Guarda-costas
16 Capítulo dezesseis
Notas iniciais
Hinata abriu os olhos e sentiu-se imediatamente confusa. Todo o seu corpo estava dolorido, exceto pelo ombro direito que ela não conseguia sentir absolutamente nada. Ela tocou com as mãos os fios intravenosos que saíam do seu braço e se deu conta de onde estava.
Hospital!
A imagem de ser carregada por Naruto foi o seu segundo ponto de reconhecimento e foi o que a acordou de vez do torpor das drogas que lhe injetaram. Ela foi carregada por Naruto na frente de Kiba e Sakura, enquanto sangrava igual um porco.
Parabéns, Hinata! Que mico você pagou!
Olhando ao redor, não havia ninguém no seu quarto, mas um casaco indistinto estava jogado no braço da poltrona ao seu lado.
Ela com a garganta doendo de tão seca e a única coisa que ela queria naquele momento era um pouco de água. Mas como poderia, quando o copo estava tão longe, em uma mesa ao lado da sua cama? Cadê aquelas pessoas que ficavam segurando as mãos dos doentes, morrendo de preocupação, sem arredar um pé antes deles acordarem?
Aparentemente, ela não tinha ninguém que faria aquilo por ela.
Hinata sequer podia culpar Sakura, ela sabia que a amiga tinha uma completa aversão a hospitais.
Utilizando um pouco da força que lhe restava, Hinata se puxou para cima e tentou manter a estabilidade do seu corpo. Mas, o esforço foi grande demais e fez sua cabeça girar.
Olhando para o lado, o copo de água estava tão perto, mas Hinata tinha medo que se ela se movesse mais um pouco, ela iria acabar desmaiada.
E ela já tinha desmaiado bastante por um dia.
Enquanto Hinata pensava sobre a melhor abordagem para capturar o copo, a porta do quarto abriu e uma pessoa que ela sequer imaginava que encontraria hoje, passou pela porta e entrou. Naruto Uzumaki. Confortavelmente vestido como se estivesse indo em direção a um chá das cinco.
— O que você está…? — ela disse, mas a tosse que lhe assaltou interrompeu o restante da sua frase. Naruto se aproximou e a fez deitar outra vez na cama.
Ela queria água, mas nem louca pediria que ele desse a ela. No entanto, ele não precisou da formulação de um pedido para pegar o copo da sua cabeceira e trazendo o canudo para a perto da sua boca. Hinata ficou desconfiada de toda aquela solicitude, mas bebeu alegremente a água.
— Não muito. — ele disse, puxando para longe o copo. — A não ser que você queira que eu te coloque no colo de novo e te carregue para o banheiro.
Hinata tossiu de novo, engasgando com a água que ainda estava na sua boca. E lançou um olhar feroz na direção de Naruto.
— O que você está fazendo aqui? — ela perguntou novamente.
— Visitando uma doente!
Hinata replicou. — Quem disse que eu estou doente?
Naruto disse sorrindo. — Quem disse que era você?
— Ei, você me deve a sua vida, que tal começar a ser um pouco melhor comigo?
— Eu tenho certeza que você não pensou muito bem antes de tomar um tiro por mim. Ou você não teria feito isso. É o karma de se ter um raciocínio lento.
Ele bagunçou o seu cabelo gentilmente.
— Eu vou me esforçar para agilizar meu raciocínio e te deixar morrer da próxima vez.
Hinata fechou os olhos sentindo todo o seu corpo se esgotando. Ela nunca tinha se sentido tão mal antes, nem quando foi atropelada por uma kombi, enquanto estava cuidando da segurança de uma atriz famosa.
Aquela mulher tinha os sasaengs mais loucos da história.
Uma mão voltou a tocar o seu cabelo e ela abriu os olhos. Naruto estava agora lhe encarando cuidadosamente. Um pouco do divertimento que estava no rosto dele desapareceu e Hinata não gostou nada daquela transformação, era como se ele tivesse uma nuvem carregada em cima da cabeça, esperando para desabar.
Ela levantou a mão e bateu levemente no seu rosto. — Você tem um arranhão no rosto. Tenho certeza que esse estrago é maior que o do meu braço. Como você vai conseguir mulher agora?
