Guarda-costas

118 Capítulo cento e dezoito


Notas iniciais
Novo capítulo

Tókyo sempre havia sido um lugar conhecido pelos diversos conglomerados de prédios, empresas e indústrias, alguns funcionando com o nome de seus próprios negócios, outro sendo compartilhados por vários donos. Era fácil andar nas ruas e olhar para aqueles gigantes de concreto e descobrir a quem pertencia aquele lugar, o dinheiro de quem pagava as contas... e as pessoas.

Naruto tinha vários prédios daqueles e Hinata já havia visitado cada um deles. Quando ela perguntou para ele, porque ele mantinha tantos prédios e qual era a finalidade de todos eles. Ele simplesmente sorriu e explicou:

“Muita gente acredita que quanto mais você enxergar de uma pessoa, mais você é lembrado. Os Uzumakis sempre estiveram no centro de tudo. Não poderia ser diferente agora. Os prédios são apenas peças de um xadrez, quanto mais peças, mais parece que você esta ganhando.”

Quando Naruto falou aquilo para ela, ela não considerou nem um pouco interessante aquela explicação, na verdade, parecia bem confusa. Mas, depois de tanto tempo ao lado dele, ela sabia o que significava todas aquelas peças de xadrez, poder.

Explícito poder.

Mas, Hinata sabia, assim como Naruto, que não havia apenas uma forma de demonstrar poder.

Poder explícito era para aqueles que queriam ser tratados como reis, mostrar a todos o que eles eram capazes de fazer se fossem desobedecidos. Eles assumiam lados, eram líderes, tinham aliados e inimigos, além de serem os atores principais das guerras mais sangrentas.

Contudo, haviam aqueles que não estavam interessados na manipulação desses jogos. Eles apenas queriam crescer e se desenvolver em um ambiente seguro, mantendo a sua parte da barganha sem muitos perigos. Muitas das vezes trocando de lado quando fosse mais interessante aos seus negócios. Mantendo uma estabilidade interna tão grande que entreva líder e saia líder e eles permaneciam no mesmo lugar.

Era assim que muitas pessoas definiam os Hyugas.

Hyugas eram quase como um mito para os jogadores mais novos na guerra de poder. Eles eram antigos, cheios de dinheiro e com uma lealdade tão flexível que beirava a traição.

Eles estavam sempre onde convinham, onde era benefício e, dificilmente, alguém podia mudar aquela posição de passividade. Hinata sabia de tudo isso, mas ainda assim, ela tentaria o impossível para conseguiu um favor deles, mesmo que custasse a sua própria vida.

Hinata entrou no território dos Hyugas e em menos de dois segundos ela sabia que já havia alguém a vigiando.

Diferente de Naruto que se colocava em prédio de concreto no mais alto dos andares. O chefe dos Hyugas vivia em uma pequena vila de cultivação a duas horas do centro de Tókyo. Qualquer estranho que passasse por ali viria apenas um conjunto de pessoas humildes e trabalhadoras que trabalhavam com as mãos e não com o cérebro.

Mas, Hinata cresceu em um lugar como aquele e ela sabia que os muros que rodeavam a vila eram ainda mais perigos justamente por parecerem tão inofensivo.

Hinata suspirou e apressou o passo sem se importar com qualquer um que estivesse a seguindo ou passando pela sua frente. Naquele momento simplesmente não haviam muitas coisas que pudessem pará-la de chegar ao destino que almejava.

E ninguém a parou.

Hinata esperava uma hospitalidade mais hostil daquelas pessoas ou pelo menos curiosidade uma vez que as ruas estavam cheias de pessoas. Mas, nenhuma delas de importou muito com a sua presença. Apenas deixaram-na seguir após um olhar verificador.

Será que eles a reconheciam e, por isso, não a impediam de continuar ou era por que ela estava andando tão decidida que ninguém ousava pará-la?

Não foi até que ela estivesse chegado perto de um grande casarão, após meia hora de caminhada que ela percebeu que ela possuía algo que nenhum estranho possuiria: os olhos de um Hyuga.

O seu pai havia falado mais de uma vez que os nossos olhos, por mais exóticos que pudesse parecer para as pessoas de fora, eles eram bem comuns entre a sua família e era um símbolo único de identificação. Eles simbolizavam família e lealdade. A única lealdade que realmente importava e que jamais poderia ser quebrada.

Ela parou em frente ao casarão e encontrou, esperando-a na porta, um homem que parecia bastante com o mordomo de Naruto, exceto pela aparente amabilidade e gentileza.

