Guarda-costas

17 Capítulo dezessete


Notas iniciais
Aproveitem pessoal! Próximo capítulo será sábado.

Cinco dias se passaram como uma lesma e Hinata já estava pronta para sair daquele hospital.

Os últimos dias haviam sido um completo martírio para alguém como ela que não conseguia ficar quieta, muito menos prostrada em uma cama com tanta energia para gastar.

A única coisa que não a fez fugir do hospital, se atirando pela sua janela, foram as quantidade de visitas e presentes que ela recebia todos os dias dos seus companheiros de empresa e de Sakura que de alguma forma havia superado a sua aversão a hospital, apenas para lhe fazer companhia durante a noite.

Claro que isso não a impediu de pensar na única pessoa que não veio lhe ver nesses cinco dias.

A pessoa que, para começo de conversa, era a responsável dela ter levado um tiro. Ele sequer havia lhe mandado qualquer mensagem depois de ter passado brevemente no momento que ela acordou. Nem para lhe perguntar se ela teve alguma infecção pelo ferimento ou se ela tinha batido a cabeça no vaso por não conseguir ir sozinha no banheiro.

Não… Nada disso. Mas, obviamente, Hinata também não se importava com a ausência dele alí. Nem perto disso.

Hinata terminou de organizar as duas malas de coisas que haviam aparecido magicamente no seu quarto e as jogou no chão. Sakura estava demorando mais do que o esperado para aparecer e ela se arrependeu brevemente de não ter comido o horrível café da manhã que as enfermeiras trouxeram mais cedo.

A fome estava a consumindo viva.

O seu ombro já estava bem, o suficiente para ela sair dos remédios mais pesado e tudo que ela precisava fazer era tomar um pouco de ferro todos os dias para recuperar o seu vigor.

Aparentemente, o que havia a deixado de cama por tanto tempo havia sido a anemia e não os ferimentos do tiro em si. Era vergonhoso ter que explicar isso para os seus colegas de trabalho... Havia certo orgulho em ter uma cicatriz de arma de fogo, mas não era lá muito glamuroso cair doente por dias por causa de uma simples anemia.

Hinata olhou para o relógio de novo, já era quase meio dia e no celular não havia nenhuma mensagem de Sakura, o que ela poderia estar fazendo que fosse mais importante que buscá-la no hospital? Sua fome era um assunto urgente.

Olhando pela porta, ela tomou uma decisão de vida e morte. Correu até o posto de enfermaria e pegou caneta e papel, deixando uma mensagem rápida para Sakura, depois pegou as suas coisas e deu o fora do quarto.

Segundo prescrições médicas, ela ainda não podia carregar peso, mas situações desesperadas — de fome — requeriam esforços sobrehumanos.

Saindo do hospital, ela entrou na primeira barraquinha de comida que viu e sentou-se em uma pequena mesa de madeira, largando suas bolsa ao seu lado. Ela não tinha dinheiro o suficiente para entrar em um dos restaurantes que ficavam bem em frente ao hospital, então se contentou em comer no lugar mais barato que encontrou.

E o cheiro da comida estava fazendo a sua boca salivar.

— Tio, me traz três pratos de carne de porco, petisco de peixe, sopa de frango e muito arroz. — ela gritou para o homem que estava no balcão.

— Já vai, filho.

Filho… Hinata suspirou, a essa altura da vida as mulheres da sua idade já estavam sendo chamadas de senhoritas. Mas, as pessoas costumavam pensar que ela era uma criança. Ela nada disso, porque estava com fome demais para discutir, mas decidiu que não ia deixar uma gorjeta sequer.

O homem não demorou a trazer o seu pedido. Enchendo a sua mesa com todas as várias coisas que ela havia pedido e uma jarra de suco.

— Pode beber suco a vontade, é de graça.

O tio sorriu para ela e ela se curvou em agradecimento. Hinata adorava ir em lugares onde recebia alguma coisa de graça e ela logo se esqueceu da forma desrespeitosa que o homem havia lhe chamado anteriormente.