Ele sorriu de forma involuntária e Hinata sentiu-se um pouco melhor.
Ela continuou. — Agora que eu salvei a sua vida, eu realmente vou pedir algo grande em compensação.
Ele ampliou ainda mais o seu sorriso e puxou do bolso da calça jeans um chaveiro de um carro e ela soube imediatamente o que era.
— Você vai me deixar dirigir o Black 1970 Dodge Charger?
Ele gargalhou, dessa vez. — Dirigir? Eu vou deixar você olhar de uma distância segura de cinquenta metros.
Hinata soprou o cabelo que insistia em cair, ela sempre tinha esse problema quando ela não passava gel. — Eu salvei a sua vida. Ela vale tão pouco assim?
— É justamente porque eu aprecio muito a minha vida que eu não estou disposto a ter um ataque do coração com esses seus dedinhos arranhando a minha lataria.
Naruto colocou o copo de água de volta na cabeceira da cama.
— Você pegou quem tentou te matar?
O sorriso de Naruto desapareceu e ele voltou o seu olhar para ela. Ele não queria falar sobre aquilo, muito menos agora que ele estava vendo como ela parecia tão nova, deitada na cama de hospital, pálida e completamente vulnerável. Ele nunca tinha parado para raciocinar profundamente sobre quão jovem Hinata era.
— Você não precisa se preocupar com isso. Tudo vai ser resolvido.
— Mas... E os atiradores? Eles estão mortos e... — ela perguntou, lembrando-se do homem que ela havia matado. — Eu matei...
— Eu já resolvi isso.
Hinata sentiu-se novamente ruim do estômago. — Não tem como você simplesmente resolver isso. Eu deveria responder a um processo criminal. Eu já fiz isso uma vez.
— Eu já te disse que não precisa se preocupar.
O seu tom de voz era definitivo e mesmo que Hinata quisesse discutir e saber como ele tinha feito para simplesmente desaparecer com aquele problema, resolveu se calar. O que quer que tenha sido, pelo menos ela não precisaria passar novamente pela loucura de ser entrevistada por um monte de policiais procurando o mínimo deslize no seu depoimento, apenas para a transformar em um suspeito de homicídio.
Ela já tinha passado por aquilo outras vezes e mesmo que tivesse saído da situação intacta, ela ainda tinha sérios problemas de confiança com a polícia.
Hinata saiu dos seus pensamentos e puxou um dos fios de cabelo de Naruto que ainda parecia perdido nos dele.
— Quanto tempo eu fiquei desacordada? E cadê a Sakura e o Kiba?
— Você apagou por alguma horas. O ferimento não foi tão grave assim, mas você perdeu muito sangue. — Os seus olhos se aguçaram rapidamente. — Porque você não me contou que tinha sido baleada?
— Eu não sabia que eu estava assim em tão grave estado.
— Eu não sei, pirralha… Primeiro você leva um tiro por mim, depois não me conta que está sangrando, enquanto vai atrás do atiradores sozinha. Estou começando a achar que você esqueceu o Sasuke… — Ele aproximou o rosto dos dois. — Você está com uma crush por mim?
Hinata olhou para ele seriamente, antes de afastar o rosto dele do dela, depois gesticulou em um sinal da cruz. — Deus é pai! E jamais permitiria tamanha desgraça acontecer na minha vida.
Naruto sorriu e a porta do quarto se abriu novamente, dessa vez era Sakura.
— Saku!
— Ei, — ela observou Naruto sentado na cama de Hinata e sorriu envergonhada. — Espero não estar atrapalhando nada.
Hinata fechou o sorriso e olhou para Sakura com cara de poucos amigos, enquanto Naruto voltava a sorrir. — O que possivelmente poderia ter para você atrapalhar? — ela perguntou irritada.
Naruto se afastou da cama, não sem antes bagunçar o cabelo já desastroso de Hinata. — Eu já estou saindo, você pode ficar.
— Muito obrigado por ficar aqui com ela, enquanto eu voltava para casa. — Sakura disse com um sorriso bobo brincando nos seus lábios.
— Tudo bem. — Naruto respondeu gentilmente. — Eu peço desculpas por tudo que aconteceu, foi por causa da minha presença que você passou por uma noite tão difícil.