Hinata gostou dele imediatamente.

— Senhorita, Hyuga, como vai? – ele perguntou assim que ela se aproximou e ela se sentiu imediatamente como uma lata de lixo em comparação a ele.

Ela ainda estava vestida em simples calças jeans e camiseta preta, ela sequer pensou em trocar de roupa antes de ir até ali. Um erro. A pessoa que ela iria se encontrar se importava bastante com formalidades, mas ela tinha mais pressa que vontade de satisfazer. Ela precisa de ajuda. Imediatamente.

— Olá. – Ela disse com um sorriso embaraçado no rosto e foi a única coisa que ela respondeu.

Ela ainda tinha dúvidas se eles haviam a reconheciam como a filha mais velha dos Hyugas, ou para eles ela era apenas um dos deles, alguém comum. Esta última parecia ser a possibilidade mais plausível, porque, ela não conseguia se imaginar sendo tão bem recebida pelos empregados de seu pai.

Afinal, ela havia sido banida. Para sempre.

Para todos, ela havia sido excluída da família e retirada às forças da linhagem sagrada deles por ter cometido um grande erro contra a sua família. Todos acreditavam que o seu forte pai havia a punido a banimento, sacrificando a própria filha pelo bem da honra de todo o clã. Mas, a verdade não poderia estar mais longe disso.

A verdade do seu banimento era que os seus pais amavam mais do que tudo, o suficiente para respeitar a sua própria decisão de evadir a família, algo que nunca ninguém havia feito antes.

“- Você tem certeza disso? – Hiashi perguntou para a sua filha. Ela estava com as malas nas mãos, apenas a espera de seus pais. Eles já haviam adivinhado a muito tempo que a sua filha estava em um ponto de escolha, ou ela descobria de uma vez por todas que aquele era o seu lugar e assumia todas as funções de seu papel de herdeira, ou ela iria embora com uma mão na frente e outra atrás. Para sempre.

Aparentemente, seus pais já haviam descoberto a resposta daquela pergunta a muito tempo, mesmo que Hinata tivesse passado tanto tempo para se decidir.

Para Hiashi, Hinata simplesmente era muito parecida com a sua mãe. Ela funcionava como um pássaro, sempre preparada para voar e completamente ressentida de qualquer coisa que tirasse a sua liberdade. Hinata, de fato, não era cotada para a vida de herdeira, para as necessidades de cuidar de uma família, de um negócio. Ela simplesmente não tinha desejo o suficiente para sustentar um clã em suas costas.

— Sim. – Hinata disse decidida pela primeira vez na sua vida.

Ela precisava dizer aquilo com toda a certeza que possuía no seu coração, pois se fosse diferente, se seu pai observasse qualquer dúvida na sua fala, ele não a deixaria ir embora. Ainda assim doía. Dizer aquela palavra tão necessária doía mais que tudo aquilo porque não era fácil para nenhuma pessoa simplesmente sair do lado das pessoas que ela amava tanto. Saber que ela não poderia voltar nunca para casa e para o colo de sua mãe.

Mas, para ela, não havia qualquer outra opção.

Um herdeiro sempre teria missões a cumprir. Sempre deveria estar disposto a se sacrificar pela sua família, e, sim, mesmo que ela fosse capaz de morrer para proteger todos eles, ela não era capaz de assumir os negócios, de ser rígida com seus entes queridos, muito menos, de encher as mãos de sangue pelo seu clã.

Ela era uma protetora, não um soldado. Ela gostava de ser boa, passar a mão na cabeça por mais errado que as coisas estivessem, ela gostava de ser completamente parcial para a sua família sem se importar com mais ninguém.

Mas, o seu clã não precisava de um líder assim. Não merecia um líder assim.

— Eu esperei para que Hanabi pudesse crescer mais um pouco, assim o senhor não ficaria sem alguém para introduzir para o restante da família. – Hinata se sentia mal por jogar a sua irmã no fogo, mas diferente dela, Hanabi combinava muito bem como o papel de líder.

Talvez fosse um pouco egoísta da parte dela simplesmente jogar tudo nas costas de uma menina que ainda era muito nova para entender as exigências do cargo. Mas, Hinata sabia que quando chegasse o momento, Hanabi escolheria por conta própria. Assim como ela.

— Eu conversei com ela. Ela disse que estava tudo bem. Eu tomei a liberdade de me despedir dela antes de contar a vocês. Desculpa.

