Guarda-costas
117 Capítulo cento e dezessete
Notas iniciais
— Ninguém está do lado de fora Hinata. Nós dois estamos aqui igual idiotas sozinhos. Isso quer dizer que você foi enganada por alguém e eu fui abandonado por um filho da puta!
Hinata correu para a varanda e percebeu que a mesma estava fechada e que ninguém estava do lado de fora. Ela, então correu pela casa, não encontrando nenhum dos seguranças, empregados, nada. Gaara foi até ela a sala e abriu a porta.
— Trancada também. Eles querem atrasar você para não correr atrás de ninguém.
— Filhos da puta! – Hinata gritou. – Eu não acredito nisso. Que porra que está acontecendo?
Gaara saiu da porta e sentou-se no sofá da sala confortavelmente. A sua expressão calma como sempre, mas as suas mãos estavam em punhos, mostrando toda a força que ele fazia para suprimir a sua raiva.
— Qual era o plano de você aqui? – ele perguntou apaticamente. – Você queria me usar de refém contra o Gaara? Me matar? Já adianto que Gaara não se incomoda com mais ninguém que não seja ele.
Hinata olhou para ele e sentou-se em outro sofá do lado oposto. Os dois ficaram em lados opostos sentindo-se humilhados e cansados por motivos próprios e direcionados para homens completamente diferentes.
— Eu não iria te matar Kiba, você sabe que eu não faria isso.
Kiba bufou frustrado. – Eu não sei de mais nada.
— Minha irmã, Kiba. – ela disse tentando não se desesperar, mas já sentindo as lágrimas enchendo os olhos dela. – Ela não tem nada a ver com tudo isso, ela apenas entrou nisso para me ajudar. Ela nem deveria ter vindo para Tókyo. A vida dela está toda feita em outro lugar, com os nossos pais, ainda assim ele veio para cá, para mim.
Ela desabou, sentindo a tristeza acumular dentro dela. E uma incapacidade terrível nublar qualquer tipo de raciocínio. Hanabi não deveria estar nessa situação. Hinata fez tantos erros, mas o pior deles foi confiar novamente em pessoas que ela não poderia.
Como ela pode esquecer novamente quem eram aquelas pessoas? Ninguém tinha honra suficiente para manter a porra de sua palavra nessa merda. Ainda assim, ela insistia acreditar nas pessoas. Isso não podia continuar assim.
— Onde está a minha irmã, Kiba?
— Não sei, Hinata. – ele respondeu se levantando novamente em direção da bebida, o sol ainda estava no alto, mas ainda assim, quando Kiba lhe trouxe um copo de uísque, ela tomou de um gole só. – Eu sei que você acha que eu significo alguma coisa como moeda de troca, mas você está perdendo seu tempo. Não existe nada de valioso aqui para você.
— Parece que nós fomos enganados. – ela disse, abandonando o copo de bebida na sua frente.
— Você foi enganada, eu me deixei enganar, eu já sabia a muito tempo que quando uma pessoa se entrega de forma tão profunda a vingança, não tem como se entregar a mais nada. Ou a mais ninguém.
Hinata entendia o que ele falava, mas melhor que isso, entendia sobre quem exatamente ele estava falando. Ela sabia melhor que muitas pessoas quem era aquele homem na sua frente que parecia tão profundamente triste, mesmo que escondesse o sentimento debaixo de uma máscara de apatia.
Kiba se via em Gaara.
Mas, os dois não eram a mesma pessoa. Porque não importasse o quanto Kiba tivesse cruzado linhas para alcanças verdades e fazer vingança, ele nunca machucou um inocente. Gaara por outro lado tinha pego a sua irmã.
— O que ele vai fazer com Hanabi, Kiba?
— Gaara não vai fazer nada com ela. Ela é inútil para ele. Mas, tem uma segunda pessoa nessa equação que busca vingança tanto quanto Gaara.
— Itachi. – O nome daquela pessoa era como ácido na língua de Hinata e ela queria fazer de tudo para ter alguns minutos a sós com ele. – Ele quer se vingar de mim, obviamente. E que melhor forma para isso do que fazendo nela a mesma coisa que eu fiz no irmão dele.
— Por aí. O velho, olho por olho que não falha nunca.
— A troca já deve ter sido realizada. Nesse momento, Gaara e Itachi possuem todo mundo nas suas mãos. Eles podem simplesmente já estarem todos mortos, Kiba. Talvez até mesmo Naruto já tenha--
— Não. – Kiba interrompeu, raciocinando um pouco melhor as informações que possuía sobre a personalidade de Gaara. – Ele não faz coisas sem sentido. Se ele quisesse apenas matar o Naruto, ele já tinha feito isso a muito tempo. Ele quer provar um ponto.
— E quanto tempo vai demorar para ele provar um ponto? Quanto tempo eu tenho?