A carne estava deliciosamente picante e ela comeu o primeiro prato apenas em dois minutos. Hum, tão diferente daquela coisa horrível do hospital. Aquilo que estava me fazendo doente!

Ocupada com a sua própria comida, Hinata não percebeu quando um homem se aproximou de onde ela estava e propositalmente passou ao seu lado e tropeçou na sua bolsa no chão. Com o susto, a única coisa que ela pensou foi em segurar firmemente a sua mesa para que a comida não corresse perigo e o homem que tropeçou caiu de cara no chão.

Hinata levantou da cadeira, observando a sua bolsa chutada e o homem caído com o rosto sangrando. Ela não sabia o que fazer, mas se recuperou rápido oferecendo a mão para o homem se levantar.

Ele a olhou com raiva e recusou a sua mão, levantando sozinho. — Seu moleque, olha o que você fez?

O rosto dele estava sangrando exageradamente para alguém que havia tomado apenas um tropeço. — O que foi que eu fiz, você caiu sozinho, não fui eu que te empurrei.

O homem pareceu transtornado com resposta que ela deu, mas Hinata pouco se importou com a sua reação, preferindo pegar a bolsa que agora estava amassada pelo peso daquele estranho. Aquela bolsa era da Sakura e agora estava suja de barro, porque aquele homem havia a chutado.

— Se não fosse por essa bolsa aí, eu não teria me acidentado. — ele gritou. — O que você vai fazer quanto a isso?

Hinata olhou para ele frustrada. Tudo que ela queria era comer em paz… Mas, ele era um senhor muito mais velho que ela, então ela simplesmente curvou a cabeça em gritante contra-gosto e voltou a se sentar como se nada tivesse acontecido.

O homem a observou com os olhos esbugalhados.

Que sociedade é essa? Como um jovem poderia agir assim com um mais velho? Ela deveria estar de joelhos pedindo desculpas!

Ele bateu na mesa de Hinata com força e ela novamente a segurou para que a sua comida não entornasse.

— Você é muito petulante, moleque. Tua escola não te ensina nada, não? Eu vou chamar a polícia e te acusar de vandalismo e agressão.

Hinata ficou frustrada novamente, porque as pessoas achavam que ela era apenas uma criança e um moleque? ELA ERA UMA MULHER ADULTA!

Hinata levantou de novo olhando o homem na sua frente da cabeça aos pés. Ele estava vestido como um terno vermelho mais barato do que os que ela mesmo possuía.

— Você realmente vai continuar a bater na minha comida, heim? — Hinata puxou a manga da sua blusa até o cotovelo. — Podemos resolver isso rapidinho! Mas, vamos para fora! Eu trazer problema para o tio, ele me deu suco de graça!

O homem levantou a mão para bater na sua cabeça, mas ela facilmente aparou o golpe com a sua mão esquerda e torceu o seu braço, o empurrando para longe.

— Seu viadinho! — ele gritou, voltando a se aproximar. — Eu vou chamar a polícia! Isso é agressão!

— Viadinho, é o teu pai. — Hinata gritou na mesma altura o fulminando com o olhar. — Eu sou uma mulher! E é senhorita para você, seu velho maldito!

O tio do restaurante apareceu da cozinha, depois de escutar os gritos dos dois e tocou o ombro do velho que parecia ainda mais revoltado. — Por favor, acalme-se, senhor!

O homem não escutou e continuando seus atos de raiva desgovernados, ele empurrou o tio da barraca para o chão e chutou uma mesa próxima.

Hinata também percebeu, quando os olhos do homem se voltaram para a sua mesa e antes que ele conseguisse fazer qualquer coisa contra a integridade da sua comida, ela se colocou na frente da mesa.

— Eu já te disse que podemos resolver isso lá fora!