Hiashi apenas a observava de cima a baixo, Hinata não sabia o que ele estava sentindo, afinal ele gastou muitos anos de sua vida para aperfeiçoar o seu herdeiro perfeito e agora todo aquele esforço estava indo abaixo porque ela era muito fraca.

Como que ele iria olhar para ela agora? Como uma filha rebelde ou como uma fracassada?

Seu pai sempre havia sido muito bom com ela, sempre a entendendo, mas ela não o culparia se a frustração fosse o que ela receberia. Ela entenderia e nunca mais guardaria rancor.

A sua mãe ao lado olhava apreensiva para Hiashi, esperando que ele falasse algo, nesse caso, ela não teria muito o que dizer, pois a última palavra era sempre do líder. Mas, ele também não disse nada. Ele saiu de dentro da casa e foi para fora, Hinata seguiu atrás dele com a mala nas mãos. Do lado de fora já havia um carro esperando.

Hinata virou para o seu pai com olhos arregalados e sentiu algo apertar em sua garganta.

— O senhor já sabia? – ela conseguiu perguntar depois que o pior da emoção passou, mesmo que seus olhos estivessem próximos de enxarcar.

— Eu não seria um bom líder.... ou um bom pai, se não soubesse que a minha filha desordeira estava prestes a fazer desordem.

Hinata deixou as lágrimas descerem os seus olhos e correu até o seu pai para abraçá-los por trás. Ela não se atreveu a olhar para o seu rosto, porque sabia que o seu pai sofria os meus problemas de lágrimas que ela. Nisso ambos eram muito parecidos.

A mãe dela também se juntou ao abraço, tocando a sua testa nas costas de seu marido, assim como Hinata.

Ninguém disse nada, apenas ficaram naquele momento até que Hinata finalmente entrou no carro e nunca mais voltou.”

Voltando a realidade, ela observou o sorriso paciente do homem na sua frente e se sentiu menos nervosa. Ela tinha que agir um pouco mais rápido, Hanabi e Naruto não podiam esperar até que ela tivesse tempo suficiente para se sentir confortável com a situação. Ela respirou fundo e disse com o ar mais formal que conseguia:

— Eu gostaria de falar com o líder, Hyuga Neji. É urgente.

O homem permaneceu com o olhar gentil no rosto o que parecia ainda mais estranho, qualquer pessoa que viesse tão diretamente procurar pelo líder dos Hyugas receberia um tratamento diferente, pelo menos um olhar de surpresa. Mas, era como se eles já esperassem por ela.

— Por aqui, senhorita Hyuga.

Hinata entrou no prédio, seguindo o homem na sua frente e ele a levou para uma sala um pouco mais longe. Neji Hyuga era o líder aparente do clã. Ele participava das reuniões e negócios visíveis da família, enquanto o seu pai tomava as decisões por detrás do pano.

A presença dele tornava o clã estável e ninguém pensava menos dele, apenas porque ele não fazia parte da família principal, porque ele tinha a coisa mais admirável pelos membros, lealdade a coesão da família.

Mesmo podendo, ele nunca havia exposto qualquer sinal de traição, mesmo depois que ela declinou o papel de se tornar a futura sucessora, deixando a família com um abalo interno. Muito pelo contrário, ele segurou os problemas e se negou a mudar o destino do clã.

Ele era o seu primo, a coisa mais próxima que ela tinha de um irmão mais velho. E era isso que a deixava com mais medo. A bronca seria monumental. E ela meio que merecia.

O homem abriu uma porta e do lado de dentro Neji se virou para olhar em sua direção. Os olhos escuros e sérios olharam diretamente na sua alma e eram como machadinhas na sua cabeça. Assustador. Mas, mais assustador ainda era a possibilidade dela não conseguir a ajuda dele para salvar Hanabi e Naruto.

Ela não podia deixar isso, então ela não desviou o olhar.

O homem que parecia gentil a abandonou sozinha com o seu primo, pronta para ser devorada, mas ela não arredou o pé, por mais que quisesse bastante.

Neji não era apenas assustador, ele também era uma pessoa que ela respeitava muito e ter que mostrar para ele o quanto que ela foi estúpida e todos os erros que havia cometido era humilhante.

— O que você aprontou agora, Hinata?

Foi a primeira coisa que ele perguntou para ela e pela primeira vez ela abaixou a cabeça envergonhada, ao mesmo tempo que lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto em desespero.

Notas finais
Eu ainda estou sem computador, então o próximo capítulo talvez atrase. De todas as forma, ainda deixarei o prazo para o dia 26 desse mês! O que vocês acharam do novo personagem? Será que Hinata merece perdão depois de ter deixado a família?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.