— 24 horas. Eu manteria eles vivos por mais 24 horas. E depois iria para os outros reféns. Hanabi também não tem tanta importância para Itachi, ele provavelmente vai deixar para matá-la apenas quando já estiver tudo terminado.
— 24 horas. Certo. Agora eu só preciso de duas coisas. Um local. Você consegue isso para mim?
Hinata sabia muito bem sobre as habilidades de hacker que aquele homem refinava diariamente, mesmo que lhe fosse proibido. Mas, agora ela não contava apenas com as habilidades que ele possuía em abundância. Ela contava também com a raiva dele. E se tinha uma coisa que ela poderia confirmar, era que Kiba estava puto.
— Eu posso ver para você. – Kiba deu uma resposta quase invasiva, mas os seus olhos brilhavam
— Ótimo. Se você conseguir isso, eu não vou nem escalpelar aquele ruivo, eu vou deixar você fazer isso sozinho.
Kiba sorriu completamente sem humor. Hinata entendia aquele sentimento muito bem, até porque ela também tinha contas a acerta com um velho amante.
Hinata foi em direção a porta. – Agora, eu vou atrás da última coisa que precisamos para completar essa nossa mais nova missão de suicídio. – Kiba a olhou questionadoramente. – Pessoas. E eu sei o lugar perfeito para encontrar um exército.
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Itachi acompanhou Gaara até o lugar onde Naruto e Yumi estavam sendo guardados. Do lado de fora do local onde ambos eram mantidos, só se podia ver um enorme muro com um outdoor bem na frente, estampando informações sobre a construção de um prédio no local. Um prédio que seria a sede de uma instituição de caridade no nome das empresas Uzumakis.
Itachi pensou que havia um tom de crueldade escolher um local dos próprios Uzumakis para ser a sua sepultura. Mas, também era muito inteligente, porque ninguém pensaria que eles estariam sendo mantidos bem debaixo dos próprios narizes.
Itachi havia mandado vários grupos de busca para localizar Naruto e Yumi, sabendo que eles procurariam em todas as propriedades erradas, perdendo tempo precioso sem nunca conseguir encontrar nenhuma pista. Brilhante. E muito bem planejado.
O carro deu a volta no quarteirão, entrando na propriedade pela parte de trás do prédio e do lado de dentro havia apenas um enorme galpão que cobria quase toda a extensão do terreno. Qualquer pessoa que entrasse ali, mesmo que tivesse a intenção de atacar Gaara teria um enorme trabalho reconhecendo o terreno e descobrindo como efetivamente chegar até ele.
O lugar era simplesmente perfeito, mas Itachi já sabia disso a muito tempo.
Ele, assim como Gaara, nunca entrava em uma luta sem ter um plano a prova de falhas. Ele tinha uma equipe pronta para atacar se qualquer coisa acontecesse com ele, e tudo que ele precisava fazer era apertar um botão no seu relógio a cada dez minutos para alertar aos seus homens que ele estava vivo.
Se em dez minutos, eles não recebessem qualquer sinal da parte dele, os seus homens tinham carta branca para entrarem atirando e fazerem perguntas depois.
Ele não conheciam o layout do local, muito menos os milhares de atalhos subterrâneos que provavelmente haveriam escondidos, mas um ataque rápido deveria ser o suficiente para não dar qualquer chance de fuga para Gaara e para os seus próprios capangas quando o tempo chegasse.
— Onde está Sasuke? – Itachi perguntou assim que saiu do carro.
— Com pressa, Itachi? Você ainda nem viu a melhor parte. – Gaara respondeu entrando no armazém por uma porta lateral que não chamava a atenção de ninguém.
— Eu sinto que você não está cumprindo a sua parte do acordo. – Itachi foi direto ao assunto, porque ele não tinha tempo para jogos de palavras. – Meu irmão deve ficar longe de qualquer lugar perigoso, e eu não consigo imaginar nenhum lugar mais perigoso que em suas mãos.
Gaara sorriu. Itachi, não.
— Ele está sendo bem cuidado e com uma excelente companhia. Eu sinto que a menina que você quer matar por causa de Hinata tem uma quedinha por ele. De todas as formas, não se preocupe ele não está aqui, se é isso que você queria saber.
E era. Itachi sabia que Gaara não tinha qualquer interesse em seu irmão, porque por mais cruel que ele fosse com qualquer um que aparecesse em seu caminho, ele não era o tipo de pessoa que fazia maldade para qualquer um de forma arbitrária.
Contudo, mesmo que a sua não-presença no galpão fosse uma boa notícia caso Itachi ordenasse o ataque, ainda era uma notícia ruim, porque Sasuke ainda não estava ao seu alcance.
Dois dos homens que os acompanhavam trouxeram Minato para dentro arrastado, e Itachi apenas seguiu Gaara por onde ele ia. Do lado de dentro, haviam inúmeras colunas e grande prateleiras de metal onde se colocavam caixas.