— Você tem que se desculpar comigo primeiro e pagar pelos danos.

— Vai se foder, seu velho, você que não olha por onde anda, eu devo te recompensar por não saber usar os olhos?

O velho se preparou para arremessar outro soco na sua direção, mas antes que Hinata conseguisse usar um de seus movimentos para acabar com aquela história, chutando aquela bunda idosa para longe de sua comida, outro braço aparou o golpe.

O braço possuía um relógio de grife nos pulsos que Hinata já havia visto antes e ao procurar o seu dono, ela encontrou com o Uzumaki desaparecido a cinco dias, olhando-a friamente.

— Porque você não esperou pela Sakura no quarto? — ele perguntou.

Ele estava muito perto e quando a sua respiração quente bateu diretamente no rosto dela, a sua bochecha começou a aquecer. Ela não esperava nenhum pouco aquela sensação e se afastou um passo.

— Você é responsável por essa menina?

O homem perguntou tentando puxar o braço de volta, mas Naruto não largou e continuou o ignorando.

— Eu estava com fome, deixei uma mensagem para ela. — ela respondeu a contragosto. — Mas, eu deveria estar respondendo isso para a Sakura, não pra você... O que você está fazendo aqui?

Naruto desviou os olhos dela, encarando pela primeira vez o velho revoltado.

Diferente do velho desgraçado, Naruto estava vestido em um dos seus caros ternos de linho, com sapatos brilhantes pretos e um relógio do pulso que deveria custar mais que toda aquela barraquinha de comida.

Qualquer que o visse naquele ambiente, saberia que ele não combinava em nada com aquele lugar.

Naruto empurrou o braço do homem e se colocou na frente dela e os olhos de Hinata foram atraídos para os homens de preto que estavam por todo lado na barraquinha. Haviam apenas dois homens a distância de dois passo das suas costas de Naruto e os outros estavam ocupados demais observando o movimento da rua e intimidando qualquer curioso.

Não tinha aquele pessoal todo quando ela entrou.

Hinata voltou o olhar para Naruto e batendo nas suas costas perguntou desconfiada. — Quem são esses?

Naruto olhou por cima do ombro na direção dos homens de preto. — Ninguém que te interesse.

Hinata suspirou desinteressada. — Que seja… Volte para o lado deles porque eu tenho que resolver algumas coisas com esse cara bem aí.

Hinata tentou tirar Naruto da sua frente para voltar a sua atenção na confusão que havia criado. Mas, ele ignorou as suas ações e a empurrou em direção a cadeira onde estava sentada a pouco.

Antes que pudesse reclamar dele, os dois homens de preto se moveram rapidamente em direção ao velho que ela discutia, cada um deles pegou um braço e o arrastaram para o lado de fora da barraquinha.

Naruto abriu o botão do seu paletó e sentou-se a mesa na frente dela. O tio da barraquinha se recuperou da baderna que havia se instalado no seu estabelecimento e se aproximou para pegar novos pedidos, mas Naruto o dispensou com a mão antes que ele perguntasse qualquer coisa.

O homem saiu silenciosamente, deixando Naruto e Hinata sozinhos pela primeira vez desde o hospital.

— Temos que conversar. — ele começou.

Hinata pegou um pouco da sua sopa e começou a bebê-la, ignorando o que Naruto tinha dito.

— Por que Kiba não está com você? — Ela perguntou notando que nenhum dos guarda-costas da sua empresa o acompanhava.

— Eu vim lhe ver… E me desculpar por não ter aparecido depois daquele dia.

Hinata levantou as sobrancelhas em choque, ela jamais imaginaria que ele se desculparia por todos os dias que ele não havia ido lhe ver. Ela sentiu lábios repuxarem, mas disfarçou o sorriso que se formava com uma tosse.

— Você deveria pelo menos ter ligado. — ela disse, escolhendo cuidadosamente as suas palavras. — Não que eu queira que você apareça ou algo do tipo... Mas, você sequer me disse quem foi que atirou na gente aquele dia… Eu quero saber, eu não quero que você tente resolver sozinho. Afinal, foi em mim que eles atiraram.