Sakura abaixou os olhos envergonhada e Hinata sentiu o seu estômago embrulhar. Se ela escutasse pelo menos mais uma vez qualquer tom de voz meloso vindo daqueles dois, ela cometeria suicídio mordendo a língua.
— Que isso...
— Dá para parar com essa melação de você dois.
Naruto olhou por cima dos ombros e em uma clara afronta a sua guarda-costas retirou do bolso um cartão de visita. — Me ligue quando quiser, será do meu mais absoluto prazer conhecê-la.
— Queima essa coisa, Sakura. — Hinata disse.
Os dois sorriram e Naruto passou saiu pela porta. Sakura abaixou as várias sacolas de coisas que havia trazido e sentou-se na beirada da cama onde Naruto estava a pouco.
— Eu não estou brincando, eu quero que você queime essa merda de cartão.
Sakura torceu os lábios em desgosto. — Ele só estava fazendo isso para te provocar, Hina. Não seja assim.
— Você também estava rindo daquele jeito para ele, só para me provocar?
Sakura sorriu cheia de dentes. — Não, eu sorri daquela forma, porque ele é a coisa mais gostosa que eu já coloquei os olhos em muito tempo. — Hinata fez um som de vômito. — Hey… Eu não sou imune a homens charmosos como você.
— Se você conhecesse o Sasuke, jamais pensaria isso de qualquer outro homem.
— Devo imaginar! Quando que eu vou conhecer o único homem capaz de fazer esse coraçãozinho de pedra mexer?
— Ele está viajando.
— Uau, conhece inclusive o itinerário dele.
— Claro que sim, ele trabalha para o Naruto.
Sakura paralisou, fechando o sorriso. — O que? Ele é máfia também?
Hinata bateu levemente na têmpora de Sakura. — Para de falar máfia isso, máfia aquilo… Como você sabe que o Naruto é… essa coisa?
Sakura a encarou incrédula.
— Você acabou de ser alvejada por vários atiradores, Hinata. Porque você acha que eles fizeram isso?
— Não sei… — Sakura ia falar novamente, mas Hinata a interrompeu. — Você também não sabe.
— Você não quer acreditar por que simplesmente não quer incriminar alguém sem provas ou... por causa do Sasuke?
Hinata se encolheu no leito de hospital e fechou os olhos. — Me deixa dormir.
— Hinata!
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Naruto chegou na mansão Uzumaki horas depois que saiu do hospital.
A mansão Uzumaki era uma construção moderna e fortificada que ficava em uma área distante da cidade, longe dos olhares curiosos da imprensa e da polícia. Anos antes aquele lugar era utilizado como ponto de discussão das atividade criminosa da família que não podiam ser resolvidas em ambientes públicos.
Hoje em dia, aquele lugar era a casa que o seu tio transformou em um forte para a família Uzumaki, um lugar que simbolizava o poder que a família Uzumaki havia acumulado por anos e anos.
Naruto passou pelos fortificados portões de ferro e, logo depois outro das mesmas proporções do portão anterior. Aquele lugar era uma fortaleza e Naruto sabia que o que quer que fosse que ele pretendia fazer alí, jamais sairia para depois daqueles muros.
Parando o carro em frente a mansão, Naruto não parou para admirar a imponência da construção, a forma como os jardins se apresentavam impecavelmente. Os carros na frente da casa estavam parados em fila indiana e os empregados se arrumaram alinhados do lado de fora em uma recepção.
No entanto, ele não deu atenção para ninguém, porque naquele dia ele tinha uma missão para cumprir.
Ele atravessou a sala, entrando no intricado jogo de corredores da mansão até parar em uma zona morta, onde não havia mais nenhum lugar algum para ir. Aparentemente.
A parede abriu-se imediatamente dando acesso a uma escada que o levou para debaixo da casa, em uma construção anexa que era muito mais útil que o amontoado de pedras bonitas e bem construída visíveis aos visitantes. O porão.
O porão era uma sala construída em aço blindado que foi feito para sobreviver a verdadeiro bombardeios. Alí em baixo, não havia nada, exceto por um grande espaço vazio e escuro.
Ou pelo menos estava vazio e escuro até a noite passada, quando ele mandou os seus inimigos e até mesmo alguns de seus homens fazerem companhia uns para os outros.
