Guarda-costas
3 Capítulo três
Notas iniciais
Hinata entrou em um grande prédio no Centro de Konoha, uma das zonas mais abastada da cidade. Ela já havia estado ali algumas vezes, trazendo e deixando clientes. Ou até mesmo escoltando celebridades para encontros secretos que envolviam negócios escusos do mundo do entreterimento.
Pessoas que dariam um tabloide e tanto se seus nomes saíssem em algum escândalo na imprensa.
Shikamaru tocou seu braço assim que eles entraram no prédio e ela o seguiu antes que ele ficasse irritado com o seu passo preguiçoso. Ele já havia lhe ameaçado de antemão que se ela tentasse fazer qualquer coisa que sujasse o nome da sua empresa, ele a penduraria do lado de fora da janela mais alta daquele prédio.
E ela sabia que havia verdade em cada uma de suas palavras.
Então, ela estava sem opção, mesmo que insistisse com todas as suas forças que não queria aquele trabalho. Hinata já estava trabalhando com outra celebridade e mesmo que ela não fosse a pessoa mais legal do mundo, pelo menos, até o presente momento, elas não havia entrado em qualquer briga física.
Shikamaru os apresentou no balcão da recepção e a puxou pela gola da camisa para dentro dos elevadores, quando percebeu os seus passos hesitantes.
Eles seguiram diretamente para o último andar e quando saíram do elevador, deram de cara com um homem saído diretamente de um filme dos anos 80, engomado da cabeça aos pés, e com as costa tão eretas que ela se perguntei se ele não estava sentindo as costas.
— Senhor. – ele se inclinou em um cumprimento perfeito. – Senhorita!
— Cuidado Reno, não se aproxime muito ela pode te morder.
Hinata levantou os olhos em direção ao seu novo cliente. Ele descia pelas escadas de forma preguiçosa, usando apenas uma calça moletom e uma toalha em volta do pescoço, deixando a mostra o seu suado abdômen de gominhos que ela tanto invejava nos homens.
Hinata observou como toda aquela fisionomia parecia muito melhor a luz do dia e sem o cheiro de vômito, bebida e sangue da noite que eles se encontraram. Ela também percebeu que ele tinha os olhos mais azuis que ela já havia visto na vida.
E ele continuava um idiota.
— Animais só atacam quando outros animais atacam. – ela replicou recebendo imediatamente um tapa no pescoço do chefe que observava a interação deles.
Shikamaru cumprimentou o novo cliente, enquanto este sorria ironicamente na sua direção. Hinata tentou lançar todo o ódio que sentia por ele com apenas um olhar, mas não funcionou por que ele não pareceu se importar nenhum pouco.
— Desculpe, senhor Uzumaki. – Shikamaru disse com uma voz solene. – Soube que ambos se conheceram em situações não muito amigáveis anteriormente... Se o senhor quiser trocar o seu guarda-costas pessoal, posso encontrar alguém para substituí-la.
Hinata sorriu vitoriosa pensando que estava finalmente livre desse trabalho horrível, mas toda a sua expressão de felicidade foi habilmente lida por Naruto que estava se sentindo um pouco intransigente naquela manhã.
— Pode deixar como está, já consegui adestrar cães mais violentos. – ele respondeu recebendo de Hinata um olhar confuso. Ainda não havia caído a ficha do que o Uzumaki havia acabado de falar. Mas, assim que ela entendeu o seu rosto de pouco amigos foi percebido por todos da sala.
— Cães é a tua bunda! – Hinata respondeu com um gesto rude que chocou simultaneamente o mordomo e o seu chefe. Naruto, no entanto, não mudou nenhum pouco a sua expressão, parecendo mais divertido do que antes.
Hinata levou outro tapa na cabeça, mas, dessa vez, Shikamaru segurou a sua cabeça para baixo a obrigando a se desculpar.
— Desculpe, senhor Uzumaki. Ela pedirá desculpas.
Ela olhou para o seu chefe sentindo-se injustiçada, mas o olhar dele para ela foi tão assassino que mesmo os seus anos de experiência com aquele homem não a salvaram. Ela abaixou a cabeça imediatamente, exagerando no seu cumprimento.
— Me desculpe, senhor Uzumaki, tal insulto jamais não será repetido na frente do meu chefe.
Naruto gargalhou e ela levantou a cabeça na sua direção. Shikamaru não sabia o que interpretar da reação do Naruto e quando ele estava pronto para dar outra lição na sua funcionária, Naruto interveio em seu favor.
— Deixa ela! – Ele se aproximou deles e ofereceu a mão a Hinata. – Eu que deveria pedir desculpas, afinal fui eu que comecei toda essa confusão.
Hinata olhou para aquela mão desconfiada, pensando que não era possível ele ter criado uma consciência em um spam de tempo tão pequeno. Mas Shikamaru beliscou as suas costas com força e sem pensar muito ela aceitou o cumprimento.
Naruto ainda sorria como se não tivesse amanhã e ela sentiu como se alguma coisa estivesse muito errada.
— Que bom que tudo está resolvido.
Naquele mesmo dia Naruto fez uma festa de boas vindas. Ele havia acabado de voltar do exterior e precisava reencontrar todos os seus antigos amigos para estreitar os laços dos seus relacionamentos. O problema era que haviam apenas mulheres convidadas em todos os tipo diferentes de minúsculos biquínis.
Elas começaram a chegar logo depois do almoço e encheram todo o apartamento de Naruto que ocupava a cobertura inteira do prédio.
Hinata observava como aquelas mulheres entravam e saíam da enorme piscina de borda infinita que dava direto ao abismo dos cinquenta andares e ficava apreensiva apenas de pensar que em algum momento o vidro das bordas poderia quebrar e fazer sopa de perua na calçada do prédio.
