar do coração com essa merda que você coloca no rosto.

Hinata entrou no pequeno apartamento que as duas dividiam na parte sul da cidade. Não era um lugar muito grande ou limpo, mas era tão aconchegante quanto a própria casa dos seus pais.

Ela tirou os sapatos, jogou-os do outro lado da sala e se esticou no carpete. Todo o seu corpo doer no processo, não apenas pelos golpes que havia tomado, mas também pelos que havia dado. Aquele cara tinha uma cabeça dura e os seus punhos estavam inchando.

— Você está suja de sangue. – Sakura disse apontando para a sua camisa e seu cabelo. – Você também tem algo gosmento no seu cabelo. Isso é vômito?

— Me deixa, Sakura, eu quero dormir. – Hinata puxou uma das almofadas do sofá e a abraçou com todas as suas forças. Ela só queria dormir por dias e esquecer que essa noite tinha acontecido.

O tempo estava frio e o aquecedor central do apartamento estava queimado. Apenas aquele ponto específico da sala estava quentinho, tão quentinho... Ela escutou sua amiga se movimentando muito rápido pelo apartamento e quando já estava sendo levada para o mundo dos sonhos mágicos, um balde de água e sabão caiu sobre a sua cabeça.

Em menos de meio segundo ela já estava de pé, assustada e com frio, olhando para a mulher de cabelos rosados e rosto de musgo que parecia estar com muita raiva.

— Olha aqui, senhorita Hyuga, — ela se aproximou de Hinata e jogou uma bucha de sabão no seu rosto, respingando espuma por todo o sofá. – Eu não me importo com o seu guarda roupa de calças jeans rasgadas e camisetas G. Eu não me importo com o seu cabelo de menino de três anos de idade, nem com a sua completa falta de feminilidade. Mas você não vai dormir no meu tapete, completamente suja de sangue e vômito.

Duas horas depois, Hinata já estava banhada e de pijama com uma série de curativos por todo o braço e cabeça. As suas costelas ainda doíam quando ela respirava ou fazia qualquer movimento brusco e as juntas dos seus dedos estavam sendo afogadas em uma bacia de água com gelo.

Sakura já havia enxugado completamente a sala e agora estava fazendo uma sopa de aveia para ambas tomarem, enquanto cantarolava alegremente na cozinha. Doida bipolar!

Ela colocou um prato da sopa na sua frente e sentou do outro lado da mesa, aproveitando aquela coisa como se fosse a coisa mais deliciosa do mundo. Nem louca ela comeria aquele troço horrível, mas ainda assim, fingiu colocar um pouco na boca.

— Está pronta para me dizer o que aconteceu?

— Não foi nada. Um cara me derrubou e eu me defendi.

Ela suspirou exasperada. – Porque você não pediu a ajuda de alguém?

— Eu sou uma guarda-costas Sakura, quão humilhante seria pedir a ajuda de alguém?

— Um pouco menos do que atravessar toda a cidade com aquele cheiro horrível em você. – Sakura parecia desgostosa com ela e Hinata estava realmente ofendida. – Pelo menos me diga que você veio de táxi.

— Você acha que algum táxi me aceitaria?

— Claro, você veio de ônibus. – Sakura choramingou colocando um pouco mais de sopa na sua boca. – Meu deus, Hina, você não poderia ser menos João machinho.

— Larga do meu pé, Sakura. – Hinata saiu da mesa e pegou um pedaço de presunto da geladeira. Aquilo sim era comida!— E não... Eu não vi de ônibus... Sasuke mandou um carro me trazer para casa.

Sakura deixou a boca entreaberta em choque e os olhos esbugalhados. – Não me diga que ele te viu nesse estado horrível.

Hinata ficou em silêncio se lembrando do sorriso de canto de boca que ele havia lhe dado, quando ela tentou explicar a situação para ele, depois que o loiro endiabrado havia entrado no clube.

Mas, logo o seu rosto se emburrou, quando ela se lembrou das suas palavras ditas logo depois do sorriso matador.

"– Está tudo bem, Hinata, ele não vai guardar contra você algo tão pequeno quanto isso. Até porque a culpa foi dele. Você começa na próxima semana, eu vou te mandar as informações por e-mail."

— Ele te viu nesse estado terrível... – Sakura respondeu a própria pergunta. – Não era você que amava o cara mais do que a tua própria mãe? E ainda assim tu deixou ele te ver nesse estado catastrófico?

— Tem como você não aumentar a minha miséria, por favor? – Hinata respondeu irritada e correu para o seu quarto.

Ela não queria falar com ninguém, muito menos ouvir Sakura e as suas recriminações. Chateada o suficiente com a sua noite, ela pegou o celular e ligou para o seu chefe. Depois de três toques, ele atendeu.

— Eu me demito... – falou antes mesmo dele responder.

— São exatamente duas da manhã, Hyuga. – Shikamaru respondeu do outro lado da chamada. – Você poderia se demitir em horário comercial?

— Não quero me demitir do meu trabalho antigo. Quero me demitir do meu novo trabalho.

— Você não pode escolher designações, Hyuga. – ele respondeu pacientemente. – Se eu deixasse que você fizesse isso teria que deixar que todo mundo fizesse isso. Além disso, o contratante pediu especificamente por você. Falando sobre isso, como você descobriu sobre o novo trabalho?

— Eu me encontrei com o sr. Uchiha hoje.

— Que seja... – ele bocejou. – Não tenho interesse em nada disso. Qualquer outra coisa você me fala amanhã. Estou com sono!

Ele desligou o celular, a deixando falar sozinha e quando ela voltou a ligar, o mesmo estava desligado. Que nojento! Ela não iria trabalhar com o demônio loiro, irritante, playboy e mal educado. Jamais!

Jamais!

Notas finais
Comentem se gostaram do capítulo! Provavelmente, postarei o próximo no domingo!