Assim que Naruto entrou na sala, ele foi recebido por Yamato que retirou o seu casaco.
— Onde eles estão?
— Trancados nas celas.
— Descobriu a quem eles pertencem?
— Eles disseram serem homens de Tomoyo.
Naruto piscou em surpresa. Tomoyo era uma das sete famílias da máfia que ainda vivia na ilegalidade, sem qualquer movimento para se tornar um negócio descente. — Não esperava que eles seriam os primeiros ratos e saírem da toca.
— O senhor quer que tomemos de conta deles?
— Envio-os de volta a Tomoyo. Antes disso, não quero que sobre um osso inteiro nos seu corpos.
— Sim, senhor.
Naruto passou pelas celas cheias de homens de Tomoyo e ignorou cada um de seus apelos. Ele não estava alí para cuidar dos subordinados incompetentes de outra pessoa. Ele estava alí para aplicar punições nos seus próprios homens. Inazuma.
Pela regra da família, você jamais deveria abandonar a sua posição de guarda, enquanto um Uzumaki estava em espaço aberto. Mas, por algum motivo, Naruto se viu em uma situação onde ele ficou sem segurança e sem backup.
O que só podia significar uma coisa. Traição.
Naruto não esperava que os homens tão fiéis ao seu antecessor fossem tão complacentes sobre a sua colocada no poder, muito depois que ele publicamente renegou o seu pai adotivo, enquanto ia para os Estados Unidos.
Ele sabia que para alguns deles, ele não era nada mais que um intruso. Naruto até mesmo entendia as suas desconfianças. Ele só não esperava que eles seriam burros o suficiente para tentar um ataque tão direto.
Naruto entrou em uma sala ainda mais afastada das celas, onde os interrogatórios eram realizados. O cheiro do ambiente era repugnante para qualquer um que possuia os sentidos fracos, mas não para Naruto.
Tudo que ele existia para ele, naquele momento, era o homem sentado na sua frente.
Naruto não podia deixar de admirar a calma no rosto dele. Inazuma era um pouco mais velho que Yamato. Sua idade girava em torno dos cinquenta e por culpa da sua experiência, ele possuía uma das mais alta posição na hierarquia da família, estando no mesmo patamar de Yamato.
Naruto havia sido guardado por aquele homem várias vezes quando criança e algumas quando adolescente. Mas, nenhuma vez como herdeiro ou novo chefe da família Uzumaki.
O pai de Naruto era o irmão mais novo e braço direito do verdadeiro herdeiro. O seu nome era Mizai Uzumaki. Ele era o filho mais novo adorado que seria o segundo no comando da família, mas que nunca seria o chefe como o seu irmão mais velho Minato Uzumaki.
E o mesmo destino foi compartilhado com Naruto em seu nascimento, uma vez que não havia nascido na linhagem principal. Quando ele pequeno sempre fora tratado como mais um da família, alguém que tinha muito o que provar, mesmo que possuísse desde o berço o direito à posição de segundo no comando.
Dessa forma, mesmo sendo importante na hierarquia, Naruto nunca foi considerado o chefe por qualquer um dos subordinados de Minato. Até que a sua mãe se casou com o chefe e amaldiçoou toda uma sucessão.
Ninguém podia dizer que Kushina Uzumaki era uma mulher sutil, porque quando havia alguma coisas que ela queria para si, ela simplemente mandava o fodasse para o resto do mundo. Inclusive o próprio filho.
— Não esta mais se escondendo atrás das barras de saias da sua mãe, garoto? — Inazuma disse divertido.
Mas, Naruto não respondeu a provocação, arregaçou a manga da sua camisa até os cotovelos e foi em direção a mesa de equipamentos. Ninguém até o momento havia tocado em Inazuma, pois era dever do chefe punir os seus homens por traição, por isso, Naruto tinha bastante área para trabalhar.
— Você acha que eu tenho medo de você? — Inazuma questionou, seu tom de voz ainda pacífico. — Eu já fiz toda essa merda, mais vezes do que você já limpou a bunda, moleque.
Naruto escolheu um soco inglês. Um dos seus favoritos quando era criança demais para entender porque era tão importante para o seu pai que ele escolhesse um instrumento de “trabalho” em um quarto na parte de baixo da sua casa que cheirava apenas a sangue e urina.