Naruto apareceu nas suas costas, enquanto a mesma tentava imaginar toda a cena. Ele não havia aparecido todo o dia, mas alí estava ele, com um sorriso maléfico no rosto e encarando de cima a baixo todo o seu corpo.
— Trouxe um presente. — ele disse esticando uma caixa de presente na sua direção.
— Presente? O que é isso? — Ela o olhou desconfiada, mas pegou e a abriu. Aquela interação já havia chamado a atenção de alguma meninas e elas assistiam a cena com algum interesse.
Dentro do saco havia uma pequena peça de seda muito delicada, vermelha e cheia de bolinhas pretas. Ela tirou o tecido de dentro da caixa e se deparou com a parte de baixo de um biquíni. Uma calcinha tão pequena que provavelmente deveria ser usada por uma menina em sua infância.
— Que diabos é isso?
— Um biquíni.
— Você chama isso de bíquini? — ela devolveu a caixa para ele. — Porque demônios você acha que eu usaria algo assim. Além disso… — ela apontou para a caixa. — não tem a parte de cima gênio.
Ele pegou de volta a peça de dentro da caixinha e sorriu ironicamente. — Não era suposto de ter.
Todas a meninas, então, começaram a tirar a parte de cima do seu biquíni, aparecendo seios de todos os tamanhos e forma por todos os lugares. Em instinto, ela se aproximou de Naruto e cobriu os seus olhos.
Ele gargalhou e retirou as mãos dela. Ele parecia mais divertido que nunca.
— O que você está fazendo?
— Protegendo essa meninas…
Ele sorriu alto, pegou a peça do seu presente e colocou na cabeça de Hinata que não estava conseguindo esboçar qualquer reação.
— Sua tonta, não existe nada aqui que eu já não tenha visto. — ele se virou jogando-se na piscina e espirrando água em todas as pessoas ao redor. Inclusive ela.
Ele se arrastou para o final da borda infinita e duas garotas contentemente o acompanharam para o mesmo lugar.
— Essa é uma festa TopLess! Você só pode ficar aqui se for dessa forma. Se não cai fora!
Hinata recuperou-se com aquelas palavras. Ela nunca havia se sentido tão irritada e humilhada em toda a sua vida. Mas, decidiu apenas por se retirar do recinto, ignorando completamente o biquíni que ainda estava na sua cabeça.
No caminho de fora, ela encontrou o mordomo que a observou passar por ele com passos pesados, um olhar irritado e uma expressão amuada no rosto.
A infame peça ainda estava na sua cabeça e chamou a atenção do mordomo, mas dificilmente havia sido a coisa mais maluca que ele já havia visto dentro daquela família e resolveu não comentar o assunto.
— Creio que a senhorita se sentirá mais confortável no seu quarto. — ele disse com a fria educação de sempre. — Ele já foi organizado, seguindo as recomendações do senhor Uzumaki e está a espera das suas coisas, posso mandar alguém pegar as suas bagagens?
— Bagagens? — ela perguntou confusa.
— Sim. O Senhor Uzumaki me informou que o seu novo guarda-costa será 24 por 6.
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— Quero a minha demissão, Nara! — Hinata estava enfiada no seu quarto.
Naruto havia escolhido o menor quarto para ela. Se é que aquilo fosse um quarto… Ele havia a jogado na despensa da casa, para dividir espaço com uma penca de ítens esportivos, móveis usados e caixas de mantimento.
Não havia sequer um banheiro do lado de dentro do cômodo e ela tinha que fazer as suas necessidades em um quartinho do lado da lavanderia.
Aquele idiota deveria estar fazendo aquilo de propósito.
— O que aconteceu? — Shikamaru suspirou paciente do outro lado da linha.
— Ele deu uma festa com várias meninas de biquínis sem a parte de cima. Me deu um biquíni com apenas a peça de baixo e disse que se eu quisesse eu poderia participar da festa se usasse apenas aquilo... Se não fosse bastante, ele ainda me colocou para dormir na despensa. — ela reclamou, com o seu tom de voz apenas aumentando de intensidade. — Eu poderia muito bem ser um cachorro em vez de um guarda-costas.
O outro lado ficou em silêncio com todas as reclamações. E depois de um tempo voltou a falar.
— Ele te obrigou a utilizar o biquíni?
— O que?
— Se formos alegar um quebra de contrato por assédio, ele deve ter feito algo muito grave, obrigando você a tirar a roupa e vestir a peça na frente de todo mundo seria uma forma disso acontecer.
Hinata olhou irritada para o celular, escutando as palavras lógicas de seu chefe.
— Ele está destruindo a minha inocência, isso não tem nada haver com assédio e sim com a minha honra.
Novamente silêncio do outro lado. E, dessa vez, ela pensou ter escutado o som de uma risada entre os dentes, o que era completamente impossível, o seu chefe nunca sorria. Jamais!
— Não posso fazer nada quanto a isso. — ele respondeu, seu tom sério e ponderado. — Até mesmo perguntei se ele queria mudar de guarda-costas e ele se recusou.
— Mas eu quero…
— Escute Hyuga. — ele disse friamente e mesmo estando longe Hinata ficou de pé e endireitou as costas. — Você é uma guarda costas, altamente competente. No momento que você desiste de uma ocupação, você diminui o seu valor. Você não quer ganhar a medalha de empregada do ano? Essa é a sua oportunidade!
Hinata pensou na medalha e na sua foto colocada no site principal da empresa. Era o seu sonho colocar a sua foto naquele lugar. Ela seria a primeira mulher com o seu belo rosto estampado e seria considerada a guarda-costa número um da empresa.
Ela não podia simplesmente desistir do seu sonho tão facilmente.
— Sim, senhor. Eu não vou desistir. Jamais!
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