A maioria das prateleiras estavam vazias, mas algumas estavam carregadas de coisas. Itachi não podia adivinhar o que eram, ou sequer se ela significavam alguma coisa, mas ele sentiu os seus sensores apitarem assim que eles se aproximaram um pouco mais das caixas.
Contudo, aquele lugar não era para onde Gaara ia. Ele entrou em um dos corredores vazios e seguiu até o final do galpão, descendo por uma escada que os levavam para o subterrâneo. Novamente, não havia qualquer segurança ali, exceto um guarda que acenou para Gaara quando ele passou por ele e uma câmera bem em cima da entrada que monitorava todo o corredor.
Honestamente, para Itachi aquele lugar se parecia estranhamente com uma tumba, mas aquela impressão se baseava não apenas no evento que ambos realizariam no local, mas também ao fato de ele não confiar nenhum pouco no ruivo na sua frente.
Gaara tinha pensamentos profundos e muito difíceis de serem revelados. Os planos dele eram como uma grande névoa, mesmo que os objetivos que ele almejava estivessem escancarados. Além disso, mais do que aquela névoa incerta, o futuro além daqueles objetivos era uma grande tela em branco, que Itachi não tinha certeza se Gaara tinha muita intenção de preencher.
Os dois avançaram sobre os corredores subterrâneos até que chegaram em um lugar que era um enorme quadrado, com uma porta na frente, um ponto final. Na sala, várias telas com imagens que apareciam em tempo real, mostrando tudo o que acontecia do lado de dentro.
Naruto e Yumi acorrentados em cadeiras, parecendo cansados, irritados, e prontos para matarem um ao outro.
Aquela era uma visão e tanto.
— Você já começou com eles, não?
Gaara apontou com a cabeça para os guardas saírem e fecharem a porta deixando apenas os dois para trás com um desacordado Minato.
— Apenas compartilhamos histórias antigas. Nenhum dos dois ficou muito feliz com o que descobriu.
— Você sabe que isso pode fazer com que os dois se unam contra você, não é?
— Mortos não fazem motim, Uchiha.
Itachi permaneceu olhando para as câmeras e pensou o que Naruto faria quando olhasse o seu pai. Será que ele deveria desarmá-lo? Quem Naruto tentaria matar primeiro se ele não estivesse acorrentado como um animal? Yumi? Minato? Gaara? Ou o próprio Uchiha?
Ele nunca teria a oportunidade de escolher.
Itachi foi até onde estava Minato e o arrastou até a porta que foi aberta automaticamente e por onde Gaara e Itachi passaram. Os olhos que vieram na direção deles primeiro foi o de Naruto, focado e cheio de ódio. Mas, por incrível que parecesse, o ódio não estava direcionado nem a Itachi, nem a Gaara, mas ao homem que eles seguravam.
— Óbvio que você apareceria também. – Yumi foi a primeira a falar. Sua voz como erva daninha que crescia por cima de tudo que poderia ser minimamente bom. Itachi sabia que ele não era lá uma pessoa muito boa, mas Yumi, ela era o próprio diabo. – Apenas um de vocês não conseguiria reunir um triunvirato tão importante.
Sasuke direcionou o corpo de Minato para uma cadeira e o sentou ali e logo pegou um balde de água que estava esperando apenas esse momento para ser utilizado e o jogou na cara de Minato. O corpo dele acordou antes da mente e grandes olhos azuis se encontraram com outros da mesma cor.
E pela primeira vez em muito anos, Itachi realmente estava ansioso por um encontro entre pai e filhos. Mesmo que ninguém compartilhasse de sua alegria.
Itachi pegou a arma do coldre por baixo do seu terno e apontou a arma para a cabeça de Minato, enquanto Gaara se sentava do lado oposto apenas observando a movimentação. Itachi não sabia o que ele pretendia, mas ele tinha uma ideia sobre o que faria com Minato, fazer ele experimentar do próprio veneno.
A cruel faceta de se decidir. Assim, como o pai de Itachi precisou se decidir entre a continuação entre a guerra entre as famílias ou entregar o seu menor herdeiro com refém. Na época, os Uchihas escolheram abdicar de Sasuke, porque Itachi ainda não era grande o suficiente para tomar aquela decisão.
Se ele fosse, Itachi nunca teria abandonado Sasuke com os Uzumakis, nem que para isso, ele levantasse o inferno na terra e todo mundo morresse em uma guerra sem sentido. Isso era o quão importante Sasuke era para ele, o quanto ele continuava a ser.
Mas, para Minato, quem era mais importante? A sua filha nascida unicamente do dever que ele tinha com a sua esposa, ou o filho que foi criado por outro homem que também roubou a sua mulher?
Ele teria que escolher. E Itachi assistiria de camarote o sofrimento que ele sentiu muitos anos atrás quando assistiu um dos seus partirem sem poder fazer nada para impedir.
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