Quando era criança, o instrumento havia lhe atraído pela aparência reluzente do ouro que o revestia, hoje em dia, a única coisa que ele notava era como aquele instrumento aumentava a força do seu soco e a forma como a pele era cortada com cada investida que empregava.
Era uma arma que conseguia fazer doer e desfigurar ao mesmo tempo.
A arma padrão que o seu pai usava uma chave inglesa, porque, segundo ele, não importava quão glamourosa era a ferramenta que se utilizava, o objetivo final era tirar sangue, então porque não ser simples sobre isso?
Minato, no entanto, era diferente. Ele se importava bastante com a estética do negócio e decidiu que gostava de facas para infligir dano, porque para ele não havia nada que desse mais medo dos olhos das sua vítimas do que uma faca nas mãos de seu captor.
Naruto nunca parou para pensar, como a escolha da sua arma conseguia ser a junção do seu pai e do seu tio
— Não se admira demais as ferramentas, moleque. Você simplesmente as usa.
Naruto continuou calado, virando-se para o seu homem amarrado e circulando a cadeira onde ele estava sentado. Ele sabia que a espera era muitas vezes pior que o golpe em si, mas isso apenas tinha alguma função se ele quisesse saber alguma informação de Inazuma.
Mas, ele não estava interessado em qualquer coisa que o homem tinha a dizer
Naruto finalmente parou na sua frente e levantou o seu queixo com o dedo, devagar... E deixou que a raiva do seu peito fosse externalizada de uma só vez nas feições do seu rosto.
Muita gente não sabia, mas ele tinha esse lado dentro dele... Algo que ele apenas conseguiu perceber quando estava longe e sozinho. Era como se um demônio estivesse lutando para dominar o seu corpo.
Ao perceber aquela aura aterradora, a confiança e destemor dos olhos de Inazuma se apagaram.
Ele, finalmente, estava com medo.
— Você pode ir, Yamato.
A voz de Naruto era apenas um sussurro que arrepiou todos os presentes. Yamato virou e saiu, batendo a porta atrás de si. E no momento que a trinca fechou, Naruto deu o primeiro soco.
A força foi forte o suficiente para rasgar o nariz e a boca de Inazuma que gritou com o impacto. Então, Naruto bateu de novo, dessa vez, no peito rasgando tecido junto com carne. Depois, na barriga, nas coxas e entre as pernas. Em cima da sua virilidade.
A sucessão de golpes foi rápida o suficiente para serem dadas em um único suspiro. E, em menos de dez segundo, o homem na sua frente começou a chorar.
— Porra! — ele gritou.
Naruto parou por um tempo olhando como Inazuma reagia aos machucados. Ele era um homem forte, mas todo homem forte não passava de um ser humano quando tudo que podia fazer era implorar.
— Não, por favor!
Naruto bateu novamente nos mesmos lugares, com mais força e precisão. E assim, eles permaneceram por mais dois minutos, até que ele começou sentir seu ombro cansar. O homem ainda não tinha desmaiado.
— Me faça uma pergunta pelo menos. — A voz de Inazuma era falha, a beira do colapso.
E pela primeira vez Naruto o respondeu. — Não existe nada que eu esteja particularmente curioso.
Inazuma levantou a cabeça por puro choque, mesmo estando completamente sem forças. — Então, porque demônios você está me batendo se não quer saber nada? Me mata de uma vez desgraçado!
Os gritos de Inazuma poderiam até mesmo ultrapassar aquelas paredes de tão alta que era a sua voz. O desprezo e ódio transpirando em cada uma das suas palavras.
— Você me traiu é tudo que me interessa. — Naruto deu mais um soco na barriga, a camisa já completamente ensopada de sangue, de tal forma que ele não sabia o que era tecido manchado ou pele estralhaçada. — Mas, o que mais me deixa puto… — outro soco na barriga. — É que você não conseguiu tirar sequer um filete de sangue meu. — Outro soco no rosto. — Você tirou de outra pessoa.
Sentindo outro impulso de força, Naruto foi ainda mais feroz. Batendo, parando.... Batendo novamente... Até que o homem na sua frente não mais se movia… Até que a sua respiração finalmente havia parado.
Até que o seu coração parou de bater.
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