— Felizmente, eu não preciso de ajuda.

Hinata estalou a língua em desgosto e percebeu como Naruto parecia estranho. Era quase como se ele estivesse em uma reunião de negócios: frio, enrijecido e tenso. Não que ele costumasse ser o raio de sol em pessoa, mas ela jamais o havia visto parecer tão desconfortável.

— Então, me diz quem eles eram.

Ele ficou em silêncio por alguns instantes, fitando os seus olhos, mas Hinata não fugiu do escrutínio, lembrando-se vivamente dos rumores que Sakura havia lhe contado sobre ele.

Ela ainda não tinha certeza se devia acreditar ou não naqueles boatos e muito menos havia descoberto o que faria se fossem verdade.

Mas, nada daquilo lhe pareceu importante naquele momento. Ela apenas queria cumprir o seu dever de protegê-lo. E para isso, ela precisava saber quem tinha comandado o ataque e se eles haviam sido neutralizados.

— Já esta tudo resolvido. — ele respondeu novamente.

Hinata puxou o cabelo com força em frustração. — Como? É isso que eu quero saber.

Ele voltou ao silêncio e quando ela levantou a sobrancelha em questionamento, esperando pela resposta, ele colocou os dois braços sobre a mesa e aproximou-se dela, convidando-a a fazer o mesmo.

Hinata o olhou desconfiada e aproximou-se lentamente, preparando-se para atacar se ele fungasse errado para perto dela. Mesmo que os efeitos dos remédios estavam a fazendo parecer meio retardada, ela ainda conseguia se defender.

Ela sentiu a sua ansiedade subindo quando ela chegou muito perto e apertou a mão em punhos.

— Eu quebrei todos os ossos dos corpos de quem tentou nos matar e mandei eles de volta para o chefe deles… — os olhos dela se estreitaram. — Assim eles vão saber que eu sei quem eles são.

Ele se afastou, recuando para a sua cadeira e pensou que naquele instante absolutamente tudo nele gritava máfia!

Ela lhe lançou um olhar desinteressado. — Você está tentando me assustar Naruto? Por que eu já vi você fatiando o rosto de uma pessoa, além disso, não é lá muita coisa que me faz ficar com medo.

Ele quase sorriu. — Eu sei disso. Apenas estou com dificuldade de decidir se isso é resultado de você ser uma guarda-costas ou de você ser imprudente, irresponsável e impulsiva. — ele se aproximou novamente. — Porque qualquer um estaria correndo pela sua vida.

O silêncio reinou por alguns segundos antes de Hinata finalmente responder. — Você está me chamando de imprudente, irresponsável e impulsiva?

Ele revirou os olhos. — Você perdeu o ponto da discussão.

— Logo, a pessoa que salvou a sua vida?

Ele suspirou irritado. — Você vai jogar isso na minha cara resto da minha vida?

— Óbvio.

Os dois se encararam em silêncio por mais alguns segundos, antes dele recuar de volta para a sua cadeira, com o fantasma de um sorriso brincando nos seus lábios.

Naquele momento, enquanto Hinata fazia questão de ignorar a pergunta dele, ela estava, na verdade, dando uma resposta para a pergunta velada que ele queria fazer.

Ela não tinha medo dele ou de estar perto dele.

Hinata só esperava que ele entendesse aquilo sem ela ter que falar com as próprias palavras. Por que isso nunca aconteceria. Nunca.

Notas finais
Já ocorreu a mudança de classificação. Também acrescentei avisos novos, porque nessa história serão abordados assuntos como sexo e bissexualidade... Então se você se sentem desconfortáveis com esses temas, eu não vou poder fazer nada, porque essas passagens serão importantes para a evolução da história. Por favor, comentem! Se puderem favoritem também.